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[Original] A Rosa entre Espinhos

Capitulo XX


Autor: ~JosianeVeiga

Categoria: Misc/Originais

Gênero:

Tags: amor, paixão, assassinato, terror, fantasmas, sexo, policia, castelo, monarquia

Personagens: Mairi, Ian, Allan

Classificação: 18+

Adicionado em: 22/04/08

Comentários/Favoritos 13/15

Caracteres: 21.836

Exibições: 299

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AnimeSpirit:

Nota: Nota: 5 

 


A Rosa entre Espinhos
Capitulo XX
Por Josiane Veiga

Nota da Autora: Uma das leitoras da Rosa Entre Espinhos (e grande amiga minha) Lucy, acabou de criar uma comunidade no orkut para conversarmos sobre a historia. Lá você poderá discutir assuntos relacionados ao Allan, Ian e Mairi. Então não perca tempo e entre já:
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=50121937
E Lucy, obrigada mesmo pelo carinho, pela força e por todos os comentários^^

Te adoro^^

E Obrigada a todos que estão lendo minha humilde historinha

Josiane^^





O vento batia na janela demonstrando sua força e frieza. Lá fora os animais noturnos deixavam sua marca através dos sons e a vida corria seu curso naquele inverno tenebroso.
Allan Hatton fechou os olhos amaldiçoando a própria saúde que lhe dera uma bela rasteira. Quem diria que ele fosse pegar uma gripe e ficar com febre? Logo ele que se alimentava tão bem, evitando alimentos com carne e seguindo a risca as últimas novidades da medicina natural! Suspirando, ele aconchegou-se mais na cama.
-Abra a boca!
Ele olhou Mairi a sua frente com um prato de sopa e cerrou os dentes.
-Não vou comer isso Mairi! Parece uma gosma verde!
-É sopa de espinafre.
-Parece vômito de sapo! Por que você não esquece esta sopa e me traga algo mais sólido. Talvez eu consiga engolir.
-Sua garganta esta inflamada. Jane fez essa sopa com tanto carinho pra você.
Ele pareceu prestar atenção na noticia.
-Foi Jane que fez?
-Sim.
-Bom...Então talvez eu coma um pouco.
Mairi sorriu e lhe serviu a sopa em colheradas. Na cabeça dela, Allan estava começando a gostar da empregada. Mero engano, Allan não se importava com quem preparasse seu alimento, só não queria que fosse Perpetua. O que ele temia é que a governanta lhe envenenasse. Estranhamente, a antipatia pela mulher estava tão forte que Allan já imaginava que ela havia assassinado Eleanor.
-Esta boa?
-Esta – ele respondeu com o pensamento longe.
Após cuidar do amigo, Mairi levantou-se. Cobriu o loiro com o pesado cobertor de lã que estava na cama e lhe beijou a face.
-Boa noite, meu querido. Espero que amanhã esteja melhor. Tenho tantas coisas a lhe contar.
Dizendo isso ela saiu do quarto. Allan ficou observando o teto e imaginando o que Mairi queria lhe dizer com a última frase, mas o primordial era como provar que a governanta era a pessoa responsável por todos os crimes que aconteceram em York. Iria apagar a vela da cômoda, quando uma leve batida na porta chamou sua atenção.
-Entre – ele disse já sabendo de quem se tratava.
A jovem bela e audaciosa, que se chamava Jane entrou no quarto sorrindo. Os dois se encararam por alguns momentos.
-Fiz tudo como mandou, senhor. Agora irei para casa.
-Esteja de olho para mim que será bem recompensada no final.
-Sei disso senhor. Obrigada pelo dinheiro dentro da minha sacola. Levei um susto ao perceber que havia me agraciado com sua oferta depois de ter fugido de mim esta tarde.
-Você percebeu? – ele perguntou surpreso e um tanto envergonhado.
Não havia reparado que fora tão obvio ao não querer nada com a mulher.
-Não sou tola. Não irei mais lhe importunar com minhas atenções. Sei para quem seu sentimento é destinado.
Ele assentiu. Curvando-se Jane já ia sair do quarto, quando a voz de Allan a fez parar:
-Não se esqueça. Mairi não coloca nada na boca sem que você tenha visto antes.
-Sim Senhor.
-Seu trabalho será por pouco tempo. Se tudo der certo, amanhã mesmo já voltarei ao meu posto de vigiar a cozinha.
Jane então se foi. Allan logo adormeceu. Estava tudo seguro. Assim ele esperava.

