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› Autor: ~Dank
› Gênero: Hentai/Ecchi/Seijin - Yaoi/Lemon/Dark Lemon - Yuri
› Tags: shonen-ai, yaoi, drama, praia
› Classificação: 18+
› Adicionado em: 17/04/08
› Comentários/Favoritos 3/2
› Caracteres: 5.186
› Exibições: 161
A sinopse é um trecho da música "Vento no Litoral", da banda Legião Urbana. Tudo aqui me pertence, se usar sem permissão eu te persigo até o inferno. :]
~
O mar produzia um som agradável naquela tarde de sexta-feira. A água fria batia em seus pés descalços e molhavam parte de sua calça, mas ele parecia não se importar. Os olhos azuis estavam fixos na linha alaranjada a diante, onde o sol se punha vagarosamente. O vento beijava sua pele, brincava com seus cabelos louros, extremamente claros e movia a areia de um lado para o outro, mas sua mente parecia estar longe de seu corpo, parecia vagar pelo céu, bater as asas e planar como um pássaro.
Ele olhou em volta. A praia estava vazia, mas ele sentia como se os dois ainda estivessem ali, brincando na areia, descalços, rindo. Os cabelos escuros dela esvoaçando, os braços envoltos no pescoço do rapaz, dizendo, fazendo-o prometer coisas, perguntando sobre tudo… “Como foi seu dia?”, “Até onde você me ama?”, “Você promete que não vai me deixar sozinha?”…
Ele prometeu. Seguiu-a para onde quer que fosse, mas ela obrigou-o a parar. Resolveu seguir sozinha, e não mais lhe chamou para ir junto. Desistira dele.
Há quanto tempo? Fazia seis meses naquele mesmo dia. Seis meses desde que ela o havia deixado, seis meses desde que morrera. Aquela palavra soava como um monstro para ele, um monstro impossível de se vencer. Maior ainda que a distância ou a dor de não ser correspondido.
Era egoísta.
Ele certamente deveria estar sofrendo mais, ou então devia estar com ódio de si agora. Mas… É realmente possível odiar alguém que se diz amar? Nunca parara para pensar nisto. E não era agora que pararia.
“Lev.”, seus pensamentos se perderam ao ouvir uma voz chamar por seu nome. Era uma voz masculina, rouca e ele logo reconheceu. Ficou algum tempo parado, mas resolveu se virar para fitá-lo.
“… Dimitri.”, murmurou fitando o rapaz em pé diante de si. Parecia ter um metro e oitenta de altura, mais alto que si, cabelos curtos e negros, arrepiados, brilhantes pelo gel. Vestia uma calça jeans larga e escura, e uma camiseta vermelha com a gola preta. Lev observou: havia um cigarro em sua mão direita.
Dimitri se aproximou mais do mar, abaixado, deixando as ondas tocarem seus dedos. Tragava profundamente o cigarro enquanto olhava a areia se molhar, e vez ou outra uma concha aparecer, trazida pelas águas. Aquela imagem parecia tão monocromática, triste, como se o silêncio que jazia entre eles arrancasse as cores e as jogasse ao longe, em qualquer lugar que fosse incapaz de recuperá-las.
“Dimitri, você…”, Lev começou, evitando olhar o amigo de costas para si. Suspirou e voltou os olhos ao céu, como se nele buscasse palavras. “Você está triste?”
O outro virou o rosto em sua direção.
“Por que estaria?”, indagou, voltando os olhos ao mar, “Não tenho motivos, tenho?”. Estava se enganando. É claro que tinha motivos para estar triste, mas parecia querer esconder aquilo de si. Estava agindo como um covarde, era certo. Sempre fora um, por mais que se comportasse como o herói, o homem que não temia nada, era covarde. Covarde porque temia o amor. “E você?”, perguntou, sem fitá-lo, “Como está?”
O louro ficou em silêncio. Estava perturbado por ter saído naquela tarde sem dizer nada a respeito do que Dimitri disse, irritado por não saber o que dizer agora e angustiado pelo o que completava naquele dia. Não tinha o que lhe responder.
O moreno se levantou, olhou em volta e deu alguns passos. “Eu vim porque sua mãe me pediu.”, disse, “Estava preocupada por você não ter chegado em casa junto comigo.”
Lev entreabriu os lábios para dizer o que lhe veio à mente naquele instante, mas se conteve. Se brigassem a situação pioraria.
Dimitri suspirou, tragou o cigarro pela última vez e deu mais alguns passos para se distanciar do outro, mas parou ao ouvir o outro chamá-lo. Virou-se.
“O que foi?”, indagou.
O louro acenou negativo com a cabeça e a abaixou, fitando as próprias pernas. Ergueu a cabeça novamente quando sentiu o moreno estender a mão para si. Fitou o fundo daqueles olhos escuros, procurando por algo a dizer.
“… Vamos?”, O moreno perguntou, neutro.
Lev acenou com a cabeça e se apoiou em sua mão para se levantar. Sentiu-a ser segurada mais firmemente e apertou de volta, aproximando mais seu corpo ao dele.
“Dimitri, --”, começou, mas se interrompeu ao ver que o outro diria algo.
“Eu sei.”, ele disse, fitando a rua vazia, “Mas eu não vou me importar, pelo menos por hoje.”
“Se importar… Com o que?”
“Em sofrer. Em saber que eu nunca poderei te ter da maneira que quero”, apertou sua mão mais forte, “Mas acho que hoje tudo está bem, não é?”, sorriu, olhando nos olhos do louro, “Acho que, por hoje eu já consegui tudo o que queria.”
“O que é?”, O menor perguntou, sorrindo levemente.
“Te fazer sorrir.”
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