N/A: Esse capítulo, gostaria de dedicar a Leti-san e a Corina-bee.
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Ousada Conquista
Capítulo 3 – Permanecendo alerta
Terça-feira
“O conceito de que os homens sentem atração, e que as mulheres se apaixonam, não está completamente errado. Mas também não está certo. Do ponto de vista estratégico, é melhor que a mente dele esteja enevoada e que a sua permaneça alerta."
Fisgue Seu Homem
Ao contrário de acordar animada com minha nova determinação, despertei com a inquietante sensação de que estava tendo esperanças demais. Se em uma vida inteira Harry não havia me notado, o que faria isso mudar agora? Além disso, e se ele amasse realmente a Cho? Se fosse assim o melhor que eu teria a fazer seria sair do caminho para que eles pudessem ser felizes, ao invés de confundir ainda mais a cabeça dele.
- Amanhã depois do almoço você e sua equipe já podem ir arrumar o estande. - lembrou-me o presidente da Corporação, Sirius Black.
- Estaremos lá. – garanti, com um sorriso radiante. Dentro de dois dias começaria a feira de exposição comercial, que ocorreria no Centro de Convenções e Eventos da cidade.
- De manhã, procure Marlene que ela lhe entregará os crachás. – ele indicou a jovem loira que estava ao seu lado, sua assistente, e ela sorriu para mim. Eu olhei para ela meio incerta, estava começando a ficar preocupada. E se a campanha fosse um fracasso? Provavelmente fariam picadinho de mim! – Não se preocupe, Gina. Tenho certeza que vai dar tudo certo.
Que ótimo! Além de lindo, ele também sabe ler mentes!
Sirius deu um de seus sorrisos, possivelmente achando que era encorajador, mas que na verdade era extremamente sexy.
Esse era o fim da reunião de diretoria que durara toda a manhã. Quando estava me dirigindo à porta, Harry passou a minha frente e abriu a porta para mim.
- Vamos almoçar? – convidou.
- Não posso.
- Nós precisamos conversar sobre
aquele problema, Gina.
- Sinto muito, Harry, mas eu realmente não tenho tempo. Tenho vários detalhes do lançamento para acertar e como a reunião durou a manhã toda, estou completamente enrolada.
Ele deu de ombros.
- Tudo bem, então te pego às oito.
- Ahn?! – olhei para ele, sem entender.
- Vamos discutir o problema durante o jantar, se não se importa.
Minha vontade foi dizer que me importava sim. Onde já se viu me levar para jantar fora para falar sobre outra mulher? Mas, por outro lado, já estava na hora de resolver esse assunto de uma vez por todas!
- Tudo bem, então. Até às oito.
Apesar de estar atolada de serviço, aproveitei a hora de almoço para comprar um vestido especial para o jantar. O resto do dia foi uma tremenda correria. Quando cheguei em casa gastei um bom tempo debaixo do chuveiro no intuito de recuperar minhas energias, queria estar calma e relaxada para sobreviver a essa noite.
Quando finalmente a campainha tocou, dei uma última olhadinha no espelho. O vestido vinho realçava o vermelho dos meus cabelos, que estavam presos num rabo elegante, com cachos modelados. O corte do tecido destacava minhas curvas e o decote pronunciado deixava meus seios em evidência. Satisfeita com o resultado final, peguei a bolsa e rumei para a porta, ouvindo a campainha tocar insistentemente.
- Pensei que não fosse atender nun... – ele se interrompeu e me olhou dos pés a cabeça, de olhos arregalados. - ...ca. – concluiu quando recuperou a fala.
- Vamos? – disse me virando de costas para trancar a porta e ocultar o sorriso. Me congratulei internamente pela escolha do figurino.
Durante o trajeto de carro, notei várias vezes ele me lançar olhares de esguelha.
- Espero não estar estragando seus planos de sair com algum rapaz. – Apesar do tom de indiferença, percebi que ele estava curioso para saber o que eu ia dizer.
- Deveria ter se preocupado com isso mais cedo. – disse simplesmente. Ele me olhou com o cenho franzido.
-
Ele ficou chateado por você sair comigo?
- Não.
- Por que não? Se eu fosse
ele, não permitiria que você saísse com outro homem. - ele parecia indignado.
- Te garanto que
ninguém vai sentir minha falta essa noite.
- Ele não te merece, sabia? Onde já se viu deixar uma mulher como você sair com outro?!
