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[Original] A Rosa entre Espinhos

Capitulo XVII


Autor: ~JosianeVeiga

Categoria: Misc/Originais

Gênero:

Tags: amor, paixão, assassinato, terror, fantasmas, sexo, policia, castelo, monarquia

Personagens: Mairi, Ian, Allan

Classificação: 18+

Adicionado em: 31/03/08

Comentários/Favoritos 14/10

Caracteres: 24.732

Exibições: 263

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Nota: Nota: 5 

 


A Rosa entre Espinhos

Capitulo XVI

Por Josiane Veiga


-Faça alguma coisa! – ordenou Ian sério.

Allan cortou uma fruta qualquer no prato, como se estivesse brincando, e após algum tempo, que mais parecia uma eternidade para Ian, ele retrucou:

-Se você supõe que eu tenho a capacidade de ordenar algo a sua esposa, lamento lhe informar, mas o contrario acontece. Mairi tem um prazer impressionante em me contrariar.

Ian observou a cadeira vazia, posta à frente da mesa do café da manhã onde Mairi acabara de terminar sua alimentação. Quando ela lhe comunicou que iria cuidar da sua mãe, ele praticamente perdeu a fala. Dorothea havia sido a pessoa que a expulsou da casa, que a humilhou e Mairi se dispunha a cuidar da mulher que tanto mal lhe fizera? Ou ela era muito bondosa, ou excessivamente ingênua.

-Você não entende? Minha mãe está louca! Ela pode ser perigosa. E Mairi esta grávida!

-E?

-Como assim “e”? – Ian fez um gesto com as mãos. – achei que se preocupasse com ela. Não posso exigir nada de Mairi, mas se você for lá e lhe explicar que não é seguro tentar fazer companhia a uma mulher demente, Mairi lhe ouvirá.

-Ian, Mairi não é boba e ao contrário do que você imagina, ela sabe se cuidar.

Mas Allan não convenceu o mais novo. Ian levantou-se e foi até o final da escada. Olhou para cima. Iria enlouquecer de preocupação.

-Calma Ian... – Allan o seguiu – confie em Mairi.

-Tenho medo por ela. Minha mãe diz que vê fantasmas. Da última vez em que parei para conversar com ela, me falou que Eleanor a ordenou que me matasse.

-Por favor! –exclamou Allan irritado - Começou a acreditar em assombração depois de adulto? Tome vergonha!

-Claro que não – esnobou o moreno – mas a demência pode fazer minha mãe fazer qualquer coisa.

-Se te tranqüiliza, ficarei de ouvidos a postos. Mas não me peça para espionar, porque se Mairi perceber, ela me esgana.

Ian esboçou um pequeno sorriso.

-Não acredito no que vejo! Allan Hatton, o famoso advogado, com medo de uma mulher grávida?

-Pra você ver como é a vida.

E os dois sorriram um para o outro.

-Bom, tenho um compromisso com o pastor local. A igreja está precisando urgentemente de reformas e ele me pediu uma audiência.

-Vá tranqüilo.

Os dois se despediram e Ian saiu do castelo.

ººººººººººººº


Mairi parou no corredor e respirou fundo. Pegou as chaves de reserva que lhes foram dadas muito contrariamente por Perpetua e abriu a porta do quarto da mãe de Ian.

Sentindo-se uma boba por estar com medo, ela entrou tentando manter a calma, afinal, a visita a Dorothea não parecia tão assustadora quando fora planejada. Entretanto, para seu alivio, não foi uma prisão escura e triste que encontrou. O quarto estava limpo e as janelas abertas. Era bem iluminado e aquecido. Dorothea estava deitada na cama. Felizmente parece que ela se encontrava em um bom dia, já que tranqüilamente a bela lady lia deitada em sua cama.

-Bom dia Milady. – ela disse calmamente, tentando chamar a atenção para si.

Dorothea levantou os olhos do livro e a encarou. Mediu-a dos pés a cabeça. Percebeu que não podia se tratar de uma empregada pelas roupas que claramente a destacavam como uma Lady. Os modos também eram perfeitos e a postura altiva. Então não a expulsou como fazia com todos os demais.

-Quem é você? Não esperava visitas.

