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› Autor: ~Matsumoto-Deh
› Gênero:
› Personagens: Hiroshi, Sayuri
› Classificação: 14+
› Adicionado em: 15/04/08
› Comentários/Favoritos 3/1
› Caracteres: 7.703
› Exibições: 39
Nota:
Escrevi essa fanfic para participar do concurso de fanfics originais Anime Spirits de 2007, mas o concurso não aconteceu... Então resolvi postar ela agora!
Espero que gostem! Boa leitura! ^^
Fanfic inspirada na música “Untitled” de Simple Plan.
Tudo terminou naquela noite de sábado... Não, na verdade era só o começo, o começo de uma dor que se iniciaria e nunca mais se dissolveria de seu coração.
14 anos vivendo ao lado dele, era tempo demais para serem só “amigos”. Sempre o quis mais do que isso, mas ele não à via desse jeito. Era sua melhor amiga, como uma irmã menor. Uma bonequinha de porcelana guardada em uma cúpula de cristal inquebrável...
Inquebrável? Porque? Não queria ser assim. Queria ser dele, ser o tipo de mulher que o faria perder a cabeça, errar e pedir perdão, brigar e fazer as pazes... Ser simplesmente mais uma amiga-irmã não servia, ele já tinha muitas assim.
Mas os anos passam, as meninas crescem e tornam-se lindas mulheres, esperando o homem que as fará mulher como um todo. Aquele que as preencherá o coração, e o corpo...
“... Esperando o homem que as fará mulher...” pensando bem, ela não precisava mais esperar, já sabia que tipo de homem queria ter e principalmente qual homem queria ter. Queria seu “amigo de infância”, o mesmo que a tinha como a uma “irmã mais nova”, mas eles não eram irmãos, isso não era tudo o que ele poderia lhe oferecer, e ela queria mais dele, muito mais...
Anos passam, a menina tinha 19 anos agora, havia tornado-se uma mulher. Reencontram-se num cenário perfeito: céu azul, flores do campo e a leve brisa de outono soprando as folhagens secas caídas pelo caminho. Um dia quente apesar da estação. Divertiam-se pelos campos verdes das províncias pequenas e tranqüilas ao estremo norte de Tókio.
Uma chuva passageira desabou sobre os dois enquanto passeavam, obrigando-os a se abrigarem numa caverna próxima. Logo o que parecia ser uma chuva passageira tornou-se uma tempestade e eles não puderam voltar. Teriam que passar a noite ali, na companhia um do outro...
Fizeram uma fogueira para protegerem-se do frio. A situação era perfeita aos olhos dela, finalmente estavam à sós, mas faltava-lhe coragem para abrir seu coração. Ele teve uma idéia, jogo da verdade, para passar o tempo. Riram e se divertiram contando as peripécias que havia acontecido com ambos durante o tempo que estiveram separados. Até que um raio cai próximo à caverna.
O estrondo do trovão e o clarão de luz da descarga elétrica foram assustadores. Com o barulho, a “menina” se agarrou ao corpo do rapaz, trêmula de medo. Sempre tivera medo de trovão, desde pequena, e ele sabia disso. À abraçou na tentativa de acalmá-la, mas aquele abraço tão apertado e quente a fez ficar ainda mais nervosa. Como era bom estar nos braços dele. Sentiu uma dorzinha apertar seu coração e lágrimas caiam de seus olhos...
-O que aconteceu? Não precisa chorar, estou aqui... com você...
“estou aqui... com você...” as palavras ecoaram na sua mente, ela não se conteve mais tamanha a angústia. Olhando aqueles lábios, seu rosto de traços tão bem conhecidos... O beijou com amor, com desejo e com paixão.
- Eu preciso chorar, preciso que me veja assim para acreditar que não te quero só como amigo. Eu quero você Hiroshi! Quero você pra mim e quero agora...
