Chapter Three - Anseios na escuridão
"Todo ser aprenderá
a ter as estrelas como guia
Brilham iluminando o céu
A certeza da viagem
Luz da noite,
Um sussurro de amor
Traga sua paz para mim
Viajante para sempre sonhador
Siga seu destino até o fim."
by Shurato.
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Eu confesso que, por mais que eu deteste estar aqui,
ter encontrado aqueles quimonos lindos no armário me deixaram mais animada.
Sim, eu sei...
Como sou facilmente corrompida e comprada!
Mas, vejam bem, não me culpem!
Se qualquer uma estivesse no meu lugar, teria ficado maravilhada também!
Haviam tantos quimonos!
Achei estranho todos serem pretos,
e de onde vieram? Será que eram de alguém?
Mas enfim...
Eu gosto de preto.
É uma não-cor que cai bem em mim.
Mas, não pensem que agora eu gosto daquele capitão metido...
Nem um pouco, eu continuo a detestá-lo!
"Rukia-san. O capitão está te chamando para o jantar.", uma voz me chamou, de trás da porta.
Eu bufei.
Era o laranjão!
Eu enrolei um pouco pra abrir a porta...
Pensar que eu ia ver a cara de mau-humor daquele cara...
E ser levada para ver o outro, que é mais mau-humorado ainda...
Eu até fui rápida!
Mas peraí...
Ele me chamou do que?
Rukia-san..??
Eu achei bem estranho, mas enfim...
Aquele cara era bem estranho mesmo, então...
Abri a porta, e vi...
Não só o laranjão, mas o ruivão também estava lá.
"Mas que saco! Será que vocês dois não se desgrudam?", eu falei.
Eles se olharam, e depois olharam para mim.
Hum, parece que peguei um ponto fraco!
Os dois estavam fervendo!
Mas, nenhum dos dois falou nada.
Estranho...
Era para eles estarem berrando comigo.
O que será que aconteceu.
"Rukia-san... o capitão está lhe chamando para Jantar.", o ruivão repetiu.
Eu arqueei uma sobrancelha.
Qual era o problema dele?
Setá que o capitão deu uma bronca neles?
Mandou eles me tratarem melhor?
Iihh...
Isso tá estranho demais!
"Qual o problema com vocês?", eu perguntei, colocando as mãos na cintura.
Eles me olharam, como se eu fosse um Youkai de nove rabos com um par de orelhas pontudas.
"O que quer dizer, senhorita?", o ruivão perguntou.
Eu engasguei.
SENHORITA??????
AH, algo estava MUITO errado!!!
"Desde quando vocês me chamam de 'Rukia-san'?? E que negócio é esse de 'senhorita'??", eu disse.
"Mas essa é a maneira correta de tratá-la, Rukia-san.", o ruivão falou.
Caraca!
Mas que loucura toda é essa??
Será que esses dois tem transtorno bipolar??
"Por que vocês estão me tratando com tanta formalidade, hein?", eu perguntei.
Eles me olharam com aquela cara de "é óbvio, não?!"
Só que, a minha cara era de "expliquem logo!"
"A senhorita é irmã do capitão Kuchiki. Nós devemos tratá-la com respeito.", o ruivão explicou.
Quer dizer, explicou naquelas...
Porque eu continuei boiando!
Eles bem sabiam que eu NÃO era irmã porra nenhuma daquele capitão!
Que eu era órfã, e tava morrendo na cabana queimada dos meus pais...
Putz!
Essa história toda tava ficando cada vez mais complicada!
Ah, mas aquele capitão ia me pagar!
Ele vai ter que me explicar logo o que tá acontecendo!
Uma mudança dessas não é normal...
Aí tem coisa!
Eu sei que tem!
"Rukia-san... podemos conduzí-la agora para o jantar?", o laranjão me perguntou.
Eu lancei um último olhar irritado para eles.
"Se vocês insistem em me chamar desse jeito, não posso fazer nada. Vamos logo.", eu falei.
Sim, eu fiquei emburrada!
Odeio que me façam de boba!
"Por aqui.", o ruivão falou, e andou na minha frente.
Atrás de mim, vinha o laranjão.
