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› Autor: ~Alazif
› Categoria: Animes/Sakura Card Captor
› Gênero: Mistério / Romance e Novela.
› Personagens: Sakura, Syaoran, Eriol
› Classificação: Livre
› Adicionado em: 05/02/08
› Comentários/Favoritos 15/6
› Caracteres: 12.569
› Exibições: 323
Nota:
Sakura abriu os olhos ao sentir um cheiro terrível, que pelo o que conseguiu distinguir, era a alho e ovos cozidos. Tapou logo a boca antes que pudesse vomitar. Olhou em volta do local onde estava com as pestanas bem reduzidas. Uma pequena abertura no telhado, deixava entrar um pequeno foco de luz azulado que a iluminava por completo. Ela conseguia ver pequenos grãos de pó que bailavam entre a luz e a escuridão pois não conseguia ver nada para além de si própria, devido ao facto de que aquele foco de luz estar a ilumina-la apenas.
Nesse momento, ela ouviu um estalar de dedos e a sala desapareceu por completo da escuridão. Algumas tochas colocadas na parede insidiaram, iluminando tudo o que conseguiam. Agora Sakura podia ver o que estava lá dentro para além dela. Algumas estantes estavam cobertas de livros como cadeiras que rodeavam uma lareira que suspirava de fogo agora acesa sabe-se lá como. Mais um barulho se fez ouvir como que um assobio, fazendo com que ela virasse imediatamente a cabeça para trás. Reparou em algumas gaiolas de vários animais principalmente aves. Algumas olhavam intensamente para ela com aqueles grandes olhos de várias cores, outras dormitavam enroscadas nas suas longas asas e outras faziam tanto barulho que Sakura mal conseguia ouvir os seus pensamentos. Levantou um dedo apontando para cada uma das gaiolas na esperança de saber quantas estavam ali e os seus respectivos ocupantes. Foi então que se deu conta que não estava amarrada. Verificou bem os braços e as mãos, realmente não estava como uma prisioneira acabada de ser raptada. As tochas crispavam à medida que o lume queimava a madeira seca e a parede onde elas estavam, era feita de rocha bem grossa. Sakura teve a sensação de saber onde estava. Uma porta do fundo se fechou e Sakura debruçou-se para a frente na tentativa de conseguir ver o que entrava ou saía sem ela ter reparado. O mesmo rapaz apareceu com o seu cabelo quase branco, foi iluminado ao entrar na sala. Deu um sorriso confiante e disse:
-Já acordaste.
Ele puxou uma cadeira a virando de frente para a Sakura e se sentou. Sakura não lhe respondeu virando a cara.
-Vá lá, não sejas assim.
-Quando é que me vais libertar? perguntou sei olhar para ele.
-Quando o teu querido amigo resolver aparecer e acredita de que se ele se importar realmente contigo ou com o que te possa realmente acontecer, vai aparecer.
Sakura de uma forma meio acriançada, lhe deitou a língua de fora voltando a virar a cara para o mesmo ponto de que estava a ver para não ter de olhar para ele. No entanto, ele sorriu de forma preocupada, se levantando e voltando a colocar a cadeira no mesmo sítio.
-De qualquer forma…estás em boas mãos.
Sakura olhou para ele atentamente pela primeira vez. Era impressão dela ou ele estava com um ar muito cansado e preocupado.
Viu que ele regressava agora com uma bandeja na mão. Nela vinha uma grande fatia de queijo e um copo de leite. Ele agachou-se ficando da mesma altura que ela, colocando a bandeja à sua frente.
-Deves de estar com fome. Sorriu ao olhar para ela.
-Não…não estou! recusou imediatamente.
Sakura ainda estava muito admirada por ele estar tão amável. Foi então que deu conta de que a sua barriga já estava a dar horas e jurou que fez um ruído qualquer. Ele deu uma gargalhada e Sakura contorceu-se envergonhada.
-Pelos vistos parece que sim. disse ainda a rir.
Sakura olhou para ele pelo canto do olho vendo que se estava a levantar-se outra vez.
-Vá come tudo! disse colocando a mão na cabeça da Sakura e acariciando suavemente antes de sair.
Sakura começou a sentir algo de estranho em si. Era como se ela fosse uma criança muito pequena que tinha feito uma asneira e ele fosse o seu irmão mais velho e a estivesse a incentivar para comer e não se preocupar. Para além de se sentir também como um animal de estimação, quase que conseguia ver uma cauda nela a abanar e lhe pareceu que um pássaro lá atrás soltou um guincho de gozo. Olhou para trás irritada fazendo com que o animal se calasse.
