A Rosa entre Espinhos
Capitulo XVIII
Por Josiane Veiga
Mairi segurou Dorothea pelos braços e a ajudou a descer as escadas. A mais jovem trajava um vestido quente de lã cinza que era o mais confortável de suas vestes e também o que mais a protegia contra o vento frio. Desta forma, ela não se importava que não lhe caísse bem a cor, tampouco se sentia amedrontada pelo olhar de desagrado que alguns dos servos do palácio lhe deram enquanto cruzava por eles (provavelmente não gostando da maneira com que a nova lady se portava). Além disso, era a primeira vez na semana que o sol aparecia sem nuvens, e queria aproveitar. Já a outra mulher que a acompanhava se recusara a tirar a camisola, mas aceitara de bom grado descer para o jardim.
-O sol vai lhe fazer bem – disse Mairi a senhora mais velha.
-Sol? Não posso tomar sol. Minha pele sempre foi perfeita e não quero que fique estragada como a dos plebeus.
Mairi revirou os olhos, mas quase riu. Estranhamente, o fato de ser mãe, estava lhe dando uma paciência sem limites ultimamente. Cruzaram o grande salão de entrada e foram para fora.
O belo jardim ficava na lateral do castelo, e além de belas e exóticas plantas compradas ou enviadas por ricos lords amigos da família, havia também um imponente e espaçoso banco, com a escultura em forma da flor lótus. Este se achava abaixo de uma árvore frondosa que fazia tudo parecer cenário de um livro de fadas.
Mas enquanto ajudava Dorothea a se acomodar notou que a Lady parecia alheia a beleza a sua volta.
-Sente-se bem Senhora? – perguntou Mairi ao sentar-se ao seu lado.
-Você estava certa, menina. O ar me faz bem. Eu vinha mais ao jardim no início do meu casamento.
A jovem não gostava de indagar e investigar a vida pessoal de outros, mas, vendo Lady Dorothea falar tão calmamente e saudosa, ela sentiu curiosidade.
-A Senhora casou por amor?
-Quem se casa por amor a não ser os livres? – retrucou Dorothea – e eu nunca fui livre. Primeiro fui propriedade do meu pai e depois do meu marido.
Era triste ouvir aquilo de uma mulher que tudo tivera na vida. Dorothea não passara fome e nunca fora humilhada. No entanto falava da própria vida com uma amarga revolta. Mairi compreendeu naquele momento que todo o ódio e rancor com que ela tratava as outras pessoas era fruto de uma infelicidade extrema e bem guardada.
-Mas o pai de Ian foi um bom marido?
-Comigo ele sempre foi um bom homem. Mas não ignoro que não valia nada.
Dorothea respirou fundo e fez uma pausa. Olhou o horizonte como se imagens viessem a sua frente.
-Ele era doente. –ela gemeu entre os dentes.
-Doente? Não sabia disso. Achei que o antigo Lord fosse totalmente saudável.
Dorothea virou o rosto e a encarou. Mairi sabia que ela lhe contaria algo que muitos ignoravam.
-A doença dele era outra. Era mental. Ele gostava de machucar mulheres. Depois se arrependia e tentava ajudá-las.
Mairi estremeceu. Ian fizera a mesma coisa! Mas ele não parecia sentir prazer quando a tomou. Não... ele não podia ser igual ao pai!
-Bom, na verdade não foram tantas assim. Que eu saiba, apenas duas mulheres sofreram em suas mãos. Mas foi tão terrível que pra mim parecia milhares.
Duas? Mairi conhecia apenas a história de Allan, mas não sabia que mais de uma mulher havia sido violentada. Sem notar, ela falou em voz alta:
-Sabia apenas da senhorita Ellen.
Estremeceu assim que disse a frase. Para sua sorte, Dorothea parecia alheia a realidade e não estranhou o fato de a mulher de seu filho conhecer a historia de outra jovem que morrera há tantos anos.
-Ah sim! – Dorothea sorriu – Ellen, a loira. Eu tentei ajudá-la várias vezes, mas num dia em que eu não estava em casa, meu falecido marido a pegou. Não pude fazer nada.
Mairi curvou a fronte triste. O destino às vezes era excessivamente cruel.
-Eu não fui sempre este poço de maldade que você vê, menina – disse Dorothea, a surpreendendo – quando Ellen morreu no parto, dando a luz ao filho do estupro, eu pensei em adotar a criança. Não tinha filhos na época e queria muito um bebê. Mas o menino morreu com a mãe.
