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[Original] A Rosa entre Espinhos

Capitulo IX


Autor: ~JosianeVeiga

Categoria: Misc/Originais

Gênero: Ação, Aventura e Luta / Drama (Tragédia) / Hentai/Ecchi/Seijin - Yaoi/Lemon/Dark Lemon - Yuri / Mistério / Romance e Novela. / Terror e Horror

Tags:

Personagens: Mairi, Ian

Classificação: 18+

Adicionado em: 06/02/08

Comentários/Favoritos 16/18

Caracteres: 14.854

Exibições: 477

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Nota: Nota: 5 

 


A Rosa entre Espinhos

Capitulo IX

Por Josiane Veiga

Nota da Autora: Perdão pelo atraso. Mas minha net em casa é discada e não consegui entrar no site para postar durante o carnaval. Espero que gostem deste capítulo! Obrigada a todas do site Nyah, Pandora e é claro, Animes Spirits que sempre me recebem mto bem.



Mairi observou as ruas de Londres passando rapidamente pela janela da carruagem alugada. Era uma cidade cinzenta mesmo na primavera. Ela pensou nos campos verdejantes de York e sentiu o coração fraquejar de saudade. O ar puro, a beleza da floresta, o pequeno córrego que separava a cidade... tudo aquilo fazia falta. York era sinônimo de trabalho duro, mas também de paz!

Então de repente o veículo parou.

-Chegamos Mairi - disse Allan.

Ela olhou o amigo e sorriu. Engraçado como o destino podia ser sagaz. Acabara a melhor amiga do melhor amigo de Ian, que era o homem que ela amava.

Allan desceu primeiro e a puxou pela mão. Os pés fraquejaram ao tocar o sono, então ele lhe segurou pela cintura, sustentando-a. Os dois olharam para frente, mas foi ela que se espantou com o “simples” sobrado do qual Allan falava. Na verdade, o palacete tinha dois andares e era bem localizado. Arvores lhe adornavam a frente e um belo jardim ficava próximo ao portão de entrada. Era um local encantador!

A porta se abriu e uma mulher saiu lá de dentro. Ela tinha baixa estatura, era roliça, mas os lábios continham um sorriso único. Espantoso como ela conseguia ser tão simpática mesmo à distância. Foi se aproximando e Mairi viu que os cabelos vermelhos ao longe, na verdade eram pretos, pois em encontro com o sol, mudavam de tonalidade.

-Allan...

-Emily Preston! – saudou Allan – essa é a moça da qual lhe falei

Emily observou a mulher ao lado de Allan. Mairi era alta, mas não tanto. Os cabelos castanhos estavam soltos, caindo sobre o vestido de algodão simples. Ela era encantadoramente linda, e isso explicava o porque dos olhos brilhantes do sr. Hatton. Mas o que mais impressionou foi à magreza da moça. Allan havia lhe visitado no dia anterior e lhe pedira um abrigo temporário. Contara o que a moça passara nas ruas e que ela fora à mulher que Ian amou. Emily nunca recusaria ajudar alguém que Allan e Ian amavam! O jovem Lord Ian e o advogado Allan foram amigos de seu filho David, que morreu vitima de tuberculose durante a juventude. Os dois amigos não deixaram a mãe do companheiro padecer e sempre lhe mandavam libras para se manter e ainda guardar para alguma emergência.

-Seja bem vinda, minha filha. – ela tocou o braço da jovem.

Enquanto as duas mulheres se conheciam, Allan pegou a parca bagagem de Mairi. Alguns vestidos que ele comprara, a camisola que a sra Drake lhe dera, dois pares de sapatos e um chapéu. Os três entraram na casa sem imaginar que naquele local, suas vidas mudariam para sempre.

ººººººººººººº


McGreggor não acreditava que Allan lhe traiu por vontade própria. Aquela mulher devia tê-lo encantado, como fizera com si mesmo. Ian conhecia Mairi e sabia que aqueles olhos de gato podiam fazer qualquer homem acreditar em bondade.

-Bom dia senhor. – ele cumprimentou um homem que estava colocando ferraduras em um cavalo.

O cocheiro que levou Mairi e Allan!