-Me chamo Mairi, Senhora. Não lembra de mim?

-Não – respondeu, jocosa – qual seu sobrenome?

De solteira, ela não tinha. Mas resolveu responder.

-Sou uma McGreggor como à senhora. Sou a esposa de Ian.

Dorothea a olhou espantada.

-Esposa? Como assim esposa?

-Nos casamos há pouco tempo.

Mairi falava tentando demonstrar segurança e paciência, algo imprescindível a uma pessoa que necessita lidar com outra doente, mas estava quase saindo correndo do quarto.

-Mas Ian não pode ter casado.

Mairi se aproximou cautelosamente do leito.

-Ele se casou comigo, senhora. E estou grávida, veja! – disse mostrando o ventre.

-Mas ele já é casado com Eleanor. –ela respondeu ainda incrédula.

Mairi suspirou

-Eleanor morreu há quase dois anos. Sou a nova esposa de Milord.

Dorothea por algum momento sentiu-se duvidosa. Mas resolveu acatar o que a outra dizia.

-Bem, você não é linda como Eleanor, mas aparenta ter mais força. Tem quadris largos, vai ser fácil ter muitos filhos.

Mairi quase riu com o elogio, ou o que parecia ser um. Duvidava que Dorothea aceitasse de tão bom coração seu casamento se soubesse que ela era a mesma empregada que a Lady expulsou do castelo anteriormente.

Ela ainda ficou no quarto um bom tempo, leu para Dorothea e ouviu suas histórias da mocidade, quando aquela mulher fria, ainda tinha sentimentos.

ººººººººººººº


Dias Depois...


-Estou começando a me parecer com um sapo gordo e nojento – esbravejou Mairi, olhando-se no espelho da sala.

-Está linda. A barriga lhe faz muito bem. Depois que ganhar seu filho...

-Filha! –ela cortou Allan.

-Que seja... filha... – aceitou ele rindo e espreguiçando-se na cadeira – depois que parir, devia comer muito, engordar bastante, que vai ficar irresistível.

Os dois estavam na sala de estar, conversando como faziam sempre após o almoço.

-Li num livro que muitos homens preferem as mulheres mais gordinhas mesmo não sendo o ideal estético.

Allan gargalhou e Mairi ficou sem entender.

-Sabe porque? – ele perguntou com os olhos brilhando.

-Não.

Ela respondeu já rindo, porque sabia que Allan tinha alguma resposta maliciosa para lhe dar.

-Elas são melhores amantes – ele esclareceu sorrindo.

-É mesmo? –ela se fingiu de enciumada – como sabe?

-O que eu não sei, minha cara? O mundo se curva a minha sabedoria – disse fazendo graça.

Mairi se abanou com o leque e riu com vontade, e mesmo quando viu Ian entrando na sala com rapidez, o sorriso não morreu em seus lábios. Que estranho! A cada dia que passava a presença dele a incomodava menos. Quase era desejável.

Já havia admitido para Allan que ainda amava o marido, mas não queria aceitar o fato. Voltando os olhos para o espelho, fingiu arrumar um cacho solto do cabelo.

-Estou indo a cidade, Mairi – ele anunciou após cumprimentar Allan com um abano – gostaria de me acompanhar?

Ela virou-se novamente em direção ao marido totalmente surpresa. Não sabia o que dizer, mas era espantoso que ele supunha que ela gostaria de passear na sua presença.

Na verdade, adoraria!

Parecia que uma eternidade havia se passado desde os dias em que caminhavam juntos pelos bosques, namoravam sem preocupações. Mas essa vida feliz havia se perdido nas curvas do passado.

Olhou para Allan e viu seu olhar lhe indicando que ela devia aceitar. Ela já havia percebido que ultimamente o loiro tentava de todas as formas aproxima-la de Ian e mostrar que ele não era um monstro. Mas Mairi podia confiar nele novamente? Sem entender o porque da mente lhe justificar a vontade de estar com Ian, ela imaginou que ele nada mais podia ter dela, já que sua virtude fora desgraçada. Além disso, a barriga lhe deixava horrenda e com certeza homem nenhum lhe acharia atraente.

“Estou protegida pela feiúra” – pensou ela divertida.

