Chapter Four - A Colina dos túmulos
"Frio haja nas mãos,
No coração e na espinha;
E frio seja o sono
Sob a pedra daninha.
Que nunca despertem de seu pétreo leito
Nunca, até a Lua morta
Até o Sol desfeito.
E ao soprar negro dos ventos
Os astros vão morrer
E eles sobre o ouro ainda irão jazer
Até que o Lorde escuro sua mão soerga,
Sobre o mar morto,
Sobre a terra negra."
by J.R.R Tolkien's The Lord of the Rings.
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Narrativa Onipresente
Byakuya voltou para seus aposentos após ter verificado o fuzuê no galpão do exército, já que agora ele precisava lavar o rosto. Ao olhar-se no espelho, ele arqueou uma sobrancelha ao ver pedaços de arroz grudados em sua face. "Rukia...", ele pensou, lembrando da garota.
Ele já havia reparado que ela não era uma garota comum, e por ter aquele espírito rebelde e radiante, orgulhoso e perspicaz, fora um dos motivos pelos quais Byakuya a escolheu para ser sua "irmã". A chama que ardia nos olhos dela só podiam ser comparados as da família Kuchiki, agora praticamente extinta.
Mas, ele não deixava de se surpreender cada vez mais e mais com as atitudes dela. Ela não era sorumbática e sombria como ele, ou como a maioria dos que pertenciam ao clã Kuchiki. Ela tinha um brilho ofuscante, algo que fluía e contagiava todos, toda vez que ela exibia aquele sorriso maroto, cheio de desdém.
Byakuya tinha certeza que todos desconfiavam, pois as diferenças de personalidade entre os dois supostos "irmãos" era muito óbvia. O homem olhou pela varanda, a noite escura lá fora. Ao longe, além das árvores, ele fitou uma colina, e sentiu seu peito palpitar.
Byakuya balançou a cabeça, e foi se deitar. Em poucas horas, ele teria que ensinar aos seus soldados que disciplina era um fator essencial ao exército que servia ao clã Kuchiki.
Antes de fechar os olhos, o capitão pensou novamente nos eventos daquela noite. Um sorriso discreto e enigmático surgiu em seus lábios. Ora, além de disciplina, ele também prezava a "justiça".
"Então, Justiça seja feita...", ele murmurou para si mesmo e fechou os olhos.
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Ah, que canseira!
Se eu soubesse que comprar briga com o laranjão ia resultar naquilo,
nem tinha começado!
Poxa, foi cruel ter que limpar tudo.
Mas, eu também não podia saltar fora.
Deixar a bagunça pros caras limparem...
Se fosse pro ruivão e pro laranjão,
eu não tava nem aí,
mas coitados dos outros.
E, até que foi divertido!
Lógico que eu nunca vou admitir,
mas me diverti bastante.
Eu nem lembrava quando havia sido a última vez,
em que eu dei tanta risada.
E, uma das coisas mais estranhas:
eu e o ruivão nos unimos pra zuar o cabeça-de-mexerica!
Há há há!
Coitado, ficou perdido!
Além de nós dois, parecia que todo mundo,
quando tinha uma oportunidade,
ia e jogava alguma coisa nele!
Só o chato do "Capitão" não entrou na brincadeira.
É um estraga-prazeres mesmo!
A minha sorte é que eu posso dormir agora.
Já tomei um banho,
pra tirar toda aquela sujeirada,
e agora vou deitar e dormir!
Mas, os outros...
Vão treinar!
Acho que devem começar daqui a pouco...
Bom, isso já é problema deles...
Quanto a mim...
Para a terra dos sonhos..
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Todos os soldados estavam se espreguiçando no gramado em frente à mansão, esperando pelo capitão.
"Estranho o Capitão ainda não estar aqui...", Renji comentou.
"Talvez ele tenha esquecido a punição..", disse um esperançoso Ikkaku.
"Pff... mais fácil o Inferno congelar que o Capitão perder a oportunidade de nos punir...", disse Iba, azedo. Apesar de ter que despertar todas as manhãs quase tão cedo, ele sempre tinha o típico mau-humor matinal. Não só ele, como muitos outros também... mas, nenhum deles superava o mau-humor matinal de Ichigo.
No momento, o rapaz de cabelos laranjas estava sentado no chão, a cabeça baixa. Provavelmente estava cochilando, e nenhum deles ousava acordá-lo. Os ataques de fúria de Ichigo pela manhã eram bem conhecidos por todos, e eles mesmos não estavam dispostos a algo do tipo, pelo menos não tão cedo assim.