O primeiro sentimento que Ian teve ao ver Allan e Mairi foi de dor. À vontade de se vingar dela o corroia. Então ele segurou as pernas para não sair correndo ao encontro dela. Quando ela e Allan entraram na carruagem, ele maldisse a todos os seres celestiais que o impediram de ir a cavalo até Allan. Mas então ele reconheceu o homem que dirigia os cavalos. Jonh sempre fazia trabalhos a Allan. Era um cocheiro de confiança. Mesmo bilhetes particulares e importantes que Allan enviava a Ian, ele entregava

-Lord Ian! Que surpresa!

O pobre homem rapidamente se levantou e limpou as mãos num avental encardido que estava atado a sua cintura. Então estendeu a mão.

-Eu é que estou surpreso que ainda se recorda de mim, Jonh – falou Ian sorrindo, aceitando o cumprimento das mãos. – Como vai sua esposa? Estava doente da ultima vez que você me prestou um serviço.

Cínico! Essa foi à palavra que dançou em sua cabeça ao ver o homem explicar como Mary, sua esposa, havia melhorado da gripe que quase a matara. Ian ouviu tudo ao longe! Não lhe interessava nada, tudo que queria era saber onde o cocheiro havia levado Mairi.

-Fui à casa de Allan Hatton de manhã, e quando estava chegando, o vi entrando no seu coche. Como ainda estava longe, gritei, mas vocês não me ouviram. Tenho um assunto urgente para falar com ele. Poderia me dizer onde o levou?

-Ora Milord, não precisava vir até aqui. A Senhora Drake sabia onde Allan estava indo.

-Ah.. – ele pestanejou – bom, eu não quis incomodá-la. Era muito cedo.

-Realmente. Allan Hatton me procurou ontem à noite e pediu para que eu lhe fosse buscar praticamente ao nascer do sol. Mas quando eu vi a moça, entendi.

-Entendeu? – Ian tentou não parecer muito curioso.

-Sim. Ele não queria que ninguém visse a moça doente na sua casa.

-Doente?

Aquilo sim era uma surpresa!

-Devia estar doente, pois estava muito fraca. Mal conseguia andar...

Então ela enganou Allan desta forma! Fingiu-se de enferma, e como Hatton era tolo o suficiente para cair aos pés de qualquer mulher que parecesse frágil, Ian não duvidava que ele até soubesse quem ela era de fato, mas não lhe contara porque sabia o que Ian faria com ela quando a achasse.

-... e eu acho que vai haver casamento. – falava o homem.

Ian então percebeu que não prestara a menor atenção no que Jonh dizia. Sua mente estava em duas palavras: Mairi e vingança!

-Como?

-O senhor Hatton! Vê-se claramente que está apaixonado. E olha que eu já o vi com muitas mulheres, mas com essa doente é diferente. Ele mal respira perto dela, os olhos não conseguem desviar dela um minuto sequer. E quando foi ajuda-la a subir na carruagem, estava tremendo. Claro que ele disfarça bem, mas eu sei que ele se apaixonou.

Ian sentiu ímpetos de matar Allan! Mas não podia nem pensar nisso. A culpada era aquela vadia. Ele também já fora enganado por ela. O desejo por Mairi era tão forte que ele nem conseguia dormir. Foram noites em claro.

-Mas o senhor lembra onde o levou? – ele resolveu terminar logo aquela tortura.

-Mas é claro. Na casa de Emily Preston. O filho dela era amigo de vocês não?

Ian não respondeu. Tirou dos bolsos um punhado de notas e as entregou a Jonh.

-Senhor... - balbuciou o homem sem entender o porque de Ian estar lhe dando dinheiro.

-Muito obrigado Jonh. Agora preciso ir. Felicidades

E virou-se de costas, caminhando.

ºººººººººº


-Emily vai cuidar bem de você – Allan disse colocando a mala dela em cima da cama.

-Eu sei.

Ele então a olhou. Doía muito a deixar sozinha, mas não queria arriscar. Ian estava descontrolado e ele sentia medo do que o outro poderia fazer.

-Mairi. É apenas uma questão de tempo. Eu verei vê-la todos os dias. Todo o meu tempo disponível...

