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[Fruits Basket] Automn Wind - Fruit Basket

fic one-shot


Autor: ~Jubaloba

Categoria: Animes/Fruits Basket

Gênero: Shonen-Ai

Tags: Fruit, Basket, Yuki, Sohma, Hatsuharu, Haru, Souma, Shounen-ai.

Personagens: Yuki, Akito, Kureno, Hatsuharu, Isuzu, Hatori, Kagura

Classificação: 16+

Adicionado em: 10/03/08

Comentários/Favoritos 3/0

Caracteres: 20.216

Exibições: 106

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Nota: Nota: 5 

 


AUTUMN WIND

O vento de outono castigava as copas das árvores naquela noite, e o frio dizia que o inverno estava pra chegar:
“Esse ano está mais frio que no ano passado....”
Pensou Yuki Sohma olhando o jardim através das jaulas que o mantinham preso naquela sala escura e fria, se agachou tremendo por estar apenas vestindo um quimono e tossiu de leve:
-Eu já deveria estar acostumado em ficar preso nessa sala....só não entendo o por que mereci tal punição....-
Disse Yuki se lembrando do que tinha acontecido há 4 dias atrás.

Era uma tarde fria e nublada. Quando Yuki estava estudando em seu quarto percebeu que o patriarca do seu clã, Akito Sohma, estava passando pelo corredor apressado. Curioso, ele seguiu seu mestre escondido, para averiguar o que teria acontecido. Akito entrou em seu quarto, pegou alguma coisa do seu armário e passou a sussurrar para o objeto e trata-lo como se fosse algo extremamente importante, Yuki observava tudo silenciosamente pela fresta da porta.
Mais tarde naquele jantar, o rato estava morrendo de curiosidade de saber o que era aquilo que Akito tanto guardava. Seria apenas um objeto de valor pessoal? Ou algo tão poderoso que pudesse até curá-lo de sua maldição?
-Akito....posso lhe perguntar uma coisa?-
Perguntou o garoto com a voz fraca:
-Pode perguntar o que quiser-
Disse o patriarca calmamente. Yuki olhou para os lados apreensivo, hesitando em fazer aquela pergunta:
-Eu queria saber...O que você tanto guarda naquela caixa?
Passou 15 segundos de silêncio em que Akito se encontrava paralisado. Logo depois o poderoso patriarca do clã Sohma, aquele que nasceu com o espírito de Deus, se levantou bruscamente com uma expressão de ódio estampada em seu rosto:
-QUEM É VOCÊ PARA ME ESPIONAR E SE METER EM ASSUNTOS DA MINHA VIDA? AQUILO NÃO IMPORTA NEM PRA VOCÊ E NEM PRA MAIS NINGUEM!
Gritou Akito revirando a mesa e jogando objetos nas paredes, não demorou muito para chegar alguns serviçais tentando acalma-lo. Yuki se encolheu num canto da sala, amedrontado com a fúria dele.
- NÃO SE META EM ASSUNTO QUE É MEU!! ALÉM DO MAIS VOCÊ NÃO TEM NENHUMA AUTORIDADE SOBRE MIM, VOCÊ É APENAS UM BRINQUEDO PATÉTICO QUE ALGUEM ME DEU DE PRESENTE, UM OBJETO SEM NENHUM VALOR! ODIADO POR TODOS! VOCÊ É APENAS UM RATO NOJENTO E DESPRESÍVEL!
Gritou Akito sendo arrastado para fora da sala por seus criados que bateram a porta bruscamente ao passarem. Yuki ficou sozinho no canto da sala, já estava acostumado com os ataques de fúria do seu senhor, mas mesmo assim era doloroso escutar aquelas palavras terríveis, e sentir como se estivesse sendo condenado por um crime que não tivesse cometido.
Dez minutos depois o patriarca ordenou que Yuki ficasse preso por 2 semanas naquela sala escura e fria, aquela mesma sala em que o amaldiçoado pelo signo do rato fora aprisionado tantas vezes em seus 15 anos de vida.

