Rock Star
Por: Karol - Colunista Sesshoumaru
"Baseado em fatos reais. Com algumas passagens e fatos inventados, caberão à vocês discernir o real do fantástico aqui."
Nota: Apesar de ser 18+ não é Hentai!
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Rain fica surpreso, Dey viu Kirby e ele abraçados mas ela estava furiosa por não saber o motivo.
_Chega Rain! Você fica com esse papo que quando eu passar no vestibular vamos casar e um monte de baboseiras, mas você vive saindo dos nossos compromissos pra ir nos ensaios daquela banda horrível! Ou eu ou aquela maldita banda! Eu não suporto mais! Odeio aquela lambisgóia! Ou eu ou ela e a banda! Você escolhe!
Rain suspirou dando um sorriso sarcástico, deu uma piscadinha, vestiu o capacete, ligou a moto, acelerou e disse antes de abaixar a viseira:
_Foi bom enquanto durou Dey. “Adios Muchacha”!
Dey ficou furiosa e foi embora com suas amigas patricinhas do colégio que espreitavam tudo de camarote:
_Que horror! Ele não merece você amiga! Preferiu aquela punk ridícula e mais velha que você.
_Ele é um retardado! – Essas foram as últimas palavras de Dey embebidas de ódio antes de iniciar sua caminhada para casa.
...
_Legal galera! Agora me digam a resposta da questão dois e libero vocês! – dizia a professora de língua portuguesa no auditório do cursinho.
_Predicado verbal Professora K! – fala um aluno do fundão.
_É por isso que eu amo vocês pessoal! Falam a resposta pra “teacher” mesmo se ela estiver... BEEEEP!! Errada!
Todos caem na risada:
_É predicado nominal Sérgio! Mas valeu a tentativa! Melhor morrer tentando do que sem arriscar! Um dia vocês acerta! Pessoas lindas do meu coração, é duro, mas acabou o período e lamento em dizer isso, porém estão todos livres da bruxa de cabelo azul devoradora de notas do simulado! Semana que vem quero ver os trabalhos, sem dó e nem piedade! Bom final de semana galerinha! – diz Kirby enquanto guarda o livro de chamadas na pasta e começa apagar o quadro.
_Professora.
_Fala Daniel. O que você quer da “tia K”?
_Eu... Eu... Estou com um problema e pensei que a senhora pudesse me ajudar.
Kirby pára de apagar o quadro e olha preocupada para o aluno:
_Tudo bem, venha, vamos lá pra sala da monitoria e então poderemos conversar melhor.
_Deixe que eu ajude a senhora carregando as redações.
_Ah... Tudo bem. Vamos.
O garoto de cabelos negros e olhos azuis muito tristonhos recolheu a pilha de redações da mesa e ajuda Kirby a levá-las. Chegando na sala de monitoria, Kirby encostou a porta, ambos sentam-se à mesa. Ela o fita preocupada e fala:
_O que está havendo Daniel?
_Estou com um grave problema professora. – diz o rapaz de cabeça baixa, muito tímido escondendo o olhar.
_Sim, disso eu já sei! Mas conte-me o que lhe aflige para que eu possa ajudá-lo querido!
Daniel levantou os grandes olhos azuis para a professora embebidos em lágrimas e com uma voz contida disse:
_Eu gosto de alguém, professora, muito mesmo, mas não consigo dizer isso à ela!
Kirby abriu um sorriso aliviada e disse:
_Mas então era isso? Horas! Não fique assim! Quando se tem 18 anos às coisas parecem sempre difíceis, mas na verdade não são! Veja bem, todos passamos por situações assim na vida!
_Mesmo se eu não puder dizer isso a ela?
_Mas como não dizer? Deixe de ser tão radicalista? O que poderia acontecer em expor os seus sentimentos?
_Isso poderia chocá-la e afastá-la de mim.
_Daniel... Não seja dramático! Pare com isso! Quem em sã consciência ficaria chocada em saber que é amado por alguém, mesmo que não for correspondido?
_A senhora ficaria?
