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[Bleach] Não há quem possa ocupar seu lugar...

Capítulo 1


Autor: ~Cat-chan-II

Categoria: Animes/Bleach

Gênero: Romance e Novela.

Personagens: Ichigo, Rukia, Kon

Classificação: 12+

Adicionado em: 01/07/08

Comentários/Favoritos 5/20

Caracteres: 18.042

Exibições: 795

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BLEACH e seus personagens pertencem a Tite Kubo.


Capítulo 1


Mundo real, casa de Kurosaki Ichigo.

As coisas estavam tranqüilas e os inimigos temporariamente contidos. Ichigo, em seu quarto, pensava no último confronto contra Aizen, quando sentiu a presença de um hollow.

– Kon... - chamou o bichinho. – Temos trabalho...

Em poucos minutos, Ichigo estava frente a frente com o hollow. E demorou mais para chegar ali do que levaria para liquidá-lo, se antes de atingi-lo, o monstro não tivesse sido derrotado.

– Hã?... - falou confuso e percebeu a silhueta de alguém. - Rukia! - exclamou surpreso.

– Ah, desculpe atrapalhar seu trabalho, eu estava de passagem. Vim falar com Urahara...

– Ah, então é isso... mas depois não pode passar em casa para ver o Kon? Ele não vai parar de me encher se souber.

– Sim, estou com saudade de sua... - Rukia dizia, mas de repente, um disparo de energia atingiu seu ombro.

– Rukia! - exclamou Ichigo e correu até ela. Junto a shinigami, ele percebeu um segundo hollow, cuja reatsu era bem diferente.

– Pegue-o! - mandou Rukia e Ichigo atendeu, ainda que preocupado com ela.

Ele não teve dificuldades para exterminar o monstro. Então, voltou correndo para junto de Rukia, que já se levantara.

– Tudo bem? - ele perguntou.

– Só um arranhão.

– Tem certeza?

– Sim... eu te vejo mais tarde...

ooo ooo ooo ooo


Depois, na casa de Ichigo, Rukia jantou junto a família dele num descontraído reencontro. Tudo aparentemente calmo, até que Ichigo reparou num brilho estranho no ombro da amiga.

– Ei, o que é isso? - perguntou apontando na direção de Rukia.

– O quê?

Ele se aproximou um pouco e cochichou. – O ferimento... parece ter algo estranho...

Rukia nem tinha percebido. – Não é nada... - disse ela.

Depois da refeição, os dois seguiram para o quarto de Ichigo.

– Nee-san!! - gritou Kon e pulou em cima de Rukia assim que ela entrou no quarto. A shinigami, como sempre, deu um tapão nele.

– Você não muda, Kon.

Algum tempo se passou, Rukia contava notícias sobre a Soul Society, interando Ichigo da movimentação por lá em relação aos confrontos, mas então levou a mão à cabeça.

– Hn... que sensação ruim... - disse baixo.

– O que foi? - Ichigo perguntou.

– Não sei... - a vista dela ficou turva. – Ichigo... não me sinto bem...

O rapaz se aproximou. Kon que estava sentado no chão ficou alarmado.

– Rukia nee-san...

A shinigami tombou para frente desfalecida.

– Rukia!! - exclamou Ichigo e rapidamente pegou-a e a ajeitou-a em sua cama. Depois, pousou a mão na testa dela. – Está com febre. Droga!

Ichigo a deixou e foi a atrás de seu pai.

Depois de medicada, Rukia aparentou uma melhora, mas não chegou a recobrar os sentidos.

– Ichigo, leve-a para o quarto das meninas...

O rapaz demorou a se mover, pois gostaria de poder deixá-la ali em seu quarto, mas era melhor não discutir com seu excêntrico pai.

ooo ooo ooo ooo


Algumas horas se passaram, mas Ichigo não conseguiu dormir. Ele pensava em Rukia e em tudo que vinha vivendo com ela.

Foi então que relembrou o momento em que ela desmaiou. Numa cena nítida, ele viu em sua mente Rukia desfalecida em sua cama, e então corou.

Surpreso, virou o rosto para o lado, meio angustiado. O vulto embaçado de seu guarda-roupa chamou sua atenção. Rukia dormira ali por quase dois meses. Em meio aos perigos e a ameaça dos hollows, nunca tinha parado para pensar no fato de que dormiram no mesmo quarto por tanto tempo.

Aborrecido com aqueles pensamentos, levantou-se na intenção de ir à cozinha, mas desistiu próximo à porta do quarto.

– O que há comigo? - indagou-se.

Voltou a cama, mas ficou sentado na beirada. Kon estava como sempre delirando em sonhos indecentes. Olhou-o por alguns instantes e balançou a cabeça.