-Bom, eu gostaria muito de ir até o armazém.

-Ótimo – Ian lhe deu um sorriso arrasador. – aproveite e veja roupas para nossa filha.

“Nossa filha...” ela fraquejou. Era tão sedutor ele lhe falar aquilo e ela sentiu-se estremecer. Molhou os lábios com a língua tentando pensar em algo, mas para sua sorte, Allan cortou o silêncio:

-Será homem! – profetizou.

-Allan, você mesmo dizia que seria mulher – ela lhe retrucou sorrindo. – agora pouco concordou comigo quando eu falei que era menina.

-Não concordei. Apenas aceitei seu pensamento. Mas resolvi que devo contar a vocês o sexo da criança para que não fiquem chamando o menino de menina.

-E como você sabe que será um garoto? – indagou Ian divertido.

-Eu sonhei que era um menino. – ele disse levantando-se. – e será um belo garoto com os lindos olhos da mãe.

Naquele momento Mairi soube que esperava realmente um garoto. Estranhamente sua mente aceitou o decreto de Allan e ela nem ousou insistir.

-Que seja. Será amado de qualquer forma – disse Ian estendendo a mão para ela. – vamos?

-Vou pegar meu casaco – e virando-se para Allan perguntou – E você, vem conosco?

-Ora, é claro que não! Vou aproveitar e ver se arrumo alguma empregada bonitinha de namorada. Quem sabe não encontro outra Mairi.

Os três riram na hora, mas a conversa findou-se com a saída do casal, que logo se pôs a caminho do condado.

ººººººººººººº


-Você está louco, Morris! – esbravejou o juiz Benson. – nunca vai conseguir provar que alguém respeitado como ele é o assassino.

-Ian McGreggor é inocente! O assassino é esta pessoa que eu lhe disse. Mesmo que eu não consiga provas agora, vou lutar para comprovar que este mau elemento é a pessoa responsável pela morte da Senhora Eleanor.

Levantando-se da cadeira, Morris andou pelo imponente escritório do Juiz Mathew Benson, observando o estilo vitoriano do recinto. Ajeitando o sobretudo, ele encarou o magistrado.

-Este homem é um psicopata. Tenho medo pela nova esposa do duque de York. Lembro-me até hoje da maneira que sua falecida noiva foi morta, estirada na calçada.

-Ian McGreggor casou-se? – espantou-se o juiz.

-Sim. Na verdade ele nunca guardou luto, pois o antigo casamento não chegou a ser consumado. A nova esposa é uma jovem muito bem apessoada e inteligente. Tive o prazer de conhece-la pessoalmente na minha ultima visita ao castelo. E esta grávida!

-Grávida?

-Deve estar com uns três ou quatro meses agora.

-Mas quando ele casou-se?

-Não sei bem. Mas imagino que a jovem já estivesse grávida, pois as datas não fecham.

-Que horror! – disse Benson admirado, mas malicioso, contrariando suas palavras – os jovens de hoje não perdem tempo!

-Seja como for, temo pela nova mulher de McGreggor, pois claramente ele não tem idéia dos perigos que ela corre.

Voltando-se a sentar, Steph encarou o homem mais velho com avidez:

-Preciso de um mandado de busca no castelo e principalmente, preciso de autorização para remexer em alguns arquivos em determinados locais.

-Acha que conseguirá provas com esses dados?

-Creio que sim!

-Vou conseguir os documentos que você precisa Morris, e lhe desejo muita boa sorte.

-Vou precisar, caro amigo... vou precisar...

ººººººººººººº


Mairi pousou a mão no braço de Ian e com ele, percorreu alguns trechos do centro do condado, sorrindo. Quem olhasse ao longe, acharia que eram dois jovens apaixonados, felizes com a gravidez do primeiro filho. Mas não era bem assim. Ela o amava. Não mais escondia este fato de si mesma, mas temia que ele soubesse. Não sabia se poderia voltar a ser mulher algum dia. Uma esposa normal, que deseja o marido e tem prazer em o ter no leito à noite.