Comeu o queijo todo e bebeu o leite. Depois pegou na bandeja colocando em cima de uma das cadeiras. Reparou em outra coisa, um álbum antigo já com a sua capa cheia de grãos de pó e rastos de animais, estava pousado em cima dos outros livros na estante. Pegou com cuidado, soprou o pó e abriu levemente ao sentir as pagina quebrar devido ao tempo. Encontrou algumas fotografias antigas de família, alguns bebes e até mesmo de casas e grandes campos. Uma das fotografias lhe chamou a atenção. Era de um pai e de uma mãe sorridentes para a foto com um bebe no colo e um rapazinho ao lado muito quietinho, esfregando as mãos de envergonhado. Passou à frente e encontrou mais uma foto já do mesmo rapazinho mas mais velho de mão dada com uma menina que ainda mal conseguia andar. Sakura pensou que talvez fosse aquele bebe que os pais tinham no colo. Ela virou mais uma página e encontrou outra que a fez parar no tempo e quase deitou o livro no chão. Estavam lá três crianças, o rapazinho que Sakura já tinha visto, agora muito mais velho talvez com 11 anos com o braço à volta da menina, agora também muito mais velha com 8 anos talvez e outro rapaz com um largo sorriso que talvez tivesse a mesma idade que o rapazinho. O seu cérebro conheceu como sendo o próprio Syaoran que estava ali na foto. Era uma imagem familiar, de três amigos, com promessas de que nunca se ião separar sorrindo para a foto na esperança de nunca esquecerem o laço que os unia. A menina estava abraçada aos dois muito alegre com um sorriso de anjo e os seus caracóis bem feitos amarrados com vários lacinhos. Sakura ouviu a porta bater novamente. Desesperada tentou colocar o livro no mesmo sítio mas era tarde de mais o rapaz já estava a olhar para ela espantado, não teve outro remédio do que esconder atrás das costas.
-O que estás a fazer?
-Eu?! Nada…nada! disse abanando a cabeça negando.
-O que tens aí?
Sakura deu uma olhadela por detrás do ombro – Não é nada!
-Tens na mão alguma coisa que é minha.
A amabilidade dele desapareceu por completo, agora com um ar furioso, parecia que estava prestes a agarrar numa panela e coze-la para o jantar. Sakura abanou a cabeça para retirar as suas ideias um tanto estranhas.
O rapaz começou a aproximar-se dela passo a passo e Sakura afastava-se com quantos pés tinha ou podia inventar. Sentiu algo partir-se mesmo aos seus pés. Era a bandeja que sem querer as suas pernas deitaram ao chão.
-Vá lá Sakura, eu não preciso de ficar chateado contigo. Nem quero. disse parando o passo.
-Tudo bem! disse Sakura devolvendo o livro. – Em todo o caso é a primeira vez que me chamas de Sakura.
Ela sorriu e ele tentando ignorar, colocou o livro no mesmo sitio.
Syaoran encontrava-se sentando ao pé da mesma árvore onde estivera com a Sakura. O cabelo estava completamente despenteado e o seu aspecto estava meio morto. Estava há horas ali sentando sem saber o que fazer e passava os segundos a colocar a mão no cabelo e a despenteia-lo.
-Ahhhhhh!!! Soltou um grito repentino voltando a despentear o cabelo.
-Então, então Syaoran, acalma-te! disse o Eriol que ia na sua direcção e se sentou ao seu lado.
-Como é que queres que me acalme! Não vês que estou a desesperar!
-Ficares assim não vai resolver nada. Além disso, não estas a pensar como deve ser. Sugiro que sigas o teu coração.
Syaoran olhou para ele com aquele ar de morto fazendo com que tomasse um susto.
-Não faças essa cara homem. Vai em frente.
-Olha lá tu sabes sequer o que aconteceu à Sakura para estares aí a falar?
Eriol olhou para o céu nocturno com um sorriso e respondeu:
-Eu sei tudo o que se passa com a Sakura.
Syaoran resmungou desconfiado, voltando por um lado a ter novamente esperança.
-Mas não sei para que lado, ela foi. disse Syaoran tristemente enquanto esfregava as mãos nos braços de frio.
De repente, Syaoran sentiu uma chapada na nuca que o fez ficar descontrolado. Olhou de imediato para o Eriol que mantinha sempre um sorriso.
-Porque me bateste? resmungou furioso.