De repente, todos eles começaram a se alinhar, e Renji cutucou Ichigo com a ponta de sua katana. O rapaz de cabelos laranjas entendeu o recado e se levantou. O Capitão Kuchiki estava presente.
E, no instante em que puseram os olhos no Capitão, foi como se todo o sono esvaísse deles. Não pela autoridade que o homem emanava, mas sim, por outro motivo. Todos eles ficaram curiosos e surpresos, na verdade. Pois ali, ao lado de Byakuya, uma figura pequena e esguia se arrastava, silenciosamente.
"Todos em ordem.", Byakuya comandou. Eles endireitaram a postura, mas seus olhares teimavam em se fixar na pessoa ao lado de Byakuya. "Hoje começaremos nosso treinamento duas horas adiantados. Para tal ocasião especial, convidei uma pessoa que irá se juntar a vocês durante todo o dia de treinamento.", Byakuya disse. Ele olhou com o canto dos olhos para Rukia. Ela parecia um zumbi.
"Formem grupos de cinco pessoas, e depois alinhem-se novamente.", o Capitão ordenou. Todos começaram a se juntar, mas Rukia permaneceu imóvel. Renji e Ichigo olharam para ela e então se entreolharam.
"Oy! Kuchiki-no-chibi!", Ichigo gritou, chamando Rukia. Renji olhou para o rapaz, um pouco aflito.
"Você não deveria chamar a senhorita Kuchiki dessa maneira, ainda mais na frente do Capitão!", Renji disse. Ichigo deu de ombros e caminhou para perto da menina.
"Hey! Quer dizer que o Capitão te pôs de castigo também, hein?!", Ichigo zombou. Ao ver que ela não disse nada, ele arqueou uma sobrancelha e olhou atentamente para a menina. Os olhos dela estavam semi abertos, o rosto pálido, a boca entreaberta, muda. "Chibi-chan?!", ele a chamou novamente. Sem respostas. Ichigo coçou a cabeça e se abaixou, aproximando-se dela. Ele acenou a mão em frente ao rosto dela. "Kuchiki-no-chibi? Chibi-chan?? ...... Rukia..?", ele a chamou e então a cutucou.
Antes que ele pudesse ter feito qualquer coisa, dedos agéis se prenderam ao redor da garganta dele, e Ichigo se viu sendo sufocado furiosamente. Renji fitou com estupor a cena diante dele. Rukia, a pequena e magra Rukia, estava enforcando Ichigo, o alto e forte Ichigo, com uma das mãos. Impressionante é apenas um dos muitos adjetivos para tal fato.
"Err.. ãhn... senhorita Kuchiki... anh... Rukia-san...", Renji tentou interferir. No entanto, um olhar mortal recaiu sobre ele.
"Quer morrer?", Rukia perguntou, ainda apertando o pescoço de Ichigo. Ah, então isso sim é mau-humor matinal nível máximo. A voz grave do Capitão fez com que eles se concentrassem, e Rukia largou o pescoço de Ichigo. Olheiras profundas adornavam seus olhos azuis, que estavam quase negros de tanto mau-humor.
"Abarai, Kurosaki, juntem-se logo. Você também... Rukia.", Byakuya disse. Com muito desgosto, os dois rapazes se juntaram a Ishida Uryuu e Ukitake Jyuushirou. Rukia acabou se juntando ao grupo deles também.
O treinamento imposto por Byakuya focava a concentração, e para isso, eles estavam treinando o manuseio do "kidôu". Rukia observava todos se concentrando, em silêncio. Mais alguns instantes, e subitamente, luzes claras começavam a irradiar das mãos dos homens, iluminando o pátio onde treinavam.
A garota fitava com surpresa aquelas pequenas luzes piscantes, e como elas pareciam vaga-lumes, engaiolados nas mãos dos homens.
"Hotaru no hikari de
motto motto yowai ni
sukoshi de
mune no naka
sonna ni moeru
nagara toki wo
nakinai de
Hotaru no hikari de..."
Rukia murmurou, e seus olhos ficaram opacos, com um brilho sem vida. Era o espectro de sua vida passada, as lembranças que o sangue carrega e jamais deixam de existir.
"A luz dos vaga-lumes
Cada vez mais fraca
Aos poucos
Dentro do peito
Coisas assim
Seguem o tempo
Não chore
Pela luz dos vaga-lumes..."
