Immortal love
Uma verdade revelada, uma reação esperada – parte 1
Capitulo 37
Uma semana.
Uma frase tão curta que a deixou mortificada.
- Como assim uma semana?! – empurrou o haion tentando tentado encará-lo, mas ele a segurou com firmeza, continuando a abraçá-la.
- Kagome fique calma!
- Como quer que eu fique calma?! Tudo que eu fiz foi fechar os olhos por alguns instantes e já se passou uma semana... – calou-se apressada. Não era por ter ficado tanto tempo apagada a causa do seu desespero, mas que nesse meio tempo, Narak tivesse aprontado algo. Quanto tempo ela perdeu! – E a minha mãe? O Souta?...
- Faz três dias que a transferi para o Hospital Central de Tóquio (sem criatividade para nome:S). Tive que brigar, literalmente, para que sua mãe, seu irmão, a Sango, o Mirok, a Rin, o meu “maravilhoso” meio-irmãozinho e o sarnento do Kouga irem para casa essa noite, mas amanha cedo já estarão aqui. Você tem grandes amigos, querida.
- Eles também são seus amigos. Fariam a mesma coisa por ti.
Ele concordou embora estivesse bastante incerto.
-E por que você não foi com eles? Com certeza sua cama é mais confortável que este minúsculo sofá. Por que ficou?
- Não queria deixá-la sozinha. Permaneci para esperá-la acordar.
- Mas e se eu demorasse muito? E pior: se isso não acontecesse?
- Isso jamais iria acontecer. Não permitiria que você me deixasse-se com tanta facilidade.
Kagome abaixou os olhos. Não podia encará-lo se não ele o veria o medo que povoava seu intimo.
Não sabia como Narak atacaria e não se sentia preparada pra enfrentá-lo. Sentia-se tão frágil... Tão fraca... Tinha tanto medo, mas não era por si. Era um medo de não ser forte e então não conseguir proteger aqueles que ela amava.
Tinha que manter o shikon no tama longe de Narak. Layla a advertira que se o poder da jóia fosse possuído por ele, certamente o mundo seria destruído. Era muita responsabilidade para uma única pessoa.
Tudo que kagome mais desejava era contar a verdade ao Inu, dividir aquele peso e poder contar com sua força, mas hesitava. Tinha medo por ele. Uma vez Narak o prendera por séculos no shikon no tama, mas ela sabia que ele não seria tão misericordioso. Não podia permitir que nada de mal acontecesse ao seu amado mesmo que para isso tivesse que se afastar dele. Ela venceria sozinha. Tinha que acreditar nisso.
- Kagome, por que esta chorando?
Só então se deu conta das lágrimas que caíam dos seus olhos. Seu espírito estava tão angustiado que ela não conseguiu formular qualquer desculpa. A verdade saiu debilmente de seus lábios:
- Por que tenho medo... Medo de perder você.
A principio ele penso que fosse uma brincadeira ou algo do gênero, mas ao levantar-lhe o rosto e encará-la as mais lágrimas sairão dos olhos castanhos. Ele não sabia como agir. Estava surpreso com o pavor que via nos olhos dela.
Agiu instintivamente ao limpar as gotículas do rosto dela, acariciando a face como uma tentativa de passar lhe conforto. Não conseguia articular nenhuma palavra, apenas não desejava vê-la naquele estado.
Foi então que a beijou.
Este beijo foi totalmente diferente de todos que já haviam trocado. Não era apaixonado ou carregado de desejo, mas como uma ponte de comunicação entre eles.
Ambos estavam trêmulos. Ela por diversos motivos, todos se interligavam a ele. Ele por medo do que poderia afetar tanto a sua amada.
Apesar de trêmulos havia uma certeza:
O desejo de lhe transmitir algo que já lhe falara, mas ela não parecia entender: ele estava ali, com ela, ao seu lado e era ali que ele desejava e lutaria para permanecer.
- Vejo que nossa paciente já se encontra bem disposta!