ººººººººººººººº


Ian estava deitado na enorme cama, olhando para o teto, com as duas mãos segurando a cabeça e o lençol sobre o tórax firme.
“Que raiva”, ele pensou lembrando-se de Mairi.
Por que ela resolvia ser uma freira caridosa logo nesta noite na qual ele ansiosamente esperava partilhar o leito com a esposa?
Ainda na sala de jantar, tinha esperanças de que, após servir Allan ela viesse ao seu quarto. Esperou, mas nada. Ouviu pouco antes a porta do quarto dela sendo aberta e percebeu que sua mulher estava indo ao próprio dormitório, descansar.
Mais uma noite de insônia! E não seria a primeira!
Mas sua atenção foi-se para a porta de ligação. Um barulho denunciou que alguém a abria. Era Mairi!
Animado, ele a viu entrando no quarto. Ela usava uma camisola branca e um penhoar de lã por cima. Estava linda, com os longos cabelos acobreados cascateando pelos ombros e os olhos brilhantes, antecipando o que viria.
-Pensei seriamente no que me disse... – ela começou, mas parou para tomar fôlego.
Estava nervosa, ele percebeu ao vê-la umedecendo os lábios com a língua. Era natural que estivesse após tudo o que havia acontecido entre eles. No fundo, era como se fosse ainda uma virgem, já que nunca havia realmente vivido uma noite de paixão. A barriga dilatada deixava claro que era uma mulher. Mas não experiente. E tudo por culpa dele.
-E chegou à conclusão que... ? – ele tentou ajuda-la.
-Que eu quero viver uma vida normal de casados com você. – ela disse corajosamente.
Um sorriso despontou nos lábios de Ian e ele levantou-se. Aproximando-se da esposa, percebeu que ela tinha a respiração acelerada. Sentia medo? Ian a admirou mais ainda, por estar lutando contra todos os seus temores e demônios. Mairi era uma guerreira e lhe dava uma nova chance. Mesmo que lhe doesse, nunca mais poderia decepciona-la.
-Amo você – ele disse tentando transmitir confiança.
Ela baixou as pálpebras e ele a viu numa batalha triste contra sua própria vontade. Ian sabia que ela queria sair correndo, mas ficava. Ereta, ela enfrentava o que viesse.
-Fique calma, Mairi. Esta me deixando nervoso...
-Isso é mau – ela disse sorrindo – os dois nervosos não é o ideal.
-E qual é o ideal?
-Ora, você nunca leu nos livros? O homem é o experiente, que guia. E a mulher é a guiada, o ser criado para servir seu marido.
Ele riu.
-Não consigo imaginá-la tão abnegada.
-Que bom. Porque nunca serei assim...
Maravilhado com o senso de humor dela, mesmo numa situação tão constrangedora, ele baixou a fronte. Os lábios tocaram-se e a saudade despontou. Já fazia tanto tempo...
Segurando os ombros de Ian, Mairi entregou-se ao beijo. Aquilo sim era bom. O que viria depois era detestável, ela bem sabia, mas pelo menos, tinha este começo, que ela adorava. Sentiu quando Ian segurou-lhe a cintura e lhe apertou contra ele. Sem ar, ela separou as bocas para respirar.
As testas de ambos se encostaram. Então seus olhos se encontraram. Pedidos mútuos foram trocados naquele momento. Ela queria algo, mas não sabia o quê. A única certeza era que não fosse o ato praticado no dia em que engravidou.
-Você é linda... – o ouviu dizendo.
Linda não seria bem a palavra para descrever a si mesma, Mairi pensou. Não era uma beldade, mas também não era feia em excesso. Era normal. Mas Ian parecia sincero no elogio, então ela apenas sorriu de satisfação.
Os dedos de Ian subiram até a fita que prendia o penhoar. Desamarrando o laço, ele abriu o tecido. Mairi então sentiu o ar frio contra a pele. Arrepiou-se no ato. Mas o arrepio, estranhamente, não era desagradável. Muito pelo contrario, era delicioso.