Alguém recitou, em um tom quase tão melancólico quanto o dela havia soado. Rukia levantou os olhos, e viu que Renji estava ali, parado ao lado dela, sem olhá-la. O brilho dos olhos dele era como um farol, que brilhava distante e solitário no meio da escuridão. Rukia estremeceu.
"Em que estava pensando?", ele perguntou, enfim fitando-a. Rukia suspirou, e virou para o lado oposto ao do Sol nascente. Renji se virou também, e olhou para onde Rukia apontava, com o braço esticado. Ao longe, colinas e mais colinas serpenteavam, indo em direção ao horizonte escurecido.
"Nos vaga-lumes que iluminam os túmulos, nas distantes colinas ao pé da montanha.", ela disse.
Renji fitou as colinas, espantado. Ele não sabia que haviam túmulos ali, pois o cemitério oficial ficava na borda sul da cidade, não ao Oeste. Como poderia ela saber daquilo, também foi algo que o deixou intrigado, pois nem ele, que morava lá há tempos sabia.
"Eu deveria...", ela murmurou novamente, e então suas palavras sumiram, enquanto aquele espectro tornara a passar por suas feições. Dessa vez, foi Renji quem estremeceu.
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Estou com frio.
Muito frio.
Os vaga-lumes...
Eles me fazem recordar...
De quando a noite chegava,
e eu me tornava um vulto nos bosques.
Várias vezes, eu fui atraída àquele lugar,
Onde os vaga-lumes brilham...
Lá o vento sopra diferente,
as árvores sussurram,
as pedras lamentam...
Lá o tempo não passa,
e a realidade não importa.
Um lugar sempre frio,
Sempre silencioso,
Sempre soturno,
E parece que nunca é dia,
Sempre noite.
Lá, naquele lugar...
Na Colina dos Túmulos.
Eu acho que vou lembrar pra sempre daquele lugar.
Da sensação de caminhar na grama,
sabendo que sob meus pés,
estão os corpos dos pobres,
que não têm condições de serem
enterrados no cemitério oficial.
Não só eles,
como também os indigentes,
os desconhecidos,
os mal-amados.
E era por todos eles,
por todas as vozes,
as lamúrias,
os lamentos,
que eu era atraída.
Somente lá,
eu me sentia afortunada.
Sentia que, pelo menos,
eu ainda podia levantar os braços..
Podia correr,
podia saltar,
podia abrir os olhos.
Que não estava fadada a permanecer a eternidade deitada,
sob aquela terra imunda e odiosa.
E, ao me lembrar do "imundo e odioso",
logo pensei na minha família.
Corpos abandonados,
sobre o chão que um dia foi nossa casa.
Pois é...
Acho que...
Eu deveria.
Sim, eu deveria.
Enfiar todos seus restos mortais debaixo do solo maldito que eles tanto repudiavam.
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Narrativa Onipresente
De repente, alguém lhes chamou a atenção. Era Ukitake, caminhando para perto deles.
"Abarai-kun, já está com o kidôu pronto?", ele perguntou ao ruivo, que assentiu com a cabeça. "Senhorita Kuchiki, está tudo bem?", o homem tornou a perguntar, pois Rukia permanecia virada para as colinas, sem olhar para ele. Quando ela se virou, seus grandes olhos azuis se fixaram em uma pequena esfera de brilho intenso, na mão de Ukitake.
"A senhorita sabe manejar o kidôu também?", ele perguntou a ela. Rukia quis perguntar o que era esse tal "kidôu", mas antes que pudesse verbalizar sua dúvida, Ichigo surgiu, com uma esfera muitas vezes maior que a de Ukitake.
"Feh! Eu du-vi-do que ela saiba ao menos o que é kidôu!", ele disse, zombando dela.
"Ora, não seja tolo, Kurosaki. A senhorita Kuchiki teve treinamento espiritual nas montanhas de Osorezan, é óbvio que ela deve manejar o kidôu com muito mais destreza que você, ou até mesmo os sub-capitães.", Ishida Uryuu disse, lançando aquele olhar que tanto irritava Ichigo: o olhar de quem sempre têm convicção no que diz, e em 100% das vezes, Ishida realmente estava certo, o que fazia Ichigo morrer de úlcera péptica.
"Sim, Ishida-kun tem toda razão. A senhorita Kuchiki tem uma formação espiritual superior, assim como a de todos da família Kuchiki.", Ukitake disse, e sorriu para ela. "Não é mesmo, Kuchiki-san?"
