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› Autor: ~maryanimecute
› Gênero: Shoujo (Romântico)
› Tags: Emi, Hosokawa, Pianista, Bailarina, Ballet, Os, últimos, dias, de, sua, vida, originais, drama, shoujo, mistério
› Classificação: 14+
› Adicionado em: 10/05/08
› Comentários/Favoritos 7/7
› Caracteres: 12.222
› Exibições: 225
Nota:
Era uma Sexta-feira de muita chuva em Tókio. A chuva misturava-se com o vento e batiam assustadoramente nas janelas. Devia ser por volta das cinco horas da tarde, mas o céu já estava negro por causa do temporal.
- E é assim que as plantas germinam. – diz uma velha e doce professora de cabelos brancos e óculos retangulares, apontando para a lousa. O colégio Shibaura não era muito extravagante. Era um dos mais simples da região, mas era conhecido pelo seu incrível método de ensino. Os alunos olham para a lousa com os olhos esbugalhados.
- “ Provavelmente” – pensa a professora – “ Eles não devem ter escutado uma palavra que eu disse... Pobrezinhos, devem estar amedrontados. Não adianta nada eu continuar com a matéria de germinação sendo que eles não prestarão atenção. Tenho uma idéia.”
- Classe! Vamos empurrar as carteiras para os cantos da sala e fazer uma roda no chão. – a classe empurra as cadeiras e as carteiras e se sentam no chão. A professora se senta no chão junta a eles e começa a falar:
- Hoje contarei para vocês uma antiga estória que aconteceu aqui mesmo, nesse colégio.
- Com licença professora! – diz uma garotinha. – Essa estória não é de terror e nem de fantasmas, né?
A professora sorri:
- Não Akemi, não é. É uma estória de amor. Todos querem ouvir?
- SIM! – responde a sala, em um coral ainda meio assustado.
- Tudo bem então...
Por volta de 40 anos atrás, uma meiga garotinha chamada Emi Nakamura havia acabado de se mudar para o colégio Shibaura. Ela era muito boa nos estudos, mas não era e nem nunca foi a melhor da turma. Ela também não a mais rica, mas era extremamente bonita. Mas, alem da beleza, havia uma coisa que Emi se destacava das outras garotas: ela dançava incrivelmente bem ballet. E, por ser tão bonita e dançar tão bem, as outras meninas começaram a excluir Emi. Não lanchavam com ela na hora do lanche, e não faziam trabalhos escolares com ela.
- Como foi o dia hoje, filha? Fez muitos amigos? – perguntava a mãe de Emi, quando a garota voltava da escola. Emi apenas sorria e falava:
- Claro mãe! – e se trancava no quarto, chorando na cama com a cabeça afundada no travesseiro.
Algum tempo depois, percebendo a angustia da garota, o faxineiro entregou a Emi uma chave.
- Para que o senhor me entregou isso? – pergunta Emi, olhando para a chave.
- É a chave do auditório. Ninguém o usa há anos. Você poderá dançar o quanto quiser lá.
Os olhos da garota brilhavam: dançar o quanto quiser! No auditório Emi poderia se isolar do resto do mundo, que só a excluía pelas suas qualidades. Emi pega a chave da mão do homem e diz:
- Arigato! – e sai correndo para o Auditório. Ela abre a porta: era grande e branco, com enfeites em dourado. Tinha muitas cadeiras acolchoadas que davam de cara com um grande e iluminado palco de madeira. Estava meio empoeirado, mas nada que perturba-se Emi. A garota coloca os trajes de ballet e prende os longos cabelos negros em um coque. Ela sobe no palco e respira fundo. Havia algo de errado. Mas o que era?
- Ela esqueceu as sapatilhas! – falou uma menina, levantando a mão.
- Ela ficou assustada! – tentou um menino.
- Não, não... Faltava a musica! – falou a professora.
Emi olha para trás: havia um grande e preto piano. Mas ninguém para tocá-lo. Se ao menos ela tivesse um amigo...
- Permita-me tocar, senhorita? – disse um alto jovem de cabelos loiros e olhos de um azulado escuro, vestido em um terno preto e elegante. Ele devia ser apenas um ano mais velho que Emi. O homem pega a mão de Emi e a beija.
- Você é muito bonita.
- Mas... – disse Emi, assustada – Quem é você? Como entrou aqui?
- Meu nome é Hosokawa.
- Hosokawa? Hosokawa de que? – pergunta Emi.