-Estou enorme não?
Os olhos de Ian desceram até sua barriga. Estava dilatada. Mas formava algo único. Era adorável observar sua mulher grávida de seu filho. Logo as mãos seguiram o caminho traçado pelos olhos. Era a primeira vez que ele tocava a barriga dela após a gravidez.
-Qual a sensação?
-É pesado. Mas é muito bom. Às vezes, posso senti-lo, mas não comento com ninguém. É algo tão meu. Não trocaria a chance de ser mulher e passar por essa experiência com ninguém.
-Invejo você – ele foi sincero.
Ela riu.
-Ah, mas esqueci de mencionar os enjôos, vômitos, tonturas, inchaços...
-Já basta! – ele disse acompanhando a risada dela – Você me convenceu! Não a invejo mais.
E voltou a beijá-la.
Traçando os lábios polpudos com a língua, Ian aproveitava o momento tranqüilo para deslizar as mãos pelas costas. Ela era tão firme e quente que ele pensou que derreteria se não a possuísse nesta noite.
“Mas não posso” – disse a si mesmo.
Então se limitou a acariciá-la. Já era um progresso, reconheceu. Com a mão livre, tocou-lhe o queixo e o ergueu um pouco para poder invadir a boca dela com a língua. Mairi gemeu e ele quase perdeu o controle.
Afastando-se um pouco, tentou respirar.
-Mairi... vamos deitar?
Ela arregalou os olhos, mas assentiu. O fato de ter concordado em ficar numa posição horizontal ao lado de Ian, já lhe fazia tremer inteira, mas precisava ser forte. Fora ela que abriu a porta que ligava os quartos, e foi ela que aceitou estar ali.
E enfim, o momento doloroso começava. Os beijos, que eram tão doces e gostosos, acabavam e agora era à hora de ela ser mulher de novo. Sentiu que todo o corpo gelava e afastando-se de Ian, aproximou-se da cama. Sobre o olhar intenso dela, afastou as cobertas e deitou-se. Sob o olhar espantado do marido ela aguardou fechando os olhos.
Mas Ian tinha outros planos para eles, apesar de estar envergonhado demais para falar sobre os mesmos. Talvez quando toda a desconfiança não existisse mais entre eles, a conversa sexual fizesse parte da rotina do casal. Mas agora era muito cedo.
Aproximando-se da cama, Ian sentou-se próximo aos seus pés. Pegando o tornozelo da mulher, ele o levantou até o lábio.
-Abra os olhos, meu amor.
Incrédula, Mairi observou Ian beijar seu tornozelo. Era um ato tão sem pretensões, mas um calor estranho apoderou-se dela naquele momento. Encostando-se no travesseiro ela suspirou.
-O que esta fazendo?
-Gosta?
Oh sim, ela gostava muito. Nunca em sua vida pensara que ver Ian lhe beijando o tornozelo, pudesse trazer sensações tão boas.
-Não entendo o porquê de estar fazendo isso – ela balbuciou ainda sem jeito.
-Quero mostrar pra você que existem varias formas de fazer amor...
Ainda sorrindo e tentando lhe transmitir confiança, Ian aproximou-se de Mairi. Com os lábios sedentos, beijou-lhe a face, mas logo desceu ao pescoço. Tudo era fora da compreensão dela, mas admitia que fosse maravilhoso. Quando ele chegou-lhe a curva da nuca, seu corpo inteiro arrepiou-se e ela segurou-lhe nos ombros dele, tentando manter o controle.
Assustada, ela percebeu que o próprio corpo pareceu ganhar vida própria, e ia contra o do marido. Estava tão absorvida nos próprios movimentos contra o de Ian que só percebeu que ele lhe arrancara a camisola, quando esta voou contra o chão.
Estava nua! E não conseguia sentir vergonha nenhuma de estar sem roupa sob os olhos famintos de Ian. E mesmo no inverno inglês, o corpo queimava numa angustia que ela desconhecia.
