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[Originais] Yuuai Tenshi: Elementais

Capítulo 14: Batalhas Ocultas


Autor: ~youngcloud

Categoria: Misc/Originais

Gênero: Ação, Aventura e Luta / Comédia / Romance e Novela. / Shounen

Tags: Brasil, Estados Unidos, Elementos, Batalhas, Poderes, Escuridão, Obscurum, Luz, Anima

Personagens: Courtney, Beatriz, Laura, Ashley, Justin, Glenn, Tomás, Thiago, Fernando, Vinícius, Eric, Miguel

Classificação: 14+

Adicionado em: 21/07/08

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Caracteres: 35.340

Exibições: 20

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CAPÍTULO 14: BATALHAS OCULTAS


Kuroko entrou no dormitório dos Lobos Negros onde havia várias portas que levavam para o quarto de cada um deles. Sim, cada membro de cada divisão controlada por Core possuía seu próprio quarto. Era até melhor que estar no exército. O garoto viu Kagenui e Rillian conversando com Kotarō. Eles estavam enchendo-o de perguntas, curiosos para saber o que ele andara fazendo. Porém Kotarō não parecia muito a fim de responder nada.

“Ei, deixem o garoto respirar,” Kuroko ordenou, se aproximando deles. Os dois olharam para ele e gemeram, afastando-se hesitantemente. Kotarō olhou para Kuroko, mas não disse nada. “Fiquei sabendo que você tinha voltado. Parece ter crescido um pouco…” o líder da divisão dos Lobos Negros comentou.

“Eu não sou uma criança,” Kotarō disse bem baixinho, olhando para o chão.

“Eu não disse isso. Só disse que você parece ter ficado mais forte.”

“Talvez…”

“Ei, Kuroko,” Kagenui chamou sua atenção. “Mestre Core nos queria reunidos por causa da volta dos comandantes, eles já devem estar voltando do prédio principal, então…”

“Entendi. Nesse caso, chamem Koto e vamos todos para a sala de instruções,” Kuroko anunciou.

“Certo,” Kagenui e Rillian responderam.

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“Vocês encontraram uma fonte de anima maligna e não avisaram à gente?” Courtney perguntou para Sommer e Johnny enquanto andava de um lado para o outro. Todos estavam reunidos na casa dela.

“E vocês que esqueceram de convidar a gente pra ter essa tal ‘conversa importante’?” Sommer disse.

“Não esquecemos de vocês… O problema é que justamente porque vocês saíram cedo da escola pra ir checar aquele ponto de energia obscura nós não conseguimos achar vocês,” Justin explicou.

“Foi sorte, na verdade, termos sentido essa energia. Se não, eu não sei se dariam conta daquele Obscurus sozinhos,” Glenn disse.

“Sem falar que vocês acabaram se encontrando com a Laura,” Ashley adicionou.

“Am… falando nisso, quem exatamente é ela?” Johnny perguntou.

“Ela tem perseguido a gente por um bom tempo agora porque suspeita que temos poderes sobrenaturais.”

“Mas nós temos!” Sommer disse de um jeito estranhamente alegre.

“Oooh, não me diga, gênio!” Justin provocou.

“Graças à lábia da Srta. Duarte nós conseguimos fazer com que ela fosse embora, mas ela vai voltar,” Courtney disse, olhando para sua professora que sorriu para ela.

“Mas, acho que mais cedo ou mais tarde ela vai saber de toda a verdade,” a Srta. Duarte disse, mantendo seu sorriso. “Ah, a propósito, eu já disse que vocês podem me chamar de Beatriz. Afinal, temos muita coisa em comum.”

“Pois é, somos Elementais…” Ryan disse.

“Court, o que você disse que tinha pra falar que era tão importante?” Alan perguntou.

“Ah, é mesmo,” Courtney disse, assentindo com a cabeça e andando para fora da sala. “Eu vou chamar meus irmãos. Por que vocês não aproveitam e chamam os seus?”

“Já ligamos pra eles, eles devem chegar a qualquer minuto,” Justin disse, olhando para Glenn de relance. Nesse instante, a campainha tocou.

“Não morrem tão cedo…” Beatriz disse.

“Hã?” todos questionaram.

“Ih, desculpa, expressão brasileira boba!” ela disse, balançando a sua mão.

Algum tempo depois, Nat e Alex, irmãos de Courtney, se juntaram a eles. O irmão menor Glenn e os irmãos menores de Justin também.