Ah, agora eles ainda fingiam que eram meus guarda-costas?
Pff!!
Quanta palhaçada...
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Narrativa Onipresente
A sala de jantar ficava dois andares abaixo do quarto de Rukia, e ela foi conduzida por longos corredores. A Mansão Kuchiki era realmente vasta, e poderia ser um labirinto, com tantas portas, e corredores perpendiculares.
Ela foi instruída por Renji a nunca sair do corredor principal, que era mais largo que os outros, enquanto não aprendesse a se localizar naquela casa.
Finalmente, eles pararam em frente a uma grande porta, e Renji abriu-a para Rukia. A garota entrou, mas os dois ficaram do lado de fora. Ela balançou a cabeça, ainda confusa pela atitude dos dois, mas logo seus pensamentos foram banidos, quando um pigarro chamou sua atenção.
Ela se virou, e viu que Byakuya estava sentado na ponta de uma grande mesa de carvalho escuro. A comida, os pratos e talheres já haviam sido colocados na mesa, e Byakuya fez um movimento com a mão, indicando que ela se sentasse na cadeira bem a frente dele. Rukia notou que haviam pratos e talheres em frente a todas as dez cadeiras, cinco de cada lado da mesa.
"Deve estar com fome. Mas não se sirva ainda. Temos que esperar os outros.", Byakuya falou. Rukia mirou os olhos.
Antes que ela pudesse falar alguma coisa, a porta foi novamente aberta, e várias pessoas entraram.
Renji se sentou do lado direito de Byakuya, e Ichigo do esquerdo. Ao lado de Renji se sentou Mayuri, e mais três homens, assim como do lado de Ichigo, mas eram homens que Rukia não conhecia.
"Antes de começarmos a jantar, vou apresentá-los a uma pessoa muito especial.", Byakuya falou, quando todos já tinham se ajeitado em seus lugares.
Eles olharam para ela, cada um com um tipo de olhar diferente. Rukia engoliu seco, mas continuou com a cabeça erguida, olhando para Byakuya.
"Essa é minha irmã caçula, que chegou hoje cedo, após uma longa viagem. Ela estava isolada nas distantes montanhas de Osorezan, fazendo seu treinamento espiritual. Por favor, apresente-se, Rukia.", Byakuya falou. A expressão no rosto de Rukia era de puro choque, mas ela logo se recompôs. Ela lançou um olhar gélido para Byakuya, e finalmente falou:
"Sou... Kuchiki Rukia. Muito prazer.", ela disse, mas dizer "Kuchiki" antes de seu próprio nome foi como arranhar uma pedra em sua garganta.
"Esses são os meus melhores guerreiros, a elite de meu exército.", Byakuya falou, e fez um movimento com a mão, indicando que eles se apresentassem.
"Sou Abarai Renji, líder da equipe Vermelha. É um prazer conhecê-la.", Renji disse, curvando a cabeça para ela.
"Kurosaki Ichigo, líder da equipe Laranja.", Ichigo falou, fazendo um breve aceno com a cabeça também.
"Kurotsuti Mayuri, ao seu dispor, senhorita Kuchiki.", Mayuri disse, sorrindo estranhamente para ela.
"Ukitake Jyuushirou, líder da equipe Branca. *cof cof* É um prazer.", o homem sentado ao lado de Ichigo disse. Ele tinha longos cabelos brancos, e uma pele bastante pálida.
"Komamura Sajin, líder da equipe Verde.", disse o homem ao lado de Mayuri. Ele tinha a cabeça coberta por uma máscara muito estranha, e era muito robusto. Sua voz era grave e séria.
"Sou Tousen Kaname, líder da equipe Amarela. É um prazer, senhorita Kuchiki.", disse o homem ao lado de Ukitake. Tinha cabelos negros bem longos, feitos de dread-locks e presos em um rabo de cavalo. Sua pele era bem morena, e ele usava óculos estranhos.
"Iba Tetsuzaemon, vice-líder da equipe Verde. É um enorrrme prazer conhecer a senhorita!", disse o homem ao lado de Komamura. Ele tinha o cabelo preto curto e usava óculos escuros estilosos. Sua voz era cheia de empolgação, o que destoava completamente daquela mesa cheia de homens sérios e amuados.