O que será que ele quis dizer com uma-mulher-como-você? Ô.ô
- Não tem nenhum “
ele”! – disparei.
- Quer dizer que não está saindo com ninguém? – ele parecia incrédulo.
- Com ninguém em especial. – disfarcei, dando de ombros. Fazia um tempinho que eu não saía com ninguém, mas não ia admitir isso, não é?
Ficamos em silêncio por alguns minutos.
- Ainda não acredito que não haja um namorado seu, em algum lugar, espetando agulhas num bonequinho de vodu com a minha aparência!
- Levando em consideração que eu não seria tola de namorar alguém que fosse adepto de vodu, acho que não é tão difícil assim de acreditar.
- Quem sabe se ele não contratou um assassino profissional?
- Ah, claro. Se eu fosse você evitaria lugares desertos. E evite também andar sozinho por aí. – eu disse ironicamente. - Agora vamos falar do assunto que nos trouxe aqui, ok? Eu estive pensando e acho que a única coisa que você tem a fazer é analisar profundamente seus sentimentos pela Cho e...
- Quanto ao jantar, - ele me interrompeu como se eu nada tivesse dito. – pensei em comida italiana ou talvez mexicana. E então, qual você prefere?
- Prefiro que pare de mudar de assunto. – bufei, irritada. Eu me sentia na obrigação de fazê-lo enxergar a realidade e se essa realidade fosse que ele a amava, eu teria que ajudá-lo a tomar a atitude certa. Mesmo que me doesse só de pensar nisso.
Ele arqueou as sobrancelhas.
- Quer mesmo falar sobre isso?
- Não foi por isso que me convidou para jantar? – retruquei num tom irônico.
Harry respirou fundo antes de responder.
- Se eu prometer que mais tarde voltaremos a esse assunto, podemos jantar em paz?
Sabe o que eu mais queria naquele momento? Que ele fizesse a volta e me deixasse em casa e voltasse pros braços da
queridinha dele! Bem, não queria exatamente que ele se acertasse com ela, mas se isso fosse preciso para que eu tivesse um fim de noite sossegado, eu até que topava! Mas eu não poderia virar as costas agora.
"Coragem, mulher!"
- Ok. – concordei, resignada.
Fomos a um restaurante de atmosfera íntima e aconchegante. A iluminação era suave e discreta e, para completar, uma banda tocava jazz. Se eu não conhecesse bem o Potter, juraria que estava tentando me seduzir.
- Não vai querer sobremesa? – ele perguntou quando acabamos de jantar.
- Não.
- Tem certeza?
- Tenho, Harry. Agora vamos analisar seus sentimentos, ok?
- Certo. – ele concordou, embora parecesse meio relutante.
Respirei fundo, tomando coragem para falar.
- Vocês já estão saindo há bastante tempo, o que é uma coisa muito incomum se tratando de você, já que eu não lembro de nenhuma outra com quem tenha se relacionado por tanto tempo.
- Realmente. – ele ficou pensativo por alguns instantes, antes de ter um sobressalto. – Ouça essa música! Vamos dançar.
Antes que eu tivesse tempo de piscar ele já estava em pé ao meu lado, com a mão estendida.
- Dan... çar? - gaguejei.
- É! Vem. - ele parecia com
muita vontade de dançar.
Eu pousei meus olhos nos poucos casais que dançavam abraçadinhos. Seria tentador demais dançar assim com ele!
- Mas é uma música lenta. – tentei argumentar, sentindo uma pontada de desespero.
- E daí? Vamos, Gin!
Nunca imaginei que o Harry gostasse tanto de dançar! T.T
- Eu não sei, Harry...
Ele segurou minhas mãos e me fez levantar. Praticamente me arrastou até o meio dos casais e me puxou para perto de si. Quando meu corpo tocou o dele, uma forte corrente elétrica percorreu todo o meu corpo.
“Seja racional, Gina. Racional. Não se deixe levar pela emoção. Permaneça alerta!” Uma vozinha irritante dardejava em minha mente.
Ele me segurou bem junto a ele e começou a se mover no ritmo da música, me conduzindo. A respiração suave dele tocava meu pescoço me causando arrepios. Nossos corpos estavam tão colados que eu podia sentir o contorno de cada músculo daquele corpo perfeito.
“Ser racional?! Como eu posso ser racional se ele está perto demais para que eu consiga sequer respirar?!”
