Vandria estava deitada, pensando em mil coisas. Máscara ainda não chegara, fora pegar um cobertor. O quarto estava com a luz apagada, porém, era possível distinguir um par de olhos brilhantes. Eram seus olhos. Não conseguia dormir. Sempre que fechava os olhos, se lembrava das coisas que não queria lembrar.
Ouviu o som da porta sendo aberta. Tratou de fechar os olhos, não queria assustá-lo. Virou-se para a parede. Algum tempo depois, sentiu que uma mão tocou seu rosto com carinho. Surpresa, abriu os olhos e tentou virar-se, mas sentiu que a mesma mão não permitira que isso.
Vandria: Máscara? – perguntou num sussurro. Sentiu uma respiração quente em sua nuca. Percebeu que ele deitara atrás de si e sentia que a abraçara pela cintura, beijando-lhe a curva do pescoço.
Máscara: Sim? – murmurou.
Nighttime sharpens, heightens each sensation
(A noite aguça, acentua as sensações)
Darkness wakes and stirs imagination
(A escuridão agita e desperta a imaginação)
Silently the senses abandon their defenses
(Silenciosamente os sentidos abandonam as defesas)
Helpless to resist the notes i write
(Incapaz de resistir às notas que eu escrevo)
For I composed the music of the night
(Pois eu componho a Música da Noite)
Vandria: O que pretende? – perguntou sentindo a respiração falhar. O cheiro de terra molhada invadia-lhe as narinas e fazia suas defesas caírem por terra. Sentiu que a mão ousada do italiano passava por debaixo de sua camisola e lhe acariciava a pele da coxa. Como aquele toque lhe agradava.
Máscara: Adivinhe... – murmurou em tom malicioso, sentando-se na cama e fazendo Vandria também se sentar, ainda de costas para ele, retirando-lhe a camisola.
Slowly, gently, night unfurls its splendour
(Suave, gentilmente, a noite estende seu esplendor)
Grasp it, sense it, tremulous and tender
(Peque, sinta, trêmula e suave)
Hearing is believing
(Ouvir é acreditar)
Music is deceiving
(A música engana)
Hard as lightning, soft as candle light
(Dura como relâmpago, leve como luz de velas)
Vandria: Por favor, não... – pediu com voz suplicante, mesmo sabendo que era inútil, pois ela desejava o mesmo.
Máscara: Pode ser casada, mas não o ama. – falou com a voz um tanto irritada, voltando a beijar o pescoço da inglesa. Sentia-a estremecer ao seu toque. Soltou o fecho do sutiã e o retirou do corpo da vampira. O cheiro de Flor-de-Lótus que ela exalava apenas o encantava mais ainda. Deitou-a na cama, de forma suave.
Dare you trust the music of the night...
(Ouse confiar na música da noite...)
Close your eyes for your eyes will only tell the truth
(Feche os olhos, pois eles só dirão a verdade)
And the truth isn't what you want to see
(E a verdade não é o que você quer ver)
In the dark it is easy to pretend...
(No escuro é fácil fingir...)
That the truth is what it aught to be...
(Que a verdade é o que ela deve ser...)
Debruçou-se sobre o corpo e beijou os lábios da inglesa. O gosto de chocolate estava impregnado naqueles lábios que ele sabia que já beijara tantas vezes, porém, não lembrava de tal gosto. Abraçou-a pela cintura e sentiu que fora abraçado pelo pescoço e apesar de antes ter resistido, percebeu que Vandria agora estava entregue.
Softly, deftly, music shall caress you
(Suave, primorosamente, a música vai acariciá-la)
Hear it, feel it, secretly possess you
(Ouça-a, sinta-a, secretamente possuir você)
Open up your mind, let your fantasies unwind
(Abra sua mente, liberte suas fantasias)
In this darkness which you know you cannot fight
(Nesta escuridão, que você sabe que não pode combater)
The darkness of the music of the night
(A escuridão da música da noite)
Ouviu-a murmurar seu nome em meio aos beijos. Lentamente começou a descer dos lábios para o pescoço, e deste para o colo, passou pelo vale entre os seios e ia descendo, beijando-a com desejo. A cada novo suspiro que ouvia ficava mais ansioso por possuí-la.