– ...será que ela melhorou?

A dúvida lhe deu ânimo para ir ver se estava tudo bem. Desceu até a cozinha, tomou um pouco de água, e depois se dirigiu ao quarto das irmãs. A porta estava entreaberta, por isso avistou a pequena cama onde Rukia estava acomodada.

“Se Byakuya souber que deixei ela se ferir bem na minha frente, vai querer minha cabeça...” pensou e afastou um pouco a porta.

Rukia se remexeu, sua expressão não era boa, parecia estar sentindo dor, apertava os punhos e tinha o respirar ruidoso.

Ichigo não se conteve, entrou no quarto e veio para junto da amiga. Não suportava vê-la sofrendo. Sentou-se na cama e segurou-lhe os ombros, no sentido de tentar acordá-la. Mas então, ouviu Rukia murmurar seu nome, e isso fez seu coração dar um sobressalto.

Não era uma situação inusitada, já vira a amiga naquele estado outras vezes, no entanto, as coisas estavam diferentes naquele momento. Mas mesmo assim, ele ergueu seu pequeno corpo e tentou novamente acordá-la.

– Rukia... - chamou, mas tão baixo que não passou de um sussurro, pois temia acordar as irmãs.

“Se ao menos estivéssemos em meu quarto” pensou, mas logo ficou envergonhado, pois uma sensação nova o invadiu, e algo bem diferente do costumeiro senso de proteção. Enfim, Rukia era uma garota, na verdade, uma mulher se levada em consideração sua idade.

Desconcertado, Ichigo a largou de qualquer jeito, e ainda que tenha lamentado o descuido, convenceu-se de que era o melhor. Precisava sair dali e reordenar as idéias.

Em instantes, estava em seu quarto, escorado a porta, suando frio, alarmado com os próprios sentimentos, mas preocupado com o estado de Rukia também.

– ...que espécie de pervertido eu sou... - condenou-se e logo socou a parede.

Tentou se acalmar, buscando coragem para chamar seu pai, para que ele desse um remédio para a amiga, mas subitamente, vidrou os olhos ao ouvir um zunido em sua mente.

“Imbecil. Ela é uma nobre. Uma princesa. Acha que um pirralho como você teria alguma chance com ela?”

Era seu hollow interior. Há tempos tinha-o dominado e desde seu treinamento com Hirako e os Vaizards, nunca mais ouvira sua voz.

“Achou que tinha se livrado de mim? Ichigo, toda vez que seu coração entra em conflito, eu tenho uma chance de controlá-lo.”

– Desapareça! - disse entre os dentes. Ouviu ainda uma risada e depois tudo voltou a ficar silencioso. – Mais essa... - disse e abriu a porta com tudo.

Estava quase no quarto de seu pai quando sentiu a reatsu de Rukia e voltou rápido ao quarto das irmãs, mas Rukia não estava lá.

Correu até a cozinha e encontrou a shinigami perto da pia.

– Yôh... o que está fazendo fora da cama? - perguntou e ainda que sua voz tenha saído normal, estranhou a si mesmo, e temeu que ela reparasse.

– ...já estou melhor... apenas fiquei com sede... - explicou sem olhá-lo, mas seu aspecto não condizia com suas palavras.

– Não acho que esteja... - dizia Ichigo, mas então Rukia tombou sobre os joelhos.

– Rukia!

Ichigo pegou-a nos braços.

– Rukia?! Rukia, o que você tem?

– Ichigo... - ela segurou na manga camisa dele. – Me perdoe...

– ...como assim, sua idiota...?

– ...por ser tão fraca... e só te causar problemas... - falou escondendo o rosto e as lágrimas no peito dele.

– Pare com isso... - disse e num gesto terno, e também inédito, a abraçou.

Rukia se espantou, mas estava tão fraca que não conseguiu reagir. Fechou os olhos e pensou que fosse desmaiar de novo, mas não. Logo, percebeu Ichigo andando consigo nos braços, mas ainda sim não abriu os olhos. Sabia que podia ficar tranqüila enquanto estivesse com ele.

Ichigo acomodou Rukia em sua cama e reparou no rosto dela, úmido pelas lágrimas. Sentiu o peito doer com aquilo e sem que se desse conta, acabou enxugando aquelas lágrimas, fazendo com isso Rukia abrir os olhos, surpresa.

– Hã? - ela olhou ao redor. – Não... não precisa me deixar aqui... - disse e sentou-se na cama.

– Não tem problema... - ele a segurou pelos ombros e a fez deitar de novo.

Rukia o encarou nos olhos.

– Fique boa logo... - Ichigo falou e aproximou o rosto, sem saber ao certo o que fazia, mas sem conseguir se conter também.

