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Fanfics

[Original] A Rosa entre Espinhos

Capitulo XIII


Autor: ~JosianeVeiga

Categoria: Misc/Originais

Gênero:

Tags: amor, paixão, assassinato, terror, fantasmas, sexo, policia, castelo, monarquia

Personagens: Mairi, Ian, Allan

Classificação: 18+

Adicionado em: 03/03/08

Comentários/Favoritos 11/9

Caracteres: 17.519

Exibições: 298

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AnimeSpirit:

Nota: Nota: 5 

 


A Rosa entre Espinhos

Capitulo XIII

Por Josiane Veiga


Allan tamborilou os dedos na mesa de magno que tinha ao centro de seu escritório. A música que os membros tocavam contra a madeira era desconhecida para ele mesmo. E tampouco se importava com ela.

O que faria?

Amava demais Mairi para deixá-la numa situação como a que a moça enfrentava.

A Sra. Drake já havia anunciado que considerava errado uma moça solteira, grávida vivendo na casa de um homem. E ele não podia culpá-la. Quem acreditaria que ele não era o pai e que Mairi não era culpada pela barriga? A vizinhança logo comentaria, se é que já não estivesse falando.

Mairi e ele eram adultos. Pouco importava os mexericos. Mas ele pensava muito na criança. O ser inocente que ela trazia no ventre. Cada vez que pensava no bebê Allan lembrava da própria infância. Do começo da adolescência. E da vida adulta. Muitas mães o achavam um mal partido para suas filhas simplesmente porque ele não tinha um sobrenome paterno. Por melhores que fossem suas intenções e condições financeiras, um casamento com uma moça da nobreza era algo impossível para o belo loiro.

Aquilo já o preocupara antes. Agora pouco importava.

Não era uma mulher da alta sociedade inglesa que ele queria. Era uma simples órfã grávida de outro homem que se negava a ele.

Jogou a cabeça para trás e a encostou-se a confortável poltrona. Inferno! Não merecia isso. Não merecia muitas coisas, mas esse azar da vida sempre vinha contra ele.

Por que precisava amar tanto Mairi? Por quê? Os cabelos longos dela, lisos no topo, encaracolados nas pontas. O cobre da cor das madeixas. A pele pálida. Cada característica do corpo dela fazia seu coração contorcer de amor, mas era a personalidade dela que mais o encantava. Como uma mulher podia ser tão doce e meiga ao mesmo tempo em que era atrevida e jovial?

Ian quase a destruiu, mas nem toda a violência que ele cometera fizera Mairi pensar em morrer. Ela era uma guerreira. Uma sobrevivente da maldade humana! Não importava todo o mal que recebia, ela era incapaz de retribuir da mesma forma.

-Allan, trouxe chá.

Ele saltou da poltrona, saindo dos pensamentos. Mairi entrou no escritório com uma pequena bandeja. Mel e limão. O chá preferido dela se tornou o dele também. Todos os dias, à tarde, ela invadia seu escritório para lhe oferecer o líquido quente.

O outono transcorria com rapidez. Logo o frio inverno chegaria e a barriga dela apareceria.

-Obrigado.

Ele sorriu e ela retribuiu o gesto.

-O que houve Allan? No que pensas?

Ele pegou a xícara e tomou um gole. O chá estava doce. Adorava a maneira como ela sempre sabia o gosto que ele tinha para bebidas.

-No seu filho. – ele foi direto.

-Allan...

-Mairi, me ouça. Se continuar a se negar a casar comigo, tomarei uma decisão drástica, que você não vai gostar. Mas não vou admitir que essa criança nasça sem sobrenome, sem a proteção de uma família.

-Allan, será que você não me entende...

-Quem não entende é você! – ele esbravejou batendo o punho na mesa – O que pensa Mairi? Ama tão pouco seu filho que não é capaz de se sacrificar por ele? Você também é bastarda! Também é órfã! É isso que quer para ele?

As palavras foram duras, cruéis. Doeram fundo nela. Ela amava o filho sim. Amava aquela pequena criatura que se formava no seu ventre.

-Amo meu filho. Mas amo você também. E não permitirei que pague uma dívida que não é sua.

Com essas palavras ela saiu da sala.

Naquele momento Allan tomou a decisão mais difícil de sua vida.

ºººººººººº


Brian de La Tere era um médico muito estimado no circulo social de York. Mas ele se perguntou se realmente valia a pena ter um nome respeitável e ganhar um bom dinheiro, se para isso, era preciso cuidar de mulheres como Dorothea McGgreggor.

-Milady – ele segurou suas mãos – já falamos sobre isso...