Mairi pensou automaticamente em Allan. Como ele teria gostado de crescer ao lado do irmão, correndo pelos campos, ao invés de trancado naquela escola. Por que o antigo duque levou o menino embora e fingiu para todos que a criança havia morrido?
-Isso é passado, Milady – disse a jovem grávida, segurando as mãos da mais velha.
-Tenho medo do passado.
-Por quê?
Dorothea então virou o rosto em sua direção:
-Vou lhe contar uma coisa, mas não quero que fique com ciúmes do meu filho. Ian já foi apaixonado por outra mulher, além de você. Ela era uma empregada muito bonita que eu mantinha no castelo desde criança, uma órfã. Enfim, ele ficou encantado com o fato de ela amar os livros que ele amava. Ficaram amigos. Um dia eu o vi a beijando neste mesmo jardim... e foi como se todo o passado voltara. Senti medo de meu filho ter as mesmas tendências do pai, que não podia ver uma empregada na frente. Expulsei a moça do castelo quando ele se ausentou. Nunca mais soube dela. Ela deve me odiar, mas eu só quis protege-la do sangue maldito dos McGreggor.
Mairi agradeceu aos céus por estar sentada. Nunca esperara na vida ouvir aquela confissão. As pernas começaram a tremer e por algum momento ela achou que perdesse o controle.
-Tenho certeza que ela não guarda rancor, senhora – murmurou tentando evitar as lágrimas.
-Assim espero.
As duas ficaram no jardim cerca de uma hora, mas não conversaram mais.
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A garganta de Mairi havia ficado completamente seca e a mente fervia tentando compreender tudo que descobrira. Andou de um lado para o outro no quarto recordando a conversa que tivera com Dorothea. O pai de Ian então violentou duas mulheres! Uma delas era a jovem Ellen Hatton que deu a luz a Allan. Mas e a outra? Quem era? Será que Ian e Allan tinham mais um irmão ou talvez até irmã, espalhado por aí?
Sentou-se na cama e tentou se acalmar. Devia contar isso a eles? Não! Para que preocupa-los? O que ela devia fazer era investigar melhor esta história. Agora que Dorothea a aceitava o suficiente para falar coisas tão pessoais, ela poderia indagar aos poucos. Se não existisse um parente de Ian e Allan, ela deixaria o fato cair no esquecimento. Para que lembrar coisas tão ruins?
Afastando esses pensamentos, ela pousou a mão sobre o ventre e o acariciou. Seu filho crescia a cada dia e ela sentia que ele estava bem. Ali há alguns meses ela teria algo dela. Um bebê que carregaria no colo e amaria.
“Só quis protege-la do sangue maldito dos McGreggor.”
O maldito sangue dos McGreggor. Estranhamente Allan também falara assim de sua própria família. Será que tanto ele quanto Dorothea acreditavam que os filhos do duque tinham sua tendência de violentar mulheres?
Mas Ian não podia ser assim. Ela não aceitava isso! Por mais que o próprio filho que carregava agora não fosse fruto de uma noite de amor e sim de uma desmoralização, Mairi tinha consciência que... Consciência de que? Podia Ian ser como o pai? Uma sina? Será que o futuro lhe reservava mais momentos de horror? E o filho? Ficaria amarga como Dorothea tentando proteger alguma jovem que no futuro seu filho desejasse?
-Mairi...
Ela olhou para a porta aberta e viu Allan escorado na madeira.
-Não o vi chegando – ela sorriu, tentando evitar que ele percebesse o que seus pensamentos continham.
Mas foi em vão.
-O que houve? Está tão sombria.
-Não foi nada... vamos tomar chá?
Ele ficou sério.
-Iremos somente depois de você me dizer o que sente.
-Mas não é nada...
Ela tentava desconversar, mas Allan não parecia aceitar o fato. De repente o olhar dele ficou frio e com a voz alterada ele perguntou:
-Agora será assim?
Não entendendo a pergunta, ela aproximou-se do amigo loiro. Viu que havia mágoa em seus olhos.
-Assim o que, Allan?
Ele suspirou, mas não a respondeu. Deu-lhe as costas e saiu pelo corredor. Assustada por nunca tê-lo visto daquela forma, ela praticamente correu atrás do advogado. O alcançou próximo a escada.
-Allan, por favor, me diga o que aconteceu – ela parecia desesperada e tentou segura-lo pelo braço.
Mas ele puxou o braço e a deixou boquiaberta.
-Não aconteceu nada.
-Como não? Você esta tão zangado comigo e não me diz o motivo!
Ele passou as mãos pelo cabelo loiro e respirou fundo.
