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› Personagens: isabel, thais, eduardo, matheus, elias, raphael
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Capitulo 02: Sua fé causará a sua morte
– Meu Deus! Eu fiquei pasma ao saber que seu irmão tinha morrido, Thaís. Sinto muito.
– Não tem problema não, Isabel. Meu irmão ia ficar muito feliz se soubesse que você reza por ele todas as noites!
– Ah! Fala sério, Thaís! Essa “fé” da Isabel ainda vai ser motivo de algum acidente. Pode escrever! – Debochou Matheus.
– Pára de falar essas besteiras! Só você mesmo, heim. – Raphael parou de falar para ver o relógio no pulso esquerdo. – O sinal vai tocar. Melhor irmos subindo para a sala.
– Como você sabe?
– Assim, Matheus... Em cinco, quatro, três, dois e um!
Ouvia-se o alto sinal do colégio A.T.O.S. tocar. Raphael estava certo.
– Isso não vale! Você é um... Um... AH!! JÁ SEI! Você é um... – Raphael estava pensando “Não diga isso... Não diga isso! NÃO DIGA ISSO!!” Até que Matheus disse: – nerd.
– Matheus... Você não devia ter dito isso... Além de rezar pelo Eduardo, vou ter que rezar por você também. Pobre alma.
Apesar da raiva que estava dentro de Raphael, todos, inclusive ele, começaram a rir. A felicidade durou pouco. Seu Elias, o terrível vigia da escola, estava se aproximando. O sorriso no rosto de cada um se extinguiu completamente quando seu Elias chegou. Em frente a todos os quatro alunos, Elias disse:
– Não acredito que você, Isabel, está envolvida nisso aqui.
– Isso o que, seu Elias?
– Não se faça de bobo, Matheus. Aliás, senhor Matheus, você é bobo desde que te conheço.
– Ahn... Você me magoou...
– Mesmo? Nem percebi.
Todos tinham percebido. Seu Elias estava diferente. Sempre fora um homem decente, de juízo. Sempre fora um tipo de herói para Matheus. Ele achou, por um momento, que seu Elias tinha pegado um pouco do ódio que Eduardo tinha por ele próprio, Matheus.
***
Elias levou o grupo de alunos para uma sala escura, fechou a porta e saiu. Matheus sentia-se, por algum motivo, fraco e indefeso. Após alguns minutos, suficientes para que os quatro olhares se adaptassem no escuro, Raphael pôde observar que estavam no meio de um circulo de carteiras escolares. Ninguém jamais vira aquela sala. Thaís tentou abrir a porta da sala, mas foi em vão, não adiantou nada.
Horas se passaram, a fome e o medo se apossaram dos corpos de certos adolescentes. Até que, como mágica, as cortinas se abriram. Deu para ver que era noite e chovia.
– Raphael... Estou com medo...
– Não se preocupe, Thaís, eu estou... estou... aqui. – Por sorte de Raphael, Thaís não percebera o medo em sua voz. “Eu também...” Pensava Raphael. “Também estou com medo... Meu amor.”
Trovejou forte lá fora, e, com uma luz fortíssima, Isabel observou uma sombra. Uma sombra mais baixa do que os quatro. Uma sombra muito familiar. A sombra de um amigo, ou um irmão, no caso de Thaís. A sombra, que parecia imóvel, saiu da parede e brilhou. Não fora mais preciso o uso da luz do trovão, a sombra tinha luz própria. Ela se aproximou de Matheus e fez um gesto com a “mão”. Isabel, rapidamente, percebeu que o vulto negro queria enforcar Matheus, puxou um terço, que ela usava para rezar às noites, e botou entre Matheus e a suposta “sombra”, que se desfez por causa do terço.