"Sou Ishida Uryuu, vice-líder da equipe Branca, ao seu dispor.", disse o rapaz ao lado de Tousen. Ele era jovem, tão jovem quanto Ichigo, e tinha cabelos azuis-escuros curtos, e usava óculos de aro fino, que ele empurrava de minuto em minuto.
"Zaraki Kenpachi, líder da equipe Preta.", um homem assustador falou. Usava tapa-olho, e os cabelos espetados tinham sininhos nas pontas.
"Me chamo Zangestu, e é um prazer finalmente conhecê-la, senhorita Kuchiki.", apresentou-se o último homem, que estava vestido de preto, como da outra vez.
Rukia fitou cada um deles, tentando guardar seus nomes.
"Você terá muito tempo para decorar o nome de cada um deles. Agora, vamos jantar.", Byakuya disse. Rukia olhou para ele, ainda com vontade de levantar-se e exigir uma explicação decente. Mas, ela estava com fome, e começou a se servir e a comer.
Durante o jantar, eles mal falavam, sempre sérios e recatados. Aquilo estava incomodando Rukia, e ela decidiu falar alguma coisa, temendo que aquele silêncio os engolisse.
"Pode me passar o sal... nii-san?", ela disse, e deu um sorriso, pensando em como era engraçado chamá-lo daquela maneira. Byakuya quase engasgou ao ouví-la chamando-o daquela maneira, mas ele conseguiu se conter, e olhou para ela. Seus olhos se estreitaram ao notar a diversão no rosto da garota.
No entanto, não apenas Rukia se divertiu com a situação. Iba, Ukitake, Ichigo e Zaraki começaram a rir. Quanto aos outros, esses estavam perplexos, assim como Byakuya.
Byakuya lançou um olhar mortal para os quatro que riam, que pararam, mas não deixaram de sorrir.
"Gomenasai, Capitão...*cof cof*", disse Ukitake, que era o mais polido dos quatro. Byakuya lançou um último olhar para eles, e então se virou para Rukia.
"Aqui está.", ele disse, e passou o sal, que foi de mão em mão até ela. Todos estavam olhando para ela, com expressões distintas.
"Arigatou, nii-san.", Rukia disse, e sorriu docemente para ele. Byakuya franziu o cenho, mas voltou a comer.
Assim, o jantar terminou, e todos se retiraram. Cada um deles se curvou respeitosamente para Byakuya e Rukia também, antes de deixarem a sala de jantar. Aquilo incomodou um pouco a menina, já que ela não estava acostumada aquele tipo de tratamento. Quando todos estavam fora, e apenas Byakuya e Rukia ficaram dentro, a garota escutou a voz do Capitão, que falava com ela:
"Não me faça de idiota na frente de meus subordinados, Rukia. Se fizer isso novamente, cortarei eu mesmo a sua cabeça.", ele disse, a voz controlada, porém cheia de ira contida. Rukia fitou o homem a sua frente.
"Não achei que fosse se importar. Além do mais, qual o problema de fazer papel de idiota na frente de outros idiotas?", Rukia disse.
"Você tem uma língua muito comprida, Rukia. Talvez eu deva cortá-la, para ver se não saem mais palavras de desacato.", Byakuya disse, ameaçadoramente. Para a surpresa do homem, Rukia riu.
"Pois se acostume. Não fui eu quem pediu para estar aqui, brincando de teatro. Isso tudo é culpa sua, portanto, aguente.", Rukia disse, e se levantou, indo para a porta onde os outros haviam saído.
Byakuya estava fervendo de raiva. Ninguém nunca falou com ele daquela maneira e viveu para se vangloriar. Mas, ele não podia negar que ela tinha um ponto.
"Mas, se isso for te fazer se sentir melhor, eu vou te chamar de 'nii-sama'. Está bom assim?", Rukia disse, e sorriu para Byakuya. Antes que o homem pudesse dizer alguma coisa, Rukia fechou a porta e Byakuya ficou sozinho.
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A cara dele...
Estou rindo até agora!
Ele acha que vai me controlar, que nem controla os idiotas...
Pois espero que ele tenha percebido a verdade!
