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› Autor: ~hinalleli
› Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela.
› Tags: Vários caminhos, um destino
› Personagens: Jéssica
› Classificação: 14+
› Adicionado em: 17/06/08
› Comentários/Favoritos 0/1
› Caracteres: 6.923
› Exibições: 32
A pessoa continuou calada, com os olhos fixos em Jéssica. A moça, por sua vez, tentava não demonstrar nervosismo, mas soube que falhou quando um sorriso brotou dos lábios do rapaz.
“Bom te ver de novo.” Ele disse, estendendo o braço em uma tentativa tola de se aproximar.
Ela o encarou, com certa impaciência, e bateu na mão estendida como algo repulsivo.
“O que você quer? Droga.” Resmungou percebendo que ele se aproximava.
“Eu já disse, mais uma chance.”
“Eu não seria otária o suficiente para dar mais uma chance a alguém que quase me estuprou.” Dizia ela enquanto dava passos para trás, a medida que ele ia para a frente.
Com um movimento rápido, ele pegou o pulso da jovem e deixou-o na altura dos olhos.
“O que aconteceu?” Apontou para algumas gotas de sangue que ainda escorriam.
Então Jéssica se lembrou da noite anterior, quando agarrara-se tão fortemente ao travesseiro que a arma que guardava debaixo deste machucou-a. Esquivou-se dele, indo a passos rápidos em direção à cama. Ao perceber que o visitante iria cair sobre ela, para segurá-la, tirou do esconderijo o punhal.
“Me deixe explicar, por favor.” Disse ele, levantando as mãos em sinal de impotência.
“Antônio, pensei que estava claro que não o queria te ver mais em minha casa, mas se prefere que eu te diga com palavras, farei isso com o maior prazer.” Começou a elevar a voz, pensando seriamente em chamar os irmãos ou a mãe.
O sorriso de Antônio fez com que ela perdesse ligeiramente o prumo. Onde estava seu orgulho? Era uma mulher independente! Nunca precisou deles, e sabia que se criasse dependências, o destino cruel tiraria-os de sua vida para que ela sofresse, até que conseguisse ser independente de novo.
“Então foi com isso que você se machucou?” Apontou para o punhal, que tinha a ponta levemente ensangüentada.
“Não te interessa.” Levantou-se, com o punhal apontado para a garganta do rapaz.
“Será que não posso me sentir culpado pelos meus atos?” Indagou irônico, com um sorriso melancólico.
“Me responda, como entrou aqui e o que meus irmãos tem a ver com isso.”
“Vou ser sincero com você, mas primeiro abaixe o punhal.” Pediu, quase ajoelhando-se no chão.
Ela sorriu vitoriosa, percebendo que estava literalmente no controle.
“Não, já perdi a pouca confiança que tinha em você. Agora pode dizer tudo.”
Ele engoliu em seco mas começou a narrativa:
“Depois do que aconteceu...” Hesitou, limpando o suor da testa, “Me senti... mal, então fiquei no meu carro até encontrar uma maneira de entrar e te pedir desculpas. Hoje, quando vi seus irmãos, disse a eles que era um ex-namorado seu tentando pedir desculpas, então eles me ajudaram a entrar minutos atrás.”
Ele fechou os olhos parecendo sentir dor. Jéssica abaixou a arma, esperando as desculpas que acariciariam seu orgulho.
“Jéssica... me desculpe, eu agi sem pensar. Quando te vi a primeira vez, perdi a cabeça e minha obsessão foi ter seu corpo junto ao meu, e mais nada. Não conseguia mais trabalhar, comer, pensar. Via todas suas reportagens, entrevistas, fotos, você tinha virado meu essencial.”
Ela fixou seus olhos no rosto dele. Aquelas palavras não estavam tendo o mesmo gosto que imaginara. Seu orgulho de nada servia diante de uma situação daquelas. Antônio deixou-se criar raízes a uma mulher que talvez nem chegasse a encontrar, e ela tinha medo de se apaixonar por seus infindáveis namorados.
Antônio abriu os olhos, curioso com o silêncio da jovem. Não era comoção que via, mas uma mistura de confusão e culpa.