Ian também lhe tinha sentimentos caros. Mairi era tudo que ele sempre sonhou numa mulher e casou-se com ela sem se preocupar com um sobrenome ou dote. Mesmo a desculpa de reparar o mal que lhe fizera, era apenas isso: uma desculpa. Casou-se por amor. Casou-se na ânsia de tê-la por perto, mesmo que nunca mais pudesse toca-la. E o filho era sim a concretização do sonho dos dois. De formas diferentes, mas mesmo assim muito aguardado.

Mairi sempre quis uma família. Crescera sozinha e não tivera a amizade de ninguém. Agora tinha Ian, mas mesmo assim, não se sentia tranqüila em relação a ele. E Allan, um dia se casaria e lhe deixaria. Mas o filho estaria sempre lá. Talvez até lhe desse netos. Já Ian teria na criança um herdeiro que teria seu sangue e seria a prova viva de que pelo menos fizera algo de bom na vida.

-Você gostaria de comer algo? – ele lhe perguntou.

Ela viu que pararam em frente a uma casa de chá e não resistiu.

-Sim, gostaria muito de um chá e um pedaço de bolo.

Ele lhe sorriu e a encaminhou ao local. Foram atendidos e comeram em silêncio. Após terminarem, Ian puxou assunto:

-Permita-me satisfazer a curiosidade. Por que esta cuidando de minha mãe?

-Lady Dorothea aceitou acolher-me quando bebê em sua casa e permitiu que Perpetua me criasse lá.

-Você trabalhou – ele justificou a estranha bondade da mãe.

-Realmente. Mas também vivi lá durante a infância e quando bebê não podia trabalhar.

Tomando um gole de chá, Ian comentou:

-Você é estranha Mairi. Estende a mão a uma mulher que lhe fizera tanto mal.

-Ela só tentou defender seus interesses. Sejamos francos. Você é um Lord e eu uma empregada.

-Mas eu te amo.

A confissão dele a pegou desprevenida e ela quase tossiu com a boca cheia de bolo. Seria uma vergonha, mas conseguiu se conter. Quando o observou novamente notou que os olhos negros de Ian pareciam se divertir com a pose dela.

-Não devia ter trancado sua mãe no quarto.

-Ela é perigosa. Diz que Eleanor lhe ordena assassinar pessoas.

-Já faz uma semana que estou cuidando dela e ela me parece muito bem. – ela disse – aliais, ela só comenta de um certo duque de HerShire.

-Fui vê-la esta manhã e ela me disse que desde que você passou a ter com ela, Eleanor sumiu. Ela acha que a falecida foi embora por sua causa e lhe é grata por isso. Sobre o duque, ele foi amante de minha mãe por muitos anos, mas a abandonou assim que surgiu a primeira ruga. – disse frio.

Mairi achou de bom tom não falar mais sobre este assunto. Mas apenas completou:

-Ela não sabe quem sou, Ian.

-Notei.

Pousando a xícara na mesa, Mairi olhou para fora.

-Vamos? Quero fazer as compras logo, pois pretendo voltar a tempo de ler para sua mãe.

-Claro - ele disse erguendo-se. – Importa-se de eu deixar você na costureira e ir conversar com alguns comerciantes?

-Não – ela respondeu sorrindo.

Após deixar Mairi na bela loja de confecções, Ian saiu em direção ao armazém local para conversar sobre os preços que estavam sendo cobrados pelos mantimentos que os seus fazendeiros precisavam. Mas não conseguiu chegar até o local. Na direção oposta a sua, Benjamin, o antigo amante de Eleanor vinha caminhando tranqüilamente.

Ian parou em sua frente e o esperou. Quando Benjamin o notou, já era tarde demais e não conseguiu cruzar a rua.

-Posso falar com você? – Ian perguntou.

O outro o encarou, num misto de susto e medo.

-Claro, Milord.

De repente Ian sentiu algo estranho. Os olhos de Benjamin eram iguais aos de alguém que ele conhecia. E a boca também. Tentou puxar na memória, mas nada veio.

-Soube que você emprestou dinheiro a minha esposa para que ela fosse embora de York.

Benjamin começou a gaguejar.

-Esposa? – ele perguntou, mas não parecia surpreso.

-Estou casado com Mairi. –esclareceu - Sei que foram amigos e que você lhe deu dinheiro. Não negue, por favor, porque não quero nada a não ser lhe devolver as libras dadas a ela.

