A Rosa entre Espinhos
Capitulo XXIII
Por Josiane Veiga
Nas redondezas de York, o vento frio do rigoroso inverno dava o toque clássico a aquela bela cidade interiorana. O som que se ouvia sobre as casas do vilarejo era apenas o sussurro seco da brisa gelada. York era o tipo de cidade que resistia ao tempo, não apenas por sua força que transcendia gerações, mas porque algo mágico existia lá. Algo que ninguém nunca descobriria. Uma aura de mistério e alento, que a tornava imortal.
O castelo de York não era diferente. Suas estruturas suportaram a Guerra das Rosas e a tantas revoluções e armadilhas que os inimigos da nobreza local tramaram durante os séculos, em que a construção majestosa se erguia imponente em direção ao céu.
Mas hoje aquele castelo conhecia um mau dia. Fato este comprovado pelo incomodo silêncio reinante que era apenas quebrado pela janela que, apesar de fechada, ainda se movia pela forte ventania do lado de fora.
Naquela sala, aquecida pela lareira acesa, um grupo se encarava espantado. Em especial dois homens, da mesma estatura, mas diferentes pelo tipo físico.
-O que você disse? – o loiro perguntou.
-O que ouviu. – Steph Morris parecia muito satisfeito – você, Allan Hatton, está preso pelo assassinato de Eleanor McGreggor e Dorothea McGreggor, esposa e mãe do duque de York.
O silêncio voltou a reinar durante algum tempo. Todos pareciam não acreditar no que ouviam. Mas o estado de torpor que tomou conta deles por alguns segundos começou a ser quebrado pela mulher grávida, que estava ao lado do acusado.
-O quê? Você está louco? Allan jamais poderia ser acusado de assassinato! Isso é um absurdo!
Mairi sentia o coração praticamente saltar no peito. Estava totalmente descontrolada e as mãos começaram a tremer.
-Lamento Milady. Mas tenho provas do que digo!
-Que provas? – berrou Allan - não há nada contra mim, pois sou inocente. Retire já essas algemas de meus pulsos.
-Não ouse gritar comigo, Sr. Hatton. Sou uma autoridade - falou alto, tentando impor respeito.
-Não levante, o senhor, a voz dentro de minha casa! – esbravejou Mairi – como se atreve a acusar Allan de algo assim?
Começou uma pequena confusão, pois Brian e Jane também começaram a falar ao mesmo tempo. O primeiro tentando acalmar os ânimos e a segunda ameaçando desmaiar.
Ian então tomou a palavra com a voz enérgica que sua nobreza lhe dava:
-Parem já com isso! – vendo a esposa abrir a boca ameaçando o retrucar, ele reagiu – você também Mairi, fique quieta para que eu possa conversar com o Morris. – ele virou-se em direção ao investigador – Morris, por Deus, o que está fazendo? Entra em minha casa como um louco e prende meu advogado.
-Ex-advogado, Milord. Na verdade foi o fato de Allan Hatton ter largado seu caso, que comecei a desconfiar dele.
-Isso é um absurdo! – reagiu Allan.
-Allan, deixe que eu resolva, por favor! – interrompeu Ian.
Respirando fundo e tentando aparentar uma tranqüilidade que, nem de longe, ele mantinha, Ian muniu-se de raciocínio.
-Allan abandonou minha defesa por causa de um problema pessoal entre nós dois, Sr. Morris.
-Isso não vem ao caso agora – reagiu Morris – o que importa é que ele o deixou num momento em que precisava demais dele. Lembra-se Ian que eu lhe disse que o assassinato de Eleanor não era latrocínio? Nunca, aliais, essa hipótese foi considerada pela investigação. Nós sabíamos que a pessoa que matou a falecida Milady era alguém que buscava incriminá-lo.
-Eu, querer incriminar Ian? – o jovem advogado maldisse as algemas que o impediam de esbofetear Steph.