“Todos aqui, certo? Keane, Devin…” Courtney disse, apontando para os irmãos de Justin. “… e Lance,” disse, apontando para o irmão de Glenn. “É, com eles mais meus irmãos, já estão todos aqui.”

“Agora desembucha!” Ryan disse.

“Tá, como eu posso dizer isso?” Courtney falou, levando a mão ao queixo. Após pensar por alguns segundos, ela levantou a cabeça e olhou para todos. “Eu acho que a Crystal e os Hiroshima estão no Brasil.”

“HÃ?!” todos exclamaram, surpresos.

“Pensem bem. A Crystal me disse uma vez que já esteve lá. E como sabemos, os Hiroshima já estão em algum lugar desconhecido há muito tempo.”

“É, mas a Crystal viaja por todo o mundo. Não é surpresa ela querer ficar um tempo na América do Sul,” Ashley disse.

“Sim, mas temos também outra pista viva, e essa é você, Beatriz,” Courtney disse, apontando para sua professora.

“E—Eu? Mas por quê?” ela perguntou, confusa e surpresa.

“Você é brasileira e é Elemental. Isso é prova de que deve existir pelo menos um pequeno grupo de Elementais assim como nós lá,” Courtney explicou sua teoria.

“Hmm… realmente você pode ter razão,” Alan disse, assentindo com a cabeça. “Sabemos da existência de Elementais no Japão, Austrália e Estados Unidos e mais nenhum outro lugar. Então se uma Elemental brasileira aparece isso significa que há uma quarta concentração de Elementais no mundo.”

“E isso é bom?” Ryan perguntou, levantando uma sobrancelha.

“Depende… E se Core estiver atrás dos Hiroshima, da Crystal e dos outros Elementais lá?” Glenn disse.

Crystal…’ Nat pensou, preocupado.
Ru…’ Alex pensou, também preocupado.

“O que a gente faz então?” Keane, irmão de Justin, da idade de Nat, perguntou para ele.

“Eu não sei,” Justin respondeu, pensativo.

“Beatriz, você não conhece nenhum Elemental de onde você veio?” Glenn perguntou. Todos olharam para a professora.

“Não, eu realmente não me lembro. Eu saí de lá há alguns anos. As únicas notícias que tenho do que tá acontecendo lá é pela TV ou quando falo com a minha família por telefone ou internet,” ela respondeu, mantendo um tenro sorriso. “Fora, é claro, minhas raras visitas ao Brasil…” ela adicionou e depois ficou alguns segundos pensativa antes de arregalar os olhos e dizer: “Espera! Como pudemos nos esquecer do Pedro?”

“O Pedro! É lógico!” exclamou Ryan.

“Ele é brasileiro também, né?” disse Courtney, lembrando-se dessa informação ter sido dada em algum momento prévio.

“Ah, agora temos certeza de que a Crystal e os primos dela estão no Brasil!” disse Justin, em um gesto comemorativo.

“Mas nada é certo ainda,” disse Courtney. Ela voltou-se para Beatriz pretendendo perguntar-lhe algo. “Sua família…” Courtney murmurou com olhos estreitados. Após alguns segundos de reflexão, ela finalmente resolveu perguntar: “Você tem irmãos?”

“Tenho um irmão da sua idade. Faz algum tempo que não falo com ele,” a professora respondeu.

“Hmm…” Courtney e Ashley murmuraram, se entreolhando.

“Ah, mas, ele não pode ser um Elemental! Quer dizer, não acho que ele seja!” Beatriz disse, balançando as duas mãos, nervosa.

“Então por que não vai pra casa, liga pra ele, pede alguns detalhes e depois nos conta tudo?” Ryan disse, empurrando Beatriz até a porta.

“M-Mas…!”

Assim que Ryan abriu a porta, Laura caiu no chão do lado de dentro da casa de Courtney.

“Laura!” Courtney gritou, furiosa.

“Ah, Laura!” Sommer disse, animada.

“Ai, isso doeu…” Laura murmurou e se levantou devagar.

“Tava espionando a gente?” Justin perguntou.

“Isso não é invasão de privacidade?” Alan disse.

“Ah!… Nããão…!” Laura respondeu, nervosa, olhando para os dois lados rapidamente como se fosse encontrar uma placa em algum lugar onde uma boa desculpa estaria escrita. “Eu não entrei na casa sem permissão, então, tecnicamente, não invadi nada.”

“Você está dentro da minha casa agora,” Courtney disse, de braços cruzados e batendo levemente o pé no chão.

“Bem, isso foi um acidente,” Laura se defendeu.