Benjamin parecia aliviado. Ian McGreggor era grande, maior que ele. E olhe que Benjamin era bem alto! Os dois deviam ter praticamente a mesma idade e Ben o mediu com os olhos escuros. Se Ian soubesse o que ele sabia... Qual seria sua reação?

-Dei o dinheiro a ela sem nenhuma pretensão a não ser ajudar. Não pensei que fossem me devolver e com sinceridade, nem lembro quanto foi.

-Tome – Ian tirou do bolso um punhado de notas que devia ser no mínimo três vezes o que Benjamin gastara pela passagem de Mairi.

Não se fazendo de rogado o outro as pegou e rapidamente as colocou no bolso. Teria uma noite e tanto no prostíbulo!

Tocando a aba do chapéu, Benjamin foi se afastando.

-Espere – disse Ian.

-Sim?

-Peço que avise as pessoas para as quais contou que ajudou minha esposa, que eu lhe reembolsei. Não quero que pensem que você deu o dinheiro a Mairi. Uma questão de orgulho masculino – disse Ian sorrindo.

-Entendo Milord, mas não falei a ninguém.

E se foi.

Ian permaneceu na calçada, boquiaberto.

“-Pelo que eu soube Milord, ela foi atrás de emprego em York. Mas o senhor sabe que York não é uma cidade muito grande. Ela não achou nada. Mas encontrou Ben...”

Fazia mais de um ano, mas ele ainda se lembrava com perfeição a conversa com Perpetua. Voltara de Londres e fora à procura de Mairi. Como não a encontrou, foi até a governanta sanar a duvida.

“-Ben pagou uma passagem para que Mairi fosse procurar trabalho em Londres.”

Mas como Perpetua poderia saber disso se Benjamin não contou nada a ninguém?

Algo fede nesta história! Muitas coisas estão mal explicadas! A reação de Benjamin quando lhe falara que estava casado foi tão forçada, digna de um mau ator. O jovem que conquistara Eleanor claramente demonstrava que sabia do casamento. Bom, a união não era nenhum segredo, mas era a primeira vez que ele e Mairi saiam de casa juntos... Como ele poderia saber de tudo?

Percebendo que se atrasava para falar com os comerciantes, ele voltou a caminhar, mas não esqueceria essa historia tão cedo.

No final daquela tarde, Mairi e Ian voltaram ao coche. Ela estava particularmente feliz porque pegara pela primeira vez roupas de bebês nas mãos. Eram tão pequenas e graciosas. Mal podia esperar para ter o filho nos braços. Seria sua vida, sua força...

-Você tinha que ter visto! Tão delicadas, de algodão puro e todas azuis. Ian, esta me ouvindo?

Ele a olhou. O cotovelo apoiado na janela da carruagem e uma das mãos no queixo.

-Sim, meu amor, continue.

Meu amor? Se ele começasse a essas demonstrações de carinho, não poderia haver amizade entre eles. Mairi já estava disposta a perdoa-lo pela maneira como ele a tratara anteriormente, mas não conseguiria o ter como um irmão se ele tentasse seduzi-la.

Os céus sabiam que quando ele lhe tratava assim, seu coração saltava e as mãos tremiam. Enfim, não era culpa dela.

-Bom... –ela fingiu ignorar a forma como ele a chamou – as roupas eram lindas. Você devia ter visto.

-Dá próxima vez que viermos à cidade, eu prometo que a acompanharei.

Ian estava estranho, quieto demais. Mairi sentia que algo esta diferente com ele. Mas resolveu não questiona-lo, pois não tinha liberdade para tamanha intimidade. Olhou para fora esperando que logo chegasse ao castelo.

-Mairi... –ele a chamou.

Virando os olhos claros em direção a ele, Mairi cruzou as mãos sobre o colo, tentando aparentar calma.

-Você conhece Benjamin há muito tempo?

A pergunta a surpreendeu. Estaria ele novamente desconfiando dela?

-Ele entregava verduras no castelo. É filho do dono da fruteira. É trabalhador, Ian, mas muito esbanjador e irresponsável. Ficamos conhecidos durante as visitas dele, mas pouco conversávamos, pois eu sempre tinha trabalho a fazer.