- Apenas Hosokawa. Posso tocar?
- Sim, claro. – falou Emi. Hosokawa começa a tocar uma leve e doce musica. Emi sente seus pés formigarem. Ela sabia que esse era o sinal de que ela deveria dançar. Mesmo se ela tentasse resistir, não conseguiria trancafiar a vontade de dançar. Alem disso, a musica era tão linda... Enquanto dançava, Emi esquecia tudo: os problemas com os amigos, a mudança de escola, a tristeza, o sofrimento... Tudo. Inclusive esqueceu que Hosokawa não havia falado como entrara lá. Aquele auditório estava abandonado, não é mesmo?
Depois que Hosokawa acabara de tocar, Emi solta um longo suspiro e diz exausta:
- Acho que já chega para mim. Tenho que voltar para casa. Você não vem Hosokawa? – Emi vira para trás: Hosokawa não estava mais lá.
- Ai professora! – falou Akemi. – A senhora esta me assustando! A senhora havia falado que a estória não era de terror...
- E não é mesmo, Akemi. Deixe-me continuar e você verá.
Nos dias seguintes, Emi sempre ia para o auditório. E sempre que ela ia, Hosokawa estava lá, esperando por ela. E sempre que ela subia no palco, ele beijava sua mão e tocava uma linda musica no piano negro e empoeirado. E Emi sempre dançava belamente, sem errar nenhum passo. Com o passar do tempo, Emi não ia mais ao auditório apenas para dançar: ela ia para ver Hosokawa. Ela precisava vê-lo, para alegrar seu dia. Na escola, ela começou a ignorar o fato de ser excluída pelas outras garotas. Não importava mais, pois ela sabia que no final daquele mesmo dia ela encontraria Hosokawa, a única pessoa naquele colégio que se importava com ela. Em seus cadernos, Emi fazia milhões de corações e dentro deles escrevia Hosokawa. Estava apaixonada, e não podia negar... Mesmo tendo trocado poucas palavras com o garoto e nunca ter o visto nas aulas ou andando pelos corredores. Mas ela o amava, a isso amava.
Uma tarde depois da aula, Emi correu apressadamente para o auditório. No meio de sua corrida, ela acaba esbarrando no mesmo faxineiro que havia lhe dado às chaves.
- Ah! Olha Emi! Pelo visto esta se divertindo com o auditório, não é?
- Sim! MUITO! Senhor, eu poderia lhe fazer uma pergunta?
- Diga Emi.
- Quem é Hosokawa?
O faxineiro se espanta:
- Hosokawa? Loiro de olhos azuis-marinhos?
- Sim, senhor!
- Ele era aluno desse colégio, até o ano passado. Antes de descobrirem...
- Descobrirem o que? – pergunta Emi.
- Descobrirem que ele tinha aneurisma, uma doença que dilata as veias, e que pode fazê-las explodir. Ela tem cura... Mas não descobriram a tempo. Ele ira morrer esses dias.
Uma lagrima corre pelos olhos de Emi. A garota sai correndo para o auditório e abre a porta euforicamente, quase deixando a chave cair. Ela entra no auditório e grita:
- HOSOKAWA!
O garoto estava sentado na beirada do palco:
- O que foi Emi?
A garota corre em direção de Hosokawa e o abraça, chorando desesperadamente.
- Então, você descobriu...? – pergunta Hosokawa, com um olhar triste.
- Por que você não me contou? Por quê? EM? – perguntava Emi, euforicamente.
- Eu pensei que para você não mudaria o fato de eu estar doente ou não...
- COMO NÃO MUDARIA? HOSOKAWA ATÉ PARECE QUE VOCÊ NÃO SABE QUE EU... – Emi se cala. As palavras somem de sua boca. Hosokawa sorri. Ele segura a mão de Emi e a puxa para trás das cortinas. Lá ele abre um alçapão, e os dois entram nele. O alçapão dava nos fundos do colégio, em um lindo jardim florido. Atrás do jardim havia um pequeno hospital: o hospital onde Hosokawa estava internado.
- Eu sempre saio do hospital na hora do almoço e venho tocar piano para você, Emi...
Emi não conseguia parar de chorar. Ela chorava baixo, com a mão na boca e apertando a mão de Hosokawa, que pelo visto não se importava.
- Promete para mim que vai se curar Hosokawa! Promete!
Hosokawa abraça Emi fortemente, e faz um carinho em sua cabeça:
- Só um beijo... – pede a garota – Somente isso...
