AMANHã
por Nina Neviani
Beta-reader: Chiisana Hana
Capítulo VIII - Uma outra tarde em família
Aiolia acordou com a sua filha jogando-se em cima dele.
- Papai, acorde! Já são nove horas! A gente prometeu que iria levar um pedaço de bolo para a Marin hoje.
Despertando completamente ao ouvir o nome "Marin", Aiolia respondeu:
- Tem razão, querida. Vá para o banho, eu também vou me arrumar. Depois tomaremos café e iremos para a casa dela.
- Por que a gente não toma café na casa da Marin?
Aiolia pensou em uma razão para não aceitar a proposta da filha. Na verdade, existiam várias. Porém nenhum era mais forte do que a vontade que ele tinha de rever a ex-namorada. E quem sabe assim ele poderia esclarecer o que realmente tinha acontecido no passado de ambos.
Com a demora do pai em responder, Athina reforçou:
- Ela não vai achar ruim. Eu e ela somos amigas, e amigas tomam café juntas.
- Pode ser uma boa idéia, amiga da Marin.
- Eba! Eu vou tomar um banho. Vá também, daí quem terminar primeiro começa a arrumar a cesta que a gente vai levar. Tá bom?
- Acho que eu perdi alguma coisa, pequena. De que cesta você está falando?
- Ora, a cesta de café da manhã! A gente não pode chegar de mãos vazias.
Aiolia riu, e disse:
- Como eu poderia discordar? Athina Priamos já planejou tudo.
Mal ele tinha acabado de falar, a garota já tinha saído pela porta. No entanto, instantes depois ela voltou e, parada na porta do quarto do pai, disse:
- Seria legal ter uma mãe como a Marin.
E sem esperar pela resposta do pai, foi para o banho.
- Pode ser uma boa idéia. - Aiolia respondeu para si mesmo. - Pode ser.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Menos de meia hora depois, eles já tinham começado a preparar a cesta de café da manhã - com direito a bolo de aniversário e docinhos - da Marin. Só quando já estavam no carro que Aiolia percebeu o quanto fora impulsivo. Ele deveria ter pelo menos telefonado avisando que iriam. Ainda mais depois da maneira como a Marin tinha deixado a festa no dia anterior. Mas naquele momento era tarde para se arrepender, afinal já estavam na frente do prédio no qual a Marin morava.
Quando Aiolia conseguiu alcançar a sua filha, que tinha disparado na frente, ela já tinha tocado a campainha. Instantes depois, Marin abriu a porta.
- Bom dia, Marin! - Athina saudou-a e abraçou-a fortemente.
- Bom dia, Athina! - Marin já tinha se refeito da surpresa de ter a garotinha e o pai na sua porta tão cedo.
- Olá, Marin! - Aiolia a cumprimentou - Trouxemos o seu café da manhã. - Disse mostrando a cesta de café da manhã.
- Oi, Aiolia. Obrigada. - E abriu mais a porta para que eles pudessem entrar.
- A idéia foi minha. - Athina explicou, orgulhosa.
- Eu adorei, querida! Vamos comer?
Enquanto a filha estava entretida na arrumação dos pratos, Aiolia falou para Marin, de forma que somente ela escutasse.
- Espero que você não tenha se ofendido.
- Pelo quê?
Ele fez um gesto indicando a mesa do café da manhã, mas se referia também a visita dele e da filha.
- é claro que não. Eu realmente gostei. - Marin respondeu e sorriu.
Aiolia percebeu que Marin já não usava o tom agressivo quando falava com ele, e achou que talvez tivesse chegado o momento de esclarecer o passado deles.
- Marin, - continuou no mesmo tom baixo - eu acho que nós temos que conversar. Sobre o nosso passado.
Ela concordou silenciosamente e disse:
- Mas não podemos conversar sobre isso na frente da Athina.
- Eu sei.
E foi ajudar a filha, não sem antes deixar claro que iriam voltar a conversar sobre aquele assunto muito em breve.
::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Depois do café, os três saíram para passear. Almoçaram fora, e novamente foram confundidos como uma família. Dessa vez, nem Marin e nem Aiolia se incomodaram. Passaram a tarde em um parque e apenas no final da tarde voltaram para o apartamento da Marin.
Athina, pouco depois que chegou, cochilou no sofá.
- Ontem e hoje foram dias mais agitados do que o normal pra ela.
- Entendo. Se você quiser colocá-la na cama, fique à vontade. A primeira porta do corredor é do quarto de hóspedes, ele está arrumado.
Quando Aiolia foi deixar a filha no quarto indicado, Marin se deu conta que em breve conversariam sobre tudo o que tinha acontecido há vários anos na vida deles. E provavelmente teria que contar para Aiolia que era estéril, a única coisa que ela esperava era que ele não sentisse pena dela. Marin se assustou quando ouviu Aiolia dizer.