Eu não vou baixar a cabeça pra ele!
Nem pra ninguém daqui!
Deu pra perceber que, sendo 'irmã' dele, me dá alguma autoridade...
Pelo menos, não vou mais ter que ouvir desaforo de ninguém...
E, que lugar é esse?
Não é aquele jardim de antes...
Parece mais um campo aberto.
E tem luz mais a frente!
Vou dar uma olhada...
Hmm... aquilo é um estábulo...
E, ali do lado, o que é?
Parece uma casa separada...
Com várias portas.
Hey... aquele ali é o laranjão!
Será que ele mora ali?
Não custa nada dar uma olhadinha!
He!
E lá fui eu.
Silenciosamente.
Vai que eu não posso..
E aí me pegam aqui!
Eu resolvi espiar pela janela mesmo...
E...
Nossa!
O lugar tá cheio de gente!
Caramba...
O que essa galera toda faz aqui?
Ah!
Vai ver eles são o tal exército...
É... tem gente a beça...
Acho que até dá pra montar um exército!
Bom, enfim...
Em nome de Buda, eles acabaram de jantar..
E estão comendo de novo??
"Vocês tinham que ter visto a cara do capitão Kuchiki!", a voz do cabeça-de-mexerica se sobressaiu.
Ele contou sobre o que aconteceu durante o jantar, e várias pessoas riram.
Realmente foi engraçado!
Até eu quis rir de novo.
"Aquela irmã dele é um porre, mas foi engraçado!", ele disse novamente.
Eu cerrei um dos meus punhos.
Um porre?!
Esse idiota...
"É estranho... mas eu não me lembro do capitão ter mencionado que tinha uma irmã.."
Eu voltei a olhar pela janela.
Dessa vez, era um careca quem tinha falado...
"Pois é, Madarami! Mas, eu mesmo fui buscá-la no porto hoje...", o ruivão disse.
Como é que é?
Porto? Que porto?
Foi me buscar no... porto?
"Eu não acreditaria se alguém me dissesse, mas vi com meus próprios olhos...", o tal de Iba disse.
"Eles até se parecem... embora ela tenha uma personalidade bem diferente...", o cara do cabelo branco disse.
Acho que era Ukitake o nome dele...
"Eu discordo! Aquela lá é arrogante que nem o capitão!", o cabeça-de-mexerica disse.
Ah, se eu pego ele! Arrogante, eu?!
"É estranho que uma garota fale tão informalmente com o capitão... mesmo ela sendo irmã dele."
O tal de Tousen falou, com o cara da máscara esquisita.
Aliás, eu nem parei pra reparar como foi que ele comeu com aquilo na cabeça...
Acho que eu tava tão enfeitiçada pelo sashimi de salmão que nem percebi...
"Sim. Mas algo me pareceu estranho. Estava um clima muito peculiar...", o da máscara falou.
"Você também percebeu?", comentou aquele senhor de preto, Zangetsu.
"Pois a única coisa que eu percebi é que aquela pirralha é uma mal-educada, magrela sem-graça , mandona, arrogante..."
O cabeça-de-mexerica tá pedindo...
Ah, mas ele tá pedindo!!
"... uma nanica sem-noção! Anãzinha esnobe!", ele completou.
AH, MAS ELE PEDIU!!!!!!!
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Narrativa Onipresente
"DA ONDE VEIO ISSO???", um Ichigo muito irritado perguntava, segurando um objeto em sua mão. O tal objeto havia atingido-o na testa segundos atrás, e ele nem percebeu para se esquivar.
"O que é isso?", Abarai perguntou. Alguns na mesa riam de Ichigo. Mais pelo efeito do sakê, do que pela situação em si. Ichigo então olhou pro objeto que ele segurava e viu um chinelo japonês, pequeno demais para ser de qualquer um deles ali.
"Um... chinelo..??", ele disse. Havia um vergão vermelho em sua testa, mas ele estava muito curioso e confuso com o objeto em suas mãos para dar atenção àquilo.
"Meu chinelo!", uma voz aguda veio da porta. Todos viraram as cabeças para ver quem era, pois era incomum uma voz feminina se propagar naquele ambiente.