Sua tosse se agravava a cada dia em que passava aprisionado, mal esperava passar as 2 semanas e puder finalmente sair daquele cárcere. Nesses dias, Yuki se sentia ainda mais solitário do que nunca.
“Eu daria tudo pra ter uma vida normal...sem maldições, patriarcas, punições, nem solidão...somente uma vida normal ao lado de uma família que me amasse e de amigos que me apoiassem...como eu queria não ser odiado por todos...”
Pensou Yuki sentido um calafrio percorrer o seu corpo e recomeçar a tossir, porém seus pensamentos foram interrompidos por uma pequena pedra que foi jogada através da janela por alguém no jardim.
“Isso foi uma tentativa de insulto?...ou será que alguém do lado de fora está tentando me ajudar?”
Indagou o rapaz esticando sua mão pálida e pegando a pedra, mas foi aí que ele teve uma idéia, segurou firmemente a pedra entre os dedos e cerrou os olhos torcendo para que esse seu plano maluco desse certo. Ele sabia que dentro de alguns instantes, uma empregada lhe traria uma bandeja com as sobras do jantar, se sentou perto da porta corrediça, seu coração estava batendo forte...
“isso tem que dar certo....isso tem que dar certo...”
Se ouviu um “clic” e a grande porta corrediça se abriu dando passagem a uma velha empregada com uma bandeja de comida nas mãos. Sorrateiro e rápido como um rato, Yuki colocou o pedra na divisa da porta sem que a empregada notasse. Ela colocou a bandeja do lado do garoto, saiu e “pensou” ter fechado a porta, porem aconteceu tudo exatamente do jeito que Yuki planejou, pois a pedra impedia com que a porta se fechasse corretamente.
Esperou que os passos da empregada se afastassem para continuar sua fuga, saiu da sala olhando desconfiado para os lados e tomando o cuidado de retirar a pedra e fechar a porta. Saiu correndo silenciosamente pelos longos corredores da mansão, se escondendo nos cantos escuros e tomando cuidado para que ninguém o visse. Começou a perder esperança quando percebeu estar perdido, mas continuou seguindo em frente sem se preocupar com o que faria se conseguisse ser livre.
“ Se eu fugir daqui, sairei do país, sumirei desse mundo ou passarei o resto da minha vida mendigando na rua se for preciso...farei qualquer coisa...mas que seja longe daqui”
Pensou Yuki desesperado correndo pelos corredores frios e sem vida...Quando de repente, deu de cara com...
-Kureno...?-
Os olhos do misterioso galo da família Sohma se encontraram com os de Yuki, que se encheu de medo por lembrar que aquele homem tem um laço forte com Akito...
“droga...se ele abrir o bico estarei perdido...”
Yuki deu um passo pra trás, mas antes que pudesse fugir Kureno falou:
-Você não tem culpa de estar preso a ele não é? Se quer saber...eu sempre tive pena de você....não é justo ser tão jovem e ao mesmo tempo ser preso a uma pessoa que te trata como um objeto...acredite, se estou preso ao patriarca agora foi tudo por minha culpa....se é liberdade o que você quer, então vou te ajudar...-
Se virou e começou a andar:
-Siga-me...-
Disse Kureno com a voz séria. Yuki hesitou, só tinha visto aquele homem uma vez na vida, e agora de repente ele estava disposto a ajudar...mas naquela situação qualquer ajuda era bem vinda. Kureno lhe conduzia por vários corredores e salas, Yuki começou a se sentir fraco e teve vontade de tossir, mas não podia fazer barulho pra não chamar atenção de ninguém.
Finalmente chegaram a uma grande porta corrediça que dava para os jardins, Kureno não falou nada, mas seu rosto expressava um pouco de preocupação, abriu a porta em silêncio e esperou que Yuki passasse por ela antes de fechar. Era a primeira vez em meses que pisava naquele jardim, não se importou em estar descalço porque gostava de sentir a grama sob seus pés, o vento estava frio e as árvores zuniam soltando as folhas marrons e vermelhas, que caiam levemente e cobriam a relva. Yuki Tossiu de leve e sentiu seu corpo ficar fraco, cambaleou um pouco, mas não podia desistir, logo agora que estava tão perto de escapar.