Kirby fica em silêncio, paralisada, ela o olhava sem piscar receosa e desconfiada:
_Bom... Talvez! Afinal, fui casada recentemente e... Não deu muito certo... Mas... O que diabos isso tem haver?
Daniel levantou-se e caminhou até a professora a abraçando e dando-lhe um beijo:
_Porque eu a amo do fundo do meu coração, desde o primeiro dia em que botei os pés no cursinho e vi você escrevendo o recado da direção no quadro do auditório.
_Mas... Espera!! Hei!! – Kirby tenta afastá-lo mais não consegue, o rapaz é muito maior e bem mais forte a mantendo presa em seus braços e beijando-lhe à força.
Um ruído fez a porta ao se abrir:
-Mas que é isso!? Professora! O que está havendo? – pergunta o diretor Senhor Otávio, um velho professor de matemática de 62 anos, à professora assustada que consegue afastar-se do aluno levando uma das mãos aos lábios.
_Saia já desta sala senhor Daniel Pilar! Veremos-nos amanhã na secretaria! – diz carrancudo o diretor.
_Eu posso explicar senhor! A culpa foi minha! Eu agarrei a professora... – tentava desesperadamente explicar-se Daniel.
_Cale-se! Saia agora! – grita o diretor apontando a porta ao rapaz que sai em silêncio furioso da sala.
_E a senhora, professora! Quero vê-la amanhã na minha sala as oito em ponto! Sem atraso ou desculpas esfarrapadas! Agora está dispensada! – diz Otávio.
_Senhor, não era o que parecia...
_Cale-se professora! Amanhã terei todo o tempo e paciência para seus relatos, assim como a comissão de ética do colégio!
_Comissão de ética? – pergunta Kirby tremendo de um misto de nervoso, susto e desespero.
_Isso! Tenha por certo de que essa situação não ficará assim! Tenho observado seu comportamento nada exemplar na sociedade, assim como no colégio.
Kirby revolta-se e diz agressiva:
_O que tem haver minha vida pessoal com meu trabalho senhor? Isso diz respeito somente a minha pessoa e não à comissão de ética do colégio!
_Veremos amanhã! – diz Professor Otávio batendo a porta e saindo.
Kirby, trêmula e pálida recolhe seus materiais e sai chorando da sala.
Do lado de fora do colégio, Daniel aguardava Kirby, ao vê-la saindo ele corre até ela e a agarra pelo braço. Atormentada ela grita:
_Afaste-se de mim!
_Calma! Professora! Perdoe-me! Não era meu intuito embaraçá-la perante ao diretor, nunca a prejudicaria desta forma! – diz desesperado Daniel.
_Solte-me! O que mais você quer de mim garoto irresponsável? Quer acabar com minha vida profissional? Quem o mandou fazer essa brincadeira de mal gosto comigo!? – diz Kirby dentre soluços e lágrimas.
_Professora, não foi uma brincadeira, eu a amo muito! É verdade! Por favor! Escute-me! Não devia ter feito aquilo, ainda mais na sala do colégio, mas não pude me conter!
_Solte-me ou chamarei a polícia rapaz!
Kirby entra no seu carro e bate a porta com muita força. Com dificuldade ela liga o veículo e consegue partir para casa.
O dia todo estava nublado e a chuva começou a cair. Na avenida ela segue dirigindo em meio a um ataque de choro e extremo nervoso até que não percebe o sinal fechado e freia bruscamente arrancando buzinações no centro.
Ela então, atordoada, estaciona o carro mais à frente e desligando-o desaba a chorar incontrolavelmente.
Duas batidas de leve no vidro a assustam. Era Rain do lado de fora com sua moto que a observava preocupado.
Kirby abaixa o vidro ainda chorando e diz muito contida:
_Oi.
_O que aconteceu? Você está bem? Ví quando seu carro freou bruscamente aqui no sinal. – fala Rain preocupado.
_Tudo bem, estou bem, só um pouco nervosa por conta do trabalho, acho que não poderei ensaiar hoje, será que poderia avisar os rapazes para mim? – pergunta Kirby secando as lágrimas do rosto.
_Sim, mas primeiro vou levar você pra casa.
_E sua moto?