-O que importa o motivo? Agora você tem uma nova vida e seus próprios segredos. Não há mais espaço para mim!
Então, na própria voz, Allan reconheceu o ciúme. Envergonhado, ele baixou a fronte e foi-lhe pedir desculpas, mas ela se adiantou.
-Amo você mais que minha própria vida Allan. Não existem segredos entre nós e nunca existirá. Por favor, não fale assim comigo.
Deixando uma lágrima escapar dos olhos, Mairi olhou para o chão. O homem a sua frente recriminava-se pela cena. Droga! Estava enlouquecendo. Talvez Perpetua tivesse razão. Ele devia ir embora, mas sozinho! Nunca levantara a voz com Mairi e agora fizera isso com naturalidade.
-Desculpe minha querida – disse abraçando-a – não quero brigar com você.
Beijando-lhe o topo da cabeça, ele a manteve segura por alguns momentos. Estranhamente a sensação que teve com aquele carinho lhe pareceu familiar. As brigas que tinha com Ian quando eles eram mais jovens lhe veio a mente. Ele costumava abraçar o mais novo da mesma forma. Estava começando a gostar de Mairi como gostava de Ian?
-Por que parecia triste no quarto? – ele perguntou novamente.
-Lady Dorothea me falou de sua mãe. Da maneira como seu pai a violentou. E eu comecei a pensar... talvez Ian tenha as mesmas tendências...
Afastando Mairi pelos ombros, Allan a encarou.
-Escute Mairi, não se deixe enganar por este tipo de coisa. Eu e Ian temos o mesmo pai e, no entanto nunca me passou pela cabeça violentar mulher nenhuma. Não se sente segura comigo?
-Sim, mas Ian...
-Ian estava transtornado. Ele pensava que você já tivesse tido amantes. Sentiu-se desprezado como homem, mas meu irmão nunca faria isso com uma mulher se não fosse pelas circunstâncias. Dou-lhe minha palavra que Ian nunca mais agira assim.
-Como pode garantir?
-Conheço Ian.
Ela fez um gesto afirmativo com a cabeça. Se Allan conhecia Ian, ela conhecia Allan o suficiente para acreditar na palavra dele.
Desceram as escadas e foram até a sala. Lá Jane serviu o chá.
-Como vai Lady Dorothea? – Allan assuntou.
Mairi tomou um gole do chá quente e sorriu.
-Vai bem. De manhã fomos ao jardim aproveitar o sol. Agora ela esta dormindo. Os remédios que o doutor Brian lhe dá são muito fortes.
Jane, que após servir o chá, ficou em um lado da sala observando os patrões, encarou Allan de uma forma sedutora. Ele pigarreou e olhou Mairi.
A amiga não poderia socorre-lo, pois se a empregada achasse que eram amantes, seria um escândalo sem igual. E ele nunca exporia Mairi a isso. Mas mesmo assim, precisava de um cúmplice para se livrar da mulher. Não que não estivesse louco para se deitar com a jovem de seios grandes que o olhava como se o devorasse, mas sabia que meninas como aquela esperavam mais de homens como ele.
Todas as mulheres com quem ele tivera um caso eram experientes e prontas para decepções. Mas Jane era alguém do povo, que ainda acreditava em príncipes encantados. Para que destruir a chance dela conseguir um bom marido, mesmo pobre, a iludindo com sentimentos que ele nunca poderia lhe corresponder?
-Você quer andar pelo jardim? – perguntou à grávida a sua frente.
-Já estive no jardim a manhã toda. E está esfriando. Onde está Ian?
Mairi enrubesceu ao perceber qual fora sua última frase. Estava pensando em Ian com uma freqüência constrangedora e relacionar o fato de o vento ter mudado de direção e a temperatura ter caído tanto, logo se preocupou com sua saúde.
Mas para sua sorte, Allan nem parecia ter notado. Ele virava-se na cadeira como se algo o incomodasse e apenas resmungou:
-Esta na cidade. Foi conversar sobre a compra de alguns cavalos.
Ela olhou para a janela e sentiu uma louca vontade de estar perto do marido num dia como aquele. Será que os homens também pensavam assim? Também se sentiam inquietos com o frio e loucos para ir embaixo de uma coberta com uma mulher?
E se o marido estivesse bem quente naquele dia? Ele bem podia dizer que estava indo trabalhar, mas podia ter alguma amante! Mesmo em Ivanhoé onde o amor era idealizado por Scott, o protagonista se envolvia com Rebecca, uma bela judia. No final do livro, ele ficava com Rowenna... mas...