Correu procurando estar sempre nos lugares escuros do jardim, para ele não era difícil enxergar na penumbra, afinal era o rato. Encontrou o buraco no muro que dava para o resto do território do clã, uma vez passara por ele quando era criança levando junto um grupo de amigos da escola.
“Essa não é uma boa hora pra lembrar disso”
Pensou ao atravessar a passagem e sair dos domínios de Akito, Há tempos não se sentia tão aliviado, se sentou procurando recuperar a energia, mas sua cabeça rodava e era cada vez mais difícil respirar:
-Não posso parar aqui, tenho que continuar-
Disse Yuki se levantando lentamente e voltando a correr. Nunca tinha se sentido tão feliz na vida, o vento batia em seu corpo enquanto as folhas pareciam dançar ao seu redor, só naquela hora percebeu que era noite de lua cheia e o Céu estava mais estrelado que nunca. Mas junto com a felicidade veio também uma pontada de preocupação, e por alguns segundos olhou para trás procurando enxergar o teto da mansão na qual acabara de escapar, foram nesses segundos de desatenção que o garoto esbarrou em uma pessoa.
“...essa não...tomara que não seja uma garota”
Pensou Yuki por um momento se lembrando de sua maldição, cerrou os olhos esperando o impacto com o chão e possivelmente se transformar em um rato...porém isso não aconteceu, ele tinha caído em cima de algum garoto...mas isso não importava naquele momento, pois ao que parecia sua fuga estava arruinada.
Ergueu a cabeça para ver quem era, e se sentiu aliviado:
-Hatsuharu...hm..me desculpe...-
Disse Yuki se levantando e arrumando seu quimono amassado. Hatsuharu Sohma( ou somente Haru ) o amaldiçoado pelo signo do boi, se pôs de pé lentamente. Estava com as mesmas roupas de estilo “Punk” de sempre, mas estava agasalhado com um cachecol e um par de luvas ridículas, porém não parecia se importar de estar engraçado, pois como sempre, seu olhar parecia estar vago e distante.
Só agora Yuki percebera que os cabelos brancos de Haru pareciam ainda mais brancos sob a luz do luar:
-O...o que está fazendo aqui?
Perguntou Yuki olhando pros lados:
-Bem....eu não lembro direito......mas ao que parece....eu estava em algum lugar, e de repente cheguei aqui.........mistérios existem.....-
Disse Hatsuharu olhando para o vazio
-Bem...posso te perguntar o mesmo?O que estava fazendo?
Perguntou Haru olhando diretamente ao primo:
-Eu.....estava......escapando da mansão.....-
Disse Yuki com a voz fraca voltando a tossir, a tontura parecia estar mais forte naquela hora, Haru não parecia ter notado a saúde critica do garoto:
-Eu vou te ajudar com isso-
Disse o boi segurando firmemente a mão fria de Yuki e o conduzindo a alguns passos adiante. O frágil rato estava confuso, um milhão de perguntas estouravam em sua mente:
-Haru...por que você está me ajudando? Será que esqueceu que eu sou o rato?
Hatsuharu parou imediatamente, cabisbaixo, soltou sua mão que segurava a de Yuki e usou-a para esconder o seu rosto....segundos depois ele se virou com uma expressão completamente enraivecida, seu olhar parecia fogo e sua postura ficou tão ameaçadora quanto a de um touro prestes a dar uma chifrada violenta.
Segurou Yuki pela gola do quimono, quase erguendo-o do chão...
-SERÁ QUE ATÉ AGORA VOCÊ NÃO PERCEBEU NADA YUKI SOHMA??? EU SEMPRE ESTIVE DISPOSTO A TE AJUDAR! DESDE QUE EU ERA PEQUENO EU ADMIRAVA VOCÊ DE LONGE.....MAS VOCÊ SÓ ENCHERGA A PRÓPRIA DOR! SERÁ QUE NUNCA PERCEBEU QUE EU SEMPRE PROCURAVA LHE VISITAR EM ÉPOCA DE FESTAS ENQUANTO FICAVA TRANCADO NAQUELA SALA??SERÁ QUE VOCÊ NUNCA SE PERGUNTOU POR QUE EU PASSEI SUBTAMENTE A NÃO TE ODIAR POR SER O RATO, AQUELE QUE FEZ O BOI DE IDIOTA??-
Yuki ouvia tudo com atenção, mas não conseguia refletir direito sobre isso porque sua tontura piorava e sua visão começou a ficar turva:
-POIS SAIBA SEU RATINHO IDIOTA, QUE EXISTEM PESSOAS QUE AINDA SE IMPORTAM COM VOCÊ! NÃO ACREDITE NAQUELE IMBECÍL DO AKITO POR QUE TUDO O QUE ELE DIZ É MENTIRA PRA DEIXAR AS PESSOAS FRACAS!! É BOM VOCÊ SABER SEU BEBEZINHO CHORÃO....QUE FUI EU QUEM JOGOU AQUELA PEDRA PRA VOCÊ, FUI EU QUEM PASSOU OS ULTIMOS 3 DIAS RODANDO A MANSÃO TENTANDO ACHAR UM MEIO DE VOCÊ ESCAPAR, E FUI EU TAMBÉM QUEM CONVENCEU KURENO A TE AJUDAR!!-