“Mas não é acidente você ficar atrás de nós o tempo todo,” Ashley disse.

“Sabe, facilitaria muito se vocês abrissem o jogo. Vocês sabem sobre aquelas criaturas também, né?”

“Olha, nós só…” Antes que Courtney pudesse terminar de falar, eles ouviram um barulho que era como um rosnado altíssimo de um animal.

“Ah, não…” Alex murmurou.

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A casa estava em chamas e estava ficando difícil de respirar. A pequena Rumiku andava sem rumo, procurando pelos seus pais e irmãos, mas era inútil, pois estava muito fraca.

“Onde estão todos?” ela se perguntou, caminhando lentamente.

Eu posso ajudá-la a encontrá-los…’ uma voz em sua cabeça lhe disse.

“Quem… quem é você?” Rumiku perguntou.

Eu? Ora, sou alguém que você conhece muito bem.

“Não sei quem você é…”

Não se preocupe… deixe-me ajudá-la,’ a voz disse e de repente Rumiku começou a sentir muita dor. Uma aura negra começou a surgir ao redor dela.

“Isso dói… isso dói!” Rumiku exclamou, ajoelhada, segurando sua cabeça.

Logo tudo estará acabado e você não sentirá mais dor,’ a voz ecoava com serenidade.

Um símbolo que estava gravado nas costas da garota brilhou através de suas roupas e mostrou sua forma. Era um símbolo negro igual à figura dos Selos da Escuridão: quatro círculos em interseção dentro de um círculo maior e, no centro dos quatro círculos, um pequeno símbolo que parecia uma estrela de quatro pontas as quais se estendiam até as bordas do círculo maior. A dor aumentava e a aura negra à sua volta também. Ela não agüentava mais e estava prestes a desmaiar, mas então sentiu alguém abraçá-la por trás.

“Calma, tudo vai ficar bem…” Essa voz doce, bem diferente da que falava em sua mente, a confortou. A menina agora sabia que estava a salvo.


Rumiku se levantou, assustada. Uma pequena olhada em volta foi o bastante para perceber que estava em seu quarto.

“Oi, como você tá?” alguém perguntou. Só aí que Rumiku percebeu que não estava sozinha, pois Sérgio estava sentado ao seu lado, na cama de Rikku.

“O que aconteceu?” a garota de cabelos prateados perguntou, colocando os pés para fora da cama e sentando-se na borda.

“Eu não sei dos detalhes, mas parece que você desmaiou enquanto tava na casa do Marcos e do seu irmão,” Sérgio respondeu. Parecia que ele a estava esperando acordar para ter essa pequena conversa.

“Hã? Que estranho…” ela disse, e passou a mão pelo seu rosto. Lembrou-se então de como tirar algumas dúvidas. “Deathliger,” ela chamou. Seu guardião, um leão prateado e negro, apareceu ao seu lado.

“Sim, mestra?” o leão disse.

“O que houve exatamente?” ela perguntou.

“Bem… Após algum tempo com Julius-san e os outros, eu senti que você estava ficando fraca. Eu temi que a Escuridão pudesse estar tentando tomar conta de você novamente. Tentei te manter acordada, mas foi em vão,” Deathliger explicou.

“Ru… com o que você sonhou?” Sérgio perguntou. Rumiku pareceu estar surpreendida com a pergunta.

“Como sabe que eu tive algum sonho?” ela perguntou, mal-humorada.

“Você tava falando enquanto dormia,” ele respondeu.

Rumiku abriu a boca para falar algo, mas desistiu. Ela fora pega sem saída e agora teria que explicar isso.

“Eu… eu não quero falar sobre esse assunto,” a garota disse e então se levantou e andou em direção à porta. Ela parou e se virou. “Ah, a sua câmera tá ali em cima da minha escrivaninha. Desculpa, eu acabei esquecendo de devolver.” E com isso, saiu do quarto.

“Mestra…” Deathliger murmurou, olhando tristemente para ela. Ele se transformou em humano e tentou ir atrás dela, mas Sérgio chamou sua atenção.

“Você sabe melhor do que ninguém que ela está mais apta a ser controlada por anima maligna do que todos os outros,” Sérgio comentou, indo pegar sua câmera.

Deathliger se virou e ficou olhando para ele.

“Acredito que falar tanto sobre o passado pode ter trazido más lembranças e talvez isso tenha feito com que ela enfraquecesse e abrisse espaço para que energias malignas tomassem conta dela,” Yōko, o guardião raposa de Sérgio, falou ao aparecer do seu lado.