-Todos acham que eu estou louca. – ela gritou histérica – mas não estou. Eleanor esta no castelo. Ela não morreu!

Ian entrou correndo no quarto. A mãe jogara as cobertas no chão e se debatia. La Tere tentava desesperadamente segurar a mulher para lhe dar um calmante, mas era em vão.

-Mãe, acalme-se. – o jovem Lord aproximou-se e a segurou.

Ao perceber a presença do filho, Dorothea parou de lutar. E fez algo que surpreendeu os dois homens que estavam no quarto: abraçou Ian.

-Ian... me ajude... Ian... – ela gemia alto.

“Vou perder a sanidade também” –ele pensou retribuindo o abraço.

Não tinha certeza se era um abraço real ou algo falso. Dorothea era sua mãe, mas nunca houve nenhum sentimento verdadeiro entre eles. Ian fora criado por criadas e amas de leite, e ainda criança, foi enviado a Londres. Voltava ocasionalmente a York e mesmo assim, pouco dedicava atenção a sua mãe. Dorothea também nunca sentiu falta da presença do filho.

-Ian... Eleanor...

-Mãe – ele a encarou - Eleanor esta morta. A senhora precisa aceitar isso.

-Ela não esta morta! Ela esta viva! Ela vem ao meu quarto com freqüência... ela quer eu mate você.

Aquilo chocou Ian de uma forma arrebatadora. Meu Deus, Dorothea realmente estava louca e poderia cometer um assassinato contra o próprio filho?

-A senhora esta com os nervos a flor da pele. – ele tentou justificar.

-Ela não esta morta! – ela voltou a gritar.

-Escute – ele também levantou a voz – eu ajudei a retirar o corpo de Eleanor do concreto. Ela caiu do terceiro andar do castelo. Seus ossos estavam quebrados e seu pescoço se partiu do corpo. Eu vi. Eu senti. A senhora precisa aceitar isso.

Arrependido de falar daquela maneira, ele levantou-se. Dorothea chorava, abraçada no travesseiro. Brian deu-lhe calmantes e ela se aquietou. Pouco mais tarde, os dois homens saíram do quarto.

-Você sabe o que deve fazer – o médico disse.

-Nunca! – Ian falou baixo, mas firme. – Minha mãe não será levada a um sanatório. Ela viveu sua vida toda neste castelo e vai morrer aqui. Não permitirei que sofra nas mãos de médicos tão dementes como ela.

Brian não pode negar as palavras. Sabia dos métodos usados nos sanatórios ingleses para “curar” os doentes e não podia culpar Ian por preferir que a mãe ficasse em York.

ºººººººººº


Mairi levantou naquela manhã com a incomoda sensação de que faltava algo. Fez o toalete e desceu as escadas procurando o rosto de Allan. Não encontrou.

-Sra. Drake, onde esta Allan?

A empregada de Hatton fazia pães e encarou a jovem com um olhar surpreso.

-Foi viajar. Ele não lhe disse?

Não. Allan não havia falado com ela e isso já fazia uns três dias, desde a conversa no escritório. Maldição que os homens tem sempre que achar que sabem o que é melhor para as mulheres. Às vezes Mairi sentia vontade de lhe chutar a canela.

Magoada ela nem se alimentou. Foi a pequena biblioteca de Allan e pegou um livro. Fugiu de Scott e seus romances (os romances de Ian...) e preferiu Shakespeare. Mas nem as palavras do escritor a fizeram conseguir se animar. Por que Allan não lhe dissera que ia viajar? Será que ele cansara dela e de sua teimosia?

Já fazia algum tempo que os dois não se separavam. Ficavam sempre juntos e Allan havia recusado diversos trabalhos para não se ausentar do lado dela nos primeiros momentos da gravidez.

E agora isso? Saíra sem nenhuma palavra. Como se ela não tivesse importância!

ºººººººººº


Ian terminou os livros de contabilidade e curvou-se sobre a escrivaninha. Estava exausto. O administrador da fazenda de York não vinha fazendo um bom trabalho e ele precisaria tomar providências.

Perpétua entrou no escritório com café quente sobre a bandeja. Ah, Ian adorava café. Era a verdadeira delicia das terras além mar. Não que também não gostasse de chás. Mas café lhe dava mais ânimo para fazer cálculos e cuidar dos negócios exaustivos.

No dia seguinte iria visitar alguns dos arrendatários. Fazia isso todo o começo de mês, mas adiantaria o trabalho para evitar a neve que cairia a qualquer momento. O vento norte já dava sinal de vida. Logo as montanhas em volta da cidade das rosas ficariam totalmente brancas.

Ian quase engasgou de susto quando Perpétua voltou correndo a sala. Ela parecia nervosa e afobada.