Ele então se calou rapidamente. Se continuasse, falaria de seu amor.

-Allan, não se preocupe comigo. Nunca poderei recompensa-lo por tudo que fez por mim. – prossegue - Você acredita em almas gêmeas?

O coração dele quase parou.

-Não. – ele foi sincero.

-Bom, eu também não. – ela riu - mas se existisse, seriamos irmãos gêmeos de alma. Já reparou como somos parecidos?

Ele a olhou. Era mais alto que ela, loiro. Parecidos? De onde ela tirou isso?

-Não... – ele balbuciou.

-Somos iguais psicologicamente. E amamos muito a mesma pessoa.

Sim, era verdade! E ele nunca poderia ficar com ela, porque nunca se permitiria trair Ian!

Então ele reclinou a cabeça e beijou a testa de Mairi. Fechando os olhos, Allan permitiu-se ficar assim por alguns segundos. Quando a encarou, ela ainda sorria.

-Sei que vai parecer loucura Mairi, nos conhecemos há poucos dias, mas eu sinto...

-Como se me amasse há muitos anos... –ela completou.

-Como sabe?

-Eu sinto o mesmo. Quando você correu em minha direção no beco, eu fiquei aliviada. Enfim, havia encontrado você.

Os olhos dele lacrimejaram. “Homens não choram!”, ele ouviu seu pai dizendo uma vez. E não iria chorar. Esse tipo de reação não fazia parte da sua personalidade.

"Amigo é o irmão que a gente escolhe...", ele filosofou secretamente.

-Volto a tarde. Quer que eu lhe traga algo?

-Limão...

Ele, que já caminhava em direção a porta, parou.

-Limão?

Ela riu.

-No castelo, as ervas para chá só podiam ser usadas pelas Ladies, e como eu também queria beber algo quente nos dias frios, fervia limão com mel e adorava.

Ele se comoveu. Quería coloca-la dentro de si, para protege-la. Por que não a conhecera há tempos atrás?

-Trarei limão, então!

Sorrindo ele saiu do quarto.

ºººººººººº


Mairi arrumou suas poucas roupas em um roupeiro que ficava próximo a cama. Após tudo ajeitado, ela olhou ao redor. Um pequeno quarto, mas a cama parecia tão convidativa e as cortinas claras na janela alegravam aquele lugar. Ela sentou-se no colchão e percebeu que ele tinha molas.

-Eu poderia pular em cima de você – ela riu como criança.

A primeira vez que experimentara um colchão daqueles foi na casa de Allan. Ela se sentia tão bem perto dele e dormir em sua cama lhe dava muita tranqüilidade. Mairi se sentia completamente descansada após aqueles dias na companhia do amigo e esperava que pudesse se recuperar totalmente na casa de Emily.

De repente ela percebeu uma penteadeira num canto. Um móvel daqueles era uma preciosidade. Lady Dorothea tinha um e no quarto de Ian também havia um em um canto. Fora comprado para servir a falecida Eleanor.

Sorrindo ela se aproximou e sentou-se em um banquinho à frente do grande espelho. Pela primeira vez em muitos anos ela pode se olhar de verdade. Os cabelos estavam secos e quebrados nas pontas, mas já estavam se recuperando. A pele era tão clara que parecia transparente. Mas havia o vermelhão no seu pescoço e as olheiras nos seus olhos. Espantada ela percebeu sua desnutrição. Fechou os olhos tentando esquecer o que passou nas ruas, mas não conseguiu. Pousou a mão no peito e baixou a fronte. Não queria mais chorar... já chorara tanto.. mas havia o rato... o que fizera com ele... e o animal nunca mais sairia da sua cabeça.

-Querida...

A voz da senhora Emily invadiu o quarto e Mairi secou os olhos rapidamente. Olhando em direção a porta, ela sorriu para a mulher.

-O almoço está pronto – Emily anunciou – mas não poderei acompanha-la. Você se importa?

-Não, claro que não. Pode deixar que irei sozinha a cozinha. A senhora vai sair?

-Sim, meu bem. Vou visitar uma amiga que esta doente. Levarei remédios e almoçarei com ela. Talvez eu volte um pouco tarde, mas prometo vir a tempo de tomar chá com você.