Percebeu que os dedos dele que lhe acariciavam a barriga, deslizaram para sua própria roupa. Logo Ian tirava o pijama de seda e a peça foi fazer companhia à camisola de Mairi.
A mulher dos olhos claros ficou sem fôlego ao vê-lo assim, só de cueca. Como um homem pode ser tão firme e bonito? Então foi a fez dela toca-lo para ter certeza que não era uma miragem que sumiria assim que ela recobrasse a razão. Os dedos da mão direita brincaram com os pêlos claros e macios do peito enquanto os dedos da outra mão acariciavam a pele quente.
Quando seus olhos encontraram os de Ian, ela sorriu.
-Por que esta me olhando assim? – perguntou para ele.
-Assim como? – Ian pegou um de seus dedos e começou a chupá-los.
-Assim como se fosse me comer aos pedaços.
Ele gargalhou e a sensação de sentir o corpo grande dele, tremendo com o riso sobre si, fez Mairi arquear as costas e gemer.
Cada movimento, por mais inocente que fosse entre eles, despertava sensações proibidas.
-Mairi.. você confia em mim?
Essa era uma pergunta que com certeza Mairi tinha dificuldades de responder, mas seu corpo pulsava tanto que ela nem raciocinava mais, então apenas concordou com a cabeça.
Ian então agiu. Primeiro ele deslizou os dedos sobre os pêlos úmidos da mulher e a acariciando na sua parte mais intima. Baixinho Mairi gemia. Com o outro braço, ele apoiou-se na cama e a observou. Ia enlouquecer de paixão ao vê-la tão delicada, tão feminina e tão a sua mercê. Poderia possuí-la se quisesse (ela estava pronta para aceita-lo), mas havia dado sua palavra e num passado recente, ele já havia falhado. Isso não aconteceria mais! Então retirou a mão dela e a deslizou para uma das pernas, a levantando um pouco, encaixando a própria coxa no centro da feminilidade da esposa. Percebendo a reação de espanto dela, Ian murmurou palavras de conforto e lhe disse que tudo ficaria bem.
Movimentando a coxa para cima e para baixo, Ian começou um movimento próximo ao sexo, mas sem penetração. E deu certo! Mairi gemia e suava sentindo sua parte mais íntima ser pressionada com movimentos eróticos pela coxa forte e os pêlos negros que se misturavam aos caracóis dela. Para a sorte dos dois, a barriga enorme dela, não atrapalhava em nada e eles conseguiam ficar bem próximos, entregues.
Beijando a boca de Mairi, ele a impediu de gritar, quando sentiu que os movimentos de ondulação dos quadris dela contra sua coxa eram mais rápidos. Os bicos dos seios, duros e rígidos, esfregavam-se contra o peito moreno e então, tudo nela explodiu em mil estrelas.
Nunca havia sentido aquilo. Nunca um prazer tão intenso a encontrou e então ela soube que queria estar com Ian durante toda a sua vida e viver aquilo para sempre.
Ian percebeu quando ela chegou ao gozo, e lutando para manter o controle, ele caiu do lado, mas de bruços. Apertando o pênis duro e excitado contra o colchão, respirou pausadamente durante alguns segundos. Não podia se satisfazer com ela, porque só estava começando o trabalho de reconquista-lá, então tinha que ter paciência e ficar feliz apenas por lhe dar prazer.
-Ian... –ela o chamou baixinho.
Virando o rosto para ela, o Lord sorriu.
-Sim, meu amor?
-E o resto?
Ele viu nos seus olhos a satisfação pelo que tivera, mas também o medo pelo que ainda viria.
-Ainda não esta pronta para o resto, Mairi. Um dia talvez... e quando estiver, garanto que vai gostar.
Ela respirou aliviada.
-Mas e você?
-Agradeço aos céus por estar com você do meu lado – ele murmurou.
Abraçando sua mulher e acariciando sua barriga, Ian a aconchegou. Quando ela finalmente dormiu, ele se permitiu descansar, mas não fechou os olhos a noite toda.

