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› Autor: ~ChiisanaHana
› Categoria: Animes/Saint Seiya
› Gênero:
› Tags: Mu, Aldebaran, Máscara da Morte, Aiolia, Shaka, Dohko, Milo, Camus, Shura, Afrodite, Shina, Marin, Orfeu, Lithos, Kanon, Saga, Cavaleiros de Ouro
› Personagens: Mu, Aldebaran, Máscara da Morte, Aiolia, Shaka, Dohko, Milo, Camus, Shura, Afrodite, Shina, Marin, Orfeu, Lithos, Kanon, Saga, Garan
› Classificação: 16+
› Adicionado em: 09/03/08
› Comentários/Favoritos 3/3
› Caracteres: 24.986
› Exibições: 578
Nota:
Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.
O Condomínio Olympus também é criação minha.
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Side story da fanfiction “O Casamento”
Chiisana Hana
Beta-reader: Nina Neviani
Capítulo XIV
Ginásio do Condomínio Olympus.
Marin, Aiolia e Garan acomodam em grandes travessas a comida que trouxeram do restaurante.
(Marin, colocando feijoada em uma das travessas) O que é isso?
(Aiolia)Aldebaran disse que se chama feijoada.
(Marin) Hum... Parece bom.
(Aiolia)É. Também acho.
(Lithos, que observava tudo) Parece nojento. Aquilo é um pé de porco??
(Garan) É sim.
(Lithos) Ecaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!
(Aiolia)Você nunca foi de ter frescuras!
(Marin) Agora ela é adolescente, Olia.
(Garan)Tem lingüiça no meio dessa tal de feijoada. Você pode comer, Lithos.
(Lithos)É, né?
(Aiolia) Também trouxemos outra coisa. Imaginei que alguns (apontando Afrodite) se recusariam a comer o prato exótico do Aldebaran e trouxe uma enorme porção de moussaka.
(Lithos, abraçando Aiolia) Oliaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!! Eu amo você!
(Marin, rindo) Eu também amo.
(Aiolia, abraçando as duas) Eu sei que vocês me amam, mulheres da minha vida.
(Marin) Convencido. Bom, vamos falar pro pessoal se servir.
(Aiolia) Certo. Vamos liberar o almoço antes que a galera desmaie. (em tom mais alto) Atenção, pessoal! Podem se servir!
Todos atacam a comida mais ou menos civilizadamente. A feijoada do Aldebaran faz sucesso, menos com Afrodite, que como Aiolia esperava, passa direto pelas travessas e se serve de moussaka. Na grande mesa...
(Afrodite, com cara de nojo) Camus, definitivamente não sei como você pode estar comendo isso...
(Camus) É exótico. Eu gostei. Além disso, todo mundo está comendo.
(Afrodite) Todo mundo menos eu. Troço estranho. Tem um pé de porco dentro...
(Camus)Está muito gostoso. Não sabe o que está perdendo.
(Afrodite)Nem quero saber.
(Milo) Esse negócio é muito bom, Afrodite!
(Shura) É, mas não coma tanto. É pesado.
(Milo) E daí? Depois eu durmo a tarde toda. Já entregaram minha cama nova. Aliás, que cama! Fiz questão de escolher a melhor. Vou usá-la muito! Heheheh!
(Camus)Sempre pensando naquilo...
(Milo)Já falei que você devia pensar também. Ei, na sua casa nem precisou comprar cama, né?
(Camus) Engraçadinho. Claro que sim.
(Milo) Cama vai ser um negócio que você não vai usar muito.
(Camus) Vou usar todos os dias.
(Milo) Pra dormir. Estou falando de outras coisas.
(Camus) Não é da sua conta.
(Shura) Quem vai usar menos a cama: Camus ou o Mestre?
(Milo, rindo) Nossa, disputa acirrada.
(Afrodite) Gente, o Máscara está tão sozinho lá na ponta da mesa.
(Milo)Azar o dele.
(Shura) Tomara que morra sozinho.
(Camus) O que é isso, Shura? Ele foi sacana, mas também não precisa rogar praga.
(Shura) Tá, foi mal. Mas o que ele fez comigo não tem perdão.
(Milo, rindo) É... mas foi engraçado pra caramba. Mais uma vez tenho que admitir que ele é bom.
(Shura)Já está querendo perdoar o folgado?
(Milo) Não. Só estou admitindo que ele foi genial...
(Shura) Foi genial ele fazer todo mundo achar que você comia o traveco?