-Vingança! Ciúme! Inveja! – o homem da polícia praticamente despejava essas palavras em cima do loiro – um crime passional! Mas você armou tudo tão bem que foi difícil descobrir os motivos.
-Não há nenhum motivo! Eu amo Ian, jamais faria isso.
Era quase vergonhoso para um homem como Allan assumir seus sentimentos tão íntimos para com outro homem, na frente das pessoas que não sabiam a verdade sobre Ian e ele. Mas como ouvir tantas acusações falsas sem nem ao menos se defender?
-Sim, você faria. Não minta mais, já descobri toda a verdade. – e encarando Ian, Steph continuou. – Milord, creio que o que irei lhe dizer vai afetá-lo muito. Sei que sua mãe faleceu ontem, então peço que se sente.
-Sou um homem e não preciso de cuidados ridículos. Fale de uma vez!
Não era só Allan que reagiu raivoso com os ataques de Steph. Ian, claramente, já respirava rapidamente, segurando-se para não voar ao pescoço de Morris.
-Bom... Vou começar do início. No dia em que fui comunicado de que seu advogado, o Sr. Allan Hatton, se afastou de sua defesa, resolvi conhecer alguns fatos. Apesar do Sr. Hatton ser muito respeitado e admirado dentro do meio jurídico de Londres, soube que não foi por suas façanhas profissionais que o senhor o escolheu para defendê-lo, e sim porque nutriam uma forte amizade de longa data.
-É verdade! – confirmou Ian.
-Bem, me inteirando dos acontecimentos, percebi que na lista de convidados, o nome de Allan Hatton era incluído como padrinho. Numa investigação mais precisa cheguei até a perceber que ele era tão familiarizado com sua pessoa e com sua família que mantinha um quarto próprio no castelo. Achei estranho. Normalmente dois homens não possuem esse tipo de vínculo.
Ian enrubesceu.
-O que quer dizer com isso?
-Acalme-se Milord. Com certeza não foi o que pensou. – ele tentou justificar-se. – entenda que tenho que trabalhar com várias hipóteses. Bom, voltando ao assunto, comecei a investigar a vida do Sr. Hatton e também descobri que sua amizade com ele data da época da infância.
-Estudamos juntos e isso não é segredo a ninguém! – disse Ian secamente.
-Sim, é verdade. Mas fui além... e descobri coisas sobre o passado de seu amigo que talvez o senhor desconheça.
-O que vai me contar que eu não saiba, Morris? – perguntou Ian completamente irritado - lamento lhe comunicar, mas conheço bem a vida de Allan. Sei que ele é um filho bastardo! Não me envergonho de nossa amizade e jamais acreditaria se me dissesse que Allan me inveja, visto que sou filho legítimo e ele não.
Morris pigarreou. Allan então soube o que Steph iria contar. Chegara a hora de Ian saber toda a verdade, mas nunca o loiro queria que fosse daquela forma. Olhou desesperado para o lado e notou que Mairi chorava. Queria chorar também, mas não podia.
-O senhor conhece a mãe de Allan Hatton?
-A mãe dele? – Ian se surpreendeu – não, não conheço! Sei apenas que era uma cortesã.
-Quem lhe disse que era uma cortesã? – Morris perguntou.
Ian ficou chocado com a pergunta. Não somente porque nunca pensou muito sobre isso, mas também porque reconhecia que ninguém lhe dissera qual era a profissão da mãe do amigo. Estupefato, notou que chegara a esta conclusão porque Allan o deixou entender que a mãe era amante do pai.
-O que importa?
-A mãe de Allan Hatton era empregada em sua casa. Chamava-se Ellen Hatton e o senhor achará informações sobre ela nos livros de registros.
Por alguns segundos Ian digeriu a notícia.
-E o que tem isso? – disse por fim.
-Ellen foi uma empregada muito bonita. Seduziu o patrão... – ele tentou fazer Ian pensar.
Sem poder se conter mais, Allan jogou-se contra Steph. Mas Ian conseguiu impedi-lo.