Rukia sentiu um nó na garganta. Aquilo era mentira, ela não era irmã de Byakuya, nunca teve treinamento algum, e nem sabia o que se tratava esse treco chamado "kidôu". Mas, ela também não queria dar o braço a torcer, pois isso faria Ichigo humilhá-la na frente de todos.
Byakuya estava lá perto, e escutou toda a conversa. Por dentro, ele sorria perversamente, ansioso por ouvir Rukia admitindo que não sabia de nada. Quando decidiu colocá-la para treinar com seu exército, Byakuya já tinha planejado uma pequena lição para a garota, para que ela aprendesse de uma vez por todas que ele era o comandante supremo daquele lugar, e todos, sem exceção, deveriam obedecê-lo.
Para isso, nada mais útil que despedaçar o ego inflado daquela menina, que ousava zombar dele na frente de seus subordinados, e ainda causava tumulto, ridicularizando as regras impostas por ele.
Ao aguçar os ouvidos para ouvir Rukia dizer que não sabia manejar o kidôu de forma alguma, Byakuya quase engasgou audivelmente ao ouvir as palavras da garota:
"Claro que sim!", foi o que ela disse, e Byakuya abriu caminho entre seus homens, e viu um sorriso convencido no rosto da menina. "Minhas habilidades são muito superiores às suas, cabeça-de-mexerica.", ela disse, desafiando-o.
"Mas o que ela pensa que está fazendo?", Byakuya pensou, confuso. O que ela teria em mente, para provar que o que dizia era verdade?
"Deixe-me ver se vocês estão realmente no nível necessário para se utilizar o kidôu.", Rukia disse, e se virou para Ishida, que na opinião dela, parecia ter miolos que funcionavam, ao invés de massa cinzenta inútil, como Ichigo. "Recite para mim as regras básicas do uso do kidôu.", ela ordenou.
Ishida pigarreou, e ajeitou os óculos. "Primeiro, concentração do ki. Segundo, Direcionamento do ki. Terceiro, proferir as palavras de utilização do ki.", ele disse. Ukitake parecia orgulhoso, já que ele mesmo tinha ensinado os princípios básicos do kidôu.
Rukia então se virou para Renji, que na opinião dela, não parecia ser o maior expert nesse negócio de kidôu, já que a esfera de energia dele era bem sonsa. "Demonstre para mim uma das utilizações do kidôu.", ela disse. Renji piscou os olhos, e pareceu ficar um pouco nervoso.
"Iih, foi pedir justo pro pior manipulador de kidôu que existe...", Ichigo murmurou. Rukia sorriu triunfante por dentro: exatamente como ela imaginava.
"Não precisa ser algo muito elaborado. Uma utilização das mais simples, se você preferir.", ela disse. Renji pareceu um tanto aliviado, e se concentrou.
"Primeira concentração:", ele disse, e então se virou para Ichigo: "OBSTRUÇÃO!", e ao dizer isso, apontando o dedo indicador e médio juntos para o rapaz, os braços de Ichigo se dobraram, ficando seguramente presos em suas costas.
Rukia enfim estava começando a compreender o que era o "kidôu", e para que ele servia. Byakuya a observava, e enfim compreendia o plano dela. Sem saber, seus homens explicaram a ela os preceitos de utilização do "kidôu", e até fizeram uma demonstração de como se põe as concentrações em prática. Mas, Byakuya continuava a imaginar o que Rukia pretendia fazer agora. Entender era uma coisa, mas fazer era outra completamente diferente.
Ela estava enrascada, pois até mesmo aqueles que tinham dons espirituais elevados, como ele e os membros nascidos na família Kuchiki, precisavam treinar anos e anos para conseguir reproduzir uma pequena esfera de ki. Byakuya cruzou os braços, e olhou para a garota, esperando seu próximo movimento.
"Tá, troféu 'jóinha' pros dois bons alunos.", Ichigo disse, ácido. "Mas até agora, eu não vi VOCÊ fazendo alguma coisa.", ele disse. Rukia mostrou os dentes brancos, em um sorriso cínico.
"O melhor sempre fica pro final, cabeça-de-mexerica.", ela disse. Byakuya não podia deixar de se impressionar com a audácia da garota.
Rukia fechou os olhos, imitando o que Renji havia feito, e se lembrou das palavras de Ishida. "Concentrar o ki...", ela pensou. Ao tentar pensar em uma maneira de provar a eles algo que não existia, a mente da garota começou a ficar enevoada. Rukia pensou no ki, que segundo os ensinamentos budistas, era a força que movia a vida de todos os seres. "Os que vivem...", ela pensou, e se lembrou também dos mortos. Dos mortos sob a colina. A colina e os túmulos. Os túmulos e os vaga-lumes....