(Milo)Isso não foi genial. Estou falando de você, quase pelado, sonhando que era ator. Ele foi genial quando teve a idéia de filmar e passar pra todo mundo ver.
(Shura) Idiota.
(Kanon, sentando-se à mesa) Só podia ser coisa daquele monte de músculos... que comida horrorosa.
(Saga) Eu achei boazinha. E depois, você já comeu coisa muito pior.
(Kanon) Quando eu não tinha opção. Agora eu tenho. Vou atacar o moussaka.
(Afrodite) Mais um que concorda comigo.
(Kanon) Infelizmente.
(Aiolia) Não reclamem. Essa tal de feijoada até que é boa.
(Marin) Um tanto pesada, mas boa mesmo.
(Lithos)Não sei o que vocês viram nesse troço estranho.
(Aiolia)É impressão minha, ou ela está de mau humor?
(Marin)Ela está.
Na ponta da mesa, Máscara da Morte come em silêncio, com cara de poucos amigos. Afrodite se aproxima dele.
(Afrodite)Está tão ruim assim?
(Máscara)Nada. Até que é bom.
(Afrodite)A sua cara é que não está nada boa...
(Máscara)Dormi mal...
(Afrodite) Sei... por que não pede desculpas aos rapazes e acaba com esse mal-estar entre vocês?
(Máscara)Pedir desculpas? Eu não fiz nada!
(Afrodite)Seu italiano cabeça-dura, não é melhor pedir desculpas e recuperar a amizade deles do que ficar aí com essa cara de bunda?
(Máscara)Cara de bunda tem a senhora sua mãe.
(Afrodite, rindo) Você é maluco, Emanuele. Bom, fique aí com seu mau humor.
(Máscara)Vai, vai, seu chato.
Na outra ponta da mesa...
(Aldebaran)E aí, mestre, gostou da feijoada?
(Dohko) Sim! Deliciosa! Vou até repetir. O Shaka é que parece que não está gostando muito.
(Aldebaran, ao ver o prato de Shaka com apenas arroz e salada) O que foi? Não gostou?
(Shaka) Nem provei.
(Aldebaran) Ah, prova! É uma delícia. Põe farofinha!
(Shaka) Não, obrigado.
(Aldebaran) Shaka, não é hora de dar uma de faquir. Come o moussaka, então! Aiolia trouxe porque sabia que o Afrô não ia comer a feijoada.
(Shaka) Não, obrigado. Vou comer arroz e salada.
(Aldebaran) Então tá! Você que sabe! Mas até o Mu está comendo a feijoada! Gostou?
(Mu) Muito boa! Não sei como você descobriu um restaurante da sua terra por aqui.
(Aldebaran) Na verdade, foi o Itimbira que encontrou quando foi fuçar no centro atrás de alguma brasileirinha perdida em Atenas.
(Mu) Ah, só podia ser. Esse seu criado é uma figura!
(Aldebaran)É. Mas e você quando vai achar um?
(Mu) Mestre Dohko vai procurar mais tarde. Agora não é necessário. É verdade que você arrumou uma cadelinha?
(Aldebaran, em tom dramático) Atropelei a coitada, Mu. Então, Aiolia e eu levamos a bichinha ao hospital veterinário. Ela está bem, só quebrou a patinha. Não podia deixá-la na rua de patinha quebrada, então resolvi adotá-la.
(Shaka) Hum... o primeiro animal do condomínio. Precisamos fazer uma assembléia para definir as regras, não quero esse cachorro solto por aí entrando nas casas.
(Aldebaran, tranqüilo, sem alterar a voz) Como é? Regras? Ela vai ser muito bem comportada e o primeiro aninal do condomínio é você! Um animal em extinção, loiro e chato pra caramba.
(Mu) Deba, Deba. O Shaka tem razão, é bom definirmos algumas regras.
(Aldebaran) Você está dando razão pra esse loiro?
(Dohko) Não se irrite Aldebaran. Shaka, depois veremos isso. Tenho certeza que Aldebaran cuidará muito bem da cachorrinha e que ela não vai entrar na casa de ninguém que não a queira.
(Aldebaran, erguendo as mãos) Alguém me entende!
(Dohko, rindo) Já escolheu o nome da sua cadelinha?
(Aldebaran) Já. Feijoada!
(Shaka) Isso não é o nome dessa coisa que estão comendo?
(Aldebaran) Exatamente! Ela vai se chamar Feijoada.