Rukia piscou alarmada, vendo os lábios de Ichigo crescerem diante de si. E ficou tão chocada que permaneceu estática, então ele selou seus lábios.

Ichigo sentiu a boquinha delicada de Rukia sob a sua e fechou os olhos, desfrutando o momento. E para sua surpresa, sentiu a mão dela em sua nuca e ela o beijar também, mas foi menos que um instante, bruscamente, ela virou o rosto.

Ichigo a encarou abaixo de si e então corou até as raízes do cabelo. – Me desculpe! - disse de súbito.

Rukia sem encará-lo, murmurou um assentimento.

– ...fique... digo, descanse... eu vou pra sala. - resolveu ele e num sobressalto se ergueu.

– Ichigo! - ela falou naquele tom autoritário.

– Que?

– ...a hóspede aqui sou eu...

– Eu sei... mas fique aí... - disse e deixou o quarto com passos rápidos.

Perturbado, Ichigo correu a cozinha e jogou um copo de água na cara.

– Idiota! Idiota! Idiota!! - xingava-se. – Isso não pode ter acontecido... não era eu... - disse mas logo voltou atrás, ao pensar que se não fora ele tinha sido seu hollow. – Fui eu, fui eu, fui eu... mas o que tenho na cabeça...?!

Fosse o que fosse ele parecia querer quebrar, pois começou a dar cabeçadas na parede. Mas logo parou e ficou escorado ali, a respiração pesada, trêmulo.

Alguns minutos se passaram, e ele não conseguiu pensar em nada a não ser que por alguns instantes Rukia tinha lhe correspondido. Pensativo, veio para a sala, sentou-se e escorou a cabeça no encosto do sofá. “O que sinto por ela?” indagou-se tentando ser racional.

A pergunta lhe trouxe diversas cenas a mente. Seu primeiro encontro, o período que passaram juntos na escola, o regaste na Soul Society, os Bounts, Aizen... tantas lutas... sempre juntos, sempre arriscando a vida um pelo outro. Claro que eram mais que amigos, um sentimento fraternal os unia, mas e se esse sentimento assumisse outra forma?

“Pouco importa o que VOCÊ sente. Não é digno dela.”

Novamente o hollow, mas Ichigo não se abalou dessa vez, porque o pequeno gesto de Rukia o encheu de esperança.

– Isso é o que você pensa... eu não tenho porque desistir, já que descobri o que sinto. Quem não vai gostar disso é o Kon...

Diante daquelas palavras, o hollow de Ichigo não o perturbou mais. Assim, alguns minutos se passaram até Ichigo se julgar calmo o bastante para procurar seu pai e ver se Rukia estava bem.

– Ichigo!!! Isso é hora de acordar seu querido pai!?

– Rukia não está bem... ela desmaiou de novo.

– Que!!! A Rukia-chan!?!

O homem pulou da cama do jeito que estava.

– Não vai se vestir? - Ichigo falou parado na porta.

Logo, os dois estavam no quarto de Ichigo. Rukia parecia melhor, pois perdera os sentidos novamente.

– Como ela veio parar aqui? - perguntou Ishin desconfiado.

– Ela foi beber água e caiu por lá mesmo, eu ouvi um barulho e fui ver o que era...

– Mas por que a trouxe pra cá?

– Ah, aqui é mais espaçoso... não queria também que a Yuzu e a Karin acordassem.

– ...muito suspeito... uma mulher bonita na sua cama, Ichigo, o que vão pensar...? - provocou Ishin.

Ichigo reagiu como sempre, e deu um socão na meio da cara de seu pai, mas é claro que dessa vez o comentário o abalou.

– Velho tonto! Vou ficar na sala, qualquer coisa me avise...

Na sala, Ichigo mandou uma mensagem de celular para Inoue Orihime, pedindo que ela viesse até sua casa assim que amanhecesse para ajudar Rukia.

– Devia ter recorrido a Inoue antes. - resmungou consigo, depois ajeitou umas almofadas, deitou e finalmente dormiu.

ooo ooo ooo ooo


O dia amanheceu chuvoso e Ichigo despertou ao sentir a presença de Inoue. Era bem cedo ainda. Foi rápido se trocar e atendeu a porta instantes antes da menina tocar a campainha.

– Bom dia, Kurosaki-kun. - ela falou surpresa com a súbita aparição dele.

– Bom dia, Inoue. Desculpe fazê-la vir até aqui logo cedo.

– Que isso, onde está a Kuchiki-san?

– Ah, venha comigo...

Os dois subiram, a porta do quarto estava meio aberta. Rukia dormia ainda, um grosso cobertor recobria seu pequeno corpo.

