Estava muito bêbada, bêbada demais para perceber até onde minhas ações estavam estranhas, algumas garotas enchem a cara e ficam extremamente sexy e acabam a noite dançando no balcão seminuas, eu, porém fica fora de órbita, irritada e agressiva.
O atendente me lançava um olhar de pena, na verdade pena foi à única coisa que o fez continuar me servindo e também a minha ameaça de ir beber em outro lugar, outro qualquer lugar. A vista estava meio embaçada, mas continuava firme acabando com mais um copo de rum ou gim ou nem sei mais o que estava tomando há muito tempo.
- Ora, ora, ora... – Kiba sentou ao meu lado contra a minha vontade ou sem ao menos perguntar se eu queria companhia, seus olhos selvagens e embriagantes cintilavam distantes e parecia bem animado com a minha presença. –Por que estaria Mitsashi Tenten se embebedando?
- Porque não cuida da sua vida? – lancei meu melhor olhar de ‘me deixe em paz’, mas não foi o bastante para fazê-lo se calar, nunca era.
- Minha vida não precisa de maiores cuidados. Já a sua? – ele disse sarcástico e arrogante enquanto se debruçava no balcão e via a minha coleção de copos sobre a pia do bar, passavam de dez.
- Não preciso de conselhos... – tentei tomar a última gota que circundava a beira do copo, mas minha má precisão impediu que conseguisse, larguei o copo, irritadiça, minha vontade era de atirá-lo em Kiba e fazê-lo calar a sua maldita boca.
- Posso contar uma historinha engraçada? – eu o fitei irritada, aquilo só podia ser uma piada para piorar meu dia, deveria ser conspiração parecia que tudo corria bem para a minha infelicidade e todos queriam zombar da minha tristeza. – Ontem pela manhã, eu vi certa ninja se retirando sorrateira da casa de certo Uchiha.
- O que você está insinuando? – estava pronta para estapeá-lo ao passo que vi um sorriso brotar em seus lábios, a malícia em seus olhos e uma expressão que perpassava de irônica para de quem estava tendo prazer em me torturar.
- Nada. Estou apresentando um fato, e me pergunto se o Hyuuga sabe disso. – ele continuou me encarando e eu desviei os olhos, me senti tonta e tudo pareceu rodar, o chão sumiu e tudo foi escurecendo, aos poucos os olhos animalescos de Kiba foram desaparecendo de minha vista até que mais nada era decifrável. Senti o corpo tombar.
xXx
Abri os olhos devagar, minha cabeça doía e não sabia onde estava. Na minha boca um gosto amargo se espalhava pela minha garganta, gosto de álcool com nicotina, na minha testa uma compressa umedecia minhas têmporas. Fiquei olhando o teto por um demorado período de tempo até que ouvi vozes que se aproximavam.
- O que fez com ela, Kiba? – reconheci rapidamente a voz doce e melodiosa de Hinata que andava sem qualquer ruído pelo corredor enquanto Kiba parecia um cavalo barulhento, fazendo minha cabeça dar pontadas agudas.
- Nada. Ela bebeu mais de quinze doses de bebidas variadas, deve ser coma alcoólico. – a porta abriu e o vi gesticular nervosamente, com toda certeza estava na mansão Hyuuga, o teto era único e o cheiro de Neji impregnava até mesmo onde ele não esteve.
- Agradeça aos céus Neji estar em missão ou nem sei o que faria! – ela parou e ficou me olhando, sorri envergonhada, ela retribuiu aliviada, como se o fato de eu ter aberto os olhos fosse o maior presente que pudesse receber. – Você nos assustou!
- Sinto muito. – meu rosto parecia queimar, sentia que estava corada. Kiba estava à porta, entre o nervosismo e a vontade de rir, Hinata trocou à compressa e se sentou na beira da cama.
- Ontem quando o Kiba chegou com você aqui, desmaiada, eu fiquei em choque, ainda bem que acordou. Quer alguma coisa? – não conseguia me imaginar sem a Hinata, era a melhor amiga que poderia ter, atenciosa, calma e acometida por uma tristeza que eu queria poder curar. Tão dócil e tão amargurada, sabia que seus anseios se resumiam ao amor patético e doentio de Naruto por Sakura, mesmo assim ela era incapaz de odiá-los.