Eles fitaram, estupefatos, a figura esguia de uma garota, de cabelos escuros e olhos azuis que brilhavam com um fogo furioso. Ichigo olhou para ela, atentamente.
"Você... o que faz aqui??", ele disse. A menina entrou no local, ignorando todos que olhavam para ela, e caminhou com passos firmes até o jovem líder. Logo, ela estava ali, encarando-o como podia, um de frente para o outro. Todos os outros permaneciam sentados. De repente, a garota esticou o braço e puxou com força a orelha de Ichigo, que arqueou as costas, e soltou um grito de dor.
"AAII! O que você pensa que está fazendo???", ele disse, enquanto ela puxava a orelha dele com força.
"Quem é que você estava chamando de pirralha, magrela, nanica, anã e todas aquelas outras coisas mais?? HEIN????", ela disse, segurando com força o lóbulo da orelha do rapaz, que tentava se soltar.
"ME SOLTA!!!!", ele berrou, fazendo força para se soltar, e ela o puxou novamente. Ele cerrou os dentes e puxou com toda força. Mas, Rukia preveu aquele movimento dele, e soltou a orelha, e Ichigo foi voando em cima da mesa.
Um coro de gargalhadas subiu pelo salão, enquanto todos riam de Ichigo, que havia pousado bem em cima de um prato grande de mocchis.
"Deixe um pouco pra nós, Kurosaki!!!", o careca chamado Madarami Ikkaku disse, e ele segurava a barriga de tanto rir.
"Que te sirva de lição, cabeça-de-mexerica! Ninguém insulta Kuchiki Rukia e sai numa boa!", a garota disse, e lançou um sorriso convencido para o rapaz, que bufou de raiva.
Ela se virou, e caminhou para a porta, quando algo atingiu a cabeça dela, melando seus cabelos escuros. Ela parou, e todos ficaram em silêncio. Ela passou uma mão hesitante sobre a massa estranha que escorria pelo seu cabelo, e quando olhou para os dedos, viu que era um pedaço de... mocchi!
Ela se virou, furiosa, e viu Ichigo ali, sentado na mesa, mastigando demoradamente um dos doces. Havia um sorriso desafiador nos lábios dele, e aquilo fez o sangue de Rukia ferver.
"Ora, seu....", ela disse, e enfiou a mão na vasilha de azuki, e atirou com força, mirando novamente o rosto de Ichigo. Dessa vez, ele foi mais rápido e se abaixou, mas a massa marrom foi de encontro direto com a careca brilhante de Madarami, que ficou estático. Rukia cobriu a boca com uma das mãos, surpresa, e Ichigo apenas se virou um pouco, e fitou o rapaz.
O restante também ficou observando com atenção.
"TOMA ISSO!!!!!", Madarami disse, e se levantou de repente, jogando filés de peixe na direção de Rukia, que se abaixou, e atingiu um outro rapaz, de cabelos curtos e azuis, chamado Ayasegawa Yumichika.
"MADARAMI!! VOCÊ FEZ DE PROPÓSITO!!!", o rapaz gritou, a voz mais estridente do que o normal, e ele também se levantou e começou a atirar comida em qualquer direção, pois seu alvo, Madarami, estava correndo pelo salão. Agora, muitos eram os atingidos, e muitos mais eram os que atingiam.
Aquilo havia se tornado uma...
"GUERRA DE COMIDAAAAA!!!!!", alguém gritou, e logo estavam todos gritando e atirando comida pra todos os lados.
Ichigo aproveitou a ocasião, que nunca havia acontecido antes, para esfregar um belo pedaço de anko na cabeça sempre impecável de Ishida Uryuu, com quem ele vivia tendo discussões bobas. Claro, Renji também era um de seus alvos prediletos!
Rukia logo encontrou Ichigo no meio da multidão, e conseguiu se vingar, já que o rapaz estava muito ocupado mirando nos cabelos longos de Renji, e não percebeu a aproximação de Rukia, não até ela ter colocado um peixe grande e gelado dentro da roupa dele, que desceu escorregando pelas costas do rapaz, que tremeu da cabeça aos pés.