Rukia juntou as maõs, como se fosse fazer uma prece budista, e quando seus olhos se abriram, ela levantou o braço, com o dedo indicador e médio unidos, e disse, com palavras que ela jamais havia pronunciado antes:
"Vigésima segunda concentração: ILUMINAÇÃO!!"
A visão de todos que estavam ali foi ofuscada por um brilho intenso e esverdeado, como se milhões de vaga-lumes estivessem unidos em um pequeno espaço. Byakuya cobriu os olhos com a mão, sem acreditar no que via. Ukitake, Ishida e Renji estavam maravilhados com as habilidades da jovem Kuchiki, que mantinha os olhos abertos, fitando a enorme esfera brilhante na ponta de seus dedos.
O brilho foi cedendo, e logo se extinguiu. Rukia continuava com o braço esticado, olhando o local onde sua esfera havia brilhado intensamente.
"Eu não duvidava de suas habilidades, senhorita! Realmente, há sangue nobre em sua veias!", Ukitake disse.
"Esse é o resultado de um treinamento espiritual de anos e anos... utilizar um kidôu acima da classe dos quinze primeiros em concentração, sem ao menos proferir o encantamento completo...", Ishida comentou, ajeitando o óculos.
"É... nada mal.", Ichigo disse, e notou que Rukia continuava parada, na mesma posição. Ele piscou algumas vezes, e então, alguém passou ao lado dele.
"Ah! Capitão Kuchiki!", Renji disse ao ver o homem ali. Byakuya nem olhou para ele, ou para qualquer um dos demais. Ele se aproximou de Rukia, que continuou estática.
"Venha comigo.", ele disse, e tornou a se virar, caminhando de volta para a Mansão. Rukia enfim recolheu seu braço, e seguiu os passos de Byakuya.
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Foi um sussurro...
Eu quase não o escutei,
mas foi um sussurro.
Quando pensei nos vaga-lumes,
uma voz sussurrou no meu ouvido,
e eu apenas repeti as palavras...
Parecia que a minha voz não me pertencia.
Eu senti como se "alguém" tivesse puxado meu braço,
e por isso eu o estiquei para o alto, na direção do céu.
E foi esse mesmo "alguém" que tomou a minha voz,
e me fez proferir aquelas palavras, que eu jamais,
Jamais havia escutado antes, ou ao menos,
eu não me lembro de onde elas surgiram.
Aquele brilho era tão forte...
E eu senti meu corpo todo queimar.
De dentro para fora,
como um incêndio,
que se espalha.
E meus olhos...
agora, eles doem.
Mas, naquela hora,
eu não conseguia
desviar meu olhar.
Porque, no meio de todo aquele brilho,
haviam "sentimentos" queimando,
como se a luz fosse apenas a explosão,
como fogos-de-artifícios.
E, os "sentimentos" que estavam ali,
me davam adeus.
Os meus sentimentos estavam pegando fogo,
e de repente, eles se tornaram cinzas.
O meu vazio,
o meu nada-existencial,
o meu passado.
Eles arderam até o fim,
e então,
se despediram da minha alma,
deixando-a para sempre.
Agora, tudo que eu sou,
tudo que me resta,
são as vagas lembranças de quem eu fui.
Porque, aquela luz
sugou todo o meu passado,
e os vaga-lumes,
os milhões de vaga-lumes,
foram embora,
levando meu passado
pra bem longe de mim.
Aquela menina que mais era um fantasma,
aquela que fugia de casa toda noite,
aquela que nunca chorava,
e que nunca sorria,
aquela menina..
Não existe mais nesse mundo.
A "voz" que me sussurrou as palavras
de utilização do kidôu...
"Ela" me disse quem eu sou a partir de agora.
E, por "Ela", eu serei essa pessoa.
Pois, o combustível da explosão
não eram apenas os meus queimando,
Lá também estavam os "sentimentos"
daquela "voz", que me sussurrou.
"Adeus..."
e "Olá" para Kuchiki Rukia.
Continua...
Nota da Autora: Agora sim, a trama verdadeira começa. Tremei, mortais!
Muito obrigada, "Memories". Sem você embalando minha madrugada, eu jamais teria conseguido expressar os sentimentos da Rukia tão claramente, ao mesmo tempo que tento manter certos segredos a salvo para o futuro.
E, alguém já assistiu "O Cemitério dos Vaga-lumes"?