- Se ela já acordou, eu vou embora. – Kiba coçou os cabelos desgrenhados e soltou um grunhido cansado, um grunhido quase canino.
- Nem pensar... Vai me dizer o que fez a ela? – Hinata se levantou, um dedo colocado sobre o nariz dele e uma das mãos titubeando pela própria cintura, estranhamente ela o controlava e ele a obedecia, por um instante não eram a tímida garotinha e o wild boy de sempre.
- Já te falei que... – ele parecia apavorado mediante a menina e chegou a corar, as mãos nervosas coçavam a cabeça na esperança de um idéia brilhante para salvá-lo do olhar irritado e devastador de Hinata.
- Não foi culpa dele! – disse a fim de salvá-lo e de comprar seu silêncio sobre Sasuke e a sua bondade de me ceder a casa por uma noite. Ele entendeu e deu um breve sorriso amarelo.
Kiba saiu o mais rápido possível, não queria Hinata lhe lançando olhares desaprovadores e o recriminando por não ter juízo nenhum, enquanto ela tinha juízo demais. Por fim estávamos apenas eu e aquela criatura atenciosa e carente de maiores atenções. Hinata se voltava demais para os outros e se esquecia de si própria.
- O que aconteceu? – os olhinhos apagados, a expressão apática e doente, senti pena de Hinata, senti pena por ser tão boa, mas nunca ninguém a via.
- Por que nada dá certo? – foi tudo que me dignei a dizer.
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A sensação de que alguém me olhava, me fez despertar, ainda me encontrava trancafiada na casa de Hinata que mais preocupada com o que eu pudesse fazer do que com minha saúde em si. Neji estava ali.
Seus cabelos grudavam na face alva, estava suado e ofegante, os olhos dispensavam leitura estavam exaustos. Caminhou silencioso, com seu pisar macio e seu aroma me fez suspirar demoradamente, precisava tanto daquele perfume. Ele estava lá, como um homem e não como uma miragem e era de um homem que precisava e não de fantasias.
- Sei que está acordada! – abri os olhos chorosos, prestes a desabar novamente em um pranto inconsciente, mas as mãos ásperas dele deslizaram suaves por minha face e pararam em meu queixo.
- O que quer? – virei o rosto, ressentida, embora dentro de mim queimasse furioso um fogo vívido por ele, eu era volúvel, mas não abaixaria minha cabeça para ninguém.
- Quero você! – ainda segurando meu rosto, dessa vez bem mais forte e praticamente me obrigando a me aproximar dele, selou meus lábios. A língua dele pediu passagem e eu relutei para ceder, relutei para não cair na conversa tão convincente que era o corpo de Neji.
- Tudo o que vem fazendo é me usar! – a boca dele deslizou ao pé do meu ouvido, a voz máscula me invadiu, rouca, sexy e tão masculina.
- Porque você me pertence... Você é minha e será minha pra sempre. – estremeci, se o que ele me dizia tivesse vindo em outro momento, em outro sentido seria a coisa mais linda que já teria me dito, mas ali naquele instante eu me tornava um mero objeto, eu me senti tão pouco para ele.
- Não foi o que disse ao seu tio! – tentei sentar, mas ele me impediu, me manteve deitada presa entre seus braços, podia sentir sua respiração calma e compassada, o corpo suado tão perto.
- Mas é o que estou te dizendo agora. Tenten entenda que não posso te prometer casamento, mas quero estar ao seu lado. – como tinha a cara de pau de me dizer isso? Como podia achar natural me manter atada a um relacionamento sem futuro.
- Comigo não pode haver casamento, mas com outra sim. – o fitei incrédula, chorando e pedindo que alguém entrasse naquele quarto e o fizesse ir embora. Não queria ouvir mais nada que me ferisse, queria fugir do meu sofrimento, da dor que tudo aquilo me causava. Queria beber e dormir com qualquer um e me sentir vingada.
- Você não entende. Se me casar serei obrigado a assumir o clã. Não posso fazer isso, eu não quero essa responsabilidade. Não é por você, eu realmente te amo, eu realmente te quero, estarei sempre ao seu lado... Sinto muito se não é como você quer. – os olhos me iluminando, como estrelas que cintilam acesas no céu do inverno e por mais poético que possa parecer, não era.
- Então, você me quer? – usei o meu sorriso mais malicioso.