Nota da Hinalle: Gente, aqui vai capítulo o 5, milhões de desculpas pela demora! É que estou em uma nova escola e tudo é muito difícil... obrigada pela compreensão e boa leitura ^^ Ah! Obrigada a quem comentou no capítulo anterior! Beijos para quem está acompanhando! Sei que essa não é um dos meus melhores trabalhos, mas dá pro gasto, né?
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Jéssica acordou silenciosamente com os primeiros raios da manhã. Sentiu braços lhe envolverem a cintura, pôs a mão no local e quase pulou da cama quando sentiu a pele macia e os músculos. Com o rosto pálido, escorregou os olhos para a direção de onde estava o irmão ainda com os olhos fechados. Tentou se libertar, mas com medo de despertar o jovem, apenas se encolheu para proteger-se melhor do frio.
Alguns pingos gelados ainda caíam do céu deixando suas marcas no asfalto escuro, no capô de um carro estacionado e nas janelas fechadas das várias casas, trazendo uma calma irreal em uma morena abraçada ao irmão. A calma, o abraço, a hora, o lugar, tudo parecia um sonho.
“Jessie...”
Seu apelido fez com que um arrepio lhe percorresse a espinha, mas continuou parada tentando ouvir com esforço o balbuciar do irmão.
“Fique aqui... conosco... comigo...”
Resolveu se levantar para preparar o café da manhã para os três.
Teve que segurar forte no corrimão quando deu um passo em falso na escada, distraída com as palavras balbuciadas pelo irmão. Só naquela hora elas fizeram efeito, uma sensação estranha no estômago e uma felicidade diferente de todas as outras, mas estaria feliz com o sofrimento do irmão? Que tipo de irmã era ela?
Pegou uma frigideira e começou a fazer omeletes. Ficar com ele? Mas para onde ela poderia ir? Claro que ficaria com Carolina e Henrique, mesmo indo morar com novos pais nunca perderia contato. Contato... uma coisa que nunca tivera com os irmãos.
“Jéssica?”
Com a chamada, a morena sem querer encostou alguns dedos na frigideira queimando-os e, virando rapidamente para a direção da porta, viu Henrique com a mão no batente surpreso.
“O que você está fazendo aqui?” As mãos começaram a tremer instantaneamente com a visão de Henrique na cozinha.
“Bem, eu acordei quando você levantou.” Disse se aproximando.
“Eu... levantei para fazer o café.” Tentou não parecer nervosa segurando as duas mãos atrás das costas e tentando se afastar discretamente do rapaz. Porém, quando deu um passo em direção ao microondas, o irmão puxou suavemente seu braço e observou os dedos.
“Está doendo?”
Negou com a cabeça sentindo as batidas do coração acelerarem radicalmente.
“Deixa que eu faço.”
Quando Jéssica abriu a boca para dizer algo, Henrique já estava tirando o omelete da frigideira e colocando outro.
Sentou-se no banco alto perto da geladeira e ficou a observar o irmão, as mãos trabalhavam agilmente e os braços nus revelavam músculos fortes e descontraídos, em outras palavras, fantásticos.
Jéssica balançou a cabeça fortemente e se virou para o omelete, ficar com os olhos fixos na gema que estourava era a melhor distração, via devagar o ovo começar a se firmar com uma coloração branca amarelada, estava firme mas ainda havia uma consistência mole parecida com os músculos do irmão quando trabalhavam com aquele omelete.
Bateu levemente na cabeça tentando desviar os olhos mais uma vez dos braços do homem, porém percebeu o quanto eles estavam contraídos agora, como pôde comparar um omelete com os músculos fortes do irmão? Precisava de um psicólogo.
Resolveu, já que estava olhando para ele, examinar a face do dono do braço. Subiu os olhos por aqueles músculos contraídos lentamente, observando cada detalhe, cada centímetro, cada diferença, cada elevação. Ao chegar na face olhou para os olhos que surpreendentemente estavam apontados para ela. Segurou-se na cadeira para não gritar vendo os olhos esverdeados apontados para os seus olhos castanhos.
“...” Jéssica tentou falar algo, porém as palavras estavam presas em sua garganta descoordenadas.
“O que foi?” ele perguntou com um sorriso sedutor.
Balançou a cabeça com a boca semi-aberta de espanto.
“Seus dedos estão doendo? Está com fome?” Começou a se aproximar lentamente deixando Jéssica cada vez mais nervosa.
“N-não! Eu só estava...” Engoliu em seco e levantou-se, “Vendo como você faz omelete.”
“No meu braço?” Pegou a mão trêmula da irmã e puxou-a para perto.
“É... mais ou menos isso...” Jéssica se via em uma cena que nunca pensou em encenar, ficar nervosa, trêmula e desencorajada por um homem, praticamente estar aos pés dele, e aceitar se tivesse a opção de ser o instrumento de prazer do rapaz. “O omelete!” Ela se libertou apontando para o ovo.
“É verdade!” Correu para tentar pelo menos aplacar a fumaça que já se fazia.
Suspirou aliviada, meu Deus como tinha sorte. Pensava como deveria agradecer as galinhas e a evolução, entretanto, seu irmão atrapalhou seus pensamentos.
“Jessie, tem mais um ovo?”
Jéssica não sentiu tremiliques ao ouvir a voz nem hesitou quando sentiu os dedos do irmão encostarem nos seus quando passava o ovo, pois estava ocupada demais pensando o que sentia por ele, por quê e como.
