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› Autor: ~Dank
› Gênero: Drama (Tragédia) / Musical (Songfic) / Shoujo-Ai
› Tags: the final, legiao urbana, songfic, tragedia
› Personagens: dakota, lily, amber
› Classificação: 16+
› Adicionado em: 22/05/08
› Comentários/Favoritos 0/2
› Caracteres: 10.741
› Exibições: 84
I ~ Metal contra as nuvens.
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.
Sempre teve medo. Medo de tudo aquilo que não podia controlar, medo do amor, do ódio, do mundo. Medo Dele. De tudo aquilo que um dia tentaram colocar em sua cabeça, mas não conseguiram. Medo de si mesma.
Menos da morte.
Como poderia ter medo de algo que idolatrava? Era algo assustador, concordava, mas por que temer aquilo? Por que viver a vida toda presa a um conjunto de leis e crenças que no fim não servem de nada? Era simplesmente a morte. Você pára de respirar, seu coração pára de bater e fica tudo escuro. Era só isso. Por que aqueles estúpidos acreditavam que se encontrariam com aquilo que nunca foi provado que realmente existiu?
E por que só ela não acreditava naquilo?
Suspirou, expulsando a fumaça do cigarro dos lábios. Enfiou as mãos no moletom e retirou um papel dobrado, preenchido com uma caligrafia grande e clara. Correu os olhos por ele.
Eu te amo.
Perdera a conta de quantas foram as vezes em que lera aquilo e se impressionava consigo mesma. Se não gostava de si própria, como era capaz de gostar de outra pessoa? Se não era capaz de valorizar a própria vida, como iria valorizar a de outra?
Malditas perguntas. Queria realmente encontrar uma resposta para todas elas, e que de preferência não fosse um maço de cigarros ou um canivete.
Devia parar de pensar assim. Não era mais suicida, afinal. Se fosse, já teria cortado a garganta há tempos, sem se importar com aquelas pessoas que amava e que tinha certeza de que a amavam também – E ainda existia alguém que a amava? -- Talvez fosse menos egoísta do que imaginava. É, talvez fosse isso mesmo.
Maldito talvez.
Maldita confusão.
Maldito dia.
Maldita carta.
Maldito Deus.
Maldito mundo.
Levantou-se do chão, ignorando os tornozelos que sangravam. Vestiu uma calça e saiu do banheiro, voltando ao quarto e abrindo a janela.
Ignorou o céu que lhe dizia um feliz bom dia e se jogou na cama. Eram dez horas. Devia estar no colégio, na aula de matemática, mais precisamente. Devia estar lá se deixando ser humilhada pelas outras garotas e ignorada pelos garotos. Servir de nada além de um canto para descontar a raiva qualquer derivado disso. E simplesmente por quê? Por ter sido reprovada duas vezes.
Dakota tinha dezenove anos. Cursava o último ano do colegial pela terceira vez. Talvez uma quarta no ano que vem. Os amigos do prédio a chamavam de poço de álcool, tabaco e ódio. Tinha ódio de tudo: Dos pais, da escola, do governo, dos vizinhos, e até dela. Por ter se apaixonado por ela. Amber. A conhecera há um mês, na rua com Lily. Apresentara a ela. Era o tipo de garota que poderia considerar perfeita: Era bonita, tinha personalidade, ouvia metal e fumava. Podia parecer idiota, mas preferia as fumantes. Elas sabiam o que um cigarro realmente significava.
Passaram o tempo conversando, saindo à noite e se divertindo. Fumando e bebendo, até que cansassem e voltassem para a casa. Durante todo o tempo foi assim, até notar que pensava demais nela. Que se importava demais, que se sentia feliz demais ao lado dela, que quando estava triste, era só se lembrar do sorriso, dos olhos dela que tudo passava.
Desde quando? Não sabia. Mas isto havia acontecido e agora iria pagar. Mas ela não se importava com o preço, pagaria o quanto fosse necessário se fosse para tê-la da forma que queria.
Pegou um envelope, colocou a carta dentro e bateu a porta.
II ~ Angra dos reis.
Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi...
- Amber? – A garota ergueu a cabeça, voltando os olhos à porta. Era sua mãe, trazia um envelope nas mãos. – Chegou isto para você.
A garota fechou o livro e foi até a porta, pegou o envelope e a fechou, sem se importar com a mãe que permanecia ali. Sentou-se na cama, abrindo o envelope sem ler o remetente.
Amber tinha vinte anos. Cursava marketing. Morava sozinha, mas passava os fins de semana com a mãe. À noite saía com Lily e… Dakota. Não tinha idéia do rosto de seu pai.
Abriu o papel e começou a ler, reconhecendo a caligrafia ao bater os olhos: Era a letra de Dakota.
“É. Me chame de covarde, de inútil, de idiota, de tudo o que você quiser, mas não pare de ler até que eu termine.
Eu podia escrever mil e uma linhas tentando explicar tudo, detalhadamente o que estou pensando agora. Escrever sobre todos os dias em que você me impediu de jogar meu corpo da janela ou de enfiar aquele canivete no pescoço; de todas as vezes em que você pagou um maço de cigarros pra mim, dizendo que ‘era melhor morrer daquele jeito’, ou de quando me abraçava ou me consolava depois das tantas merdas que fiz.