“A mestra Rumiku é forte, mas… até mesmo ela tem suas limitações,” Deathliger disse. Sérgio, já com posse de sua câmera, caminhou em direção à porta. Ele parou por um segundo ao lado do menino-leão.

“Toma conta dela…” ele murmurou e saiu do quarto. Deathliger ficou parado lá, refletindo.

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Sentado no chão, encostado em sua cama e segurando um violão, Felipe estava pensando nos últimos acontecimentos.

“Como será que a Ru tá?” ele perguntou. Já que Gabriel era o único que estava com ele no quarto no momento, a pergunta só podia ser para ele.

“E eu sei? A gente esperou ela acordar, mas aí você disse que ‘seria muito incômodo a gente ficar lá,’” Gabriel, que estava usando o computador, respondeu, fazendo aspas com os dedos.

“É, mas…”

“No fim, o Sérgio é que ficou lá,” Gabriel o interrompeu.

Felipe não disse nada. Ele parecia um pouco abatido. O garoto tocou algumas notas no violão. Gabriel logo percebeu a melancolia e suspirou, virando-se com a cadeira giratória.

“Ela deve tá bem, se não a Rikku já teria avisado a gente se alguma coisa tivesse acontecido e…” Antes que ele pudesse terminar, o barulho avisando que uma nova mensagem fora recebida no computador soou. Gabriel lentamente virou sua cabeça para ver quem era. “É a Rikku…” ele murmurou.

“E o que que ela tá falando?” Felipe perguntou, apreensivo.

“Ah, não…” Gabriel sussurrou, sua voz tinha um tom sério.

“O quê?” Felipe repetiu.

“Isso é mau…” Gabriel disse e balançou levemente a cabeça para os lados.

“Diz logo!” Felipe se levantou e foi até o computador. Ele olhou para a tela e leu:

Rikku the SpitFire (リック・ザ・スピットファイア) - Tempos agitados esses, hein ¬¬ diz:
E ae? A mal-humorada já acordo. Qria saber se vcs taum afim de fazer o treinamento q a gnte tava flando.

Gabriel não conseguia conter seu riso, olhando para o rosto de Felipe que antes estava expressando preocupação, mas agora sabia da verdade.

“Retardado!” Felipe exclamou e deu um tapa na nuca de Gabriel, este riu ainda mais.

“Ai…!” disse ele, tocando sua nuca, continuando a rir. “Isso foi muito engraçado, não achei que tu ia cair,” Gabriel comentou, ainda rindo um pouquinho. Felipe olhou ferozmente de relance para ele antes de voltar sua atenção à pergunta de Rikku.

“E então, o que cê acha?” ele perguntou.

“Sei lá, mas o Marcos falou que seria bom se a gente fizesse,” Gabriel disse enquanto escrevia uma resposta para Rikku.

^^Gabriel^^~sonhador~ - surf na Prainha, tudo de bom! diz:
n sei, alguem mais disse q ia fzer?

“Sabe, acho que é uma boa idéia,” Felipe disse, como se tivesse decidido. Ele se lembrou das palavras de Rumiku na escola:

“Cada um deles é pelo menos cinco vezes mais forte do que demonstrou.”

“Ela tá respondendo…” Gabriel avisou.

Rikku the SpitFire (リック・ザ・スピットファイア) - Tempos agitados esses, hein ¬¬ diz:
Ñ. Eu ainda vo fala c/ eles. Bom, ve aí e dpois m fala pq agora eu prciso fazer uma coisa importante.

“Coisa importante, hein?” Gabriel disse para si mesmo, desconfiado e com um sorriso maligno no rosto.

^^Gabriel^^~sonhador~ - surf na Prainha, tudo de bom! diz:
flw, té +

“Caramba, que dureza,” Felipe disse, deitando-se em sua cama.

“Tu devia tá mais feliz,” Gabriel disse, virando-se na cadeira.

“E por quê?” Felipe perguntou, levantando a sua cabeça e olhando para seu irmão.

“Cara, ainda não percebeu que uma coisa muito boa aconteceu?” Gabriel disse, sorrindo, e sentando-se ao lado de Felipe. “O Marcos tá vivo! Não é um sonho. Quantas pessoas desejam que aqueles que elas perderam estivessem, na verdade, vivos desde o começo? Isso foi tipo um milagre!” Os olhos de Gabriel brilhavam de alegria conforme ele falava. Felipe sorriu um pouco e olhou para o teto.