Mairi se levantou e foi até a gordinha senhora.

-Fique tranqüila. Eu sei me virar. Obrigada pelo que esta fazendo por mim.

Emily se comoveu com aquilo. Abraçou Mairi e então saiu. A moça ainda ficou olhando para a porta fechada durante um tempo e então foi deitar-se.

ººººººººº


Ian esperou ansiosamente a manhã toda para que Emily saísse de casa. E esperaria dias inteiros se fosse preciso. Precisava pegar Mairi sozinha e não queria testemunhas. Felizmente, a senhora adorava passear e não tardou a fazer valer essa característica. Pouco depois do meio dia, ela saiu da casa com uma grande cesta e Ian sentiu que chegou o momento.

-Ah Mairi, agora você conhecerá o tamanho da minha ira.

Ian sentia um lado seu dizendo-lhe para não cometer um ato tão insano, mas ele o afastou. Era homem e precisava honrar seu nome! Ela brincara com ele e lhe enganara. Agora era chegado o momento.

Cruzou o portão e chegou a porta. Estava trancada, mas ele sabia onde a Sra. Preston deixava a chave. Puxou o tapete. Touché! Pegou a chave e a colocou na fechadura.

“-Você confia em mim?”

A sua voz lhe invadiu a mente. Fazia muito tempo que perguntara aquilo a ela. Quando ninguém mais acreditava nele, quando tudo estava contra ele, seu mundo pareceu florir ao lembrar da resposta dela. Então ele fraquejou.

“-Mais que na minha própria vida.”

Sacudiu a cabeça tentando retirar da mente a resposta. Falsa! Caiu na conversa da pilantra como um imbecil qualquer.

“-Lhe prometo Mairi... Darei um jeito de ficarmos juntos”

E enfim ele cumpriria a promessa! Agora ela sentiria o quanto ele queria ficar com ela.

Entrando na casa ele esperou alguns minutos por barulho. Nada. O cheiro de comida vinha da cozinha, e ele foi pra lá esperando vê-la se alimentar. Nada. A louça limpa na pia indicava que ela já havia almoçado. Prestativa e organizada como sempre, Mairi deixara tudo limpo.

Foi ate as escadas. Pé ante pé, Ian caminhava devagar sem fazer nenhum ruído, tentando não chamar a atenção dela. Para sua sorte, ou azar, a primeira porta estava entreaberta e ele a viu.

Mairi estava deitada na cama. Os cabelos acobreados estavam soltos e deslizavam por suas costas. Ela parecia uma deusa mitologica. Mas não teria nada de sagrada quando ele terminasse com ela.

O coração dele batia tão forte no peito que ele fraquejou por alguns segundos. Não! Não podia dar pra trás agora! Era o momento de se vingar de tudo que aquela mulher fizera a ele.

Ian entrou no quarto.

A porta se fechou... o passado não voltaria mais! O amor puro entre eles estaria para sempre destruído?

Continua...



Capítulos de [Original] A Rosa entre Espinhos

[03/12/07] Introdução

[12/12/07] Capitulo I

[17/12/07] Capitulo II

[24/12/07] Capitulo III

[30/12/07] Capitulo IV

[07/01/08] Capitulo V

[14/01/08] Capitulo VI

[21/01/08] Capitulo VII

[28/01/08] Capitulo VIII

[06/02/08] Capitulo IX

[11/02/08] Capitulo X

[18/02/08] Capitulo XI

[25/02/08] Capitulo XII

[03/03/08] Capitulo XIII

[10/03/08] Capitulo XIV

[17/03/08] Capitulo XV

[25/03/08] Capitulo XVI

[31/03/08] Capitulo XVII

[07/04/08] Capitulo XVIII

[14/04/08] Capitulo XIX

[22/04/08] Capitulo XX

[28/04/08] Capitulo XXI

[05/05/08] Capítulo XXII

[10/05/08] Capítulo XXIII

[16/05/08] Capítulo XXIV

[26/05/08] Capítulo XXV

[03/06/08] Capítulo XXVI

[10/06/08] Capítulo XXVII

[18/06/08] Capítulo XXVIII - Final


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