Naquele momento Yuki entendeu tudo, não foi Haru quem fez tudo aquilo, mas sim a outra personalidade dele, o agressivo BLACK HARU...Yuki tentou dizer alguma coisa, mas aconteceu com ele algo que já acontecera 3 vezes naquele semestre. Aparentemente o rapaz perdeu a consciência, mas na verdade ele apenas perdeu a capacidade de se mover devido a fragilidade de seu corpo, Yuki continuava a sentir e ouvir tudo a volta por mais que parecesse ter desmaiado.Ele sentiu seu corpo desfalecer e cair no chão, depois percebeu que o BLACK estava ajoelhado ao seu lado:
-Você sabia Yuki?....o por que eu fiz tudo aquilo por você?
Disse com um tom malicioso na voz, e se aproximou de seu ouvido:
-É por que eu te amo seu imbecil......e agora não vou perder essa oportunidade...
Sussurrou o BLACK com um olhar triunfante e um sorriso maldoso. Yuki tentou se mover e parar o seu primo, mas não conseguiu nem sequer abrir os olhos, sentiu o peso dele se debruçando sobre seu corpo e logo em seguida um beijo suave em seus lábios.
BLACK se sentia vitorioso, Yuki estava gelado, mas isso não importava por que agora o rato estava em suas mãos, frágil e indefeso. Aquele lado do Haru não tinha piedade...Tirou o cachecol e as luvas ridículas que estava usando...
“Somente aquele meu “eu” é patético o suficiente para vestir esse troço”
Pensou BLACK com desdém voltando suas atenções para Yuki, agora passava a mão lentamente sob o quimono, e assim despiu o tronco do garoto desacordado voltando a beija-lo logo depois. Yuki se sentiu completamente embaraçado, e não demorou pra ficar corado morrendo de vergonha, desejou mais que nunca que seus movimentos retornassem e conseguisse escapar dali, mas percebeu que de repente BLACK parou ao escutar barulhos de passos se aproximando. O coração de Yuki disparou ao ouvir esse som, a idéia de que alguém visse o que estava acontecendo era terrível, Yuki nem teve tempo de medir as conseqüências que estragariam sua vida pra sempre.
BLACK ergueu a cabeça e demorou um pouco para distinguir quem era a pessoa que observava no escuro jardim:
-Olá, princesa.
Disse Hatsuharu olhando firmemente a garota que estava a dois metros de distancia. Isuzu Sohma, a amaldiçoada pelo signo do cavalo, olhava chocada a cena que se passava sem acreditar no que Haru estava fazendo...Ela ficou paralisada e um silêncio caiu sobre tudo, o vento passou e os longos cabelos negros da garota se moveram do mesmo jeito que as copas das árvores a sua volta. Haru tinha um sorriso malicioso quando finalmente Yuki conseguiu abrir os olhos e enxergar quem era a testemunha...
“Essa não........logo a Isuzu....”
Pensou Yuki desesperado, lembrando naquele momento que aquela garota namorava o rapaz que estava em cima dele...Yuki ficou vermelho de vergonha, só que instantes depois, sentiu um formigamento percorrer todo o seu corpo e viu ser encoberto por uma nuvem cinza de fumaça.
“Droga....de novo não.....”
Yuki percebeu que havia se transformado num pequeno ratinho cinzento, (o que diz respeito a sua maldição) sentiu uma tontura forte e perdeu os sentidos completamente dessa vez. Isuzu tinha uma expressão perplexa, e sem dizer nenhuma palavra se virou lentamente e voltou a caminhar de volta a sua casa de cabeça baixa...Nunca imaginara que seu amado Hatsuharu pudesse fazer uma coisa dessas...
BLACK Haru se levantou cambaleando e colocando a mão no rosto, de repente ele não se lembrava de nada que aconteceu. Seu olhar voltou a ser vago e seu rosto parecia estar sereno, já tinha voltado ao normal. Olhou ao redor confuso, e se lembrou que estava tentando ajudar seu primo a escapar quando baixou os olhos para o pequeno ratinho desacordado no chão:
-Yuki....é melhor eu te levar de volta pra mansão.....você vai se encrencar se alguém descobrir que você fugiu....me desculpe...-