- Ela está muito cansada, e não acho que vai acordar tão cedo. O que é bom, já que temos muito o que falar.
- Sim. - Foi a única coisa que Marin conseguiu dizer.
Aiolia se sentou ao lado dela no sofá. Nenhum dos dois falou por algum tempo.
- Marin, o nosso namoro era somente uma diversão pra você? Era só a aventura de namorar um professor?
- Não! Como você pode pensar isso, Aiolia? é claro que não.
- Então por que você sumiu sem dizer nada?
Marin respondeu com outra pergunta:
- Você já estava com a Thalassa naquela época?
- Eu estava com você, Marin. Eu nunca traí você.
- é que pela data de nascimento da Athina... Eu pensei que você... Bem, eu pensei que eu fosse a aventura.
Aiolia não se conteve e acariciou o rosto dela.
- Marin... Só quando você soube que a Athina nasceu prematura que você percebeu que eu não traí você, não é?
- Por isso, eu fui um pouco grossa com você.
- Eu acho que posso entender... Marin, se você soubesse que se você não tivesse me deixado eu jamais teria tido algum relacionamento com a Thalassa.
- Mas... eu não lamento isso totalmente. Se não fosse o seu relacionamento com Thalassa, a Athina não existiria.
- Sim, é verdade. E foi só por ela que eu me casei com a Thalassa. - Aiolia respirou fundo. - No dia da formatura, quando eu soube que você tinha ido embora pro Japão... Eu bebi demais e... aconteceu.
- Eu não sabia...
- Marin, eu estou contando o que realmente aconteceu. Estou admitindo o quanto eu sofri por ter perdido você.
Dessa vez, foi ela quem tocou-o.
- Se eu soubesse.
- Eu não pretendia ter nenhum relacionamento com a Thalassa. Mas dois meses depois, ela apareceu dizendo que estava grávida. E bem, eu tive que me casar com ela. O nosso casamento foi um verdadeiro inferno. Nós definitivamente não tínhamos sido feitos um para o outro. Talvez, se eu tivesse me empenhado mais... se eu tivesse tentado amá-la... No dia em que aconteceu o acidente, a Thalassa estava deixando a casa. E levava a Athina também, ela tinha bebido e percebido que o nosso casamento era uma farsa. Daí, aconteceu o que você já sabe.
- Sim.
Depois de um outro tempo em silêncio, Aiolia voltou a perguntar:
- Por que você me deixou, Marin?
- Mais ou menos uma semana antes da formatura, eu descobri que sou estéril.
- Por que você não me disse nada?
- Eu não queria que você sentisse pena de mim. Eu sempre soube que você sempre sonhou em ser pai, e não queria que você continuasse comigo só por compaixão.
- Compaixão? Marin, eu amava você. Eu era apaixonado por você! Eu ficaria com você, porque era o que eu queria fazer. Você fugiu pro Japão só porque você descobriu que era estéril?
- Só? - Marin tinha lágrimas nos olhos - Você entendeu o que eu disse? Eu nunca, nunca, vou poder ter filhos. Nunca vou poder colocar no mundo uma criança como a Athina.
Aiolia a abraçou e disse.
- Eu sei. Marin, eu te amava. Nós poderíamos ter adotado uma criança! Eu seria pai do mesmo jeito.
- Você diz isso agora...
- Não. Porém, eu estou disposto a provar pra você que eu amo você pela pessoa que você é, e não pelos filhos que você pode me dar.
- Você... - ela não terminou o que ia dizer porque o telefone começou a tocar.
Aiolia deixou de abraçá-la para que ela pudesse atender a ligação.
- Alô?
- Alô, Marin? Sou eu, Shina.
- Oi, Shina! Tudo bom?
- Tudo ótimo, Marin! Eu aproveitei a minha folga e contatei algumas pessoas essa semana. Hoje eu recebi a resposta.
- Resposta? Do que você está falando.
- Marin, eu acho que encontrei o Touma. O seu irmão!
- Oh, jura?
- Juro. Na verdade, eu marquei de me encontrar com ele mais tarde. Mas quem vai é você. Se você quiser, eu posso ir também.
- Sim, eu estou indo já pra sua casa.
- O que aconteceu, Marin?
- Aiolia, a Shina encontrou o meu irmão!
- Irmão? Você tem um irmão?
- Sim, meio irmão. Filho do meu pai. Minha mãe nunca deixou meu pai assumi-lo, e eu também não sabia da existência dele até pouco tempo. Foi por isso que eu voltei pra Grécia. Nem eu nem minha mãe tínhamos conseguido encontrá-lo até agora. Mas a Shina o achou.
Aiolia secou uma lágrima do rosto dela.
- Vá lá. Vá encontrá-lo. Se você quiser, eu e a Athina ainda estaremos aqui quando você voltar.
- Eu quero.
- Então, nós estaremos aqui.
Aiolia beijou-a levemente e disse:
- Vá.
Continua...