Música do capítulo: After Dark - Asian Kung-Fu GENERATION
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A manhã seguinte logo chegou. Fria como de costume, Sakaki descia as escadas que davam na sala da lareira do bar onde o grupo estava hospedado com certa rapidez, encontrando Hideo no trajeto.
- Sakaki-sama, a minha irmã ainda não desceu? - perguntou o ruivo em um leve tom de impaciência.
- Não. - Sakaki não brecou seu trajeto de decida, passou pelo Vampiro de fogo rapidamente. Hideo bufou e continuou a subida.
Chegando à sala, Sakaki encontrou Kaito sentado em uma das mesas com uma mala pequena no chão ao seu lado.
- Para onde vamos desta vez? - Sakaki perguntou enquanto sentava perto dele.
- Vamos pra casa de uma pessoa muito preciosa para mim... - Kaito sorriu de canto quando viu Sakaki levantar uma das sobrancelhas finas. - Mas não tanto como você Sakaki-chan!
- Urusai. - Sakaki levantou-se e tornou a subir as escadas. - Vou apressar os outros.
Kaito segurou uma risada.
Ainda no quarto Asuki vestia-se com as roupas que foram deixadas lá para ela. A moçinha ainda estava confusa sobre tudo aquilo. Era mesmo verdade? Tinha tornado-se uma Vampira? De certa forma, sentia-se diferente, como se uma nova fonte de energia circulasse seu corpo. Sentia-se forte e confiante...
Leves batidas na porta interromperam seus pensamentos.
- Asuki, já está pronta? - era a voz de Sakaki que soou. Asuki apressou-se em colocar o sobretudo preto, grande que chegava até as suas canelas, e saiu.
- Já sim, Sakaki-sama! - falou ao sair do quarto topando do com Sakaki.
- Então pegue suas coisas e desça. Kaito já está lá embaixo esperando. - Sakaki girou nos calcanhares e foi chamar Yuzo e Sai.
Asuki desceu rapidamente as escadas e encontrou Kaito ainda sentado. Assim que o viu, correu até ele.
- Ohyou Kaito-sama!
- Ah! Ohyou Asuki. - Kaito sorriu-lhe.
- Vamos sair? - perguntou ela com curiosidade.
- Vamos sim. Vamos “trocar de toca”. - riu ele.
- Ah, mas por que? - ela tombou a cabeça para a direita.
- Porque se não, eles vão nos achar. - a voz de Kaito saiu mais sombria do que deveria, fazendo com que Asuki se encolhesse.
Segundos depois, o restante do grupo descia as escadas com Sakaki logo atrás. Um mais sonolento que o outro.
- Kaito-sama! Precisávamos sair tão cedo? - indagou Sai. Ele sempre reclamava quando mudavam de toca.
- Sim. Quanto mais cedo sairmos, mais cedo chegaremos. - Kaito respondeu com tranqüilidade.
- Sei... Toda vez o senhor diz isso, mas sempre chegamos de noite! - Sai cruzou os braços frente ao peito e emburrou.
- Ora, vamos logo! - Yuzo passou pelos dois com seu humor habitual. Pavio-curto.
- Tá bom, tá bom... - Sai e Kaito resmungaram ao mesmo tempo.
Depois de acertarem a estadia com o dono do bar, o pequeno grupo saiu em direção à nova toca. A caminhada foi cansativa para Asuki, o terreno de lá era completamente estranho para ela. A terra era fofa, mas tinha um cheiro estranho... E esse mesmo cheiro parecia estar impregnado em todo o canto.
- Sai... Que cheiro é esse? - Asuki perguntou a Sai discretamente.
- É cheiro de gente morta... - respondeu ele de forma sombria.
- Sério...? - Asuki arregalou os olhos para ele.
- Sim... - Sai sorriu de forma macabra, estava quase certo que ela se assustaria com isso.
- Sugoi! - ela falou baixinho, mas com um grande entusiasmo. Sai arqueou uma sobrancelha e sentiu uma gota escorrer pelo canto da cabeça.
- Vocês ai atrás. Mais rápido. - ouviram a voz autoritária de Sakaki, chama-los, pois devido a essa pequena conversa, haviam ficado para trás.
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Caminharam por mais alguma horas até chegarem a uma estalagem maior e aparentemente mais aconchegante que o bar onde estavam. Kaito logo se adiantou e começou a bater na brande e pesada porta de madeira. Segundos depois, uma pequena abertura no meio da porta abriu e um par de olhos amarelos apareceu.
- Quem está ai? - uma voz rouca se fez presente. Parecia ser de uma mulher idosa.
Kaito colocou seus olhos na abertura por alguns segundos, e como se fosse mágica, a gigantesca porta se abriu.
De trás da grande porta, uma velha senhora, de cabelos brancos e olhos amarelos, apareceu toda sorrisos e indo em direção a Kaito.
- Kaito-kun! Quanto tempo menino! - a senhora o abraçou pela cintura, já que Kaito era alto demais para ela, para todos, aliás. A que chegava mais perto de sua altura era Sakaki que batia em seu ombro.
- Ohayou, Suzumy-sama! - Kaito respondeu sorridente e correspondeu ao abraço.
- Vieram para ficar? - indagou a senhora esperançosa.
- Hai! - respondeu Kaito com um sorriso ainda maior.
- Ora vamos entrando então! - Suzumy abriu passagem para os demais Vampiros que entraram em fila, sendo Sakaki a primeira, depois Yuzo, Hideo Sai e Asuki.
Lá dentro era muito aconchegante, havia uma lareira na grande sala de estar com sofás atraentes e confortáveis. Mais a frente, havia uma grande mesa de jantar com um banquete delicioso para os viajantes. Asuki se espantou com o tipo de comida que havia lá, comida normal. Ela esperava que houvesse comida completamente estranha, como vinho feito de sangue, carne crua entre outras coisas, mas não! Era tudo... Normal!