-O que houve? –ele perguntou.

-O senhor tem visita.

E todo aquele nervosismo era apenas porque alguém vinha vê-lo. Ian sorriu ao pensar que realmente estava se tornando um recluso.

-E quem esta aí? A Rainha Vitória?

-Antes fosse, senhor.

Ian levantou as sobrancelhas.

-Fale logo, mulher.

-Seu amigo, Allan Hatton.

Todos no castelo sabiam que Allan abandonara a defesa de Ian, mas desconheciam o motivo. Mesmo assim, quando ouviu o nome de Allan, Ian sentiu que o coração subiria pela boca.

Em nenhum momento, desde que vira Allan e Mairi pela última vez, Ian deixou de pensar nos dois. O melhor amigo e a mulher que ele amava. Mas não se atrevia a procurá-los e pedir o perdão tão necessário. Simplesmente porque sabia que não poderia ser perdoado. Fora mais que um animal...

Mas agora Allan estava em sua casa. Talvez houvesse uma chance para ele.

Tentou aparentar calma e solicitou a Perpétua que encaminhasse Allan ao escritório. Assim que a magra e severa mulher saiu do aposento ele se levantou, tentando fazer as pernas pararem de tremer. Allan havia voltado! Mairi estaria com ele?

Ou havia acontecido algo com ela?

Céus, o que faria se algo de ruim abatesse a mulher que ele amava? Era um cretino por não afogar esse sentimento e deixá-la em paz, mas a muito vinha planejando uma reaproximação. Precisava vê-la!

O pensamento voou até ela. Seus cabelos em cobre e a boca carnuda. A última vez que a vira, foi no momento em que a machucara. Nunca esqueceria do seu aspecto na cama... Parecia morta.

Os olhos voltaram a porta quando esta se abriu.

Nos quase três meses que não via Allan, o ex-amigo não havia mudado muito. Na verdade, era como se não estivesse passado nenhum dia. Já Ian aparentava ter envelhecido uns dez anos.

-Allan... – ele balbuciou nervoso.

Allan o encarou com um olhar frio. A magoa e a raiva ainda não havia desaparecido do seu coração, percebeu Ian. Será que algum dia ele poderia ser desculpado?

-Estou surpreso... – Ian continuou esfregando as mãos uma na outra, como se estivesse com frio.

Allan não pediu permissão para se sentar. Caminhou até a poltrona e acomodou-se tranqüilamente. Ian o imitou. Por alguns segundos os dois homens se encararam. Allan, seco. Ian abatido. Eram dois contrastes chocantes. Seria muito mais se Ian desconfiasse que tinham o mesmo sangue.

-O que o tras a York?

-Mairi! – Allan respondeu.

Ian quase pulou da cadeira. Ele sabia que ela era o motivo da vinda de Hatton! Por alguma estranha razão, quando soube que Allan estava a sua porta, sua mente foi até Mairi. O que tinha acontecido com ela? Ele nunca se perdoaria se...

Não!

-O que houve com ela?

Allan molhou os lábios com a língua.

-Você tem um charuto?

Charuto?

-Você não fuma! – esbravejou Ian.

-Ora, eu sei – disse Allan sorrindo – mas é delicioso ver sua cara de nervoso, de preocupado, depois de tudo que aprontou. Desta forma, talvez eu demore um pouco para lhe dizer o que aconteceu.

Ian se acalmou imediatamente. Allan nunca perdia uma piada, e se estava fazendo graça, a situação não seria tão desesperadora.

-Você ainda a ama? – perguntou Allan de repente.

-Amo – respondeu Ian simplesmente.

Allan então se levantou. Caminhou ate a enorme janela que dava para o pátio e ficou pensando alguns minutos com o olhar fixo ao jardim. Ian não o interrompeu. Sabia que Allan estava decidindo alguma coisa e conhecia-o bem demais para saber que aquele momento, era único... era dele.

Estava certo.

Allan realmente vivia um momento único. A primeira vez que viu Mairi. Ela estava tão longe, com as costas eretas, lendo um livro embaixo de uma árvore. Já ele estava no mesmo lugar, divertindo-se as custas do irmão, que estava claramente apaixonado:

“-Ora... Que bonitinha sua empregada.” –ouviu-se dizer.

Lembrava bem da reação de Ian. Não ficara possesso ou zangado com a sugestão implícita nas palavras do loiro como ficaria em outra situação. Ao contrário. Continuou a falar de Mairi com admiração. Naquele momento Allan percebeu que ele estava realmente amando. Estando longe demais para saber se ela realmente era tão bonita, mas vendo a beleza delas nos olhos de Ian, Allan torceu como um louco por aquele casal.