“Nem dá pra acreditar que ele tava no Japão todo esse tempo…” ele falou.

“Pena que nem deu tempo pra ele e o Julius explicarem direito o que aconteceu, mas a melhor coisa foi poder ter visto o Marcos de novo,” Gabriel comentou.

“Isso me lembra… será que o Miguel e os outros não estão se sentindo nem um pouco mal por não terem ido?” Felipe indagou.

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“AAAAAAHHHH!!” Miguel exclamou enquanto segurava sua cabeça. “Por que eu não fui com eles?!” ele se perguntou, parecia que ia chorar.

“Você disse que era melhor não atrapalhar o reencontro em família deles…” Marcelo respondeu calmamente, empurrando seus óculos para cima com o dedo.

“Em outras palavras, foi sua própria culpa,” Bruno adicionou.

“Que terrível! Meus próprios amigos não se preocupam com os meus sentimentos!” Miguel choramingou, tocando sua testa com a parte de trás de sua mão como numa peça de teatro dramática.

“E você se preocupa com os nossos?” Henrique perguntou.

“O QUÊ?!” Miguel deu um grito como uma mulher. Ele se virou para Guilherme, colocou suas mãos sobre seus ombros e começou a sacudi-lo. “Guilherme, diga a esses ‘parasitas’ que se eles não pararem com isso eu vou ter que tomar atitudes drásticas!”

“Parasitas?” Bruno perguntou, indignado.

“Eu achava que éramos ‘escudeiros’,” Henrique disse. Miguel se virou com uma expressão de fúria no rosto.

“FORAM REBAIXADOS!” ele gritou.

“Ah, é… bom… é que…” Guilherme titubeou, sem saber o que dizer.

Marcelo notou isso e decidiu terminar por ele: “O que ele está tentando dizer é que você é muito contraditório,” o rapaz de óculos disse, calma e friamente como sempre.

“H…HÃ?!” Guilherme gemeu, como se estivesse dizendo: ‘eu não disse isso!’

“Ah, entendi! Isso é uma conspiração, um motim!” Miguel disse, seu punho fechado tremia. “Parece que eu não posso mais confiar em ninguém. Claude!” ele chamou. Um rapaz apareceu ao seu lado.

“Sim, Lorde Miguel?” ele perguntou.

“Você agora é o meu único amigo! Vamos deixar esses sujeitos pra lá e fazer alguma coisa juntos!” Miguel disse enquanto abraçava seu Guardião e cachoeiras de lágrimas saiam de seus olhos.

“Senhor… sinto que está exagerando,” Claude disse gentilmente.

“Não diga…” todos os outros disseram ao mesmo tempo. Nesse momento, o celular de Miguel tocou e ele parou instantaneamente com o drama. Ele o abriu em um rápido movimento e o colocou próximo ao ouvido.

“Sim? Miguel falando!” ele disse, agora com um grande sorriso no rosto.

“Miguel?! A gente tá ferrado!!” veio a voz de Tomás.

“Hã, o que aconteceu?” Miguel perguntou, percebendo a seriedade na voz do garoto. Colocou então o celular no viva-voz.

“A gente tá no calçadão perto do posto 4 e apareceu um monstro enorme!” Tomás explicou.

Miguel e os outros no recinto podiam ouvir muito barulho no fundo.

“Hã?!” todos questionaram o que ouviram. Logo, eles sentiram a energia maligna e perceberam que Tomás não estava brincando.

“A má notícia é que o Patrick e o Noah não estão com a gente! O Thiago tá lutando com ele, mas eu acho que ele não vai agüentar muito tempo!” Tomás informou.

“Entendi, a gente já tá indo!” Miguel disse e desligou. Ele deu um grande suspiro e se virou para seus amigos. “Você, você, você e… você,” ele disse apontando para cada um deles. “Foram promovidos! Agora, como meus fiéis escudeiros, precisam me ajudar a salvar nossos amigos.”

“Que discurso demorado, vamos logo!” Henrique disse e todos correram em direção à porta.

“Ei! Eu deveria ir na frente!” Miguel reclamou de forma infantil e correu atrás deles.

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Courtney e os outros, incluindo Laura, corriam pelas ruas movimentadas de Los Angeles à procura da origem daquele som. Como era esperado, eles logo encontraram um enorme Obscurus Raposa bem no meio de uma avenida movimentada e pararam.

“N—Não acredito!” Ryan disse, olhando para a enorme criatura que agora olhava ferozmente para eles.

“O que foi?” Courtney perguntou.