Nessa mesa, havia um garoto sentado e quieto como se não tivesse ninguém com ele. Parecia ter a mesma idade e altura de Kaito, tinha cabelos pretos e olhos amarelos. Assim que Sakaki entrou, seus olhares se chocaram. O garoto encarou Sakaki atentamente, mas sem dizer uma única palavra. O contato visual dos dois só foi interrompido por Kaito, que entrou de supetão na frente dos dois.
- Ohayou Haru. - Kaito falou num tom de voz sério dirigido ao rapaz sentado. Este se levantou e sorriu de canto para Kaito.
- Ohayou, Kaito-san...
Depois de algumas apresentações, a senhora Suzumy terminou de servir a comida. Já arrumados na mesa, todos os presentes já desfrutavam da mesma, só Asuki que ainda não estava conformada com o fato da comida não ser como ela esperava.
Haru estava sentado à frente de Kaito que por sua vez estava ao lado de Sakaki. O garoto de olhos amarelos dava rápidas olhadas em Sakaki, mas sempre desviava ao notar um olha terrivelmente ameaçador vindo de Kaito. Sakaki não notava ou fingia não notar a troca de olhares dos dois rapazes, mas Asuki sim.
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Quando o almoço acabou, Kaito pediu para que os que estavam presentes à mesa o acompanhassem até a sala de estar, para assim, explicar o que de fato vieram fazer ali.
- Eu sei que vocês estão curiosos para saber quando vamos começar a planejar o ataque ao Império. Bom, viemos aqui para prepará-los. - o Vampiro-mor do grupo estava mais sério do que de costume. Estava sentado com as mãos apoiando o rosto branco. Voltou a falar quando viu que Yuzo formulava um protesto. - Sei o que vai dizer Yuzo, mas dessa vez é para valer.
Yuzo encolheu-se no sofá de frente ao dele.
- Agora com a entrada de Asuki, creio que não seja necessário mais gente. - acrescentou com um olhar frio e discreto à Haru, que estava em pé próximo a porta. - Enfim... viemos para cá para treinar vocês para a batalha. Asuki, já que chegou agora, vamos “pegar leve” contigo.
Kaito sorriu para Asuki, mas mesmo assim a garota estremeceu.
- Mas não hoje! - falou ele com um sorriso amarelo, pois todos ali, menos Sakaki e Haru, estavam atônitos. Após ter dito isso, eles voltaram a respirar.
Suzumy-sama pigarreou e tomou a fala.
- Bem... não querem levar as coisas de vocês para os quartos?
- Eu acho uma boa idéia. - foi Asuki quem falou, mas o restante concordou com ela.
Cada um foi em busca de sua mala que foi deixada na entrada da estalagem. Enquanto Yuzo quase morria de tanto fazer força para levantar a mala, Haru passou por ela. Foi em direção à Sakaki, abaixou-se um pouco e segurou uma das alças. Emparelhando seus rostos.
Kaito, que estava de costas para eles, lançou um olhar assassino para Haru.
Sakaki virou a face para ele, não mudando de expressão, e disse:
- Não preciso de ajuda, arigatou. - ela levantou de súbito e puxou a alça que segurava. Kaito sorriu vitorioso e foi para o lado dela com a mesma intenção de Haru, mas ela já foi direta. - Nem da sua.
- Itai! - gemeu Hideo massageando o traseiro enquanto os demais choravam de rir. Haru tinha um sorriso cínico no rosto, fixou os olhos amarelos nos de Kaito, passou por ele lentamente. Eram da mesma altura, nem um centímetro a mais e nem a menos.
- Sem risos! - rosnou ele sem tirar os olhos das costas do rapaz que subia a escadaria para os quartos.
Um silêncio macabro dominou a todos. Sem mais delongas, Suzumy os levou até os quartos que haviam sobrado.
Por um feliz acaso do destino, só sobrara um quarto para Sakaki e Kaito.
- Vocês não se importam em dividir, não? - falou a senhora sorridente.
- Contanto que ele durma no sofá. - Sakaki deu nos ombros, Kaito sorriu amarelo e Suzumy riu.
Quando já havia se acomodado no quarto, que era amplo e tinha uma cama de casal que parecia caber quatro pessoas de uma só vez, Sakaki falou.
- O que foi aquilo no almoço?
- Aquilo o quê? - respondeu com má vontade.
- Aqueles olhares fulminantes que você lançava para o tal de Haru.
- Aquilo não foi nada!
- Como assim não foi nada? Você quase o matou só com um olhar!
- E como queria que eu ficasse? Ele não parava de te olhar? - Kaito falou num tom de voz irritado. - Parecia que ele te via nua!
Sakaki levantou as duas sobrancelhas.
- Kaito, você... está com ciúmes? - falou ela com cautela.
- Eu?! Ciúmes? Claro que sim... digo, não!!! - ele ficou violentamente vermelho e virou a cara.
Se fosse do feitio de Sakaki, já teria sorrido de orelha à orelha.
- Eu acho que está sim... - ela falou num tom malicioso e abraçando as costas largas de Kaito.
- Humpf! - ele bufou tentando ignorar o arrepio que sentiu.
Sakaki deu um beliscão em sua costela.
- Itai! Que deu em você? - falou ele virando para encará-la.
- Nada... - outra vez aquele tom malicioso na voz dela o fez estremecer.
Sakaki ficou na ponta dos pés e beijou o lábio entreaberto de Kaito, que por sua vez não pode evitar de sorrir, puxá-la para mais perto, contornar as suas costas e aprofundar o beijo.
No lado de fora, um olho amarelo observava a cena por uma fresta da porta.