Quando ele se virou, Rukia estava rindo que nem uma louca, e ele aproveitou para jogar shoyu dentro da boca dela, e isso a fez engasgar. Renji também retrucou o ataque de Ichigo, aproveitando que ele estava ocupado com Rukia, e jogou restos de uma sopa de missô dentro do hakama dele, e Ichigo xingou os dois, que trocaram olhares rapidamente e riram do rapaz de cabelos alaranjados (que agora estavam brancos, por causa do pó-de-arroz que Ishida jogou nele).
E, no momento em que Kuchiki Byakuya entrou no salão, após ouvir a algazarra de seu quarto, um onigiri acertou-o no nariz. O homem pigarreou, e olhou ao redor. Alguns ainda demoraram mais segundos para perceber a presença dele ali, mas logo uns foram cutucando os outros, e todos então pararam, e fez-se o silêncio novamente. Quer dizer, quase.
"Vocês estão mancomunados contra mim!!! Só pode ser!!!!", um Ichigo completamente sujo gritava, enquanto uma Rukia igualmente suja e um Renji igualmente sujo riam dele.
Byakuya pigarreou novamente, dessa vez mais alto, e os três finalmente o notaram ali. Ichigo então baixou os olhos, Renji pareceu constrangido e Rukia enrubesceu de leve.
"O que vocês pensam que estavam fazendo?", o capitão perguntou, com um tom de voz estranhamente baixo e contido. Os presentes se entreolharam, mas o olhar de Byakuya permanecia fixo no trio. "Pode me responder.. Rukia?", ele perguntou.
"Ora, nii-sama... eu só estava interagindo com os rapazes... achei que seria interessante conhecer o seu grandioso exército, cheio de guerreiros fantásticos. Você mesmo me disse que eles eram surpreendentes e talentosos.", Rukia disse. Byakuya ergueu uma sobrancelha, admirado com a performance da garota.
Alguns dos presentes murmuravam entre si, orgulhosos por terem sido chamados de "fantásticos" e "talentosos".
"E, você tinha razão sobre eles. São guerreiros nascidos para as lutas. Veja só, uma simples guerra de comida se extendeu dessa maneira... imagino do que eles são capazes no campo de batalha..", Rukia disse, e olhou para Renji e Ichigo, que deram sorrisinhos para ela.
Byakuya respirou fundo e então se virou para sair de lá.
"Eu espero que vocês arrumem toda essa bagunça até as quatro da manhã, pois é esse o horário em que começaremos os treinos.", ele disse, e todos pareceram surpresos e aborrecidos. "Quanto a você, Rukia: já que quer tanto interagir com meus guerreiros, sugiro que fique aqui e ajude eles a limpar isso.", ele completou e saiu do lugar.
"Até que ele aceitou bem... eu achei que as consequências seriam piores...", Madarami disse. Rukia soltou um suspiro. Ela não gostou da idéia de ficar ali e ajudá-los a limpar qualquer coisa, mas ela tinha que admitir que a bagunça começou depois que ela apareceu lá.
Uma vassoura surgiu na frente dos olhos dela, e Rukia levantou o rosto para fitar Ichigo, que parecia prester a gargalhar.
"Pronta?", ele perguntou, e a menina pegou a vassoura.
"Fazer o quê, né?", ela disse, e começou a juntar os pedaços de comida no chão. Ichigo e Renji se entreolharam, curiosos. Eles imaginaram que a irmã de Byakuya seria muito mais metida, e que ela se recusaria a ajudá-los. Mas, pensando bem, eles também não podiam imaginar que ela começaria uma guerra de comida com eles, e que não contaria a Byakuya que a briga começou porque Ichigo havia ofendido ela.
Realmente, como Ukitake havia dito, a personalidade de Rukia era bem diferente da de Byakuya, mesmo eles sendo irmãos.
"Tá bom que eu concordei em ajudar, mas vocês não precisam ficar parados aí...", Rukia disse, olhando para os dois, séria. Renji se aprontou a ajudá-la com a vassoura, enquanto Ichigo foi para o outro lado, ajudar a jogar água no local.