“Jessie, posso te fazer uma pergunta?”
Como mostra de que estava prestando atenção, direcionou ao moreno um olhar distraído, porém ele nem percebera a distração que brilhava nos olhos.
“Lembra de ontem?”
Desta vez Jéssica estremeceu, com tantos assuntos ele escolhe logo o pior, até falar sobre seus novos pais seria menos perturbador.
“S-sim.”
“Eu queria saber se...”
“Bom dia!!” O grito animado da irmã quase fez com que Jéssica caísse do banco com o susto.
“Bom dia, Carol.” Respondeu tentando se ajeitar.
“Bom dia, maninha.” Henrique sorriu colocando o omelete no prato ao seu lado.
Carolina se voltou para a irmã com um ar pesaroso, fazendo com que os cabelos loiros cobrissem-lhe um lado da face. “Hoje seus novos pais irão lhe visitar.”
A morena percebeu que a irmã tentava fazer a voz soar a melhor e mais animada possível. Apenas virou o rosto para frente.
“Claro, espero que eles me odeiem.”
Um silêncio pesado se fez na cozinha, cada um inerte em seus próprios pensamentos.
“Eles te matarão se não gostarem de você.” Quase em um uníssono Henrique e Carolina disseram.
Jéssica suspirou cruzando os braços em frente aos seios e se levantando.
“Vamos discutir isso na sala de jantar.” Pegou seu prato e seguiu para o local.
Pôs uma toalha sobre a mesa e algumas outras variedades de comida: pães, bolos, bolachas, tudo que havia em sua dispensa.
“Então,” disse Carolina com a boca um pouco cheia, porém logo engoliu a comida, “Você topa ver seus pais hoje?”
Jéssica assentiu com um gesto e então sentiu uma mão sobre seu braço. Virou rápido a cabeça, agitando os cabelos, e ao mesmo tempo em que reconheceu os olhos do irmão, os longos fios deslizaram à posição normal.
“Boa sorte.” Ele sorria cansadamente como se sentisse a dor da irmã adotada, “Se eu pudesse, ficaria em seu lugar.” Em seguida se levantou com o prato.
“Onde vai?”
“Fazer mais omeletes, com licença.”
A moça se remexeu, como Kamila pudera deixar um homem tão prestativo sem esposa ou namorada? Ela era mesmo uma...
“Jessie.” A voz calma da irmã a tirou dos pensamentos.
“Sim?” Levantou a cabeça mastigando vagarosamente o pedaço de pão.
“Você não acreditou que o Rique ficaria em seu lugar, não é?”
Jèssica engoliu o pão e bebeu um pouco de suco, Henrique era um homem inteligente, servil tanto para a sociedade e quanto à família, tinha todas as mulheres aos seus pés, parecia feliz. É, ela não achou que o irmão se ofereceu para ficar no lugar dela.
Com o silêncio da moça, Carolina entendeu o recado, dando um leve riso chamando a atenção da jovem pensativa.
“Fique sabendo que Henrique fez com que eu não te contasse sobre seus pais, porque ele tentou convencê-los a levá-lo no seu lugar. Os velhos ficaram tão infernizados com as ligações constantes do maninho que ameaçaram o coitado de morte se as tentativas não parassem, mas ele não se deixou abalar e continuou ligando, só parou quando uma mulher com uma arma na bolsa apareceu na empresa do maninho dizendo que servia à família do seu pai.”
Jéssica pigarreou, que velhos chatos, ou melhor, mimados, preferia morrer a dar dinheiro de graça praqueles desgraçados.
“Afinal,” A morena não agüentava aquela pergunta em sua garganta: “Por que eles me abandonaram?”
Carolina respirou fundo e esticou o braço para pegar um pedaço de pão, Jéssica percebeu o quanto trêmulas elas estavam, estaria a irmã com medo de dizer algo triste?
“Jure primeiro que não vai ficar magoada.” Tentou sorrir.
“Juro.”
“Eles não queriam uma mulher na família, achavam o cúmulo da desgraça.”
Jéssica franziu a testa e pela primeira vez em anos, riu suavemente por um bom tempo. Risos saindo dos lábios da irmã eram tão raros que Carolina pôs a mão sobre a boca sem entender, porém sorriu ao ouvir a irmã feliz.
“Eles não gostam de mulher, mas vem correndo como cachorrinhos abandonados nos braços de uma humilde moça como eu em busca de dinheiro. Que filhos da mãe.” Sorriu ao terminar a frase contudo, agora ao ver a surpresa estampada na face da moça ao seu lado.
“O que foi isso? Jéssica rindo?” Henrique apareceu na porta com um prato com vários omeletes e um sorriso nos lábios. Quando o jovem iria se sentar, a campainha da casa soou pelo salão e todos ficaram apreensivos tentando descobrir de quem se tratava.
Carolina e Henrique suspiraram tristemente ao ouvirem a voz áspera de um velho que se punha a reclamar e uma outra voz feminina tentando consolá-lo. Jéssica não reconheceu as vozes, obviamente, porém sentiu um pouco de medo. Só se acalmou ao perceber a mão da irmã sobre a sua e a mão do irmão sobre sua outra.
“Não esqueça que te amamos.” Disseram juntos como se fosse combinado, apertando as mãos da jovem que repentinamente ficara espantada.
CONTINUA...