Suna fazia um maldito calor insuportável durante seus dias que pareciam intermináveis. Gaara havia deixado que ficássemos por dois dias ainda. Até que pudesse assinar alguns papéis e enviar por nós outros documentos que diziam respeito a seus vínculos políticos.
Sentei-me na janela, o sol fervilhava sobre minha cabeça, odiava todo aquele calor, me fazia suar e ficar um pouco mole, tudo o que queria era retornar para casa e me afogar em bebidas alcoólicas baratas que me fizessem apagar Neji da minha mente deturpada.
Ouvi Lee e Neji discutirem besteiras no corredor, coisas sobre treinos e todo o seu jeito ninja de ser, se soubessem o quanto isso me irritava. A minha falta de vontade de continuar andava afetando meu desempenho e no fundo sabia bem porque, Neji me perturbava de tal modo que não conseguia mais conciliar nada.
O salão era enorme e nem ao menos percebi quando me deparei com a figura ruiva e séria de Gaara me olhando de um dos cantos da sala, me estudando como se não fosse capaz de compreender o que eu fazia chorando sozinha.
- Algum problema? – sua voz era tão sexy, até entendendo Ino e sua obsessão pelo seu Kage, ele era bonito, forte e influente, não acharia nada melhor por aí, definitivamente não.
- Não... Nada! – enxuguei, desajeitada, minhas lágrimas e tentei um sorriso forçado que demorou um pouco até se formar em minha face. – Sua vila é linda! – apenas queria fugir do assunto, não achava Suna nem de longe um lugar bonito, pelo contrário eram apenas casas idênticas debaixo de um mundaréu de areia.
-Sinta-se a vontade para pedir qualquer coisa. – queria um abraço, mas sei que não era esse tipo de coisa a que ele se referia, mesmo assim sorri e agradeci meio enrubescida, por estar encarando aqueles olhos encantadoramente perversos.
- Pode deixar! – ele já saia da sala quando eu me lembrei de Ino, ela não estava ali e já fazia quase um ano que não a via. – Gaara-sama, onde está Ino?
Ele pareceu um pouco enciumado pela pergunta, todos sabiam que ela a tratava como um bibelô só dele, às vezes não gostava que nem seu nome fosse citado, era uma coisa da qual ele era o dono. A bela que havia encontrado na fera um amor incondicional e lindo, embora às vezes doentio.
- Ela foi a uma vila vizinha encontrar-se com o médico. – estremeci ao pensar nisso, talvez ela estivesse doente e por isso Gaara não houvesse falado nada, pensei em perguntar, mas ultimamente minha mente anda meio vaga e fácil de ler e ele logo se prontificou em responder. – Para ver como vai o bebê.
-Estão esperando um bebê? – ele pareceu surpreso pela minha ignorância, mas fazia tanto tempo que não lia minha correspondência que embora fosse provável que em alguma carta houvesse menção a isso eu jamais a encontrei entre as propagandas e contas espalhados no cesto de correspondência.
- Dentro de um mês ele deve nascer! – vi a felicidade passar pelo rosto dele, iluminando e deixando quase tão vermelho quanto seus cabelos e por hora achei aquilo extremamente fofo. Nunca imaginei vê-lo tão encantado por alguém, mas ora o que esperar de Ino e seus dotes femininos infalíveis.
- Parabéns! – foi à única coisa que me dignei a falar, me sentindo feliz pela felicidade dos dois, embora doesse um pouco ver um casal tão bem sucedido, quando tudo o que recebia de Neji eram noites corruptas de sexo fácil.
xXx
O meu quarto em Suna era infinitamente maior que o meu real quarto, para ser sincera devia ter o tamanho da minha casa toda, havia um enorme banheiro com tudo que uma garota tinha direito.
Entrei no quarto tateando a parede em busca do interruptor, as luzes se acenderam e uma kunai gelada e pontiaguda me ameaçou deslizando por minhas costas, a princípio pensei em manter a calma e me livrar do invasor, mas qualquer chance que eu pudesse ter se desmancharam completamente ao ouvir a voz tão habitual e irritante de Neji e sua piadinha sem graça.
- Te assustei? – aquele objeto andando pela minha costa e causando um frio na espinha que eu preferia evitar, quando pudesse ia espancá-lo e disser-lhe tudo o que ele já devia ter ouvido há muito tempo.
- Se me assustou? Você está louco? – virei para ele com cara de escárnio e pensei em acertar aquela face linda com uma bofetada servida, mas ele previu o perigo, não só isso como também se aproveitou disso para me prensar contra a parede arenosa do quarto mal iluminado.
- Se eu estou louco? Quem decide isso é você! – ele passou a kunai no primeiro botão da minha blusa arrancando-o, o que me deixou furiosa, com certeza aquela arma na mão dele era minha e com que direito mexia nas minhas coisas, com que direito me despia como se eu fosse uma qualquer.
- Isso é abuso! Eu... – mais um botão caiu contra o chão gelado e fez um barulho seco, eu me debatia mais e mais e achava que tudo estava fora do controle, principalmente, ele estava fora do controle.
- Você o quê? – seus lábios encostando-se ao lóbulo da minha orelha, mordendo-o e me arrancando um gemido que me traiu, às vezes não era capaz de entender como podia ser tão fraca.
- Me solta, Neji! – o último botão caiu e a única coisa que resguardava meu corpo das investidas doentias dele eram as faixas que me envolviam do colo até a cintura, morrendo desajeitadas em meu umbigo.
- Por que eu deveria? – podia senti-lo tão próximo, seu coração descompassado se misturava ao meu, acelerado e afoito, nossas respirações se mesclavam, então, ele simplesmente me deu espaço.
