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› Autor: ~Christie
› Categoria: Ídolos/Amy Winehouse
› Gênero: Drama (Tragédia) / Musical (Songfic) / Romance e Novela.
› Personagens: Amy Winehouse, Audrey
› Classificação: Livre
› Adicionado em: 07/08/08
› Comentários/Favoritos 0/0
› Caracteres: 9.826
› Exibições: 62
Tamborilaza as pontas dos dedos sobre o joelho, olhava de um lado para o outro, de repente trazia uma mão sobre os cabelos negros com todos os seus fios fora do lugar. Não tinha um penteado descente para segurá-los firmemente. Então cruzou os braços, quanta impaciência ! Era isso mesmo ? Vejam só o que alguns dias sem heroína fazem com a mente de um viciado.
- Muito bem sr. Winehouse ! Se continuar deste jeito, não precisará mais ver o meu rosto. - disse uma mulher com uma prancheta na mão. Essa sim tinha um belo penteado, um coque que segurava todos os seus fios lioros. O banton vermelho lhe cobria os lábios por inteiro fazendo-os um destaque estravagante. E o pó de arroz fora usado as toneladas para parecer tão pálida quanto seu uniforme branco. - Sei que você detesta essas visitas de acompanhamento, mas elas são necessárias.
- Quanto tempo mais eu ainda tenho que ficar aqui ?
- Bom, isso depende de você. - agora pousou sua prancheta em seu colo.
A sala era vazia, por assim dizer, escarssa de movéis. Só havia uma cadeira e uma cama ligeiramente bagunçada, além delas duas. Não era grande, mas o vazio deixava-a espaçosa. Era simplesmente o que parecia.
- Detesto essa merda ...
- Como disse antes, você está indo muito bem. Você só tem que agüentar essa "merda" por mais alguns breves dias.
Esta levantou-se com sua prancheta da única cadeira que havia ali, pacientemente, fitou a drogada abraçando suas pernas sobre a cama, e retirou-se.
Tic-tac, tic-tac, tic-tac (...) era tudo o que era ouvido naquele maldito purgatório de quatro paredes.
Completaria quatro dias somado a esse que sua mente estava sóbria. Sem nenhuma heroína ou qualquer dose de cocaína, veja só, ela estava indo muito bem !
Do lado de fora daquela "prisão" de desintoxicação, os paparazzis estavam armados com suas câmeras fotográficas. Eles não poderiam perder um só flash para a imprensa. Os britânicos poderiam não tolerar atrasos (eles têm o Big Bang, nem eu toleraria atrasos, ou, me atrasaria) mas não deixavam escapar uma boa e única fofoca. O mais incrível de tudo, é que as fofocas ecoavam para o resto do mundo através dos esgotos de Londres de modo cordial. Isso tudo graças aos tabloídes e a copetencia dos paparazzis de plantão. Eles não deixariam nem o sorriso desintoxicado de Amy escapar (o que daria uma boa foto para o Mirror e o The Sun).
Suspirou furiosamente com a mesma impaciência que seu rosto deixava transparecer. Pôs os pés descalços no chão e sentiu a frieza do piso branco. Caminhou em direção à sua janela e um pensamento surgiu em sua mente sóbria há quase 96 horas. Puxa vida, como Londres é fria !
O vidro embaçado indicava o ar frio do lado de fora, os ingleses sobrevivem.
De repente a porta rangeu ao abrir, encontrava-se à lateral daquelas quatro malditas paredes. Rangeu novamente e Amy teve a impressão de que estava se fechando. Num baque, ela teve certeza, mas não se prezou a virar. Os passos ecoaram quase que inseguros e abafados.
- Amy ... ? - uma voz indagou.
- Como vai o papai e a mamãe, Audrey ?
- Preocupados e felizes.
Era Audrey, a confiável Audrey. Amy virou-se à ela revelando seu rosto baixo e desmaquiado. Sorriu largamente sem proferir uma única palavra ou deixar a cabeça à uma altura descente. Audrey continuou :
- Sem nenhuma overdose, é claro que eles devem estar felizes. Mas as notas não param de surgir. Pelo menos podemos contar com a Britney com um escandâlo maior para atrair a atenção deles.
- Eu não me importo com essas notas ou o que dizem sobre mim lá fora. Mas é engraçado como você consegue ser tão positiva nessas situações.
- Tudo vai acabar bem.
- Pete parece estar bem, mas os urubus não dão um tempo nem p'rá ele ou para seus pais. - Audrey a acompanhava com seu velho passo inseguro no jardim da clinica. - Olha só o que escreveram dessa. - e lhe entregou um papel de cores vibrantes. Era bastante colorido de fato. Audrey o estendeu esperando que Amy o apanhasse. E foi o que fez.
