Muitas civilizações apareceram e desapareceram em nosso mundo sem deixar rastros do que aconteceu com elas, e poucas pessoas souberam o básico delas.
O que ninguém esperava é que estes povos tinham encontrado uma maneira de entrar em contato com um mundo diferente do nosso, chamado de Ataui.
De acordo com a lenda em comum entre todas as civilizações, existem quatro portais espalhados pela Terra que possuem o poder de transportar quatro pessoas para Ataui. Contudo eles só são ativados quando alguém de Ataui os ativa para que somente uma pessoa possa passar por ele.
Cada pessoa assim que transgredisse para o outro mundo teria como controlar um dos quatros elementos da terra: fogo, água, vento ou terra. Estas pessoas devem restabelecer a paz.
Na cidade de Cusco no Peru, Karen e seu irmão Marciel de 15 e 16 anos acompanham seu pai em um estudo arqueológico nas ruínas Incas, encontradas recentemente no Bosque de Cusco, no meio de uma floresta de eucaliptos.
Embora as escavações fossem razoavelmente longe da cidade, todos voltavam para Cusco, para passarem as noites.
Arthur o chefe das escavações, escrevia, na sala de sua casa, algumas anotações em um caderno, sobre as inscrições que descobrira no dia. Neste momento, sua filha Karen entrou na sala, então ele olhou para ela rapidamente e voltou para o seu caderno.
- Pai encontrou algo de interessante nestas escavações? - perguntou Karen.
- Não tenho visto nada muito diferente das inscrições que encontramos no Egito. – respondeu Arthur.
- Por algum motivo, estas inscrições, mesmo muito longe, estão ligadas. Elas contam a mesma lenda sobre os portais.
- Quatro portais espalhados pelo mundo, uma pessoa deverá passar por cada portal para salvar o mundo de Ataui quando for preciso. – Marciel falou, quando também entrava na sala.
- Você acredita mesmo que isso pode ser verdade? – Marciel questionou o pai.
- Não faço a mínima idéia, mas de acordo com as inscrições, vamos entrar amanha na câmara onde teoricamente é o tal portal. – o pai responde
– Bom pessoal, já esta tarde e acho que devemos ir dormir.
Arthur abraçou seus dois filhos e os viu subirem pela escada da sala que levava até aos quartos e então, ficou mais um tempo olhando suas anotações até que os seus olhos começaram a ser vencidos pelo cansaço e decidiu subir para o quarto também.
No dia seguinte, de manhã após o um café da manhã rápido, todos foram de ônibus para o local onde era a escavação.
Estava um dia nublado e ao chegarem, um dos funcionários que participava das escavações chamou Arthur e seus filhos acenando, então todos foram de encontro dele.
- Arthur, está proibido chegar perto da porta da câmara. – Informou Mosast.
- Qual o problema com a câmara? – Indagou Arthur então.
- Não conseguimos entrar por que ela é toda de pedra. Vamos explodi-la. - Mosast respondeu.
- Você não pode... – Antes mesmo de Arthur acabar de falar, um grande estrondo ouviu-se, no meio das árvores, ecoando.
Arthur ao ouvir o barulho agachou até a altura da cintura de Mosast e olhou para um grande buraco no chão, que os levava até o templo e viu uma grande fumaça espessa de poeira. Ainda agachado olhou para o lado viu sua filha atirada no chão com as mãos nos ouvidos.
- Alguém anotou a placa do caminhão que passou por aqui? – Perguntou Marciel de joelhos, batendo na cabeça para se livrar do pó do cabelo dele.
Ouviram um berro e uma pessoa saiu correndo do buraco, mostrando felicidade, porque o explosivo tinha rompido a porta de pedras.
Todos que estavam parados, olhando a fumaça, abriram um sorriso e começaram a comemorar o que seria a grande descoberta do Templo Inca.
- Vamos poder ver como é o portal da lenda agora. – Disse um homem de cabelos grisalhos que vinha se aproximando do grupo.