O destino às vezes era cruel.

Cruel por tirar dele o desejo de felicidade do próprio irmão. Meses mais tarde, ele conheceria Mairi e também a amaria com loucura. Um amor a primeira vista, e ele nem sabia que isso realmente existia!

-Ian – ele voltou à atenção ao rapaz sentado que o observava silencioso – tenho uma proposta a lhe fazer. Você tem duas alternativas e quero que pense bem nas duas.

-Esta bem. E qual é a primeira?

-A primeira é você dizer não. Mas essa tem uma conseqüência. Dizer não para mim e dizer sim para o tiro que lhe darei no peito.

A sugestão feita quase fez Ian rir.

-Bom, como não quero levar um tiro de você, não porque tenho medo de morrer, mas porque sei que você atira muito mal e é capaz de acertar outro lugar que não seja o coração, não me resta opção à não ser dizer sim.

-Ótimo.

-Mas eu disse “sim” para o quê?

Allan respirou fundo antes de responder.

-Você irá se casar com Mairi.

Ian quase caiu da poltrona. Encarou incrédulo Allan.

-Você quer dizer que Mairi se casará comigo, mesmo após tudo que eu fiz?

-Sim.

-Por quê? Duvido que ela me queira.

-Tem toda a razão, ela não quer ver você nem pintado de ouro, tampouco quer se casar. Aliais, ela nem sabe que estou aqui.

-Mas então? Qual é o motivo?

-É simples. Ela não quis se casar comigo.

Ian ficou surpreso. Não sabia que Allan sentia algo por Mairi para lhe propor casamento, mas exultou ao saber da recusa dela.

-Você quis se casar com ela?

-Sim. Quis remediar o mal que você lhe fez.

-Só por isso?

-Só? –Allan irritou-se. – Você acha pouco?

Ian passou as mãos no cabelo tentando pensar.

-Desculpe. É claro que é um bom motivo. Eu me casarei com ela. Eu a amo, afinal. Prometo-lhe que cuidarei dela com a minha vida. Mas não creio que ela aceitara esse casamento.

-Acredite-me, ela aceitara. Nem que eu tenha que força-la.

Ian suspirou.

-Por favor, não faça isso. Chega de faze-la sofrer.

Allan levantou-se e se encaminhou para a porta.

-Isso você deixa comigo. Esteja preparado para me encontrar com ela aqui há três dias no condado de Yorkshire. Irei encaminhar os papeis e vocês se casaram lá. Também não se preocupe com o pastor, eu encontrarei um clérigo para realizar a cerimônia.

Ian pensou que ele gostaria de realizar uma festa e também de providenciar tudo para se casar com a mulher que ele sempre desejou, mas não teve coragem de pronunciar uma só palavra sobre isso.

-Allan, você a entregara a mim depois de tudo que eu fiz? – ele precisava perguntar.

-Entregar ela a você? Talvez não. – ele disse sorrindo – no contrato de casamento, estipularei que eu fique morando no castelo e também tenha direitos sobre Mairi. Será um caso especial, mas tenho amigos e conseguirei as assinaturas necessárias com os juízes de Londres. Ou seja, se eu precisar defendê-la de você, estarei aqui.

-Nunca precisará.

-Assim espero –virou-se de costas, foi até a porta e pegou na maçaneta, pronto para partir – Ian... – disse baixo – ela esta grávida...

E saiu.

Ian segurou-se na mesa.

Ele nem percebeu quando começou a chorar...

Continua...



Capítulos de [Original] A Rosa entre Espinhos

[03/12/07] Introdução

[12/12/07] Capitulo I

[17/12/07] Capitulo II

[24/12/07] Capitulo III

[30/12/07] Capitulo IV

[07/01/08] Capitulo V

[14/01/08] Capitulo VI

[21/01/08] Capitulo VII

[28/01/08] Capitulo VIII

[06/02/08] Capitulo IX

[11/02/08] Capitulo X

[18/02/08] Capitulo XI

[25/02/08] Capitulo XII

[03/03/08] Capitulo XIII

[10/03/08] Capitulo XIV

[17/03/08] Capitulo XV

[25/03/08] Capitulo XVI

[31/03/08] Capitulo XVII

[07/04/08] Capitulo XVIII

[14/04/08] Capitulo XIX

[22/04/08] Capitulo XX

[28/04/08] Capitulo XXI

[05/05/08] Capítulo XXII

[10/05/08] Capítulo XXIII

[16/05/08] Capítulo XXIV

[26/05/08] Capítulo XXV

[03/06/08] Capítulo XXVI

[10/06/08] Capítulo XXVII

[18/06/08] Capítulo XXVIII - Final


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