ººººººººººººººº


Mairi entrou no quarto de Allan carregando uma bandeja com o café da manhã. Colocou a mesma sobre uma cômoda que ficava ao lado da cama e foi até as janelas. Quando puxou as cortinas, percebeu o sol entrando com força no aposento. Sorrindo notou que até o dia comemorava sua felicidade.
Há quanto tempo não sentia tanta paz? De madrugada acordou e refez novamente os mesmos carinhos com o marido. O prazer que sentiu desta vez foi ainda maior. Talvez valesse a pena permitir que Ian a possuísse se continuasse a sentir os mesmos deleites.
-Vamos, seu dorminhoco! Já é dia, acorde! – disse ao loiro.
Mas algo estava errado. Allan não reclamou como sempre fazia quando era despertado, mas estava acordado, já que tremia na cama. Aproximando-se dele, viu que apesar do tremor estava muito vermelho, quente. Colocou a mão sobre a testa dele e percebeu a febre. Assustada ela correu até o escritório de Ian. Entrou sem bater.
Ele estava trabalhando nos livros de contabilidade da fazenda, quando viu a mulher entrando. Ia se levantar para beijá-la, quando percebeu os olhos úmidos.
-O que houve?
Ainda era muito cedo. Talvez umas sete horas da manhã, horário em que nenhum outro nobre se levantava, então, não poderia ter acontecido algo de tão ruim tão cedo?
-Allan! Ele piorou. Está com muita febre...
As palavras dela o tiraram do êxtase de vê-la. Ian então correu corredor acima. Chegou ao quarto tão rápido, mas quando olhou para trás, percebeu que Mairi o acompanhou na mesma velocidade.
Aproximando-se da cama, ele perguntou:
-Allan, esta me ouvindo?
O loiro gemeu baixinho e continuou a tremer. Ian já sentia o coração quase parando no peito, quando as palavras dele o acalmaram:
-Vou morrer Ian.
Quase riu com a frase de Allan. Os dois sabiam que uma febre não matava e esta era uma das frases que diziam um ao outro quando um deles ficava doente. Mas quando Ian ouviu o choro de Mairi nas suas costas, teve que acalma-la.
-Allan, Mairi esta aqui e ela acha que é sério.
Então a voz do loiro mudou um pouco.
-Só estou fraco Mairi.
-Não é melhor chamar um médico? – ela perguntou a Ian
-Sim, vou fazer isso agora. De Lá Tere, o doutor que cuida de minha mãe ficou de vir aqui hoje para medicá-la, mas mandarei um serviçal avisá-lo para se adiantar.
Aquilo pareceu tranqüilizar Mairi.
Mas não foi por muito tempo.
Mais tarde, quando Brian de La Tere chegou para medicar Dorothea, encontrou a nova Lady do palácio caminhando de um lado para o outro, desesperada por causa do amigo. Mas as noticias não foram boas. Uma epidemia forte de gripe estava ocorrendo na região de Yorkshire e muitas pessoas haviam sido atingidas, principalmente os camponeses.
Ian providenciou recursos para o doutor cuidar dos seus subordinados, afinal, era o Lord da região. Mas se preparou para o momento ruim que se iniciaria. Uma peste sempre era um grande temor para o responsável pela região.
Dentro de casa, as notícias continuaram ruins. Quando Brian entrou no quarto de Dorothea, percebeu que a mesma também havia adquirido a doença.
-Mande outra menina para a cozinha, Jane. Quero que me ajude a cuidar de Allan e de Milady Dorothea. – disse Mairi à empregada assim que elas se encontraram no corredor.
Assustada, Jane tentou ganhar coragem.
-Desculpe senhora, mas prefiro cuidar da cozinha.
Nunca antes havia discordado de uma Lady, mas Jane poderia ganhar muito dinheiro só por permanecer de olho em Perpetua.