“Como um monstro daquele consegue ficar no meio das pessoas e ninguém foge?”

“Isso é simples…” Ashley disse, dando alguns passos para frente. “É uma ‘ingi’, ou seja, ‘arte obscura’, uma técnica conhecida simplesmente como ‘kekkai’ ou ‘barreira’. Tudo que fica dentro dessa barreira pode ser mudado para uma dimensão diferente e, com isso, nada do espaço real é danificado.”

“Em outras palavras, a criatura ou pessoa que cria essa barreira ao seu redor pode lutar com quem quiser à vontade sem afetar o espaço real. É por isso que a luta entre a Luz e a Escuridão ocorre por milhares de anos e dificilmente foi percebida por pessoas normais,” Courtney adicionou, procurando deixar a explicação bem clara. “A Rikku e a Ru explicaram isso pra gente, elas nunca te disseram nada?” ela perguntou para Ryan.

“Bem, pelo menos não tão detalhadamente…” ele respondeu nervoso, rindo um pouco e esfregando seu pescoço.

“Mas nós podemos ver quando uma barreira dessas é criada, enquanto um humano normal não,” Beatriz disse e olhou para Laura. Ela ficou surpresa quando viu que a jornalista estava com os olhos arregalados, olhando para a raposa. “Ah… você consegue ver aquilo?” Beatriz perguntou.

“Impressionante…” Foi tudo o que Laura respondeu.

“Sim, ela pode. Descobrimos isso há algum tempo. Pouquíssimos humanos podem ver esses fenômenos, mas há pessoas com essa habilidade,” Courtney disse.

“Mas por que um Obscurus iria querer poupar as pessoas de verem ele ou se machucarem criando uma kekkai? Não faz sentido…” disse Ryan.

“É, realmente, não há porque eles quererem proteger as pessoas, mesmo que eles só estejam atrás de Elementais,” disse Beatriz, explicando seu ponto de vista. “Mas em compensação, muitos Obscurum conseguem usar kekkais que possuem algum atributo especial que os ajudam em batalha. É como jogar contra o time adversário no estádio dele.”

“Eu odeio atrapalhar a aula de ‘Elementologia’, mas ele já viu a gente faz um tempo e tá vindo pra cá…” Justin disse, indicando a raposa com o polegar.

“Eu não sei por que de repente começaram a aparecer coisas assim, mas acho que não é hora pra pensar nisso,” Glenn disse e se preparou para se defender.

“Estamos dentro da barreira dela, podemos lutar sem nos preocuparmos em ferir alguém!” Keane comentou, talvez um pouco empolgado demais.

“Lutar? Mas aquele monstrengo é tão assustador!” Sommer choramingou.

“Sommer… você é uma Elemental, sabe que não é nenhuma garota indefesa,” Justin disse, rolando os olhos.

“É, pra falar a verdade, quando você fica irritada fica também muito… ah… destruidora,” Nat disse, tentando escolher bem as palavras.

“Mentira!” Sommer disse, fazendo beicinho.

“Ele tem razão…” Lance concordou.

“Mas…!”

“É mesmo, né?” Keane disse de braços cruzados e assentindo com a cabeça.

“Aaah…!” Sommer murmurou, irritada.

Ela andou um pouco, pisando com força no chão e se posicionou na frente de todos. A garota parecia furiosa. A raposa, agora parada apenas a alguns metros deles, olhou para Sommer e seus olhos vermelhos brilharam.

“Eu vou mostrar quem fica irritada com facilidade!” disse Sommer através de dentes cerrados. Seu punho, que estava tremendo de raiva, começou a ficar rodeado por uma forte energia elétrica azulada. Ela aumentou consideravelmente e fazia até pequenos relâmpagos caírem por dentro da barreira.

“Parece que o plano deles funcionou…” o pequeno garoto, Devin, comentou com Alex, o qual sorriu de forma maligna e balançou a cabeça, concordando. Nat, Lance e Keane, com sorrisos igualmente afetados olhavam para Sommer com grande expectativa.

“Vocês, hein…” Johnny comentou timidamente.

Trovão Explosivo!” Sommer exclamou e socou o chão, liberando toda a energia acumulada em seu punho.

O poder tomou a forma de uma pilastra em forma de trovão, com vários pequenos relâmpagos que escapavam no topo sendo jogados para baixo, como correntes que ligavam o chão ao topo da pilastra principal. O ataque avançava rapidamente na direção da criatura, esta nem teve tempo de se defender e foi atingida em cheio. O choque causou uma explosão elétrica de grande poder. Até mesmo os amigos de Sommer ficaram um pouco impressionados.