Inoue vidrou os olhos ao ver Rukia na cama de Ichigo, e ficou tão desconcertada que estancou no lugar.

“Kuchiki-san dormiu no quarto de Kurosaki-kun. Por quê?”

Ichigo a chamou lá de dentro. – Pode entrar Inoue. - falou alheio ao espanto dela.

– Sim...

Rukia abriu os olhos, quase no mesmo instante.

– ...hã? Inoue?!

– Kuchiki-san, bom dia. - saldou amável, com um lindo sorriso.

– ... o que aconteceu...? - Rukia indagou confusa.

– Kurosaki-kun disse que você não estava bem.

– ...ah... - só então Rukia percebeu a presença de Ichigo, aos pés da cama, e ao encará-lo ficou levemente corada, por certo recordando o que acontecera na madrugada. – ...eu lamento tê-la incomodado Inoue... mas já me sinto melhor...

– Tem certeza? - perguntou Ichigo e veio até a janela, ficando de costas às duas.

– Tenho...

– O que aconteceu? - Inoue perguntou se aproximando de Rukia.

– Um hollow me atingiu, mas nunca ouvi falar de um hollow que causasse esse tipo de coisa, fraqueza, vista embaçada...

– Eu vou tentar reverter isso. - disse com a costumeira disposição, ao que a outra assentiu com os olhos.

– Mas de qualquer forma, tenho que voltar para a Soul Society.

A expressão de Ichigo mudou ao ouvir aquilo, ele ficou triste.

Inoue tratou de Rukia, que em poucos instantes sentiu-se plenamente recuperada.

– Ah... agora sim... estou novinha. Agradeço muito, Inoue.

– Por nada. - disse e sorriu. – Mas não poderá passar um dia com a gente? Né, Kurosaki-kun, não poderíamos sair depois da aula?

– ...vocês decidem... - disse evasivo para não levantar suspeitas.

– Sinto muito... - falou Rukia. – Pra variar, já me demorei demais aqui. Fica pra próxima.

Ichigo não pôde deixar de pensar que a razão daquilo não eram os compromissos na Soul Society, e sim por causa do que tinha acontecido, mas não disse nada.

– Que pena... - Inoue falou realmente triste.

– Ao menos, espera até o café. - Ichigo pediu voltando o rosto para Rukia. – Já tomou café, Inoue?

– Não, eu pensava em tomar um lanche na escola.

– Nada disso, tome o café com a gente.

– Ah, eu agradeço, Kurosaki-kun. - respondeu a colegial.

Rukia concordou com um gesto de cabeça. Inoue que até então, estava ajoelhada ao lado da cama, se levantou.

– Eu vou descendo com a Inoue enquanto você se arruma. Não demore. - Ichigo falou a Rukia.

– Sim...

ooo ooo oo ooo


Um pouco depois estavam os três à mesa. Ichigo sabia que Rukia estava perturbada, ainda que sua expressão aparentasse normalidade.

– Ei, assim vocês vão chegar atrasados na escola. - falou Rukia. – Vamos, não atrapalhem sua rotina por minha causa.

– Tá certo, tá certo... Estamos indo então. Cuide-se. - Ichigo falou e jogou a mochila nas costas.

– Sim, obrigada por tudo. E fiquem atentos com esses hollows.

– Ok. Vamos, Inoue.

– Sim... - disse a menina. – Kuchiki-san, bom retorno. Espero que possa nos visitar em breve.

– Tentarei... tchau, boa aula.

ooo ooo ooo ooo


Durante o caminho até a escola, Inoue ficou nervosa e meio sem jeito por estar sozinha com seu amado. Mas Ichigo sem perceber nada, caminhava pensativo, apenas respondendo uma ou outra coisa que ela lhe perguntava.

“Eu não tenho pretexto para ir a Soul Society. Sem ordens superiores, ela também não pode ficar aqui. Droga!”

– Algo o perturba, Kurosaki-kun? - Inoue perguntou, afinal tinha notado tanto ele como Rukia, meio estranhos durante a refeição.

– ... não, nada... por quê?

– É que está tão calado...

– Impressão sua. Bem, até... - ele disse e seguiu para seu lugar.


CONTINUA...


Capítulos de [Bleach] Não há quem possa ocupar seu lugar...

[01/07/08] Capítulo 1

[08/07/08] Capítulo 2

[18/07/08] Capítulo 3

[29/07/08] Capítulo 4

[06/08/08] Capítulo 5

[14/08/08] Capítulo 6

[14/09/08] Capítulo 7

[04/10/08] Capítulo 8

[26/10/08] Capítulo 9

[13/11/08] Capítulo 10


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