(Shaka)...
(Dohko)Gostei! É engraçado!
Depois do almoço todos se recolhem às suas casas, com uma sonolência irresistível, exceto os que não comeram a feijoada do Aldebaran, ou seja, Afrodite, Kanon e Lithos.
Enquanto todos dormem, Afrodite recomeça a pintura de sua casa, Kanon pinta as janelas da sua e Lithos admira seu quarto rosa, enquanto pensa em Orfeu.
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Semanas depois.
Todos acabaram de arrumar suas casas.
A casa de Mu foi pintada de azul clarinho, com portas de cor lilás, quase da cor que ele costuma usar nos cabelos. Dentro de casa, a cor clara da parede contrasta com objetos tibetanos de cores vibrantes. A sala tem apenas o sofá branco, uma mesinha de centro, a mesa de jantar alguns quadros. Na cozinha também apenas o indispensável. O quarto maior ficou para o dono da casa, o quarto seguinte para Kiki e o terceiro foi transformado num ambiente para meditar, quase um templo, com almofadas e incensário.
Na casa vizinha, de Aldebaran, uma bandeira do Brasil é exibida na fachada. No jardim, um sorridente sapo de cerâmica segura uma placa onde se lê: “Aqui mora gente feliz!” em português e em grego. Uma casinha de cachorro pintada de verde e amarelo abriga a mais nova aquisição de Aldebaran: Feijoada, a cadelinha vira-lata que ele acabara de adotar. O ambiente interno é claro, a sala tem sofás de vime com grandes almofadas brancas. Na mesinha de centro, também de vime, um vaso com copos-de-leite. Uma televisão grande divide espaço com uma outra bandeira do Brasil. A sala de jantar ganhou uma mesa retangular com tampo de vidro e cadeiras em madeira clara. Metade de uma canoa indígena faz as vezes de estante(1). Na cozinha, os eletrodomésticos básicos e uma mesa simples. No quarto de Aldebaran uma cama king size dividia espaço com um grade sofá e uma escrivaninha. O segundo quarto foi transformado em academia, mesmo tendo todos os aparelhos disponíveis no ginásio, e o terceiro ficou vazio, por enquanto.
A casa de Saga recebeu tinta verde-clara nas paredes e verde-musgo nas portas e janela. Sem ver o que o irmão fizera, Kanon comprou exatamente as mesmas tintas. Também do lado interno as casas dos dois eram parecidas: móveis modernos, claros, tapetes brancos. Por mais que tentassem se distanciar, sempre descobriam que eram inevitavelmente iguais. Na casa de Saga as poltronas da sala eram azul-esverdeado, com pequenas estampas de losangos brancos. Na de Kanon, as poltronas eram brancas com arabescos azul-esverdeado. Nos quartos principais, apenas as camas e mesinhas de cabeceira. Os outros dois quartos permaneceram fechados e sem qualquer mudança.
Máscara da Morte pintou a frente de sua casa de cinza. Portas e janelas receberam tinta preta. Depois de provar para Dohko que o esqueleto que comprara era de plástico, conseguiu permissão para pendurá-lo no hall de entrada. Dentro da casa, as paredes também ganharam cor cinza. O sofá vermelho-sangue, ficava meio coberto por uma sombria manta preta. O quarto foi mantido branco, mas a cama era sempre forrada com alguma colcha estampada com motivos fúnebres, o que deixava o quarto parecendo preparado para o Halloween.
Aiolia deixou sua casa por conta de Marin e Lithos. Elas decidiram pintar a casa em tons de amarelo-claro e salmão, exceto o quarto de Lithos, que foi pintado de rosa. A sala ganhou poltronas de cor bege, com almofadas em xadrez branco e bege. Um tapete bege e vermelho decorava a sala. O quarto de Aiolia e Marin recebeu papel de parede amarelo claro com estampas de galhos e folhas. O quarto de Lithos ganhou móveis brancos, um presente de Aldebaran.
Do outro lado da rua, a casa de de Shaka é a primeira. A pintura branca original foi mantida, apenas portas e janelas foram repintadas de bege. Duas árvores foram plantadas na frente da casa. Em alguns anos, elas cresceriam e ficariam parecidas com as árvores gêmeas da Casa de Virgem. A parte interna recebeu tinta bege. Na sala, uma estátua de Buda recebia os visitantes. Poltronas alaranjadas com estampas douradas davam à casa ares de palácio indiano. O quarto, por sua vez, tinha apenas uma cama simples, contrastando com o luxo da sala. Um dos outros quartos foi transformado em ambiente de meditação, como na casa de Mu.