-Não ouse falar assim de minha mãe! – Hatton gritou com os olhos lacrimejantes - ela era uma mulher decente!
Queria matar alguém! Queria bater tanto em Steph Morris até não conseguir mais... Mas algo o impediu. Uma mão frágil segurou seu braço e ele notou Mairi a seu lado. O gesto, apesar de tão simples, lhe deu força para o que viria e o acalmou:
-O que você quis dizer Morris? Seja claro, por favor - Ian já sabia o que Steph iria falar. Mas de alguma forma, ele quis atrasar o inevitável.
-Allan Hatton é seu irmão. Fruto de uma relação ilícita entre seu pai e a empregada Ellen.
Se Allan ou Mairi esperavam uma explosão ou gritarias roucas do moreno, surpreenderam-se. Ian apenas encarou Allan. Não fez nada e nada disse. Apenas o olhou. E foi o suficiente para que o loiro tremesse. Nunca, em todos os anos em que estiveram juntos, Ian o olhou tão friamente.
-Ian... – Allan balbuciou nervoso.
-Você sabia?
A pergunta foi endereçada para a esposa. Mairi tremeu ante a visão do marido. Ele a encarava da mesma forma naquela tarde fatídica em que a abusou. Mas agora, quando tudo estava bem entre eles, ela sentiu um medo insuportável. Não físico, mas emocional. Perderia seu amor? Mesmo o coração respondendo afirmativamente a pergunta tão temida, ela foi sincera.
-Sim, eu sabia.
Allan apertou sua mão, que ainda repousava no braço dele.
“São cúmplices... sempre serão”, pensou Ian ao ver os dois juntos, dando força um ao outro.
-Soube de nosso parentesco na escola Ian, quando nosso pai vinha nos visitar... – Allan balbuciava como uma criança.
Mais uma vez o destino colocava Allan e Mairi de lado oposto a Ian. E talvez a confissão tardia e naquelas circunstâncias o fizessem ficar separados para sempre.
-Quando eu soube que Allan era seu irmão, comecei a analisar a vida de Hatton. Vi que ele sempre insistiu em ficar do seu lado, mesmo sem um motivo especial. Não é estranho que um bastardo, e, diga-se de passagem, o mais velho filho do duque, aquele que teria o direito ao título, insistisse em manter uma relação com aquele que, entre aspas, usurpou seu lugar?
Allan ouvia Steph desferir suas palavras mordazes, mas não reagia mais. Os olhos estavam fixos no irmão mais novo. Ele sabia que Ian o estava odiando...
-Então chegou o dia de o jovem duque se casar. Mas não seria um casamento normal. Eleanor, a mulher escolhida, era incrivelmente bela, doce, perfeita. Qualquer homem se apaixonaria a primeira vista por ela, e, um matrimônio com uma mulher de tão extraordinária aparência, tinha tudo para ser muito feliz. Imagino Allan Hatton vendo o irmão que lhe tomou o direito a todo patrimônio dos McGreggor, tendo o privilégio de se casar com Eleanor! Quanta raiva, ciúme e ambição devem ter se passado no coração do jovem advogado! Uma Lady como Eleanor nunca olharia duas vezes para ele. Quando ouvi as testemunhas do casamento, notei que muitas afirmavam ter visto Allan Hatton nervoso, impaciente. E mais, ele subiu as escadas junto com Ian McGreggor... e não voltou mais a sala...
Allan quase riu. Realmente, a descrição do casamento de Ian fechava. Mas a verdade era que ele estava nervoso pelo fato de ter descoberto que Eleanor tinha um amante. E quando subiu as escadas com Ian para tentar lhe dar força, os dois se separaram no corredor. Allan foi ao próprio quarto, triste pelo destino do mais novo. E só saiu de lá quando ouviu os gritos. Mas ele não iria mais se defender. Se Ian realmente acreditava em todas aquelas mentiras, já mais nada importava. Sua única família estava lhe abandonando...