O inesperado aconteceu, estavam à ponto de dar um passo decisivo em suas vidas e não hesitariam em fazê-lo. O dia amanhece, haviam feito amor durante a tempestade... Era o começo de um conto de fadas, de um amor imensurável, maior que o mundo, maior que ela mesma.
Mas o que parecia um “conto de fadas” não era tão perfeito como ela pensava. Agora estavam juntos a algum tempo desde a noite da tempestade e Hiroshi havia mudado muito em seu comportamento. Como amigo ele sempre foi uma pessoa maravilhosa, mas como namorado se deixava dominar pelo ciúme que sentia dela, um erro fatal que destruiria a felicidade que haviam conquistado juntos!
E foi naquele triste anoitecer que tudo aconteceu. Brigaram por uma infantilidade, algo banal que depois de uma noite de sono na certa esqueceriam, mas como crianças que eram, a pesar da idade que tinham, levaram à ferro e fogo cada palavra dita. Ele pegou as chaves do carro e saiu de casa dizendo que nunca mais voltaria... Se soubesse que realmente não voltaria mais, não teria dito aquelas palavras...
Chovia, lágrimas pesadas caiam de nuvens cinzas decorando o céu em tons góticos e sombrios, e se destruíam ao tocarem o pára-brisas do veículo em alta velocidade. No rádio uma música triste,“Untitled”, pensou em quantas vezes ela disse que o amava e do gosto amargo que as lágrimas dela acabaram de causar em seu coração. Distraiu-se por segundos, mas com a pista molhada e a cabeça cheia de pensamentos, distrair-se seria fatal.
Derrepente faróis se confrontaram frente a frente, o freio do veículo não respondia mais e em questão se segundos viu toda a sua vida passar diante de seus olhos. Havia frio e cansaço, não podia respirar direito, ao longe muitas pessoas corriam e gritavam indo em sua direção, mas seus ouvidos não ouviam mais o que diziam. Olhou pra cima e a viu. Como ela estava linda naquela foto encaixada na viseira do pára-brisa estilhaçado. Seria a última vez que a veria. Sua respiração estava fraca, quase um suspiro, derrepente tudo ficou preto, não havia mais dor. Era tarde demais...
- Sayuri... Eu te amo...
Em casa, Sayuri sentiu um aperto no coração, pensou em Hiroshi e correu para o telefone, mas o celular dele não atendia. Resolveu esperar que ele a ligasse. O telefone tocou, mas não era ele, no telefone um bombeiro narrava a triste notícia. Desesperada correu em meio a tempestade, pensando poder alcançar o local do acidente com as próprias pernas, chorando e gritando compulsivamente, mas já não poderia fazer nada, Hiroshi não estava mais nesse mundo...
O dia amanhecia e uma mulher sentia a perda de seu maior amor e a saudade que ele deixou, não havia dormido durante a noite pensando no que tinha acontecido e no que estava para acontecer. Como o tempo passa rápido, hoje fazia um mês que ele não estava mais lá. No travesseiro ao lado de seu rosto, um exame de sangue confirmava suas suspeitas, laudo positivo. Ela estava esperando um filho de Hiroshi e pensava “como o destino pode brincar com nossas vidas assim?”, mas isso não importava agora, tinha uma nova razão pra viver, pra seguir em frente.
Levantou-se da cama e andou até a sacada, pôde ver o sol nascendo aos poucos. Lágrimas corriam enquanto acariciava seu ventre, mas já não eram de tristeza! Assim como o sol nasce depois de uma tempestade, sempre haverá uma segunda chance para aqueles que não desistem de lutar. Não tinha mais seu amor ao seu lado, mas agora tinha algo muito valioso consigo, trazia em si uma nova vida, fruto de seu único amor e as mais doces e lindas recordações de dois corações que se amaram até o fim. Era um novo começo, mas esse teria um lindo final feliz.
Espero que tenham gostado ^^
Beijos da Deh! ^^
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