Na casa de Dohko também foi mantido o tom branco das paredes, mas portas, janelas e telhas foram pintados de vermelho. Na frente, uma árvore tinha sido plantada. Dois banquinhos e um balanço foram postos no jardim. No hall de entrada dois grandes vasos de porcelana decorados com imagens de tigres e dragões recebiam os visitantes. A sala ganhou um grande quadro com gravuras de flores e moldura de bambu. O papel de parede era branco e tinha um padrão que lembrava veios de madeira. Um grande sofá de listras verdes e vermelhas fora posto na sala. No quarto dele, apenas a parede onde ficava a cabeceira da cama recebeu papel de parede marrom com estampas florais. O quarto de visitas foi especialmente reservado para Shiryu e Shunrei e decorado com cores claras. O quarto de Dohko recebeu detalhes em marrom.
Milo deixou a casa com os tons orginais: paredes brancas e portas apenas envernizadas. Com a ajuda de Afrodite, ele escolhera móveis claros e sem muitos detalhes. Só se preocupou em comprar uma cama grande e resistente, com o melhor colchão possível, e duas das maiores televisões existentes no mercado, uma para a sala, outra para o quarto. Video cassete também foi um eletrodoméstico indispensável para o Escorpião. Afrodite tanto insistiu que ele concordou em aplicar papel de parede no quarto, desde que não fosse nada com flores. Peixes, então, escolheu um papel bege com curvas sinuosas estampadas um tom acima, o que agradou ao morador, já que as curvas lhe lembravam formas femininas.
Camus mandara pintar a casa de azul-claro e branco-gelo. Usou papel de parede branco com listras azuis na sala e comprou móveis clássicos franceses, algumas réplicas de objetos de arte. Poltronas antigas de cor creme decoravam a sala. Nada exagerado demais. Apenas o necessário. O quarto recebeu papel de parede branco com folhagens azul-claro. A cama com dossel(2) dava um ar antigo ao cômodo. A ampla cozinha, ganhou um balcão limpo, branco e marrom, bastante espaçoso para que o dono da casa pudesse começar a exercitar sua mais nova paixão: a gastronomia.
Shura pintou a casa em tom salmão. A sala ganhou um papel de parede grená com estampa bege, extremamente delicado e de bom gosto. O sofá branco da sala, contrastava com os demais móveis de madeira escura. Uma grande estante dominava a sala. A sala de jantar ganhou uma mesa quadrada de madeira maciça escura. Na parede um grande painel com inscrições em espanhol. O quarto ganhou uma cama king size, duas poltronas e uma mesinha, onde ele poderia tranquilamente fazer as refeições sem precisar descer até a cozinha.
Na casa de Afrodite, a última da rua, dezenas de roseiras dominavam a a entrada. A casa, pintada de rosa-bebê e portas azul-bebê. No hall de entrada, uma estátua da deusa Athena e ao lado dela, uma da deusa que dava nome ao cavaleiro. Dentro, móveis modernos, incluindo uma polrona branca com estampas florais de cor lilás, que o próprio Afrodite desenhara. O papel de parede branco delicadamente florido de lilás, dava um ar tranqüilo à sala. A mesa de jantar era oval e branca. Cadeiras também brancas. Nos cantos, duas colunas de mármore, exibiam dois vasos antigos. Em todos os ambientes, tapetes em forma de flores. O quarto ganhou paredes em tom rosa-queimado e uma grande árvore em ouro-velho foi pintada na parede oposta à cama, do chão ao teto, espalhando seus galhos sobre todo o quarto. O closet, por sua vez, ganhou um tom rosa-claro. Um dos quartos de hóspede foi transformado em academia também. O outro ganhou papel de parede branco com estampas de rosas e ficou reservado para as visitas.
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Noite.
Dohko procura Máscara da Morte em sua casa.
(Dohko, seco) Vim buscar minhas respostas.
(Máscara, emburrado) Resposta é o caralho... Não vem encher meu saco.
(Dohko) Refletiu sobre sua vida?
(Máscara) Não.
(Dohko)Então eu vou ajudá-lo a refletir.
(Máscara) Não pedi sua ajuda.
(Dohko)Há algumas semanas eu lhe perguntei o que você faria agora que já não há mais guerra. Sua resposta foi: tramar com o Saga, aprontar uma vingança boba para seus amigos, fornicar com a enfermeira. Parece bom?