“Chega Mairi”, ordenou a si mesma em pensamento.
Era só o que faltava! Ciúmes de Ian depois de tudo o que aconteceu. Se ele estivesse ido para a cidade atrás de mulher, que fizesse bom proveito!
Mas quando o viu entrando na sala imediatamente após seus pensamentos irem a uma direção perigosa, ela quase pulou de alegria. Sorriu para ele, que arqueou as sobrancelhas e perguntou:
-Alguma boa noticia?
-Não – responderam Allan e Mairi ao mesmo tempo.
Ian quase riu e retirou o grosso casaco que já continha pedaços de neve.
-Como foi com os criadores dos cavalos? –ela perguntou.
Se ele estranhou o súbito interesse dela por assuntos como os eqüinos que estava adquirindo, nada disse. Sorrindo como uma criança de brinquedo novo, ele respondeu:
-Maravilhoso. Comprei alguns “puro sangue” e uma égua árabe marrom para você. Lógico que só a montara após o nascimento de Ian.
-Cruzes – gracejou Allan – vão chamar o bebê de Ian McGreggor Neto?
Mairi não sabia que Ian já havia definido o nome do seu filho, mas não achou nada mal o nome escolhido. Afinal, ela o amava.
-Você não acha um belo nome? – perguntou Ian
-Tenho pena da criança – respondeu Allan.
Allan riu, mas o riso era nervoso e forçado. Mairi não pareceu notar, mas Ian automaticamente soube que algo estava errado com o amigo.
Após algum tempo na sala fazendo companhia aos dois, ele percebeu o porque do estado do advogado. Os olhos de Allan iam a direção a jovem empregada Jane, mas logo se desviavam. O moreno observava a cena atentamente e percebeu que a mulher estava jogando charme para Allan. Tudo ali na sua sala e na presença de sua esposa. Claro que Mairi não conhecia estes artifícios e não notara nada, mas ele não era tão tolo.
-Allan, gostaria de ir até o estábulo comigo?
A pergunta era tão idiota que Ian quase riu do absurdo. Em uma situação normal, Allan o mandaria pro inferno, pois jamais sairia da sala aquecida para ir até o estábulo frio ver cavalos. Mas o outro entendeu a pergunta e saltou da cadeira.
-Vamos já!
Mairi não pareceu notar nada de diferente na atração dos homens pelos animais e resolveu ir até a biblioteca ler. Mas Ian e Allan, após cruzarem a porta de saída, gargalharam.
-Por que esta se fazendo de difícil? – perguntou Ian de repente.
-A moça é muito bonita, mas não tenho nenhuma intenção séria. Nunca abusei da boa vontade das pessoas.
-E se ela quer ter sua boa vontade abusada?
Allan não respondeu. Chegando até a estrebaria, Ian lhe mostrou a égua que comprou para Mairi. O empregado responsável pelos animais colocava feno no cocho e quando viu o patrão, apenas acenou e saiu de perto. Os dois ficaram sozinhos.
-Alguma novidade sobre Steph Morris?
Ian estranhou a pergunta e olhou Allan. Não havia nada de anormal no amigo, mas desde que Allan abandonara sua causa, não fazia perguntas sobre a morte de Eleanor.
-Não. Ele sumiu.
Allan tocou o pescoço da égua que pareceu gostar do carinho.
-Já faz quase dois anos que Eleanor morreu...
-Sim, é verdade. E são dois anos que tenho uma foice no pescoço, o perigo de ser preso a qualquer momento.
-Não podem lhe prender sem provar que você é o assassino.
-Não vão provar nunca, pois não matei ninguém. Às vezes acho o mundo muito injusto. Eleanor morreu e nem pode ser vingada sua morte. Não houve justiça
-Não acredito mais em justiça... – Allan retorquiu.
Ian iria começar um discurso tentando mudar a opinião do loiro, mas foi interrompido pela voz de Perpetua o chamando.
-Estou aqui – ele disse alto.
A mulher apareceu na entrada da baia, bufando de ódio.
-Lord Ian, por favor, coloque freios em sua mulher!
Ian ficou tão admirado com o linguajar de Perpetua que por algum momento ficou sem fala. Foi Allan que respondeu.
-Como se atreve a falar assim de sua Senhora, esposa de seu Lord?
A governanta simplesmente ignorou o loiro e continuou com os olhos fixos em Ian.
-Deixei Mairi na biblioteca. O que ela poderia fazer lá que possa irrita-la tanto, senhora Perpetua?