Afastaram-se ruborizados, como duas crianças pegas fazendo travessuras.
A enfermeira se encontrava no batente do quarto e trazia uma expressão sorridente na face.
Estranhou, mas nada comentou, principalmente a palidez da namorada ao encarar a enfermeira. Ela pediu que ele se retirasse sobre o pretexto de realizar alguns exames na paciente. Ele saiu sem olhar pra traz.
- Que historia e essa de me fazer dormir por uma semana Layla! – Kagome encarava a enfermeira com um certo ressentimento em sua voz.
- Calma lá! Eu não fiz nada! Apenas me aproveitei do seu estado para conversarmos. Narak é que te deixou fora de combate por esse tempo!
-E você não fez nada para impedir, não é? – bufou como uma criança mimada.
- Kagome, coloque em sua cabeça que eu não posso ficar mexendo e ajeitando a vida dos mortais! Não posso mexer na questão do livre arbitro. Não importa o que ele foi, mas agora ele é humano e por mais errado, não posso mudar as decisões dele. Assim como não posso mudar as sua, Lembra quando lhe disse que forjei seu encontro com o Inu Yasha? Não é de tudo verdade. Tudo que fiz foi garanti a entrega do seu jornal. Você escolheu o anuncio, decidiu visitar e comprar a casa. Assim como plantar umas certas roseiras naquela manha. Minha participação foi ínfima.
Encararam-se por alguns instantes. Os olhos cinzentos nos castanhos. Kagome se perguntava o motivo daquela estranha conversa.
-Para que perceba: Não poderei interferir se as coisas saírem do controle – respondeu lendo seus pensamentos – Gostaria de lhe falar como uma...
- Uma amiga? – sorrindo compreensiva do precário vocabulário sentimental da guardiã.
-Se assim desejar – deu os ombros – mas eu quero que pense Kagome. Pense muito bem na decisão que irar tomar.
-Que parar de invadir meus pensamentos?
-Não posso! É meu dever impedir que a terra seja destruída e queira ou não, tem o poder de impedir que isso ocorra!
-Por que me deu essa maldita jóia?! Eu não pedir para protegê-la! Só queria ter a minha vida normal de volta!
Os olhos de Layla se tornaram glaciais.
-Pensei que falava com uma mulher sensata, mas vejo que me enganei. Trata-se de uma menina mimada e egoísta. Você envergonha o nome de todas as sacerdotisas da jóia. Como podem ser tão diferentes... – a última frase foi dita em um murmúrio, mas ela escutou.
-Diferente da Kikyou não é? Pois saiba de uma coisa: Eu não sou a Kikyou! Não pedi nada disso! E não quero viver dos restos da vida dela! – suas faces estavam afogueadas e a respiração acelerada enquanto se segurava para não chorar.
Observando o estado da jovem, Layla se perguntou quando deixara de vê Kagome como humana e passara simplesmente a considerá-la a sacerdotisa do shikon no tama? Tentou ser mais branda:
-Estou exigindo demais de você não é? Caíste de pára-quedas nesta guerra e eu... Bem... Não ajudo muito com tantas cobranças – fitou-lhe o rosto, mas a jovem apenas a ouvia com a expressão seria. Suspirou e prosseguiu – Mas estou muito preocupada. O livro da Vida ainda não foi escrito. Qualquer decisão, por mínima que seja, pode desencadear o final dessa guerra. Por isso pense bem no que pretende fazer. É uma decisão muito arriscada.
-Não quero que ele se envolva nisso... Eu não tive escolha, mas ele...
-Ele já está envolvido nisso Kagome. Não importa se decida excluí-lo. Narak virar atrás do Inu. Ele quer vingança e uma vingança completa.
Kagome sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas forçou-se a perguntar:
-Ao menos me diga o que Narak aprontou essa semana.
-Por que não pergunta ao Kouga? Ele terá mais tempo do que eu – ela sorriu e desapareceu em sua luz ofuscante.
Continua...