(Máscara) Vai se catar.
(Dohko) O que conseguiu com isso? A antipatia daqueles que gostavam de você. E sobre a enfermeira, você vai fazer o quê, já que não há amor nesse relacionamento?
(Máscara) Que relacionamento? Não tem relacionamento. Eu só transo com ela.
(Dohko) Outra pergunta que eu fiz: O que vai fazer lá fora? Já pensou sobre isso? Todos estão fazendo planos e você, o que fez além de armar estratagemas de vingança e ficar ruminando o dissabor de não ter mais a companhia dos seus amigos?
(Máscara) Não enche o saco, seu chato.
(Dohko) O que você quer da vida, Emanuele? Tem mais alguns dias para me responder. Agora eu vou fazer essa mesma pergunta a outra pessoa. Fique a sós com seus pensamentos.
Dohko vai ao Santuário com Arvanitakis. Lá, dirige-se à enfermaria, que já está fechada.
(Dohko, batendo à porta) Senhorita Fatma! Está aí?
(Fatma, abrindo a porta, insinuando-se) Sim. (mordendo os lábios sensualmente) O que deseja?
(Dohko) Gostaria de conversar com a senhorita.
(Fatma, ainda insinuando-se) Só conversar?
(Dohko)É. Só isso.
(Fatma, fazendo uma careta) Que pena. Bom, entre.
(Dohko) E se conversássemos aqui fora? O céu está tão bonito hoje.
(Fatma)Por mim, tudo bem.
Dohko e Fatma sentam-se na soleira da porta.
(Fatma) Sobre o que deseja conversar?
(Dohko) Gostaria de saber da sua história.
(Fatma)Não é uma história muito edificante...
(Dohko) Por isso mesmo. Tenho certeza de que há alguma coisa por trás desse seu comportamento tão... erh... incomum...
(Fatma)Está bem. Se quer saber, eu vou contar.
“Eu tinha treze anos quando o meu pai me violentou pela primeira vez. Ele me ameaçou de morte caso eu contasse para alguém. Acuada, mantive silêncio e isso continuou a acontecer noite após noite, por meses. Até que um dia minha mãe nos pegou no flagra.
(Pai, para a mãe) É culpa dela! Ela me tenta!
(Fatma) Mãe! Não é verdade! Ele me força a fazer isso!
(Mãe, batendo nela) Cala a boca, vadia! Você é a tentação do demônio! É o Satã invadindo essa casa. Rua!
(Fatma) Mãe, eu não tenho culpa. Foi ele!
(Mãe) Fora, vadia! Não admito safadeza na minha casa!
(Pai)Isso mesmo!
Eu me vesti e fui até meu quarto.
(Mãe) Aonde vai?
(Fatma)Buscar minhas coisas.
(Pai) Que coisas? Você não tem nenhuma! O que você acha que tem na verdade é nosso, pois fomos nós quem trabalhamos para comprar tudo.
(Fatma) Mãe! Por favor! Me deixa levar pelo menos algumas roupas limpas! Me deixa tomar um banho!
(Mãe) Nada! Lugar de vadia é na sarjeta!
Eu saí de casa. Sem ter para onde, fiquei andando pela rua. Pouco depois meu pai me encontrou.
(Pai) Trouxe algumas roupas e dinheiro.
(Fatma)Obrigada, pai.
(Pai)Vou arrumar um lugar para você ficar, mas tudo continua como antes. Você é minha.
Eu nada disse. Peguei o primeiro ônibus para Rodorio. Nessa época, meu irmão, que estava aqui no Santuário treinando para ser cavaleiro, ainda não tinha morrido. Mandei-lhe um recado através dos soldados do Santuário e ele foi me encontrar no vilarejo. Contei-lhe tudo que tinha acontecido comigo. Ele quis matar nossos pais, mas eu não deixei. Enquanto Sahid estava vivo, tudo ia muito bem. Ele me trazia comida e eu até podia entrar no Santuário às vezes. Mas quando ele morreu, eu fiquei sozinha.
Foi aí que comecei a trabalhar no bordel do vilarejo. Apesar de não ser mais virgem, os homens ficavam fascinados pelo meu corpo ainda quase infantil. Aqueles podres! Quanto nojo ao lembrar deles! Mais tarde, quando eu já estava com quinze anos, apareceu no bordel o doutor Alkistis, omédico com quem trabalho. Ele me viu lá no bordel, já veterana aos quinze anos de idade, atendendo clientes a noite inteira. Ele foi um dos clientes nessa noite e, depois de atendê-lo, ele perguntou: “Você quer sair dessa vida?”