Close your eyes start a journey through a strange, new world
(Feche seus olhos, e inicie uma viagem, para um mundo novo e estranho)
Leave all thoughts of the world you knew before
(Esqueça tudo dobre a vida que conhecia até agora)
Close your eyes and let music set you free
(Feche os olhos e deixe a música libertar você)
Only there can you now belong to me
(Só assim você poderá pertencer a mim)
Desceu lentamente a calcinha da inglesa, e subiu para beijar os lábios da vampira. O ar ao redor dos dois estava rarefeito, um calor quase insuportável se fazia presente.
Floating, falling, sweet intoxication
(Flutuando, caindo, em doce intoxicação)
Touch me, trust me, savour each sensation
(Toque-me, confie em mim, saboreie cada sensação)
Let the dream begin, let your darker side give in
(Deixe o sonho começar, deixe que seu lado sombrio seja vencido)
To the power of the music that I write
(Pelo poder da música que eu escrevo)
The power of the music of the night
(O poder da Música da Noite)
Ajeitou-se entre as coxas de Vandria; penetrou-a rapidamente. Os corpos, unidos num só, começaram a mexer-se num ritmo lento, juntos. Lentamente, esse ritmo aumentava. As unhas que mais pareciam garras da inglesa arranhavam as costas do italiano, enquanto gemidos escapavam de seus lábios, juntamente a palavras totalmente desconexas, enquanto ouvia as mesmas palavras escaparem dos lábios do cavaleiro.
You alone can make my song take flight
(Somente você pode fazer com que minha canção alce vôo)
Help me make the music of the night
(Ajude-me a fazer a Música da Noite)
Santuário de Athena, logo depois que o vôo para Roma decolou.
Uma mulher de longos cabelos vermelhos ondulados, pele morena, olhos castanhos e uma franja pro lado andava na frente. Parecia muito irritada, já que os dentes estavam cerrados e as sobrancelhas, pareciam estar bem irritadas. Usava um vestido roxo claro até joelhos, onde era um pouco apertado; por cima, um tipo de bolero roxo escuro, com gola alta; meias de seda cor de pele e sapatos negros.
Mulher: A Vandria ainda me paga por sumir assim! Como ela pode fazer isso?! Os pais e o marido dela colocaram a culpa por ela ter se rebelado contra o marido por nossa culpa! Quando eu botar as mãos nela, ela vai se arrepender de ter nascido! – falava irritada para outras três mulheres que a acompanhavam. Uma de longos cabelos negros, com metade presa atrás com duas penas azuis decorando, duas mechinhas na frente de cada lado cinza, pele branca, olhos verde folha, usando um top tomara que caia vermelho, deixando uma tatuagem de Yin-Yang na cintura à mostra, uma calça jeans claro agarrada com um cinto vermelho, sapatos azul escuro, luvas verdes estilo munhequeira e um bracelete verde próximo ao ombro. Outra tinha cabelos cor de noite e olhos cor de mar, pele branca, usando um longo vestido estilo túnica sem manga vermelho cereja e rasteirinhas pretas. A outra, longos cabelos roxos presos num rabo de cavalo com um elástico cheio de contas laranja néon, olhos verde mar e pele alva. Usava uma jaqueta curta com mangas dobradas até o ombro, com a gola levantada, cobrindo a nuca e deixando a frente do pescoço a mostra, sendo em "V", azul claro e a gola e a parte dobrada das mangas azul escuro, uma calça de moletom azul claro com a barra dentro das botas cano alto azul néon, usando luvas até próximo do cotovelo com os dedos de fora azul escuro.
A de cabelos roxos suspirou.
Mulher: Leoa, se acalma! Assim, ninguém fala se a Vandria passou aqui! – falou irritada. Na verdade, estava preocupada com outras coisas, que nada tinham haver com a vampira desaparecida.
Leoa: Fica quieta, Lurye Kym! – falou com os olhos em chamas.
Lurye: Sabe que prefiro só Lurye! – falou trincando os dentes.
Leoa: E você sabe que eu sou capaz de matar você fácil!
A de cabelos cor de noite e olhos cor de mar olhava as duas discutirem.
Mulher: Ai ai... Será que dá pra vocês ficarem quietas? Vocês duas tão me dando dor de cabeça... – falou desinteressada.