Com um pouco de dificuldade, consegui colocar uma certa distância entre nós, antes que eu enlouquecesse. Inesperadamente, ele segurou firme em minhas costas e se reclinou fazendo com que eu me inclinasse perigosamente para trás, quase me
deitando em pleno ar. Sorrindo com imenso prazer, me ergueu novamente e continuou me guiando como se nada tivesse acontecido.
- Não ouse fazer isso novamente, Potter! – ralhei entre os dentes, ainda tentando me recuperar do susto e impedir que ele me puxasse para mais perto.
- Então pare de tentar se afastar. – ele sorriu e me segurou mais firme quando eu finalmente parei de resistir. – Danço muito melhor quando estou bem próximo à parceira.
Impressão minha ou tem um certo tom provocante aí? Bem, deixa quieto...
- Pois eu prefiro poder dançar e respirar ao mesmo tempo! – resmunguei apesar de saber que ele não me dava a mínima atenção. – Podemos falar da Cho então.
Ele revirou os olhos.
- Precisamos mesmo falar dela?
- Foi para isso que viemos jantar!
- Nós já jantamos, então já superamos essa parte da noite! - sorriu abertamente.
As mãos dele deslizaram para cima e para baixo pelas minhas costas, nublando meus pensamentos. Quase inconscientemente, acariciei sua nuca.
“Esteja alerta, Ginevra! Vigilância constante! (N/A: homenagem a Olho-Tonto! XD)” Repetia a insistente vozinha interior.
- Você a ama? – perguntei repentinamente, me forçando a resistir.
- Quem? – perguntou confuso, como se estivesse a quilômetros de distância dali.
- A Cho.
- Não sei. Podemos conversar sobre isso amanhã? – perguntou num tom um tanto sério.
- Como quiser.
- Sabe, é ótimo ter uma amiga como você, assim não preciso gastar dinheiro com terapeutas! – Eu apenas sorri. - Eu não mereço você, Gin. – constatou com um suspiro, alguns instantes depois.
- Eu sei disso. – ri.
"Mas não precisaria fazer muito para me merecer..."
- Algum dia já fiz algo por você? – ele me encarou sério demais para o meu gosto.
- Você já fez muitas coisas por mim, Harry. – pestanejei, confusa.
- Tipo...?
- Conseguiu um emprego para mim na Corporação Black. – respondi depressa. Era óbvio que ele já havia feito muitas coisas por mim. A primeira delas foi ter nascido. u.u
Ele apenas deu de ombros, olhando para frente com uma expressão distante.
- Eu só te informei da vaga, foi você quem conseguiu o emprego.
- Mas foi você que me colocou na elaboração do projeto do
Fresh All Day. – retruquei com firmeza.
Harry sacudiu a cabeça com veemência.
- Foi uma escolha óbvia, Gin, você era a pessoa mais qualificada para o serviço.
- Mas você fez...
- Não, pode ter certeza de que eu não fiz, seja lá o que fosse mencionar. Nunca fiz nada para merecer sua amizade, Gin. Não entendo porque continua tão próxima a mim. – ele parecia realmente incomodado com isso. Como ele podia duvidar de que era um ótimo amigo para mim?
- Não seja tolo, Harry. – Sem pensar, toquei o rosto dele com carinho. - Acha que eu poderia lhe virar as costas quando está precisando de mim? Quando se ama alguém, você...
- Ama? – indagou com um sorriso sincero.
Levei a mão à boca desejando ardentemente não ter dito aquilo. Mas agora o mal já estava feito e eu precisava corrigir.
- Claro, Harry. – afirmei com convicção. – Como não o amaria se o conheço praticamente toda a minha vida? Acontece que existem diferentes tipos de amor. Por exemplo, o que você sente por mim, não é igual ao que sente pela Cho. – No final da frase minha voz já não passava de um sussurro.
- Não mesmo. Nunca senti por ela o que sinto por você. – ele disse isso com mais firmeza do que eu gostaria. Mas o que mais eu poderia esperar? Para ele, eu era sua irmãzinha e ela era a mulher com quem ele ia para cama quase todas as noites.
Recostei a cabeça no ombro dele, para que ele não visse o indício das lágrimas que começavam a se formar.
- Está vendo. Isso que eu quis dizer. – conclui.
- É claro, porque eu não conheço Cho há muito tempo. – ele disse, prosseguindo com seu raciocínio. - Você acha que envelhecer ao lado dela ajudará a desenvolver um relacionamento igual ao que existe entre nós, que nos conhecemos desde crianças?