O doutor me tirou do bordel, alugou um quartinho em Atenas, bem perto do consultório dele, pagou meus estudos, tanto a escola quanto o curso técnico de enfermagem. Obviamente nada nessa vida é gratuito. Eu lhe pagava com tudo que aprendi a fazer nos anos de prostituição. E nem era tão sacrificante, porque é preciso admitir uma coisa: eu gostava. Sexo é um negócio viciante. Não consigo mais ficar sem.
No curso todo mundo sabia que eu era amante desse médico. As notícias correm. Mas como eu já estava perdida, não tinha mais dignidade, pouco me importavam o que diziam. Pouco importa o que dizem. Eu faço o que eu quero, sem me importar com mais nada.
(Dohko)Eu imaginei algo assim, mas não tão trágico.
(Fatma)Não é trágico. Cada um carrega sua cruz. Essa é a minha. E nem é mais tão pesada.
(Dohko) Mas então, Fatma, o que espera da sua vida? Quer sair dessa vida sem perspectiva? Porque a vida que você leva hoje ainda é praticamente a mesma de quando você era prostituta. Você continua sendo o objeto desses homens, mesmo que ache que é você quem os usa.
(Fatma) Se eu quero sair dessa vida? Claro que eu quero. Mas não consigo. Não vejo saída para mim.
(Dohko) Eu estou disposto a ajudá-la. E não quero nada em troca.
(Fatma)Ah, quer dizer que não vamos transar?
(Dohko) Talvez. O que estou dizendo é que não é uma troca. Vou ajudá-la porque quero, porque vejo a tristeza na sua alma, mas se acontecer algo mais...
(Fatma, rindo) Entendo. Se acontecer, está tudo bem. Eu espero que aconteça...
(Dohko) Fatma!
(Fatma) Não vá me dizer que ainda é virgem!
(Dohko) Não mesmo.
(Fatma) Então, como acha que pode me ajudar?
(Dohko) Você precisa entender o sentido da sua vida, precisa controlar melhor sua mente, precisa se valorizar mais... só então você poderá virar uma senhorita decente.
(Fatma) Senhorita decente? Eu? Eu já estou perdida.
(Dohko) Sempre há um caminho de volta para quem deseja percorrê-lo.
(Fatma)O senhor acredita mesmo em milagres, não é?
(Dohko) Fatma, pode ter certeza de que já vi muitos milagres acontecerem. Eu mesmo sou um deles.
(Fatma)Se você diz...
(Dohko)Amanhã, depois do seu expediente, vamos começar o seu treinamento.
(Fatma) Está bem. Vejo o senhor amanhã. (pensando) Eu não tenho mais jeito... mas vai ser bom ficar perto desse moço.
Continua...
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(1) Na antiga casa da Laura Pausini tinha uma canoa dessas! Lembranças do tempo em que eu era absolutamente louca por ela.
(2) Dossel: armação ornamental, forrada de tecido e franjada, que se faz na cama.
[01/09/07] Capítulo I
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[22/09/07] Capítulo 3
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[10/11/07] Capítulo VII
[25/11/07] Capítulo 8
[07/12/07] Capítulo IX
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[30/12/07] Capítulo 10
[14/01/08] Capítulo 11
[26/01/08] Capítulo 12
[09/02/08] Capítulo 13
[09/03/08] Capítulo 14
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[04/05/08] Capítulo 18
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[21/09/08] [Saint Seiya] Escute Seu Coração - Capítulo XXXI
[24/08/08] [Saint Seiya] Escute Seu Coração - Capítulo XXX
[24/08/08] [Saint Seiya] Sorrisos, Segredos e Enganos - Capítulo XXI
[10/08/08] [Saint Seiya] Escute Seu Coração - Capítulo XXIX
[14/07/08] [Saint Seiya] Escute Seu Coração - Capítulo XXVIII
[12/07/08] [Saint Seiya] Sorrisos, Segredos e Enganos - Capítulo 20
[30/06/08] [Saint Seiya] Escute Seu Coração - Capítulo XXVII
[20/06/08] [Saint Seiya] Escute Seu Coração - Capítulo XXVI
[20/06/08] [Saint Seiya] Sorrisos, Segredos e Enganos - Capítulo 19
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