- Espero que você não tenha danificado nada, Frederico. – disse Arthur com uma frieza em sua voz.
- Acho que antes de você reclamar, você deveria ir até lá embaixo ver. – Frederico se mostrava confiante no que fizera. – Crianças querem ser as primeiras? É só pegarem as lanternas.
Mal acabara de falar e as duas crianças já tinham saído correndo com as lanternas em seus punhos, em direção ao buraco.
Arthur demorou em torno de cinco minutos para entender o que estava acontecendo lá, então pegou a lanterna e saiu correndo atrás das crianças.
Ele entrou no buraco e se deparou com um túnel que tinha um formato que lembrava um quadrado todo de pedra, e assim era o chão, as paredes e o teto. Em suas faces haviam alguns desenhos pintados, neles podia-se ver a imagem de uma pessoa segurando uma pedra acima da cabeça, a pintura era toda branca e preta, a não ser pela pedra cor vermelho fogo que era segurada ao alto
- Crianças? – O berro de Arthur ecoou pelo túnel.
- Pai, aqui no fundo. – A voz de Karen ecoou como resposta.
Então o pai acendeu a lanterna e foi caminhando em direção ao local de onde estavam vindo as risadas das crianças, até se deparar com um grande buraco em uma das paredes que tinha manchas de pólvora.
Ao entrar na câmara aberta ele olhou ao redor.
- Fascinante não acha? – Frederico disse logo atrás de Arthur.
Todos pararam para contemplar aquela sala que possuía pinturas com detalhes em ouro puro nos pilares, que faziam lembrar as chamas do fogo. No centro da sala havia um círculo com outro menor dentro, dentro deste círculo menor, havia uma estrela de seis pontas com o desenho de um sol em cada delas, e no meio desta estrela, havia um pequeno buraco.
Todos pararam então de olhar o lugar e direcionaram os olhares para os dois que brincavam de correr no meio da sala.
Arthur olhou para a direita e viu uma pequena tábua com umas inscrições e começou a lê-las. Assim que terminou de ler ele parou, pensou por alguns minutos, olhou pela sala e se voltou a todos.
- Alguém já entrou nesta sala. – Começou a falar Arthur - De acordo com as inscrições presentes aqui, deveria ter neste buraco, no centro, uma pedra cor de fogo que é algo que não existe.
- Esta pedra é o que faz o portal funcionar se alguém precisar, em Ataui.
- Tudo isso não passa de uma lenda. – Frederico comentou – Já notou que tudo aqui é praticamente ouro puro?
- Estamos ricos com esta descoberta. – Disse Mosast.
- Filhos, eu vou ter começar a trabalhar aqui, por favor, subam e me esperem nas barracas – Arthur pediu aos filhos – Estarei com vocês ao final do dia.
As duas crianças saíram da sala com suas lanternas erguidas e caminharam pelo túnel até que se pôde ver a luz, que vinha do sol, então as apagaram e caminharam para fora do buraco.
Eram sete horas da noite, fazia seis horas que tinham deixado de ver o pai, quando as crianças o avistaram saindo do buraco. Sua aparência era de cansado, estava muito suado e com o rosto com um pouco das cinzas da explosão.
Ele caminhou para dentro de uma tenda branca que mostrava a sombra de uma pessoa sentada a uma mesa, vendo a sombra de Arthur, que acabara de entrar, viu-se que ele sentou-se junto a ela também.
Era impossível, tanto para Karen quanto para Marciel, ouvirem o que se conversava no interior da tenda, mas pelo que puderam perceber pelas sombras, não era uma conversa amigável, viram a pessoa sentada se erguer da cadeira e levantar o braço com o punho fechado e acertar onde parecia ser o rosto do pai.
Depois de alguns minutos sem que as crianças soubessem o que estava acontecendo, viram o pai saindo da barraca com um saco de gelo no queixo e os dois foram ao encontro dele.