- Talvez. – Eu realmente não me sentia mais disposta a falar sobre
aquelazinha.
- Não consigo me imaginar envelhecendo ao lado da Cho. Isso quer dizer que vou viver mais do que ela? – perguntou num tom divertido.
“Humm... Não! Isso quer dizer que ela vai te abandonar antes que você fique velho, por alguém talvez mais jovem e com mais dinheiro!” Tive vontade de responder, mas segurei a língua.
- Não quer dizer nada. – dei de ombros sem fitá-lo.
Continuamos dançando em silêncio. Minha cabeça estava um completo caos. Ao mesmo tempo que minha querida consciência (que se achava a
voz da razão) para me afastar dele e deixá-lo ser feliz, meu coração (e meu corpo também n.n) praticamente gritavam para que eu aproveitasse todas as oportunidades para torná-lo meu. As dúvidas eram tantas que minha cabeça começou a latejar. O melhor a fazer no momento seria ir para casa.
Me virei para ele exatamente para sugerir que fossemos embora, mas dei de cara com ele me fitando. Apenas alguns centímetros separavam nossos lábios. Eu não conseguia desviar o olhar e aparentemente o mesmo acontecia com ele.
Beijar ou não beijar: eis a questão. Por mais que eu quisesse, tive medo. O que aconteceria depois?
“Não pode beijá-lo, Ginevra! Ele é seu melhor amigo e tem namorada. E você vai ajudá-lo ser feliz para sempre com ela, se lembra? Mantenha-se firme! E alerta!” Eu já disse o quanto odeio esse negócio de consciência?
Sem que nos déssemos conta paramos de dançar. Os olhos dele brilhavam intensamente, me causando calafrios. Se eu me inclinasse um pouquinho para frente, só um pouquinho, então...
No exato momento em que percebi que ele iria realmente me beijar, dei um passo para trás, quebrando o encanto.
- Já está tarde. – comecei a dizer com algum esforço, já que minha voz parecia estar presa na garganta. – Nós temos que acordar cedo amanhã.
Ele me olhou por alguns instantes, parecendo confuso e decepcionado. Não sei se comigo ou com ele mesmo pelo o que quase havia feito.
- Certo.
O trajeto até meu apartamento foi um tanto estranho. Eu não sabia se devia me congratular por ter sido forte o suficiente para resistir ou se seria mais apropriado bater a cabeça no painel do carro por ter sido tola o bastante para perder uma oportunidade única.
Meu amigo não parecia muito melhor do que eu. Desde que saímos da pista de dança não me disse uma única palavra e nem sequer me olhou. Sua expressão era tensa e pensativa. Era impossível imaginar o que se passava na cabeça dele.
Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, ele parou o carro.
- Quer carona para o trabalho amanhã de manhã? – perguntou de maneira formal, me fitando pela primeira vez desde que saímos do restaurante.
- Não, obrigada. Prefiro chegar no horário certo. – tentei descontrair. Harry sorriu de leve.
- Então nos vemos na corporação.
Eu assenti e um silêncio constrangedor dominou.
- Olha, Gina...
- Até amanhã, Harry. – disse ao mesmo tempo que ele, que se calou.
- Até. – suspirou.
Desci do carro com a incômoda sensação de que estava tudo errado. Tive vontade de voltar para dentro do carro e... Bem, não sei exatamente o que queria fazer ou dizer, só não queria deixar as coisas assim.
Harry esperou que eu atravessasse o portão de ferro para dar partida. Recostada do lado de dentro do portão, fiquei observando o carro se afastar.
§§§ Continua §§§
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Olá, pessoas! Demorei mais do que esperava para terminar o capítulo e foi apenas por preguicite pura e simples! hehehe
Achei esse final ficou meio melodramático, não? Mas não consegui evitar, acho que estou meio dramática hoje. T.T'
Eu tinha achado que esse seria melhor do que o segundo, mas acho que o segundo ficou melhor msm. Falta de inspiração, sabe? hehehe Mas tbm nem está tão mal assim! XD
O quarto capítulo vou tentar terminar até segunda, porque vão começar as aulas, aí já viu, né?
Obrigada a quem ainda está acompanhando! (Não me abandonem, hein?! Rum!) E muito obrigada a Leti e a Corina pelos comentários!
Não deixem de ler os próximos capítulos, hein? Ô.ô
E não se esqueçam de comentar! Msm que seja para críticas ou sugestões! n.n
bjnhux =*