E o que mais? De quando você aparecia triste e eu ficava triste também; ou de quando você aparecia falando que estava tendo problemas com o seu namorado e eu não podia fazer nada simplesmente porque… Eu não queria te machucar. Eu queria dizer para você largá-lo e ficar comigo, porque só eu te amava de verdade. É, só eu. Eu sou egoísta, eu sei.
E dói lembrar que amo algum “amigo” de uma forma que ele nunca me amou. Estou sendo dramática demais? Acho que sim. Eu nem ao menos sei onde você mora, nunca fui à sua casa, só sei seu endereço, não sei nada da sua vida, só sei que você fuma e tem um namorado e me apaixonei por você. Em um mês.
É, eu te amo.
Surpresa? Não? Eu sim.”
Piscou.
- O que ela tem na cabeça? – Sibilou, trêmula, colocando o papel de lado.
Nunca pensara naquilo. Nunca imaginara ouvir isso da melhor amiga, principalmente porque se conheciam há tão pouco tempo. Não acreditava que ela havia se apaixonado por si, apesar de… Amber, abra os olhos. Ela não é uma garotinha de treze anos. Ela sabe o que quer, ao contrário de você.
Suspirou, passou as mãos pelo rosto e se levantou.
Fugir? Aquela não era a melhor solução.
III ~ And so it goes
But if my silence made you leave
Then that would be my worst mistake
So I will share this room with you
And you can have this heart to break
Quanto tempo havia se passado? Duas, três semanas? Nenhuma notícia, nenhum sinal de que aquilo realmente chegara em suas mãos. Talvez deve até ter chegado e era exatamente por isso que não a vira mais. Estaria com nojo? Provavelmente.
Suspirou. Apagou as luzes e foi para o quarto, fechando a porta. Ligou o aparelho de som, colocou o primeiro CD que encontrou num volume alto, sem se importar se os vizinhos reclamariam ou não. Retirou o plugue do telefone da tomada e se deitou na cama.
Onde ela estaria agora? Estaria pensando em quê?
Em mim?
Sorriu. Como era tola. Por que sempre se apaixonava pelas piores pessoas? Era como uma maldição. Mas por que se importar? Preferia ficar sozinha, não é? Então viveria e morreria assim, não precisava de ninguém, não precisava de amor, nunca precisou.
Fechou os olhos. Seria bom se ela estivesse ali, ao seu lado, impedindo-a de fazer tudo o que fez naqueles dias, abraçando-a, dizendo que lhe amava. Encolheu-se. Sentiu uma lágrima brotar em seu olho e escorrer lentamente por seu rosto.
Intocada.
Nunca a teria, fato.
Apertou mais os olhos, puxando o cobertor para sobre seu corpo. Deveria continuar sonhando. Dormir, sonhar com seu mundo perfeito e nunca mais acordar.
- Dakota?
Era imaginação. Não ouvira a voz dela, ela não estava ali.
- … Amber? – Perguntou, a voz baixa, doentia. Sentiu uma mão tocar seu rosto e ia abriu os olhos, quando a ouviu pedir para que não abrisse. Sentiu um toque macio sobre seus lábios e uma vontade de sorrir lhe invadiu.
Um sonho?
Sentiu-se ser abraçada e colou-se ao corpo da outra, abraçando-a também. Teve vontade de dizer tudo. Tudo o que sempre quis dizer da forma que desejava, mas não pôde.
Podia?
- Amber, – Começou, a voz ainda fraca. – Eu… Te amo.
- Me desculpe. – Ouviu em seguida, como uma resposta automática. – Eu… Não posso fazer isso. – Não sabia como se sentia ao dizer tais palavras. Talvez não as devesse ter dito, mas… Não podia fazê-la sofrer daquela forma, mas obrigara-se a protegê-la, e iria fazê-lo mesmo que isso significasse sofrer também.
Amava-a, afinal.
IV ~ Mil pedaços.
Pobre coração - quando o teu estava comigo era tão bom.
Não sei por quê acontece assim e é sem querer
O que não era pra ser: Vou fugir dessa dor.
Desligou e desceu do carro, levando consigo o isqueiro e o maço de cigarros. Caminhou lentamente em direção ao local. Sacou a chave, abriu a porta, entrou e bateu-a. Caminhou sem pressa pelo corredor sujo e escuro até uma sala. Acendeu um cigarro, tragou-o e, com a ponta acesa, queimou o calendário preso à parede.
Treze de agosto.
Suspirou. Sentou-se numa cadeira e fumou metade do maço que trazia.
Quatro anos. Malditos quatro anos desde aquela noite. A última vez que a vira, as últimas palavras que ouvira até receber a notícia, por Lily, que havia morrido. Acidente de carro. Estava bêbeda e acabara por enfiar a fuça num poste. Lily lhe dissera que Amber lhe amava, mas nunca acreditou. Tornara-se fria, abrira seu peito e arrancara, de alguma forma, o amor dele. Não se importava mais.
Levantou-se, o cigarro entre os lábios. Abriu o recipiente de gasolina e espalhou por todo o chão, calmamente. Como gostava daquele cheiro. Era forte, impuro, da mesma forma que ela.
Respirou fundo. Acendeu o último cigarro, tragou-o uma última vez e jogou-o ao chão.
Agora era só esperar. A chama cresceu, engoliu-a completamente, fez cinzas.
E ela sorriu. Riu, gritou, se divertiu. Era aquilo que desejava, somente aquilo, por toda a vida. Por ela.
Meu amor
se quiseres voltar - volta não
...Porque me quebraste em mil pedaços.
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