-Mas Jane... Preciso de você.
Mairi ainda não havia adquirido a autoridade de Lady, e talvez nunca adquirisse, então tentou convencer a criada. Não deu certo.
-Desculpe senhora. Mas talvez outra moça possa ajudá-la.
E assim foi.
Jane falou com uma amiga e esta ajudou Mairi com Allan e Dorothea.
Os dias começaram a se tornar uma sucessão de cuidados. A esposa de Ian levantava-se cedo, passava o dia todo cuidando dos doentes lhe trocando as roupas e alimentando, e a noite ia ter com o marido.
A relação dela com Ian não havia mudado muito na cama. Ele se recusava a se satisfazer e ela não insistia. Mas temia que o marido se cansasse da situação e a largasse, o que era ridículo.
Num dos raros momentos juntos, naquelas últimas duas semanas, os dois sentaram-se a mesa de jantar.
-Estou preocupado com você – Ian lhe disse.
-Por quê? Estou bem, a gripe não me atingiu.
-Mas esta grávida e a barriga cresce a olhos vistos. Deve ser pesado. Por que não deixa minha mãe e Hatton aos cuidados de uma enfermeira.
-Não Ian, e não insista. Ninguém cuida de Allan a não ser eu! E sua mãe é tão frágil... não quero que passe pela humilhação de ser tratada por uma estranha.
Ele lhe segurou as mãos.
-Sinto orgulho de sua força, mas temo pela sua própria saúde.
-Fique tranqüilo – ela lhe beijou levemente os lábios – estou ótima.
Sem perceber, Ian mudou o assunto.
-Gosta muito de Allan, não?
-Sim... você também. – ela riu.
Sem entender o porquê de colocar palavras ciumentas numa conversa tão amistosa, Ian concordou com ela.
-As coisas ficaram tão preocupantes nestas últimas semanas que acabei esquecendo de lhe contar que já mandei avisar Steph Morris que você achou o diário de Eleanor. Estranho ele ainda não ter aparecido por aqui.
-Você conseguiu ler o diário inteiro? Tem alguma pista?
-Infelizmente não. A única novidade era o fato de Eleanor estar grávida.
-Como ninguém desconfiou disso antes?
Mairi bebeu a água tentando engolir o alimento. Pensar que um bebê morrera inocentemente pela maldade de alguém era algo forte demais para ela.
-Acho que ninguém se atreveu em falar que a Lady não era virgem. – Ian passou o guardanapo na boca e a encarou – Esta cansada?
A pergunta tinha dois significados, mas Mairi preferiu deixa-lo em expectativa.
-Vamos subir? – ela perguntou sorrindo.
De mãos dadas foram ao quarto. Eles não sabiam, mas esta seria a última noite de paz, por um bom tempo...
Continua...


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Capítulos de [Original] A Rosa entre Espinhos

[03/12/07] Introdução

[12/12/07] Capitulo I

[17/12/07] Capitulo II

[24/12/07] Capitulo III

[30/12/07] Capitulo IV

[07/01/08] Capitulo V

[14/01/08] Capitulo VI

[21/01/08] Capitulo VII

[28/01/08] Capitulo VIII

[06/02/08] Capitulo IX

[11/02/08] Capitulo X

[18/02/08] Capitulo XI

[25/02/08] Capitulo XII

[03/03/08] Capitulo XIII

[10/03/08] Capitulo XIV

[17/03/08] Capitulo XV

[25/03/08] Capitulo XVI

[31/03/08] Capitulo XVII

[07/04/08] Capitulo XVIII

[14/04/08] Capitulo XIX

[22/04/08] Capitulo XX

[28/04/08] Capitulo XXI

[05/05/08] Capítulo XXII

[10/05/08] Capítulo XXIII

[16/05/08] Capítulo XXIV

[26/05/08] Capítulo XXV

[03/06/08] Capítulo XXVI

[10/06/08] Capítulo XXVII

[18/06/08] Capítulo XXVIII - Final


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