-Não digo que não estas a fazer história nenhuma ao caso! cruzou os braços. – Conheces aquele rapaz não é? Então porque não procuras por onde ele costuma andar ou por onde vocês costumavam a andar naquele tempo.
Eriol tinha toda a razão e Syaoran não podia discordar com ele. Fechou os olhos percorrendo o interior das suas memórias, procurando alguma pista que levasse até a Sakura. Abriu novamente os olhos onde surgiu uma imagem que em tempos Syaoran se tinha esquecido.
-Então encontraste? perguntou Eriol feliz.
-Lembro-me de uma gruta…todos os dias nós visitávamos. Olhou para o Eriol. – Era o nosso esconderijo secreto e guardávamos todos os nossos objectos mais preciosos lá.
Eriol abanou a cabeça afirmando com um sorriso.
Syaoran levantou-se, olhou em redor da casa e apontou para uma grande floresta onde a escuridão era muito pior que o local onde estavam. Os grandes pinheiros imóveis transmitiam uma sensação de medo aos gigantes que Syaoran teve de apertar para não pensar nisso. Um frio percorreu-lhe a espinha.
-Vou por ali. disse com confiança.
-Agora sim estás a fazer sentido. disse Eriol ao se levantar também.
Syaoran desapareceu na escuridão sem se despedir do Eriol, estava mais empenhado em conseguir salvar a Sakura seja do que fosse. Atravessou o riu que dava acesso à floresta, engoliu uma grande golfada de ar frio que queimou os seus pulmões como lume ardente. Continuou a correr sempre com os olhos posto no horizonte. Lá atrás, Eriol ainda continuava no mesmo sitio, observando o amigo que já tinha desaparecido. Com um sorriso e uma mão levantada, fez surgir um bastão de madeira que continha uma pedra azul redonda na ponta. Depois com um leve movimento do mesmo, surgiu uma capa castanha à sua volta feita de lá fina. Pós o gorro que vinha juntamente com ela e disse:
-Pronto, agora vou ajuda-los como fiz antes e como estou a fazer e que sempre farei.
Dito isto, desapareceu por um sopro de vento.
Sakura andava de um lado para outro dentro da sala com a mão no queixo. Estava farta de estar ali e aquela foto que tinha visto não lhe saía da cabeça. Não conseguia imaginar o Syaoran amigo daquele rapaz, nem aquela menina ter haver alguma coisa com eles. Andou, rodou, andou e voltou a rodar até bater com o pé numa das cadeiras. Soltou um gemido e começou a andar ao pé-coxinho. O mesmo pássaro voltou a guinchar de gozo e Sakura sem se importar com o que estava a dizer gritou para ele:
-Cala-te senão o forno te assa como um frango!
Ele calou-se imediatamente. Ela riu da sua forma louca de falar assim com o animal. Na verdade, estava a ficar cansada de estar ali e para além de estar preocupada com o Syaoran. O que ele estaria a fazer? Deu um passo atrás tropeçando novamente na mesma cadeira. Desta vez ela desequilibrou-se, embatendo numa das estantes que virou repentinamente para surpresa de Sakura mostrando uma passagem secreta. As aves nas gaiolas, abanaram as asas á medida que guinchavam furiosamente. Sakura sacudiu o pó da roupa e as teias de aranha do cabelo. Lá dentro, estava um bastão que levitava sobre uma pedra de mármore. Era cor-de-rosa com uma estrela na ponta e um círculo acompanhado com duas asas brancas (é o mesmo bastão da Sakura Card Captor^^). Sakura aproximou-se do bastão ao levantar uma mão para lhe tocar. A estrela começou a rodar fazendo um ruído leve. Ela afastou a mão e a estrela parou de rodar. Voltou a fazer o mesmo e estrela rodou agora mais depressa. Sakura estava prestes a lhe tocar, só faltava um dedo quando:
-Não toques nisso! È o bastão da morte! gritou o rapaz do outro lado da porta.
Mas já era tarde de mais, com o susto, Sakura agarrou no bastão e uma luz branca inundou-a por completo. Ela foi projectada para trás juntamente com o bastão. O rapaz tentou alcança-la mas a força do bastão era maior. Tentou proteger os olhos da luz ofuscante. As aves não paravam de guinchar e as paredes da gruta abanavam furiosamente como se um terramoto a tivesse a atingir. Como um relâmpago a luz cessou e Sakura encontrava-se agora inconsciente no canto da gruta com o bastão ao seu lado
Continua…
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