Mas só percebeu que nem toda a família o deixava, quando sentiu que a pequena mão de Mairi saiu do seu braço. Incrédulo, a viu tentar agredir Morris com os punhos fechados.
-Você é louco! – ela gritou - Está mentindo! Allan tinha motivos para estar intranqüilo naquela noite! Ele jamais mataria alguém e nunca invejou Ian. Ao invés de tentar prender um inocente, devia estar atrás do verdadeiro assassino. Atrás de provas concretas como o colar roubado!
Não era totalmente verdade, pensou Allan. Ele invejava o irmão pela jovem com quem o mais novo havia desposado. Que mulher!
-O colar de Eleanor provavelmente está dentro de algum rio ou enterrado. A polícia já desistiu de acha-lo – disse Morris, ao desviar de Mairi – Mas as circunstâncias incriminam seu amante, senhora.
Quando Morris falou com tanto desrespeito, Mairi ficou lívida. Praticamente ele a chamou de vagabunda, e ela não soube como reagir. Parou imediatamente com as agressões, mas para sua sorte, Ian veio em sua defesa.
-Como se atreve a insultar minha esposa assim? – gritou Ian com Morris.
-Lamento Milord, mas tenho razões para acreditar que sua esposa e Allan Hatton mantém um relacionamento extra-conjugal.
Ao ouvir Steph insinuar imoralidade a Mairi, Allan não pode mais suportar:
-Não ouse falar assim de Mairi, seu imbecil. Ela é totalmente inocente!
Mas Steph estava tão eufórico por ter (segundo ele) desvendado o mistério que envolvia o assassinato de Eleanor, que continuou sem pensar nas conseqüências.
-Também averigüei que a Sra. Mairi McGreggor engravidou durante a época em que morava com Hatton em Londres. Aliais, o senhor sabia que sua esposa residiu durante meses com seu irmão, sem nenhuma acompanhante? – perguntou a Ian.
-Mentira! – esbravejou Allan – eu tinha uma empregada. A Sra. Drake fazia companhia a Mairi.
-Eu sabia – cortou Ian mortalmente – sei que minha esposa morou com Allan durante muito tempo, e sei também que ela não engravidou durante o casamento e sim antes. Mas tenho absoluta certeza de que o filho é meu. E você, Steph Morris, não conhece minha família para se atrever a insultar minha mulher desta forma! Se não quer uma retaliação, guarde suas opiniões para si!
Steph Morris sentiu que o clima pesou para o seu lado. Fora longe demais e reconheceu isso na hora. Mas sua raiva por aquele psicopata loiro era muito grande. Fora tão difícil pegar Allan Hatton, mas agora que tinha o advogado nas mãos, estava muito satisfeito.
-Você não pode me prender por uma acusação tão ridícula e sem provas.
-Não posso?
As sobrancelhas castanhas do investigar se arquearam e ele sorriu. Abriu o casaco e retirou um papel do bolso interno.
-Conhece Mathew Benson?
-O Juiz? – Allan alarmou-se.
-Pois eu tenho um documento aqui em minhas mãos, assinado pelo próprio magistrado, autorizando sua prisão preventiva.
-Não vou permitir que leve Allan! – gritou Mairi.
-Lamento senhora, mas farei o que for necessário para manter este psicopata longe da sociedade.
-O quê? – ofendeu-se Allan.
Mairi e Hatton então olharam Ian esperando alguma reação dele. Mas nada veio. Steph neste ínterim chamou dois policiais com um gesto das mãos e eles cercaram Allan.
Quando Ian viu aquilo, nada disse, apenas retirou-se da sala. Aquilo sim derrotou o loiro. Sentiu a umidade de uma lágrima descendo pela face e percebeu que não existia um futuro para ele e Ian.
-Não chore Allan! Não vou abandonar você... – Mairi o abraçou.
Os policiais a afastaram e seguraram Allan pelos ombros. Praticamente o arrastaram da sala.
