A verdade sobre Narak – parte 1
Immortal love
Capítulo 33
Sentia-se estranha. Era como se um peso fosse retirado de seus ombros e agora podia voar mais alto e veloz que uma águia.
Abriu lentamente os olhos e fitou o céu azul e sem nuvens. Sentou-se devagar e olhou ao seu redor. Encontrava-se debaixo da copa de uma grande árvore que aparentemente se encontrava localizada em cima de um monte. Podia ouvir o canto de alguns pássaros ao fundo e muitas flores brotavam ao redor de seu corpo.
Kagome encontrava-se confusa. Não entendendo como viera parar neste lugar. Tudo que se lembrava é de estar no baile... Sua cabeça doeu e todos os acontecimentos passados naquela noite lhe vieram a mente como uma bomba. A jovem preferia não recordar. Era muito fácil continuar ali ouvindo o canto dos pássaros e esquecer os problemas.
Levantou-se e caminhou até a beirada do “morro”. Só então deu-se conta que na verdade encontrava-se em um precipício. Lá embaixo o mar chocava-se contra as rochas e a espuma branca subia como o seio de Afrodite. A brisa marinha inundou seus pulmões. Uma ave de rapina voou acima de sua cabeça e, num giro gracioso, pousou em uma das fendas do precipício enquanto a jovem observava o cenário, fascinada.
-É bonito não é?
A jovem voltou-se rapidamente assustada e só então percebeu a yokai entre os galhos da árvore. Pela primeira vez desde que se conheceram ela não trazia sua espada consigo para uma eventual necessidade.
-Layla!
A yokai saltou e pousou a poucos metros da jovem que ficou ainda mais confusa ao vê-la.
-Este é o meu lugar favorito na terra. É um ótimo lugar para se refletir antes de tomar qualquer decisão – aproximou-se e parou a beira do precipício ao lado dela – É um lugar de beleza sem par, mas de perigo real. Basta um único passo, uma decisão errada... – chutou uma pedrinha que caiu e se perdeu no mar revolto – Para se saber o qual frágil é a vida humana.
Kagome deu um passo para trás. Apesar da imponente aparência, a jovem nunca tivera medo da yokai, ao, quase a considerava uma amiga, mas agora vendo-a falar dessa forma uma ponta de medo insinuou-se sorrateira.
-Por que me trouxe aqui Layla? O que quer?
A yokai voltou-se e sorriu zombateira.
-Ora acalme-se Kagome. Não vou joga-la precipício abaixo. Não precisa ter medo, não costumo matar ninguém sem um bom motivo – disse retornando a árvore e sentando-se, em posição de lótus, embaixo da copa.
-Não estou co medo!... Ao menos não pela razão que acredita – aproximando-se dela – Mas sobre o que quer conversar? – cautelosa.
-Por que estar fazendo perguntas das quais já sabe a respostas? Vim falar do calo que atormenta a sua vida e a minha existência.
-Naraku? – incerta.
-Naraku – confirmou – Antes de tudo quero que me escute com muita atenção, pois não dispomos de muito tempo e creio que não poderei mais ajuda-la novamente.
-Mas por quê?
-Foi-me proibido. E caso não cumpra esta ordem a minha desobediência resultara no meu banimento e a perda de minha imortalidade.
Kagome olhou para os seus pés descalços. Seu rosto espelhava sua confusão.
-Layla eu nunca entendi você.
-O que há a ser entendido que não compreenda? – levantando uma sobrancelha interrogativa.
-Por que deseja manter sua existência se as coisas e pessoas que se apega, e as vezes chega a amar, perdem-se... Morrem. Agora me responda o por que se essa dor sempre permanecerá em seu peito?
-Esse destino como a guardiã do tempo Kagome. O tempo não finda, mas sempre irá existir e juntamente com ele meu destino se encontra entrelaçado.
A jovem aproximou-se da yokai e sentou-se ao seu lado fitando-lhe os olhos cinzentos.
-Uma vez você me disse, que com essa confusão, não estava conseguindo saber o futuro. Não conseguia por que era como se um monte de tinta houvesse caído sobre o livro da vida bem na nossa história e então essa página tivesse sido arrancada e substituída por outra em branco. Você me disse que eu podia escrever a minha história, pois somente eu controlava meu destino. Por que então você não faz seu próprio destino ao invés de se deixar enredar por ele?
-Por que este é o meu dever e a minha obrigação. Assim devera permanecer.
-Um dever, uma obrigação só deve ser mantida se houver ao menos uma tênue esperança de bonança, mas eu sei que você vai acabar sendo infeliz por toda a eternidade. Não pode se condenar a esse julgo!
-É bom saber que se preocupa comigo Kagome, mas não é necessário. Eu sei me cuidar muito bem – olhou para o sol que começava a se pôr – O tempo encurta e há muito a ser revelado – segurou a mão dele – Sei que Narak anda atrás de ti e está lhe fazendo ameaças...
-Se quer me revelar alguma coisa então por que não me disse que ele havia recuperado a memória e estava atrás de mim? Por que não me preveniu?
-Por que eu não sabia! – a jovem então assumiu uma expressão incrédula – Está bem! Sabia que era a reencarnação de Naraku, mas não que havia recuperado a memória!
A yokai aproximou-se do precipício. A jovem também se levantou, mas permaneceu junto à árvore.
-Ao menos me diga como ele pode ter recuperado suas lembranças?
-Ele não te contou? – fitando o céu alaranjado, de costas para a moça.
-Falou algo sobre, mas se fosse tão fácil muitos outros feiticeiros teriam fito o mesmo. Sei que não possui mais o conhecimento do futuro, porém sabe o que se passou. Então me diga: Como ele conseguiu?
A yokai voltou-se para a jovem e encarando os seus olhos castanhos soltou a bomba:
-O que diria se eu lhe disse-se que Naraku, em um passado muito distante foi um ser celestial e, portanto meu irmão?
Continua...