Disse Haru baixinho recolhendo o frágil ratinho com uma das mãos, e o protegendo do frio ao agasalhar em seu quimono, que estava outrora jogado no chão. Com o embrulho de vestes nos braços, Haru correu pela escuridão a caminho do buraco no muro que dava pro quintal daquela imensa casa. Depois de um tempo ele chegou ao lado da janela da sala que aprisionava seu primo, ficou triste ao passar o embrulho por entre as jaulas daquele cárcere....mas não tinha como fazer nada...Yuki não estava com uma boa saúde, e seria melhor ele permanecer ali até melhorar...
Alguns minutos depois, a mesma empregada que trouxera a bandeja com o jantar ao garoto, tomou um susto quando foi buscar os pratos usados de volta a cozinha. O nobre Yuki Sohma estava tão doente e fraco que acabou desmaiando e se transformando num rato, a senhora era uma das poucas pessoas da casa que conhecia o segredo do clã e sabia muito bem o que fazer nessa situação. Levou o pequeno roedor para uma sala mais aquecida ao lado e o colocou gentilmente na cama, depois ligou para Hatori pedindo que desse cuidados médicos ao enfermo.
Hatori veio depressa de sua casa que não ficava muito longe dali, ao chegar Yuki já tinha voltado a sua forma humana e estava com suas vestes. Hatori, o amaldiçoado pelo signo do dragão examinou-o rapidamente, estava muito preocupado com a saúde do garoto, fazia tempo que não chegava num estado tão grave...No final da consulta Yuki falou sem ter força nem para abrir os olhos:
-Hatori.....posso lhe pedir um favor.....?
O médico achou estranho o pedido de Yuki, nunca achou que ele pedisse um favor depois de tanta dor que lhe causou no passado....mas aquele ocorrido não tinha sido culpa sua, afinal estava apenas seguindo as ordens de Akito...porém desde que fez aquilo, pensou que nunca mais teria a confiança do rato de volta...
“Essa é minha chance de me redimir...farei o que Yuki me ordenou para recuperar sua confiança”
Pensou Hatori no dia seguinte, caminhando em direção a casa de Kagura, onde a Isuzu esteve morando desde ter sido expulsa de sua própria casa pelos seus pais. Kagura e seus pais estavam preocupados com a hospede, que desde a noite passada se trancou em seu quarto e não falou com mais ninguém.
Hatori teve um pouco de dificuldades de falar com a rebelde garota. Após ter se acalmado Isuzu escutou Hatori com atenção e concordou com sua proposta, afinal, memórias ruins não merecem existir...Hatori não soube o que Isuzu tinha testemunhado de tão chocante, mas achou melhor não perguntar e tomou conta de todos os procedimentos.
Hatori, o dragão da família Sohma, além de ser um médico também tinha seus truques... Tinha a habilidade de apagar ou modificar a memória das pessoas, essa técnica de hipnose é muito útil para um clã cheio de segredos sigilosos.
Foi isso que Yuki pedira pra Hatori fazer com a Isuzu, e assim foi feito. A garota já havia sofrido muito nos últimos anos, e o que quer que tenha visto de tão ruim com certeza não iria mais afeta-la.
Yuki melhorou uma semana depois e foi liberado de sua punição, mas ainda sentia como se sua alma estivesse presa...principalmente porque ainda estava naquela mansão e suas esperanças estavam se esvaindo juntamente com suas chances de escapatória. A tarde transcorria tranqüila e as árvores estavam secas e sem folhas, esperando que a neve caísse. Yuki lia um livro tentando distrair seus tristes pensamentos, quando de repente uma pedra foi jogada através da janela, desta vez tinha uma mensagem num papel presa com um barbante.
Yuki pegou a pedra, desamarrou o barbante e leu a mensagem:

Um dia ainda vou conseguir te tirar daí....
É uma promessa!

ASS: BLACK

Ao ler, Yuki fechou os olhos lentamente e se sentiu feliz pela primeira vez desde que conseguira correr pelo quintal se sentindo livre há algumas semanas atrás. Refletiu por alguns minutos ainda de olhos fechados e sentiu uma pequena luz de esperança no fundo de seu coração...Abriu os olhos e fitou o por do sol no horizonte...sua jornada rumo a liberdade estava apenas começando....



FIM.


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