_Vou deixar no estacionamento privativo do hotel ali da frente até eu voltar. Espere aqui.
Rain foi levar a moto ao estacionamento do hotel. Ele voltou e Kirby pulou para o banco de passageiro enquanto ele pegou a direção e a conduziu até em casa.
_Que aconteceu hoje cabelinho azul? – perguntou Rain.
_Nada. – disse Kirby abrindo a porta do carro abatida.
_Quer que eu fique mais um pouco?
_Não, está tudo bem! – diz ela dando um sorriso forçado.
Rain percebe que não está nada bem de verdade e pergunta novamente:
_Não precisa mesmo? Não quer me contar o que houve?
_Não, obrigada. Vou chamar um taxi pra levá-lo até o centro buscar sua moto. Obrigada Rain.
...
No dia seguinte. Às oito horas em ponto, a comissão de ética do colégio estava reunida na sala reservada. Kirby entra, sob os olhares desdenhosos dos demais professores, ela senta-se à mesa e o diretor Otávio inicia:
_Bem, chamei à todos aqui pois ontem presenciei uma cena inusitada na sala de monitoria do colégio e gostaria que esta não se repetisse com nenhum dos demais professores, bem como, devemos pensar em uma solução para o problema.
Todos se entreolham e o diretor continua falando:
_Ontem no final do período, ao passar na sala de monitoria encontrei o aluno Daniel Pilar e a Professora de Português senhora Kirby aos beijos na sala.
_E o que tem uma troca de afeto entre aluno e professor? – pergunta Hortência, professora de geografia.
_Tem senhora Hortência, que não era uma simples troca de afeto entre aluno e professor e sim uma demonstração de libertinagem! Os dois estavam beijando-se como um casal senhora!
_Isso é verdade Kirby? – pergunta espantada Hortência.
Kirby acena que sim com a cabeça e diz:
_Mas ele me agarrou...
_Não interessa como! – interrompeu Otávio – mas sim que ocorreu e isso tenho certeza que se deve aos hábitos de vida da senhora Kirby que levam os alunos à se dar o direito de cometerem tais atos!
Kirby olha ameaçadoramente para Otávio e diz levantando o tom de voz:
_E que hábitos o fazem pensar tais coisas senhor?
Otávio levanta-se com um sorriso algoz na face e fala com empáfia:
_Em primeiro lugar, o modo como se veste e age: uma professora com trajes de punk rebelde e depravada que vive na noite tocando com uma banda de rock pelos bares e buracos da cidade incitam os alunos ao desrespeito.
Kirby se levanta e bate na mesa dizendo:
_Minha vida pessoal nunca influiu na profissional e acho um tanto desrespeitoso de sua parte tachar-me como rebelde e depravada, senhor!
_Alguém com um piercing e de cabelos tingidos de azul não merece crédito! – insulta-a o diretor.
_Então um ancião careca, sedento de fantasias sexuais por funcionárias e alunas que caça as pessoas por ser um tarado frustrado é quem deve ser digno de respeito? – indaga ameaçando-o Kirby.
_Olhe como fala senhora! – retruca o professor.
_Foi o senhor quem começou! – devolve Kirby.
_Gente! Parem com isso! Parece mais um crico! – exclama Hortência.
_Minha carta de demissão estará em sua mesa até o final da tarde senhor Otávio Caldeiras! Passar muito bem! – Kirby sai da sala furiosa batendo a porta e indo para sua casa.
_Já vai tarde! – esbraveja o professor.
No pátio do colégio, durante todo o período, o assunto foi a saída da professora Kirby.
Daniel passara o dia inteiro pensativo e não prestava atenção em nada e ninguém. Ele se levanta no meio da aula, recolhe o material e vai embora sem dizer nada.
...
Era tarde, a campainha do apartamento toca. Kirby seca a face por mais uma vez como o fizera durante todo o dia que passara aos prantos. Ela levanta-se do sofá, prendendo os cabelos compridos e azuis com um elástico e caminha até a porta a abrindo:
_Professora, temos que conversar.
Kirby fica espantada, era Daniel com um ar muito abatido.
Continua...