12 de Abril de 2023 – 08:00 – Lyon, França
ICPO, Interpol
O que havia acontecido há muitos anos atrás estava acontecendo novamente. Milhares de criminosos no mundo todo estavam morrendo, e já era hora de agir. A ICPO (International Criminal Police Organization), mais conhecida como Interpol decidiu fazer uma reunião em sua sede localizada em Lyon, na França. Representantes policiais de todos os países estavam na reunião, e representando o Japão, estava Aizawa e Matsuda, que havia comparecido na primeira reunião que discutiu sobre o caso Kira.
“Isso é um absurdo! Como pode ele ter voltado?!” – O superintendente italiano reclamava e negava o retorno de Kira. Mas era inconstestável, os fatos eram a prova de que ele havia retornado.
A sala de reuniões estava um caos, todos falavam ao mesmo tempo, até que Aizawa e Mogi anunciaram que N já estava investigando o caso com o auxílio da polícia japonesa.
“Por que a polícia japonesa está envolvida no caso? A quantidade de mortes foi maior na China, em Pequim. Los Angeles e as Coréias do Norte e do Sul também foram bastante prejudicadas. O Japão quase não sofreu danos!” – Dessa vez era o superintendente da polícia chinesa que falava. E logo depois, o caos retornou a sala. Até que Aizawa caminhou para frente da sala com o laptop em mãos e o abriu em cima da mesa, onde a letra N apareceu, e foi transmitida para o telão.
“Aqui é N. Sei que todos estão preocupados com o possível retorno de Kira. Mas a volta dele é inconstestável. Acredito que ele esteja agindo sozinho agora, de fato, agora ele é um shinigami, não precisaria se preocupar com simples mortais como nós. Contudo, devo dizer que a quantidade de vítimas nas mais remotas áreas do globo é duvidosa. É possível que Yagami Raito tenha retornado, mas não para dar continuidade a seu trabalho, mas sim para conseguir seguidores que o terminem.” – As palavras de N soavam por toda a enorme sala, e todos os presentes escutavam com atenção. Afinal, não era L que falava. L acabou falhando da primeira vez, mas N conseguiu superá-lo, mesmo sendo muito mais novo na época.
“Que tipo de seguidores?” – Agora era o agente do FBI que falava, representando os Estados Unidos, em que a quantidade de mortes também era elevada.
“Não sei ao certo, mas acredito que ele esteja reunindo estudantes. Fiz o mesmo esquema que L fez para descobrir a identidade de Kira no começo, investiguei o horário das mortes. Na parte da manhã não ocorre nenhuma morte, exceto na China, onde eu acredito que o seguidor seria um adulto. Fora isso, as outras mortes acontecem todas à noite, principalmente na parte da madrugada.” – N falava como se fosse L. A semelhança entre os dois era incrível, N com certeza era o melhor para resolver aquele caso, afinal, ele era o sucessor de L, e incrivelmente, havia superado-o.
“Mas por que estudantes? E por que ele continua matando criminosos? Se ele voltou como um shinigami, não estaria atrás de vingança?” – Dessa vez era uma mulher que falava, representava a França, mas parecia que ninguém sabia quem era ela. A placa que devia dizer o seu nome e o seu cargo estava em branco, as únicas coisas escritas eram: Ms. S. - França.
“Acredito que ele tenha mais do que um objetivo. Hideki Ide, um antigo parceiro morreu mês passado atropelado por um caminhão de uma forma bastante peculiar. Ele ajudou a resolver o caso Kira há dez anos atrás. Ele poderia ser a primeira vítima da vingança de Kira, mas é só uma hipótese, nada confirmado.” – Disse N, e logo após acabar, a mulher se levantou e se dirigiu para frente do computador.
A mulher usava um chapéu que cobria o seu rosto, além de usar um vestido longo. Seus cabelos eram curtos, e dava para ver que eram de um tom castanho-escuro, não dava para ver mais nada em seu rosto, apenas o cabelo que escapava pelo chapéu e sua boca coberta com um batom vermelho-sangue. Ela se agaichou e ficou bem na frente do computador, como se estivesse encarando o detetive.
“Você não deve se basear em hipóteses, N. Se Kira voltou, precisa ter certeza antes de anunciar a Interpol. Não irei aceitar falhas dessa vez. Se ele tiver retornado, terá que ser eliminado. Definitivamente eliminado.” – A mulher deu um sorriso macabro, que fez Aizawa, que permanecia ao lado do computador, arrepiar.
“Ms. S., certo?” – N perguntou.