As coisas estavam sendo organizadas rapidamente, pois o batalhão era vasto e eficiente. Rukia então resolveu ir pegar um pouco de água, pois sua vassoura estava toda melecada, as cerdas nem conseguiam mais limpar qualquer coisa, de tão grudadas por causa dos bolinhos de arroz. Ao sair, Rukia caminhou até o poço, e percebeu uma figura ali, enchendo alguns baldes.
Era Ichigo.
O rapaz sentiu alguém olhando-o, e ele se virou. Ao ver Rukia ali, ele arqueou uma sobrancelha. "O que foi?", ele perguntou.
"Vim pegar água... minha vassoura está mais sujando que limpando...", ela disse, mostrando a ele.
"Argh! O que é isso?", Ichigo perguntou, olhando com nojo para a massa branca grudada nas cerdas.
"Bolinhos de arroz...", ela respondeu.
"Você tentou varrer bolinhos de arroz? Que espécie de gênio faria isso??", Ichigo disse. Rukia lançou a ele um olhar mau-humorado, e ele riu dela. Quando ela deu uma vassorada na cabeça dele, Ichigo resmungou malcriações e tornou a encher seus baldes de água.
No entanto, ele sentiu os olhos dela, e se virou para encará-la novamente. "Tem algo na minha cara?", ele perguntou, quando ela não desviou o olhar do rosto dele.
"Na verdade, tem sim.", Rukia respondeu, com um sorriso zombeteiro. Antes que o rapaz respondesse alguma coisa, Rukia se inclinou sobre a ponta dos pés, e tocou a face dele com seus dedos delicados. Ichigo ficou estático, os olhos se abrindo em espanto ao contato súbito. "Acho que isso é um umeboshi...", ela disse, e Ichigo olhou para uma bolinha vermelha presa entre os dedos da garota, que sorria marotamente.
Então, Rukia colocou a ameixa em sua boca, e lambeu os dedos em seguida. Ichigo olhou hipnotizado a garota passar a língua rosada ao redor do dedo indicador, e depois do dedo médio. Sua garganta secou, e a respiração pareceu prender em seus pulmões.
"Ichigo...", ela murmurou, e o rapaz olhou para os lábios rosados, de onde seu nome saiu de forma tão suave.
"Hmm?", ele perguntou, distraído e sonhador, com uma sensação de ansiedade palpitando em seu peito.
"Seu balde...", ela disse e Ichigo viu que ela apontava para o poço. Em sua distração, Ichigo havia soltado a corda do balde, que agora jazia no fundo escuro do poço.
"Ah! Droga!!", ele esbravejou, se inclinando para o dentro do poço. Rukia riu e então se afastou. "Onde você vai?", Ichigo perguntou.
"Vou voltar, oras...", ela disse.
"Mas e a água? E a vassoura suja?", ele perguntou, olhando para ela e então para dentro do poço.
"Acho que o ruivão tinha um balde de água com ele... vou ver se ele me empresta um pouco...", ela disse, e caminhou de volta ao galpão. Ichigo olhou para a forma miúda dela se afastando, e com um suspiro pesado, tornou a focar no balde.
"Onde é que eu estava com a cabeça....", ele pensou, constrangido e confuso, enquanto tentava içar o pobre balde perdido.
Continua...
Mil anos se passaram, e enfim saiu o terceiro capítulo. Ao senhor Aoshi do AS, eu mando meus sinceros agradecimentos pelo apoio e pelos adoráveis elogios. Eu realmente fico muito grata, e sinto não ter respondido devidamente suas mensagens. E, à senhorita Karol, chefinha do canal de Fanfics do AS, eu também mando minhas saudações! Obrigada pela atenção e parabéns pelo excelente trabalho.
Ah, sobre a história: Esse capítulo foi o MAIOR desvio de roteiro que eu já escrevi em toda minha existência como ficwritter... bom, para aqueles que gostam de humor, aproveitem, pois o próximo capítulo é o que marca o início do desenrolar da trama. Até agora, eu apresentei os personagens superficialmente, e dei prévias de como será o relacionamento dos personagens. Daqui pra frente, as coisas entram nos eixos, e alguns segredos serão revelados, enquanto outras dúvidas surgirão.
Sendo assim, agradeço àqueles que continuam a esperar minhas atualizações nada frequentes.
Muito obrigada, do fundo do coração.