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[Cross-Overs] Honra de Sangue

Capítulo III – Rukia a Jóia de Gelo


Autor: @naru-chan

Categoria: Misc/Cross-Overs

Gênero:

Tags: guerra, morte, amor, casais, inuyasha, yu yu hakusho, bleach, luta

Personagens: Ichigo, Rukia, Kurama, Inuyasha

Classificação: 14+

Adicionado em: 03/05/08

Comentários/Favoritos 4/4

Caracteres: 9.879

Exibições: 86

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AnimeSpirit:

Nota: Nota: 5 

 


Fanfiction sem fins lucrativos.
História criada inteiramente por mim, com exceção dos personagens aos quais são pertencentes aos autores de suas respectivas obras originárias. Seja criativo, não copie, crie!



Muitos anos antes daquela guerra, quando Rukia ainda era uma guria que nada sabia sobre a vida, ela corria pelos jardins de sua casa. Buscava um lugar adequado para se esconder, Ichigo estava contando e os dois brincavam de pique - esconde. As duas crianças eram mui amigas. Apesar dele ser dois anos mais velho que ela, eram como unha e carne. O guri sempre mui quieto, de poucas palavras, mas com ela não, com ela ele ria, se divertia. Os pais dos guris tinham imaginado um casamento entre eles no futuro. Ichigo era filho de um homem mui rico e de muitas posses, e os pais de Rukia eram gente mui importante do governo. No futuro fariam um casamento perfeito. No entanto a vida as vezes traça caminhos diferentes.

Quando Ichigo tinha 20 anos conheceu uma guria em um baile. Era uma moça mui linda de olhos muito azuis. Seus longos cabelos ruivos e seus gestos delicados enfeitiçaram Ichigo, que imediatamente apaixonou-se. E ela por ele. Dois meses depois estavam casados.

Rukia não tinha magoa dele. Ela compreendia, o amor não é feito de razão. É puro sentimento, e a gente não escolhe o que sentir, e nem por quem.Apesar de nunca ter dito nada a ele, ela sempre havia sonhado em casar com Ichigo. Tinha se enamorado secretamente por ele, e por medo, ou talvez para auto-preservação, nunca tinha tido coragem de revelar seus sentimentos a ele. Era como se ela soubesse que tudo o que sentia por ela, era uma amizade mui grande. Nada más.

Quando ela recebeu a notícia de que Inoue esperava um filho de Ichigo, sentiu que algo rasgava seu coração. Um filho. Não sabia o porquê daquele sentimento, era normal que depois de casados os dois tivessem filhos. Mas ainda sim, sentia a dor em seu coração. E naquele dia ela chorou pela segunda vez em toda a sua vida. A primeira, foi no dia do casamento dele.

O tempo passava e a barriga de Inoue ficava mais saliente. Rukia acompanhava as mudanças da esposa de Ichigo pois sempre ia visitá-lo. Sofria com isso. Queria ficar em casa, pero seus pais a obrigavam, e afinal de contas era amiga do rapaz. Não podia simplesmente sumir... mas desaparecer era tudo o que ela desejava toda vez que via Inoue.

Nove meses depois um varão nascia. Um homem. O sonho de Ichigo. Quando recebera a notícia do nascimento do filho, ele derramou lágrimas emocionadas. Foi até o quarto onde a esposa acabará de parir a criança, e viu o neném enrolado em um cobertor. A esposa aparentava estar mui cansada e já dormia. Chegou perto da criança, encarou aquele ser tão pequeno. Os cabelos laranjas como o do pai. Ichigo tinha um certo medo de pegar a criança no colo, era tão pequena e ele mui grande e forte... tinha medo de machucar o filho. Mas antes que pudesse se decidir por pegar a criança ou não, olhou a esposa e ela se esvaia em sangue. Um sangue rubro que saia como rios. Desesperado gritou pelo médico.

Inoue morreu naquela noite. O médico nada pudera fazer por ela. O sangramento simplesmente não parava. Ichigo foi obrigado a ver a vida deixar os olhos da esposa que ele tanto amava. E o dia mais feliz de sua vida, tornou-se também o mais triste. Tinha vinte e dois anos, era pai e viúvo.

Rukia jamais esqueceria os meses que se passaram a morte de Inoue. O rosto vazio de Ichigo no enterro da esposa, o tempo que o amigo passava com o filho fechado no quarto, saindo apenas quando a serva filha para servir seu filho como ama de leite. Ele não mais sorria e pouco falava. Tornara-se um homem quieto, de olhos mui tristes, sentia-se perdido, sem rumo.

Rukia sempre tentava animá-lo. Era alegre e ia visitá-lo todos os dias. Combinava de sair e andar a cavalo com ele, sabia que ele adorava aqueles animais. Pedia as servas que preparassem para o almoço apenas o que ele mais gostava de comer, e passa o dia inteiro pra lá e prá cá arrastando o pobre homem, tentando fazê-lo esquecer algo que ela sabia, haveria de deixar uma enorme cicatriz.

Levou quase um ano para que Ichigo recuperasse um pouco de suas forças. Ele agora sorria de vez em vez. Falava mais. Seus olhos tinham recuperado um pouco do brilho. Mas em tão nova tragédia.