“Disse algo de errado?” perguntou aflito, sem obter resposta imediata.
“Não. Você é muito corajoso.” As palavras saltaram de sua boca, e enrubesceu ao perceber o que dissera.
“Obrigado.” Sorriu aliviado, “Você também.”
Jéssica quase riu. “Eu estou anos-luz de ser corajosa.”
“O que seus irmãos de sangue fazem aqui?” Perguntou repentinamente, quebrando a atmosfera de descontração que tinha se firmado no quarto.
Ela abaixou a cabeça sentindo-se pega de surpresa. Pensou irônica em qual das milhares de revistas que publicaram a história da sua vida ele lera sobre seu parentesco com Henrique e Carolina. Olhando para os pés, começou a dizer:
“Minha família de sangue não deixou opção para eu e meus irmãos. Tive que acolhe-los em minha casa porque o dinheiro do meu pai se esgotou e precisavam de mais.”
Não conseguiu dizer mais nada, o nó que formara em sua garganta impedia-a.
Antônio levantou seu queixo com cuidado. A palidez em seu rosto pareceu impressioná-lo.
“Isso até sua morte, imagino.”
“Provavelmente.” ela disse em um fio de voz.
“Por que não se livra deles?”
“Como?”
Antônio titubeou, mas resolveu não responder, tirando os dedos de seu queixo.
“Já pensei em planos, mas não sei se conseguiria fazer com que funcionassem.” ela falou.
“Vou pensar em algo.” Prometeu, desviando os olhos da tez feminina.
“Por que me trata tão bem depois que te tratei daquele jeito tão repulsivo?!” Indagou, quase furiosa consigo mesma.
“Não abandonamos as pessoas que amamos.”
Jéssica sentiu-se desconcertada. Ninguém nunca tinha dito, mesmo que indiretamente, que a amava. Não como mulher. Pensou em algo sutil para dizer, mas ele fora mais rápido.
“O amor que mais dura é o amor não correspondido.”
“É mesmo. Porque as pessoas que amamos nunca nos ama, e vice e versa.” Falou, com um sorriso amigável.
Ele voltou a fitar seus olhos brilhantes. “Sinto muito, não achei que você fosse uma mulher que sofria com amor.” Disse em um murmúrio triste.
Jéssica riu divertida. Que tipo de mulher ele achava que era?
“Bom,” Ela bruscamente parou de rir para mudar de assunto, “Temos que descansar, pretende dormir aonde?”
“No meu carro.” Disse, percebendo uma outra risada prestes a inundar o quarto, agora de sua parte, mas não o fez, ao notar a seriedade de Jéssica.
“Desculpa, não posso lhe oferecer minha cama, se é que me entende.” Disse, com as bochechas vermelhas.
“Não tem problema, eu já estou indo.” Com essas palavras, seguiu até a porta, abriu-a silenciosamente, e sem olhar para trás distanciou-se.
Jéssica observou-o até desaparecer na completa escuridão.
CONTINUA...
[20/12/07] Prólogo
[29/01/08] Capítulo 1
[29/01/08] Capítulo 2
[29/01/08] Capítulo 4
[11/04/08] Capítulo 5
[24/04/08] Capítulo 6
[08/05/08] Capítulo 7
[17/06/08] Capítulo 8
[17/06/08] [Originais] Vários caminhos, um destino - Capítulo 8
[08/05/08] [Originais] Vários caminhos, um destino - Capítulo 7
[24/04/08] [Originais] Vários caminhos, um destino - Capítulo 6
[11/04/08] [Originais] Vários caminhos, um destino - Capítulo 5
[29/01/08] [Originais] Vários caminhos, um destino - Capítulo 4
[29/01/08] [Originais] Vários caminhos, um destino - Capítulo 3
[29/01/08] [Originais] Vários caminhos, um destino - Capítulo 2
[29/01/08] [Originais] Vários caminhos, um destino - Capítulo 1
[28/01/08] [Shurato] Chega de viver assim - Te esperarei (Capítulo único)
[20/12/07] [Originais] Vários caminhos, um destino - Prólogo
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