Atirou a kunai ao chão e saiu sem maiores explicações do que foi aquela demonstração de força que contribuiu ainda mais para aumentar eu meu nojo, a minha repugnância com relação a ele. Mas por mais que lutasse para evitar, sempre, sempre caia nas garras tentadoras e pecaminosas de Neji. Sempre a me perder em suas investidas, sempre tombando insanamente em seus joguinhos doentes.
Suspirei e desejei com todas as minhas forças retornar logo para Konoha e me refugiar no meu bar favorito, com copos e mais copos de Marguerite e Martini, sozinha.
xXx
A equação de uma garota problemática mais coração partido sempre vai ser igual a porres homéricos. E eu não fui exceção a essa regra universal. A noite caía sobre a vila e eu me deparava com o décimo copo de qualquer coisa de alto teor alcoólico que surgia em minha mesa.
O bar entregue as moscas, devido ao fato de ser uma terça-feira chuvosa e todos irem trabalhar no dia seguinte, inclusive eu mesma. Mas não queria me importar com isso agora, tudo o que queria era afogar a imagem arrogante e prepotente de Neji da minha cabeça. Mas por incrível que pareça não bebia solitária, outra figura no balcão também devia estar com o coração dilacerado.
Não estava enxergando muito bem, mas reconheci rápido a quem devia a honra de dividir o porre. Sasuke Uchiha. O egocêntrico Sasuke. O noivo da minha melhor amiga. O popular Uchiha. E todas essas descrições ainda não me impediram de começar a mais surreal das conversas.
- Olha só... O Uchiha! – eu estava visivelmente bêbada, mas ele também estava então não foi exatamente um problema.
- Oi pra você também, Tenten. – ele ergueu os olhos, era impressionante como apesar de estar sozinho bebendo ainda conseguia ser insuportável.
- Achei que gostaria de companhia? Mas acho que...
- A Sakura e esse maldito casamento estão me levando à loucura! – nunca foi tão fácil arrancar uma confissão, a equipe de interrogatório deveria tentar algum dia.
- Imagino que para o ninja mais popular de Konoha seja muito difícil colocar uma coleira!
- Onde pretende chegar? – eu não fazia idéia, qualquer coisa que me distanciasse da cama de Neji era o suficiente.
- Não sei... Estou só dizendo que você deve gostar de ter todas as garotas correndo atrás de você... Se prender a alguém deve ser duro! – claro que eu tinha que dizer um monte de besteiras ofensivas. Será que eu era incapaz de fechar minha boca?
- Não me lembro de ver você correndo atrás de mim! – para um cara frio e sem graça até que ele sabia envolver bem uma garota, a essa altura estava bêbada e entretida demais para pensar no que estava fazendo.
- Com certeza não... Não correria atrás de você! Você não passa de um cara bonito e egocêntrico. – não deveria ter dito o bonito, mas nunca havia reparado em como os olhos dele eram sedutores.
- Talvez não me conheça bem o suficiente.
- Isso foi uma cantada? – e se fosse que diferença faria, eu era apenas o objeto divertido do Neji, por que não ser o objeto de diversão de outro qualquer. Afinal, eu não precisava de permissões e podia tomar minhas próprias decisões, já sou bem grandinha.
- Talvez...
Não sei exatamente como, mas quando dei por mim estávamos ambos no meu quarto, arrancando apressados as roupas e trocando carícias intensas. Bêbados demais para pensar se aquilo era certo, inconformados demais para trocar qualquer palavra. Apenas nos tocávamos em um ardor desesperado de encontrar no corpo do outro a redenção.
Buscávamos no corpo alheio uma luz inspiradora capaz de nos redimir de nossos pecados tão carnais e baratos, Sasuke se culpava por não amar tanto Sakura a ponto de querer o convívio eterno e eu apenas queria um braço forte para me aninhar por uma noite.
- Sasuke... – beirava um gemido quando tentei dizer algo sobre estar fazendo algo pelo qual nos arrependeríamos depois. – A Sakura é minha melhor amiga e ela te ama e...
- Shh... Melhor não falar nada. – ele estava diante de mim sem camisa exibindo seu corpo esculpido a mão, como não obedecer a suas ordens? Tudo o que se passou por minha cabeça foi erguer meus braços e o deixar arrancar minha blusa. Como nunca tinha reparado o quanto ele era tão... Gostoso.
Eu cedi a ele com a mesma facilidade que inúmeras vezes cedi a Neji, sem objeções, sem querer algo mais do que o prazer que ele poderia me proporcionar em troca. Apenas me entreguei, luxuriosa e deprimida.
Estranhamente, suas mãos eram quentes, ao contrário dele mesmo que era uma pedra de gelo humano e por suas habilidades acima do normal eram extremamente fortes e ágeis. Meus lábios percorrendo o pescoço dele causaram um arrepio engraçado, deduzi que fazia muito tempo que ele não tinha uma mulher já que Sakura bancava a donzela virgem.
Eu fui atirada na cama, com certa urgência, uma necessidade insaciável nos invadia e Sasuke não hesitou em seguir seus instintos animalescos, segurando minhas mãos e me lambendo, como se eu pudesse a qualquer momento escapar dele.
Ele me invadia e tudo o que eu conseguia fazer era ronronar feito uma gata e rolar pelo meu colchão pouco confortável. Não faço idéia de como pretendia explicar os arranhões para Sakura e pensar na minha amiga me causou uma dor intensa que veio seguida de outra figura.
- Neji... – um gemido, entre tantos outros.
Sei que Sasuke ouviu e sei que ignorou, tomou-me sem maiores devaneios. Engraçado, nunca o vi como mais do que um bom ninja, nunca tive atrações por ele e neste exato momento dividia minha cama com o noivo da minha melhor amiga.