-Você gostava dele?

-Sim – a resposta foi totalmente sincera – mas era um amor tolo de mocinha. Ele tinha olhos apenas para Lady Eleanor.

Ian sentiu-se estufar de satisfação.

-Você acha que ele amava Eleanor?

-Não sei responder.

-E Perpetua? Os dois se conheciam? Eram amigos?

Perpetua? Seria um enorme absurdo que Ian achasse que a governanta e aquele rapaz eram amantes, então Mairi não guiou os pensamentos para este lado. Provavelmente Ian pensasse outra coisa.

-Mal se falavam. Por quê? – ela não resistiu a curiosidade.

-Por nada, querida. Esqueça...

Fizeram em silêncio mortal o restante do trajeto.

ººººººººººººº


Jane! Este era o nome da empregada que havia se apaixonado por Allan. E ele já começava a achar que esta história perdera a graça.

Não que Allan Hatton fosse homem de recusar uma mulher, mas a jovem, por mais atraente que fosse, tinha seios enormes e era baixa demais. O oposto de Mairi...

-Allan Hatton! Seu idiota! Esqueça esta mulher! Deve ama-la como ama Ian! –disse para si mesmo enquanto cruzava o corredor.

Estava fugindo de Jane que, ansiosa, o perseguia pela casa, louca para cerca-lo de mimos e fazer-lhe à vontade. Logicamente ela aguardava o convite para visitar o quarto dele em uma noite qualquer. Era um desperdício, mas ela esperaria sentada. Allan não tinha animo nenhum para sexo. O pensamento estava centrado no casal que fazia parte da sua vida.

Quando Ian convidou Mairi para passear logo depois do almoço, ele sentiu uma onda forte de ciúme, mas a reprimiu. Ian e Mairi eram casados. Sua melhor amiga e seu irmão! Devia respeitar aquele enlace e ajudá-los a se entender. Ian amaria Mairi para sempre e ela lhe retribuiria os sentimentos.

E quanto a ele? O que importava!

Entrou no próprio quarto, pronto para pegar algum livro e passar a tarde lendo, mas se surpreendeu com Perpetua em pé, no centro, como se o aguardasse:

-O que faz aqui? – perguntou ele, de repente irritado por vê-la lá.

-Pegue Mairi e vá embora!

O que? Aquela mulher devia ser uma louca.

-Vou lembra-la que Mairi é casada com Ian. Como se atreve a entrar no meu quarto sem minha permissão e dizer tamanha barbaridade?

-Mairi é casada, mas o casamento é uma fraude. E você a deseja. É claro que ela espera uma criança, mas você me parece apaixonado. Não acho que será grande problema criar um filho que não é seu. Ou se preferir, sempre a algum meio de se desfazer de uma criança.

Allan se segurou para não avançar contra ela. Perpetua não sabia, mas só não recebia um soco agora porque era mulher e o advogado nunca fizera nenhuma agressão contra alguém do sexo feminino. Mas que ele tremia de vontade, ah isso tremia! Como ela se atrevia em pensar que ele pudesse fazer mal ao seu próprio sobrinho?

-Saía já daqui! E fique contente que eu não conte nada a Ian. Só não farei isso porque tenho pena da senhora. Uma mulher já velha, sem família, não teria para onde ir. Mas use esta ocasião como base para nunca mais se meter na vida dos patrões.

Perpetua não se ofendeu com a reação do loiro. Sabia que essa seria a atitude que ele tomaria, mas a semente havia sido plantada e fora exatamente por isso que ela viera conversar com ele.

Saindo do quarto com a cabeça erguida, a orgulhosa governanta sorriu.

Continua...


Capítulos de [Original] A Rosa entre Espinhos

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[24/12/07] Capitulo III

[30/12/07] Capitulo IV

[07/01/08] Capitulo V

[14/01/08] Capitulo VI

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[28/04/08] Capitulo XXI

[05/05/08] Capítulo XXII

[10/05/08] Capítulo XXIII

[16/05/08] Capítulo XXIV

[26/05/08] Capítulo XXV

[03/06/08] Capítulo XXVI

[10/06/08] Capítulo XXVII

[18/06/08] Capítulo XXVIII - Final


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