-Amo você, Allan Hatton – ela confirmava também entre lágrimas, correndo atrás dele, e sem se importar com o que os demais presentes poderiam pensar – e vou provar sua inocência. Não vou deixa-lo preso sem fazer nada... confie em mim!
Allan ainda conseguiu lhe responder antes de sair da casa:
-Deixaria minha vida em suas mãos, Mairi.
Quando a porta se fechou, tudo se escureceu em volta da grávida. Brian de La Tere ainda conseguiu segurar o corpo antes de ele tombar no chão frio.
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Allan Hatton era seu irmão! Mesmo sangue, mesmos gostos. E até o mesmo amor pela mesma mulher. Tantas coincidências, mas Ian nunca parou para pensar. Havia perdido seu melhor amigo, seu confidente. O anjo da guarda que durante toda a sua vida, esteve do seu lado, lhe dando apoio e amor.
Era tudo mentira! Allan sempre lhe mentira! E talvez até fosse realmente o assassino.
-Não, isso não! – Ian pestanejou.
Apesar da falsidade da situação, Ian não poderia acreditar que o mais velho teria a coragem de matar Eleanor e sua mãe!
Caminhando pelo quarto, ele tentava analisar a situação, mas uma batida na porta o tirou dos pensamentos.
-Vá embora Mairi! – ele gritou – Não quero falar com você agora! Compreenda que posso fazer algo que venha a me arrepender.
Mas não era Mairi.
-Milord, por favor, é urgente.
A voz de Jane estava tão pastosa e assustada que ele correu a porta. Quando a abriu, encontrou a empregada chorando.
-O que houve?
-É Milady.
Ian nem terminou de ouvir o resto. Correndo desceu as escadas. Chegou a ela tão rápido que mal teve tempo para respirar. Encontrou Mairi deitada em um sofá, com Brian lhe alcançando água.
-O que aconteceu? – perguntou ao médico.
-Um desmaio. Mas está tudo bem, tanto com ela quanto ao bebê.
Suspirou aliviado. Morreria se algo acontecesse ao filho... Ou a mulher... A amava, apesar de ela ter o enganado! Tentou afastar a raiva de Mairi, mas estava difícil. Ela sabia de tudo, sabia da verdade sobre Allan, mas lhe escondera.
-Mairi... –ele tentou começar a falar.
Mas ela o interrompeu com raiva.
-Não fale comigo! Não quero ouvir sua voz.
Apesar do recente desmaio, a raiva a fez ficar de pé. Rubra de ira, ela caminhou até Ian. Estava visivelmente descontrolada.
-Seu covarde! Como pode permitir que Allan fosse preso?
Mairi então começou a despejar um monte de palavras desconexas em cima do marido, mas ele nada respondia. Esperou ela fazer uma pausa, e então a segurou pelos braços e a levou a biblioteca. Fechou a porta praticamente na cara de Brian de La Tere e Jane.
-Como se atreve a me arrastar pra cá? – ela o enfrentou.
-Como se atreve a mentir pra mim? – ele rebateu – quando foi que Allan lhe contou que era meu irmão?
-Pouco depois de você me estuprar.
A palavra, nunca usada entre eles caiu como um balde de água fria no animo dos dois. Ian foi até uma cadeira e se sentou. Apoiou os cotovelos nas coxas e segurou a cabeça com as mãos.
Vendo aquilo, Mairi sentiu pena. Mas não o suficiente para aplacar a revolta pelo que tinha acontecido a Allan.
-Faça algo Ian... brigue para liberta-lo da cadeia – ela disse aproximando-se e se ajoelhando em sua frente.
-O que posso fazer se ele é um assassino? – ele falou, frio.
Nenhum dos dois percebeu como a mão de Mairi fora parar no rosto de Ian. Foi tão rápido que não ouve tempo para ela se conter, e ele se defender.
-Ele não é um assassino... –ela balbuciou inconformada.
Mas ele não a respondeu. Deslizou a mão pela face avermelhada e, sem a olhar, saiu da biblioteca, batendo a porta.
Continua...