Seu filho contraíra uma febre misteriosa. Ele viu enquanto o guri definhava em altos suores. Chamou o médico, desesperado ameaçou de morte o pobre coitado, caso este não salvasse a vida do filho. Às cinco da manha, o filho que não havia completado um ano faleceu. A febre cerebral le tirou a vida. Deixando Ichigo sozinho. A única coisa que le restara das lembranças de Inoue, o filho, estava morto.

Rukia nunca tinha sentido tamanha tristeza por ele. Parecia que a vida queria destruir Ichigo, não le permitindo que fosse ao menos um pouquinho feliz. E novamente ela ficou ao lado dele, a cada dia tentando alegrá-lo.

Não haveria de esquecer jamais uma certa noite chuvosa. Ela iria passar a noite inteira lá, pois, logo cedo, pretendia levar Ichigo pra ver as árvores frutíferas. Quando ia se deitar viu que ele desaparecera. Procurou pelo resto da casa sem sucesso. Mandou que alguns servos procurassem pelos arredores, e passada uma hora os homens voltaram, informando que o cavalo do patrão tinha sumido.

Rukia desesperou-se. No estado em que Ichigo andava, e considerando que era uma noite cuja chuva não dava trégua, caindo intensamente e sem parar, temeu que ele fizesse alguma besteira.

Selou então um cavalo, e fez o animal correr como ele nunca mais correria. Ela procurava desesperada. Foi a praticamente todos os lugares da propriedade e ainda sim não o encontrou.
Já estava quase perdendo as esperanças, quando lembrou que quando eram pequenos os dois gostavam de ir até as Muhabes. Muhabes era um lugar mui lindo, pero mui perigoso. Uma espécie de precipício daquelas terras gélidas. Pôs seu cavalo a galope. Temia que Ichigo estivesse pensando em se jogar.

Quando chegou a Muhabes, viu a cena que para sempre se imprimira em sua memória. Ele estava sentado na chuva, mui perto da beirada, perto demais. Sua cabeça baixa e os cabelos e a roupa encharcados de água, evidenciando o corpo mui guapo do jovem rapaz.

Ela aproximou-se devagar e colocou sua mão no ombro dele. Ele não se mexeu. Tentou fazer com que se levanta-se, com que voltasse para casa mas ele parecia uma pedra. Estava estático.
Rukia sentiu uma pena enorme. Ichigo outrora um homem tão feliz e forte agora estava alquebrado. Já não sabia mais o que fazer, quando lembrou-se que ali perto existia um velho estaleiro, onde se escondia quando os dois brincavam de pique – esconde quando crianças. Juntou suas forças, pegou Ichigo e o arrastou até lá. Finalmente tinham saído da chuva, que não dava sinais de amornar.

Olhou para aquele rosto estático e branco e percebeu pela cor dos lábios e as tremedeiras, que ele estava congelando de frio. Sem ter muito mais o que fazer, retirou a camisa que ele usava. Le pareceu mais sensato. A todo o momento dizia que tudo iria ficar mui bien e que logo a chuva passava. Mas ele nada respondia.

Rukia nunca havia se sentido tão desprotegida. Estava só, ao lado de um homem que encontrava-se semi nu. Mas quando encarou aqueles olhos, tão tristes e perdidos, deixou de lado tudo aquilo. Percorreu o estaleiro em busca de algo que pudesse usar para se aquecerem.

Não podia fazer fogo ali dentro, pois havia muita palha, e as chamas poderiam se alastrar. Deu uma volta mas tudo que achou foi uma velha manta muito fina. Ia usá-la para cobrir o peito nu de Ichigo, mas quando aproximou-se tropeçou, ia se estatelar no chão, quando pela primeira vez em horas, o rapaz de mexeu, e segurou Rukia. Naquele instante seus olhares se encontraram pela primeira vez fazia muito tempo. Ela percebeu aquele olhar triste, adquirir um certo fogo. Ela sabia o que ele iria fazer e não conseguia de forma alguma impedi-lo. Era como se suas forças tivessem le abandonado. E quando ele a beijou, algo que ela sempre desejara tanto, ela nada vez para se desvencilhar daqueles lábios, a não retribuir o beijo.

Quando ela sentiu a mão de Ichigo roçar em seu corpo retirando a roupa molhada, ela sabia o que estava prestes a acontecer... sabia que era errado, mas ainda sim havia ansiado aquilo por tanto tempo, que deixou que a situação tomasse seu rumo. Naquela noite Ichigo e Rukia se acostaram. E ela nunca fora tão feliz. Era a primeira vez que sentia todos aqueles sentimentos, mas esperava que aquilo se repetisse mais vezes.

Pero, quando o dia amanheceu e Rukia acordou com leve cobertor le cobrindo os ombros, ela ergue-se assustada. E ao encarar Ichigo, não viu amor naqueles olhos, viu apenas arrependimento e mais tristeza.

Desde então os dois nunca mais falaram sobre aquele dia. Continuavam juntos, eram companheiros de luta, guerra, sangue. Mas aquele dia era como um tabu entre os dois. Não haveria mais de ser comentado.

Agora Rukia partia para a guerra. Rumo ao norte. Rumo à morte. E mesmo depois de terem se passado oito anos, ela não esquecia aquele dia. Ela ainda o amava. Ainda o desejava. E esperava pacientemente que um dia, Ichigo pudesse retribuir aquele sentimento.

Continua....

Notas da Autora:
Espero que estejam gostando.
Próximo capítulo será postado dia 04/05

Abraços



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