Ninguém disse nada e os três foram em direção ao carro que estava esperando-os na estrada que dava acesso às escavações.
Todos chegaram em casa e foram de encontro à cozinha, pois não tinham almoçado nada no dia.
- Marciel prepare algo para nós comermos, eu vou tomar um banho. – Disse Arthur.
- Eu também vou para o banho. - Disse Karen
Marciel ficou na cozinha enquanto os dois iam para o andar superior da casa, o pai subiu as escadas e foi para a esquerda, onde ficava o seu quarto, a filha foi ao final do corredor, a direita da escada, onde ficava o banheiro.
A menina entrou no banheiro colocou a mão no bolso da calça, então tirou uma pedra vermelha um pouco transparente com o formato triangular e um pequeno desenho tridimensional de uma chama.
Colocou-a encima da pia e ficou observando a pedra por um tempo, até que resolveu limpa-lá com a água da torneira. Quando saiu do banheiro Karen foi de toalha até seu quarto segurando a pedra na mão com muita força, depois a deixou encima da escrivaninha ao lado da cama, se trocou e foi até a cozinha.
Ao chegar à cozinha, o irmão e o pai olharam para ela e depois o dois se entreolharam e caíram na risada.
- Por que mulher demora tanto para tomar banho e se trocar? – Marciel já de banho tomado, começou a tirar sarro de sua irmã.
- Eu não demoro para tomar banho, nem para me trocar. – Retrucou Karen.
- O que aconteceu lá na tenda pai? – Perguntou Marciel.
- Meu chefe quer remover tudo o que achamos para algum laboratório dele. – Respondeu Arthur.
- Eu disse que sem saber o que aconteceu com a pedra do fogo, não temos como remover nada por enquanto.
- Esta pedra poderia te ajudar muito nas suas pesquisas? – perguntou Karen.
- Acho que esta pedra é a resposta de muitas coisas, uma delas é a de como não deixar uma civilização não sumir de Ataui. – o pai respondeu.
Quando todos foram terminar de jantar já era dez horas da noite e todos foram para seus quartos.
Karen entrou no seu quarto, sentou na cama e ficou encarando a pedra vermelha por alguns minutos e deitou-se.
Nesta madrugada uma luz vermelha começou a refletir no rosto da menina, o que fez ela acordar assustada. A pedra estava emitindo uma luz muito forte, o suficiente para iluminar o quarto todo dela.
O medo do que estava acontecendo ali começou a se espalhar dentro dela, o que fez com que ela soltasse um grito alto o suficiente para acordar seu pai e seu irmão.
A porta do quarto se abriu e a imagem de seu pai apareceu na porta. Karen saiu correndo chorando ao seu encontro e o abraçou.
- Me desculpe pai, fui eu quem pegou a pedra – Karen aos prantos falava – Eu não sabia o que era.
- Filha esta tudo bem, mas temos que leva-la de volta para o templo e agora. – disse o pai – Alguém esta chamando por ela.
Marciel pegou a toalha que estava na cadeira em frente a escrivaninha e embrulhou a pedra com cuidado para que não deixasse a luz sair por nenhum espaço.
Todos se arrumaram em alguns minutos e se encontraram na sala onde esperavam o taxista tocar a campainha para leva-los até a estrada, que dava acesso às escavações.
Os três desceram na estrada que dava acesso ao templo e foram caminhando por cerca de vinte minutos até começarem a avistar as barracas. Observaram que os seguranças estavam todos dentro da tenda onde Arthur havia discutido com chefe, no dia anterior.
Com cuidado, para não chamar atenção, eles passaram por todas as cinco tendas até a entrada do templo e desceram até a câmara.
Arthur desembrulhou a pedra da toalha e foi em direção ao buraco. Tentou encaixar a pedra de varias formas e não conseguiu. Quando Arthur estava desistindo de tentar colocá-la, a sua filha tomou-a de sua mão.
- Pai deixa que eu faço isso – Karen disse – eu sou a responsável por isso tudo.