Emi vai se aproximando para beijar Hosokawa. Mas, para sua surpresa, o jovem coloca o dedo indicador sobre a boca de menina, parando-a.
- Tenho q ir agora... Nos vemos amanha.
Hosokawa solta Emi e vai andando em direção ao hospital. Emi apenas olha o amado voltando para aquele lugar frio... Com um aperto no coração.
No dia seguinte, Emi não conseguia se concentrar na aula. Como estava Hosokawa? Será que ele estava bem? Será que aquela tarde ela conseguiria falar o que ela sentia por ele? E ele? Retribuiria esse amo? As perguntas rodavam na cabeça de Emi como um carrossel descontrolado, deixando-a até mesmo zonza. O sino da ultima aula tocou, deixando Emi com uma sensação de felicidade e angustia ao mesmo tempo. A garota correu em direção ao auditório. Mas, na frente dele, ela encontrou o faxineiro, segurando uma carta nas mãos. Ele olha para Emi e não diz nada. Apenas estende a ela a carta e vai embora. Emi abre a carta e começa a ler:
Queria Emi,
Os médicos me disseram que hoje será o meu ultimo dia de vida. Não estou em condições de me levantar para encontrá-la essa tarde. Por isso pedi para o meu bom e velho amigo Yuki te entregar esta carta. Se você tiver tempo, poderia vir me visitar essa tarde. Adoraria muito me despedir de você.
Beijos,
Hosokawa.
Ao ler a carta, Emi fica em estado de choque. Ultimo dia de vida? Como assim? Ela guarda a carta da mala e vai até o hospital. Chegando lá, ela da de cara com uma enfermeira:
- Por favor! Eu gostaria de ver o Hosokawa!
- Desculpe-me senhorita, mas o senhor Hosokawa esta na UTI. Não posso encaminhá-la para lá.
- PELO AMOR DE DEUS, SENHORA! EU TENHO QUE VÊ-LO! TENHO QUE ME DESPEDIR.
A enfermeira olha para a garota com pena.
- Vocês são namorados?
Emi não responde. Ela continua a chorar e a insistir:
- Pelo amor de Deus... Deixe-me vê-lo.
- Somente tenho permissão de deixá-la vê-lo por um rápido momento.
As duas seguiram rapidamente pelo corredor, e a enfermeira abre a porta. Hosokawa estava deitado em uma cama, com vários médicos e enfermeiras nervosas ao redor dele. Hosokawa olha para Emi com um olhar perdido, e da um leve sorriso. Logo depois, ele fecha os olhos. O médico tira a mascara e anuncia:
- Perdemos ele.
- COMO ASSIM PERDERAM ELE?
- Por favor, senhorita, não grite no hospital! – falou uma enfermeira.
- Hosokawa! Acorde! ACORDE! – fala Emi, invadindo a sala e balançando o corpo do amado.
- Vou ligar para o responsável dela... – diz a enfermeira, saindo da sala. Emi encosta a cabeça no braço já gelado de Hosokawa e chora finas lagrimas. Ela não queria pensar em nada... Queria era acordar daquele pesadelo. Queria esquecer da doença de Hosokawa. Queria dançar para ele mais uma vez... Queria um monte de coisa! Mas tudo estava perdido agora... Tudo.
- Filha? – diz a mãe de Emi, com a face branca. – O que esta fazendo aqui?
Emi apenas se levanta e da um abraço na mãe.
- Oh, minha filha... Se acalme. Se acalme. Vai ficar tudo bem...
-Ai professora! Que estória mais triste! – diz uma menina.
- Sim minha querida, é realmente triste...
- Olha professora! – diz um garoto, apontando para o céu. – Parou de chover.
- E olha só a hora! – diz a professora – Arrumem os seus materiais e vão para casa, pois a aula já acabou.
Os alunos se despedem da professora e saem da sala. A professora arruma as carteiras e os materiais, e sai da sala também.
- Vamos Emi! – diz a diretora – Preciso fechar a escola...
- Esta bem, me de só mais um momento. – responde Emi. Ela vai até o auditório e o abre, contemplando um dos locais onde ela passou alguns dos momentos mais lindos de sua vida. E ela sabia, que se espíritos existissem, a alma Hosokawa estaria ali no auditório, esperando por ela. Que em alguma tarde, só Deus sabe quando, ela voltaria a dançar para ele.
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