“Correto.” – Ela disse em um inglês perfeito.
“Você não deveria enfrentar o agente que desmascarou Kira dessa maneira. Você não faz idéia do perigo que todo o mundo pode estar correndo?” – N parecia preocupado, mas ao mesmo tempo continuava confiante enquanto falava através do aparelho.
“Sem L você não teria conseguido nem encostar o dedo no Kira original. Você não é um agente, é só uma cópia barata e mal-feita de L. Depois de ter resolvido o caso de Kira, você só resolveu casos pequenos. Acha que você é o único que faz investigações aqui, N? Está enganado. Eu sei o seu verdadeiro nome, sei como você desmascarou Kira, e sei quem você é. É você que não deveria estar me encarando.” – A mulher continuava com aquele sorriso macabro de arrepiar os pêlos do corpo. O sorriso dela aumentou, deixando os dentes brancos visíveis para Aizawa.
N não respondeu. Alguns minutos se passaram em silêncio, até que a imagem da letra N desapareceu do telão e uma lista enorme de nomes começou a aparecer, seguidas do nome da cidade.
“Kira, que eu suponho que seja um grupo agora está atacando em cinco cidades principais: Pequim, Los Angeles, Pyongyang, Seul e Chiba. Sendo assim, Kira está atacando a China, a Coréia do Norte, a Coréia do Sul, os Estados Unidos e o Japão. Sendo assim, precisarei do apoio desses cinco países para a investigação. Depois de um tempo investigando, cheguei à conclusão de que Kira não é mais um nome, são seis.” – N falava como se a mulher que o encarava na frente do computador não estivesse ali, falava em tamanha calma e tranqüilidade que chegava a impressionar.
“E o que é essa lista de nomes? Os nomes dos criminosos mortos?” – Perguntou a mulher se levantando e apontando para a tela, e antes mesmo que N pudesse responder, ela disse: “Pode investigar o quanto quiser, Near, não irá descobrir nada com isso. Eu irei investigar esse caso da maneira que deve ser feita.” – Ao terminar de falar, ela se virou e se retirou da sala, deixando todos os presentes confusos com a cena.
“E então? Os países irão me ajudar?” – N perguntou, como se nada tivesse ocorrido.
“Os Estados Unidos da América irão prestar o seu apoio. O FBI e a CIA serão encaminhados para ajudar na missão.” – Disse o superintendente da polícia americana.
“A Coréia do Sul também dará o seu apoio.”
“A Coréia do Norte também.”
“A China irá ajudar da maneira possível”
“Ótimo. E como a polícia japonesa já está envolvida, acredito que não fará mal continuar com as investigações, certo?” – N perguntava, mas sem ouvir a resposta de Aizawa ou Matsuda deu a ordem final.
“Muito bem. Sendo assim, iremos capturar os seis Kira’s” – Disse N através do monitor do equipamento, a sua voz não mostrava confiança nem esperança, era uma voz assustada, um pouco tremida. Provavelmente aquela mulher o havia deixado assim.
“Desculpe N, seis Kira’s? Mas não são cinco países apenas?” – Matsuda perguntou se levantando. Ele suava frio, como havia ocorrido há dois dias atrás no QG da Polícia Japonesa, logo após de receber a informação de que Kira havia retornado.
“Não podemos descartar Yagami Raito. Acredito que hajam quatro crianças, um adulto e um shinigami envolvidos. Por isso são seis, afinal, Raito não irá deixar que ninguém nos mate, será ele que irá nos matar, para sua vingança. Já ouviu o ditado ‘A Vingança é um Prato Frito que se come Cru’? É exatamente isso que ele irá fazer.” – Disse N, e sem dizer mais nada, a tela com a letra N sumiu do computador, o telão se apagou e Aizawa recolheu o equipamento.
“Está na hora de parar com essa brincadeira, Matsuda. Nós já conseguimos uma vez, tenho certeza de que conseguiremos de novo.” – Disse Aizawa tocando no ombro do parceiro, transmitindo uma sensação de confiança, fazendo com que Matsuda parasse de suar e tremer.
“Tenho certeza que sim, mas agora, Raito é um shinigami. Não será a mesma coisa, mesmo com a ajuda de N...” – Antes que pudesse terminar, Aizawa deu um soco em sua barriga, e repetiu o que disse.
“Nós já conseguimos uma vez, tenho certeza de que conseguiremos de novo. Com shinigami ou não, nós iremos detê-lo. Nem que todas as nações do mundo precisem de se unir para pará-lo. Nós o faremos.”