- Marciel, quero você fora do circulo, eu vou ficar aqui do lado dela. – disse Arthur.
Karen ficou de joelhos na frente do buraco, colocou a pedra deitada que ficou um pouco para fora e a girou no sentido anti-horário, fazendo com que um pedaço do chão girasse junto, e a pedra entrou por completo no buraco.
Os dois ficaram de pé e viram que a pedra parara de brilhar, mas quando menos esperaram os desenhos no chão começaram a emitir uma luz branca forte que começou a iluminar toda a sala.
Arthur e Marciel foram jogados contra a parede e a Karen permaneceu imóvel dentro dos círculos. A pedra brilhou intensamente fazendo com que o brilho se refletisse para o lado de fora do túnel.
Os vigias perceberam algo acontecendo dentro da vala que dava acesso ao templo e viram a luz saindo de lá, todos se entreolharam, pegaram as armas e ficaram esperando a luz acabar para poderem entrar.
Quando a luz finalmente se desfez, só as luzes das lanternas sobraram. Arthur apontou-a para onde deveria estar à filha e nada encontrou, então olhou para o lado e viu o filho caído no chão de lado com o braço direito tampando os olhos.
- Para onde ela foi? – Marciel perguntou esfregando os olhos.
- Ela, ela, ela... – Arthur tentou criar forças para acredita e conseguir falar o tinha acontecido – ... foi para Ataui.
- Onde é o outro portal pai? – perguntou Marciel.
- Eu não sei, o outro que eu conheço era o do Egito, mas estava destruído. – Gaguejou Arthur.
- Pai, nós precisamos ir atrás dela. – falou Marciel.
Foi possível perceber que os seguranças estavam descendo e ouvir o que conversavam.
- Atirem em qualquer pessoa que esteja aí embaixo, não importa quem seja. – disse um deles.
O garoto levantou e foi até o centro do circulo onde a irmã estivera alguns minutos atrás e não entendia o que tinha acontecido, e o pai começou a olhar as escrituras nas paredes para saber o que a lenda reservava para a filha em Ataui.
- Você parado, eu vou atirar. – Um dos seguranças falou ao passar pelo buraco na parede.
Ouviu-se então um disparo, Marciel levantou-se e olhou para traz e viu seu pai caído no chão com uma marca vermelha no peito.
- Não! – Foi o berro que Marciel deu imóvel, ao ver a cena de seu pai agonizando deitado.
Neste momento todos os símbolos da parede emitiram uma luz branca e o vigia virou-se para o garoto e fez outro disparo.
Por alguma razão a bala não tinha sido capaz de atravessar o primeiro circulo, ela ficou parada no ar.
Todos os vigias que estavam dento da sala ficaram vendo a cena estranha, nunca vista antes, até que o chão voltou a brilhar intensamente, mas havia uma diferença, o circulo exterior estava emanando fogo ao invés de luz.
Arthur ainda consciente percebeu que seu outro filho iria ser levado também, algumas gotas de lagrimas caíram de seus olhos.
- Marciel – gritou o pai – fique sempre perto da sua irmã, cuide dela porque eu não poderei mais.
Assim que Arthur acabou de falar seus olhos se fecharam e ele foi para seu descanso. Marciel que não acreditava no que acabara de ouvir e ver, se pôs de joelhos deu um berro alto.
Um feixe de luz saiu do desenho do chão em direção ao teto que começou a desabar, as chamas começaram a flutuar no ar a um metro de altura.
A luz neste momento começou a ser tão intensa, que todos que estavam ali tamparam os olhos por alguns minutos, até que a luz se dissipasse.
Não restou nada no meio da sala, o garoto e a pedra tinha sumido juntos.
Ouviram passos no corredor, todos se viraram e viram Mosast.
- Eu vi um feixe de luz branca saindo da terra em direção ao céu, o que aconteceu aqui? – perguntou Mosast.
Ele olhou para a direita da porta e viu Arthur morto, deitado ao chão.