-Na biblioteca, nada! Acontece que logo após ela saiu de lá e agora esta querendo invadir o quarto da finada Eleanor. Diz que quer liberar o quarto para futuros convidados e retirar as antigas roupas da falecida para dar a caridade.
Como Mairi poderia causar tanto reboliço em tão poucos minutos? Suspirando Ian olhou Allan e vendo o outro segurando o riso, virou-se em direção a casa e preparou-se. Iria encarar a fera! Mas antes precisava deixar umas coisas claras a governanta.
-Senhora, esta casa é a casa de Mairi e se ela quer colocar fogo, ela tem liberdade. O quarto que Eleanor ocupava não é nenhum templo sagrado e se minha esposa acha melhor o liberar ela tem autoridade para isso.
-Mas a policia...
-A policia já o liberou. Não a nada lá que possa ajudar nas investigações. A senhora lhe deu as chaves?
Perpetua engoliu em seco a raiva e tentou não reagir. Estava difícil...
-Ela praticamente as tomou de minhas mãos.
-Então Mairi fez muito bem. Agora com licença que verei se minha esposa precisa de algo.
Saindo do local, Ian caminhou em passos firmes em direção ao castelo. Allan lhe acompanhava em silêncio, mas ele sabia que o loiro estava rindo as suas custas. Mairi não era o tipo de mulher que vivia no ócio e ela faria questão de sempre estar ocupada com algo. Lhe daria um trabalho enorme.
“Se pelo menos fossemos um casal comum, eu a manteria ocupada na cama”, ele pensou com um sorriso triste.
Entrando dentro da casa, ele foi em direção aos quartos. Rapidamente se encontrava a frente do quarto de Eleanor e quase riu com a cena que encontrou. A porta aberta lhe dava uma visão de Mairi, em frente ao roupeiro, atirando todas as roupas da falecida no chão e Jane, a empregada que a acompanhava completamente petrificada num canto, como se estivesse morta de medo.
-Mairi! O que a senhora pensa que esta fazendo?
Apesar de a pergunta parecer séria, quando Mairi o encarou, notou que Ian sorria. Mesmo contra a vontade, ela retribuiu o sorriso.
-Os empregados têm medo deste quarto. Então pensei que seria bom o arrumar e deixar claro que não há fantasmas aqui.
-Mas e se realmente a falecida estiver aqui? – perguntou Jane esfregando uma das mãos na outra.
-Não seja boba! – Mairi a cortou – O corpo de Eleanor já foi enterrado faz muito tempo.
-Corpo sim... mas o espírito dela pode estar por aqui...
-Fantasmas não existem! – ela disse pegando um dos vestidos de Eleanor e dobrando.
-Cética como sempre, Mairi – falou Allan que até então se mantinha quieto. – e se a sua jovem serva tiver razão. Quem lhe garante que fantasmas não existem?
-Meu cérebro, minha crença e meu coração. Eleanor descansa o sono dos mortos. Não devemos teme-la e sim a pessoa que a matou.
Ian concordou com a cabeça. Ele e Mairi pensavam da mesma forma. Allan também pensava assim, apesar de nunca assumir publicamente. Afinal, era muito mais divertido contar historias de terror para a criadagem do que falar a verdade.
-Bom, concordo com você em organizar este quarto. Mas tem que ser você a fazer este trabalho? Está grávida Mairi! – ele disse apontando a barriga.
Ela abriu a boca chocada
-Se você não me avisasse, eu nunca saberia. Como este bebê veio parar aí em baixo?
Allan gargalhou e Ian ficou sério. Ele sabia muito bem como ela engravidara. Mas a frase da jovem deixava claro que ela não queria interrupções. Curvando a fronte, ele saiu do aposento zangado. Allan arqueou as sobrancelhas e o seguiu. Seria uma longa semana...
Continua...
Nota da Autora:
Amados^^
Antes de mais nada quero agradecer o carinho com que sempre visam minha fanfic^^ A REE é minha fanfic favorita graças a cada um de vocês que lê, comenta e me anima a sempre continuar a escrever^^ São a razão do meu animo^^
Bom..to escrevendo essa nota também, porque após algumas tentativas frustradas, consegui delicadamente convencer uma das minhas escritoras favoritas a entrar no animes spirits. E a postar seu melhor trabalho aqui. Como sei que gostam de bons fanfics, eu precisava fazer esta propaganda básica:
Escrito pela Tsuru-chan, vale a pena cada palavra escrita. Vão se apaixonar, como eu me apaixonei^^
Dica dada, vamos a historia^^
Guardians
Mil bjkas^^