“Caramba…” Ryan murmurou. Muita fumaça se formou e a visibilidade não estava boa. “Fez isso sem invocar o Guardião?”

“Que poder,” Alan disse. Todos olharam para frente quando a fumaça se dissipou e viram Sommer com um grande sorriso no rosto e olhos fechados. Não havia sinal da raposa.

“Eu consegui!” ela disse, muito alegre, erguendo seu punho. “Vamos pra casa agora?”

Seus amigos ficaram olhando para ela e suspiraram. A barreira começou a diminuir até que desapareceu e eles podiam ver pessoas e carros passando novamente.

“Eu nem devia ter vindo…” Ryan murmurou.

“E eu devia ter tirado uma foto! Eu sabia, vocês têm mesmo poderes incríveis! Esperem até eu publicar isso, vai ser matéria de primeira página!” Laura disse, muito empolgada.

“Não obrigada,” Courtney disse em um tom bem sério enquanto ela e os outros iam embora.

“Ei, espera, vocês não podem simplesmente ignorar isso, ei!” Laura gritava, correndo atrás deles.

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Thiago enfrentava um leão negro imenso que estava lhe dando trabalho. O garoto estava ofegante e muito cansado. O leão reuniu uma grande quantidade de energia negra em sua boca e a soltou em forma de onda. Thiago ergueu seus braços à sua frente em forma de ‘X’ para se proteger. A rajada o empurrou para trás, fazendo-o deslizar pelo calçadão. Quando ele finalmente parou, se ajoelhou, não agüentando mais. Jogou para trás, em um movimento de cabeça, seus longos cabelos loiros que batiam no meio das costas, os quais naquele momento obstruíam sua visão, e respirou profundamente.

“Thiago!” Eric gritou, tentando correr até ele, mas Vinícius o segurou pelo braço. Eles estavam mais distantes do leão, pois não tinham como ajudar.

“Não vai adiantar! Se tu for, só vai atrapalhar!” Vinícius disse com firmeza.

“A gente tem que esperar os outros chegarem,” Fernando disse.

“Que merda! Por que justo agora não tem mais ninguém pra ajudar?” Tomás quase gritou, enfurecido.

“Gente, sai daqui!” Thiago gritou, olhando para trás.

“De novo isso? A gente já disse que não!” Fernando gritou de volta.

“Mas…!”

“Não vamos te deixar aqui sozinho!” Vinícius disse.

Thiago olhou para Vinícius por um segundo, tentando compreender sua vontade, mas logo sua expressão tornou-se séria novamente, decidindo que a vontade deles não traria nada de bom.

“Não foi você mesmo que disse que cês só iam me atrapalhar se ficassem? Pois é, estão me atrapalhando! Vão embora, agora!” Thiago exclamou, tentando soar mais rude em uma tentativa de fazê-los saírem dali.

Tomás ia replicar sobre isso, mas notou algo mais sério para advertir. “Thiaguinho, cuidado aê!!” Tomás avisou, deixando o outro alerta de novo.

Quando olhou para frente, Thiago viu o leão preparado para mordê-lo.

Flecha de Sagitário!” Todos ouviram alguém dizer e então uma grande flecha feita de energia dourada passou por eles e então por Thiago e atingiu o céu da boca do leão. A flecha se desintegrou, liberando uma intensa luz dourada e derrubou a criatura para trás. “Parece que chegamos a tempo…” Era a voz de Miguel.

Todos olharam para trás e o viram segurando um arco dourado feito com o seu poder. Junto com ele estavam Guilherme, Marcelo, Bruno e Henrique.

“Tudo bem com vocês?” Bruno perguntou, olhando para Fernando.

“Tudo…” ele respondeu, balançando a cabeça positivamente.

“Esse leão não parece tão forte quanto o lobo que apareceu ontem…” Marcelo comentou.

“Concordo, a gente consegue dar um jeito nele se lutarmos ao mesmo tempo,” Guilherme disse.

“Hã?! Tá maluco?” Tomás disse, olhando para eles e franzindo a testa. “Eu não tava lá quando esse tal lobo apareceu, mas esse monstro aí não é flor que se cheire!”