- Deixa eu ver isso. - Amy o examinou com tamanha distração. De repente levantou o olhar. - Puxa, não sabia que uma ou duas festas incomodavam toda aquela gente velha.
- Pois é, uma ou duas festas por semana.
- E ainda dizem que os ingleses são educados. Onde a educação fica quando se trata de falar da vida alheia ?
- Mas eles não foram interrogar seus vizinhos.
- Então o quê ?
- Um deles foi até a imprensa dizer o quanto ele curtia suas festas. Sem falar no barulho.
- Eu sabia que a sr. Blake não ia com a minha cara.
- A questão aqui não é a sr. Blake. - Audrey pausou. - Admita que você tem um pouco de culpa nisso.
- Eu não tenho culpa se meus vizinhos precisam de 15 segundos na TV ou se simplesmente acabou a lã do tricô. Eles têm que admitir qual era a intenção ao ir a imprensa. Ainda me lembro do que meus "amigos" disseram aos carniseiros.
- Amy, estou falando sério. Sei que da última vez você quis mudar, mas agora você está aqui por sua culpa. Seus pais tinham que tomar alguma atitude, já que você não o fazia.
Amy pausou e fitou o horizonte cinzento de Londres. Não conteu um risinho com uma ponta de tristeza e disse :
- Já tiraram aquele video do You Tube ?
- Não.
- Vou tentar então não dar motivos p'ro The Sun pulblicar essas notas.
- É assim que se fala.
Audrey estampou um largo sorriso no rosto brilhante e sardento. Sua felicidade transbordava através de seus dentes abertos.
- A única coisa pela qual não me entristece totalmente, é que eu não estou tão mal assim. Nem filhos eu perdi.
O sorriso de Audrey fora interrompido com o cometário sarcastico, então indagou :
- Pior ? Pior do que quem ?
- Britney Spears.
- A antipatia pelos paparazzis.
Ambas se encararam com sorrisos largos estampado em suas faces. Sim, Amy estava sorrindo enfim. Fazia algum tempo que ela não abria os dentes como aquele momento o qual Audrey a ajudou. O riso cessou. Amy aproximava-se de Audrey com um olhar mais sério, mais quente, menos triste : Indecifrável. Seus rostos estavam mais próximos a cada centimetro que diminiuia entre a distância de ambas.
- Eu tô feliz, sabia ? Isso é uma prisão, pensei que ninguém ia vir.
- Ei, mas eu tô aqui.
Os lábios colaram (selinho) inocentemente e automáticamente, e assim que se tornaram distantes outra vez, ambas sorriram. Não era nem um pouco estranho aquele tipo de comportamento, e sim comum entre amigas muito intimas.
De volta ao seu pequeno purgatório particular, ela parecia estar com o ânimo elevado. O ar de Londres era triste e elegante, mas não tão animador.
Talvez Audrey tenha lhe roubado dois ou três risinhos tristes. Bem, a cocaína lhe fazia falta (e como), e ela pagaria o dobro do que recebia apenas para ter esse prazer momentâneo outra vez. Mas ela mantinha o desejo e o esforço num perfeito equilibrio, arduo e desgastante, mas ainda assim compensador.
O céu escurecia do jeito mais deprimente. Parecia os dias em que Amy esteve só, mas Audrey brilhou .Cedo ou tarde ela apareceria para brilhar na eterna noite de Amy sóbria.
Puxa vida, Lily Allen está no topo das rádios sem nenhum escandâlo. Pelo menos a vida dela não está encurralada em uma clinica de reabilitação.
Pegou uma caneta e uma folha sem pauta, fitou o horizonte elegante e tamborilou a ponta na mesma folha sem pauta. Sim, a mesma que ela apoiava em seu colo naquela cama que, agora estava completamente bagunçada.
Parecia não ter uma gota de inspiração. Mas como o faria ? Nenhum quarto tão branco lhe daria qualquer idéia, era tão monótono e vazio.
Abandonou a folha sem pauta ao seu lado e pousou a caneta sobre a mesma. Suspirou. Abraçou novamente suas pernas e elevou seu pensamento. Não tinha menos do que cinco versos na folha, Amy a fitou e pareceu desapontar-se.
- Finalmente alguém apareceu ... - Disse à si mesma pousando o queixo acima dos joelhos juntos, ainda a abraçar as pernas. - Estou a beira de enlouquecer aqui.
De repente suas mãos esfreguavam sua face deprimida, libertando-se de vez do abraço nas pernas. Elevou as palpebras que pareciam cansadas e enterrou a cabeça no travesseiro. Estava tão encolhida. Sua cabeça estava mais apoiada sobre as costas das mãos do que funda no travesseiro. Pareceu derrotada ali. Suspirou uma vez mais, e as palpebras desciam como se ela estivesse quase adormecendo. Mais duas piscadas e pronto ! Ela dormiu.
Mais um dia com a mente sóbria para Amy.
[...]
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