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› Autor: ~dada-kimihiro
› Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico)
› Tags: cerejera, japão feudal
› Classificação: Livre
› Adicionado em: 07/07/08
› Comentários/Favoritos 0/0
› Caracteres: 3.529
› Exibições: 47
Podia-se fazer inverno, mas esse não o fazia. Ele embainhou a espada, suspirou e chamou a menina que de longe o assistia. Eles foram embora por aquela estrada....
Seu rosto não demonstrava mudança e ela ao seu lado sorria. Sorriso puro, de uma jovem miko. Estava em momento de crise com sua própria alma, mas com ela ao seu lado, tinha um porto seguro.
Ela, que sempre após seu treino, o abençoava com um sorriso e depois contava estórias de drama, que ouvira um dia, quando ainda andava na nobreza. Em outros casos, chegava até a cair, pois seu longo kimono rosado à atrapalhava.
Ele gentilmente a levantava, e a vergonha batia à porta daquelas faces de anjos.
Fazia alguns longos anos que ela deixou a rica família, para trilhar com ele. Ambos se completavam e trilhavam juntos. Mas amantes, nunca se deixavam fazer.
A noite caira e muito cansado, deitado sob a cerejeira, ele pôs-se a sonhar. Ela já não usava mais a mascara de sorrisos. Pensou em muito na vida, e em um sentimento de culpa, foi embora, deixando parte de seu sentimento com ele.
Chegando no vilarejo mais próximo, procurou um mensageiro. Colocou sentimentos de dor e infelicidade em seu recado. Desculpou-se de todas as conquistas que ele deixara de ter por causa dela. Falou quem eu seu inseguro coração, somente ele reinava. Por fim jurou amor. Mandou o mensageiro enviar sua mensagem ao jovem pela manhã. E naquela noite, ficou hospedada por lá.
Logo ao acordar percebeu o vulto familiar dele. Em meio a uma rápida maquiagem, abriu um sorriso e deu bom dia. Ele mostrou-se sério e inconformado.
Falou que almejava outra pessoa. Mas que nunca foi tão honrado e abençoado como antes. Que, não importa quantas flores passassem pro sua vida, ela seria a única, até a morte.
Sua máscara de quem feliz se sente, caiu. Sua vergonha e tristeza se fizeram presente. Uma gota pura caiu. Ele se aproximou para abraçá-la fortemente, mas em resposta, a rejeição.
Tentando juntar forças se levantou, tocou gentilmente o ombro dele e se despediu. Ele chegou a desejar a própria morte.
Ambos começaram a trilhar caminhos distintos. Ela, uma sacerdotisa, gentil, feliz, e com a ferida de um breve passado. Ele, guerreiro, forte, sério e com esperanças apontadas para o futuro.
Quatro meses se passaram, ela havia voltado à nobreza, recuperado forças. Ele, continuava seu caminho planejado por ambos.
Entrando em um pequeno bar, ele avistou um sorriso do passado. A vergonha voltou, a angustia também. Fazia tempo que perdera seu porto seguro. Ela parecia realmente uma princesa e seu sorriso o distanciava mais da sua posição social.
Em meio ao medo, ele se aproximou e disse que queria conversar. Ela gentilmente se levantou. Não mostrou surpresa, aprendera a sorrir para a ferida da alma todo dia.
Acompanhou ele para fora dali. Parou sob a árvore de Cerejeira e atenciosamente o escutou.
Ele desandou a chorar, forte de alma. Explicou quanto falta ela fazia. Que seu amor era platônico. Contou estórias de drama vividas por um plebeu.
Ela feliz, completou a face dele com lágrimas. Colocou sua mão sobre o ombro dele e disse:
“Você podia ter feito inverno, ter deixado as pétalas de Sakura caírem, podia ter escrito a melhor estória de amor do Japão, mas não o fez.
Não se preocupe. Quando as flores de Sakura tornarem a cair, o vento apagará essa estória de angústia e quem sabe, as pétalas escrevam uma nova estória de amor.”
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