“Tem razão,” Henrique disse, dando alguns passos para frente. “É abelha que se esmague!” Ele então correu até o leão, seu braço estava carregado de energia. Thiago observou seus movimentos e se afastou um pouco para abrir caminho. O Obscurus Leão percebeu o novo adversário e tentou atingi-lo com sua pata, mas em resposta, Henrique socou essa mesma pata, liberando uma rajada de energia vermelha pelo seu braço. O soco intensificado foi tão forte que arrancou a pata do leão fora. A criatura rugiu alto por causa da dor e cambaleou um pouco. “Quer mais?” Henrique provocou.

“Thiago,” Yun, o Guardião de Thiago, chamou sua atenção, aparecendo ao seu lado em sua forma humana. “Talvez essa seja a melhor hora para você recuar.”

O garoto olhou para ele e após pensar por alguns segundos, fechou os olhos, sacudiu a cabeça e se levantou. “Não, agora que eles estão aqui, eu posso fazer alguma coisa pra ajudar,” Thiago disse.

“Entendi,” o Guardião assentiu com a cabeça e se virou para o leão. Miguel e seus ‘fiéis escudeiros’ se juntaram a eles.

“Prontos? Vamos lá!” Miguel disse e conjurou outra flecha. Marcelo concentrou uma energia negra em seu braço. Henrique fez o mesmo com sua própria energia. O chão ao redor de Bruno começou a brilhar em uma luz amarronzada. Guilherme reuniu uma pequena quantia de sua força nas duas mãos, mantendo-as próximas uma da outra. Thiago tinha uma aura dourada que emanava de todo o seu corpo. O leão se recuperou e acumulou energia em sua boca novamente a fim de atacar com uma forte rajada. “Agora!” Miguel ordenou.

Slow Motion!” Guilherme exclamou e abriu seus braços. A força reunida em suas mãos aumentou e fez com que tudo ficasse mais lento. Dessa vez, só o leão foi atingido, todos os outros estavam em sua velocidade normal.

“Você já era!” Henrique disse e usou o mesmo ataque de antes, desta vez destruindo outras duas patas do leão.

“Aqui vai a abertura pro golpe decisivo!” Bruno disse e pisou no chão. Um terremoto se formou e de repente uma enorme pilastra de pedra, com a ponta afiada, surgiu do chão bem debaixo da criatura, em alta velocidade e a perfurou, além de erguê-la até certa altitude.

“Agora é conosco,” Miguel disse, apontando a flecha para o leão suspenso.

“É,” Marcelo concordou e esticou seu braço em direção ao leão.

“Falô!” Thiago disse e esticou os dois braços, apontando-os para o leão.

Os três atiraram e seus poderes logo se juntaram. O orbe negro e o raio dourado cercado por uma espiral que Marcelo e Thiago, respectivamente, atiraram, envolveram a flecha de Miguel dando um brilho único que oscilava entre dourado e preto e também um aumento de poder. A flecha atingiu o peito do leão e liberou uma forte luz, fazendo com que todos cobrissem seus olhos. Quando a luz diminuiu e todos olharam novamente, viram que o leão havia desaparecido, e tudo o que havia restado eram flocos de energia que caíam de onde antes estava a criatura.

“Conseguimos…” Thiago disse, respirando profundamente.

“Bem, deu tudo certo, né não, Miguel?” Bruno perguntou, se virando para o rapaz. Os olhos de Miguel estavam estreitados e ele estava ofegante. Ele quase caiu, mas Bruno o segurou. Guilherme estava na mesma condição, e Henrique o segurou a tempo.

“Qual foi, que que eles têm?” Tomás perguntou enquanto ele e os outros se aproximavam. Como resposta, Marcelo colocou a mão dentro da camisa de Miguel e mostrou a sua Pedra Elemental.

“Eles estão usando as Pedras conforme Rikku e Rumiku recomendaram,” Marcelo explicou.

“Mas quem diria que atirando só duas flechas já me deixariam tão cansado,” Miguel disse, tentando manter um sorriso no rosto.

“Acho que o treinamento já começou e nós nem percebemos…” Guilherme comentou.

Eles então notaram que a barreira criada pelo Obscurus começou a diminuir. Todas as seqüelas deixadas pela batalha desapareceram, incluindo o buraco no chão e a pilastra que saiu dele. Agora estavam cercados de pessoas que caminhavam pelo calçadão despreocupadamente e carros que corriam pela avenida.

“Voltamos,” Eric disse, olhando em volta.

“Vamos pra casa, foi um dia cheio,” Miguel disse. Thiago e seus amigos pegaram seus skates que estavam no chão e todos começaram sua caminhada de volta para casa.

Encostado em um quiosque, o mesmo garoto de antes os observava, escondido nas sombras.



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