Leoa avançou na direção da mulher.
Leoa: Alhambra, não me importa se você é irmã mais nova da Vandria! Se não fosse você, a Vandria não tinha voltado para Londres e se casado com aquele cafajeste, e sim com o MdM!
Alhambra: Eu só fiz isso porque queria ver a felicidade dela! Ela é minha irmã!
Leoa: Mas dormir com ele?! Você fez com ele o que Vandria devia ter feito!
Alhambra: Tenho certeza que a essa altura, eles já tenham feito isso!
A de cabelos negros e olhos verde folha até o presente momento só tinha observado as amigas brigando. Aquilo estava deixando-a irritada.
Mulher: Se vocês não pararam de brigar agora mesmo, mando as duas pra Azkaban com a companhia dos Dementadores!
As duas se calaram.
Lurye: Só você pra acalmar essas duas Amy... – Sussurrou para a amiga.
Amy: elas precisam de disciplina, coisa que os pais não deram...
Lurye: Tem razão... – Disse olhando para Alhambra e Leoa, que estavam de braços cruzados de costas uma pra outra. – Doidas... – falou em tom baixo, passando a preocupar-se com as pessoas que podiam encontrar.
Amy: Vamos logo, antes que eu desista de ir atrás da Vandria...
Todas concordaram, com medo de serem mandadas para Azkaban. Amy podia parecer tímida e frágil, mas por trás da máscara, se escondia uma mulher capaz de realizar as loucuras mais inimagináveis existentes como vingança ou pra fazer alguém calar a boca e fazer o que ela queria. (N/A: Amy = Asuka Langley Soryu de Evangelion!) E coitado do homem que se casasse com ela... Teria uma mulher muito ciumenta no pé e não daria sossego na cama - bom, assim julgavam as amigas de Amy. Talvez fosse pelo fato de ter sangue de sirene (N/A: Geralmente se pensa que sereia e sirene são a mesma coisa, mas não. Sirene é a que da cintura pra baixo é rabo de peixe, já a sereia possui corpo de pássaro, mas podem transformar-se em mulheres de rara beleza. Não confundir com harpia, que não possuem bela voz e nem podem transformar-se em mulheres. As harpias são mulheres com corpo do pássaro harpia e preferem a magia) nas veias, assim como o de bruxo.
Dirigiam-se para as doze casas, quando Lurye estancou.
Lurye: Daqui eu não passo. – falou decidida. As outras se viraram e andaram até ela.
Leoa: Por que não, Lurye? Qual o problema? De acordo com os dados que nos passaram, ela veio pra cá... – falou sem entender o recuo da jovem.
Lurye: Eles moram aqui. – falou com a voz tremendo.
Amy: Ele...? – murmurou sem entender o que a jovem queria dizer, então fazendo cara de surpresa ao entender. – Está se referindo à... – começou, e antes que concluísse, a bruxa confirmou. – Pensei que eles morassem na Bulgária... – falou num murmúrio. – Como você sabe?! – perguntou exasperada.
Lurye: O Milo não teve a memória apagada, e nós ainda namoramos por um tempo, só que ele se aproveitou da distância para me trair, por isso terminei com ele.
Leoa: E não apagou a memória dele?! – falou quase avançando no pescoço da jovem.
Mu: Ei! Quem são vocês?! – perguntou o rapaz de cabelos lilases, descendo as escadarias correndo. Kiki aparecera e lhe dissera que estranhas estavam na entrada das doze casas.
Amy: Por favor, Lurye, fala que não é o Mu... – pediu num murmúrio ao ouvir a voz do rapaz, porém, a de cabelos roxos apenas fez que era ele com a cabeça. Lentamente, virou-se, fitando-o nos olhos.
Mu, ao vê-la, achou-a extremamente familiar, porém, sua mente parecia recusar-se a lembrar de face tão bela.
Mu: Estou aguardando uma resposta. – falou suave, porém, seco.
Leoa: Estamos atrás de uma amiga nossa que se encontrou com um amigo seu e depois fez o favor de sumir. – falou cruzando os braços.
Mu: Ai ai ai, o que o Milo aprontou dessa vez? – falou com uma gotinha escorrendo pela testa.
Lurye: Milo?! – não conseguiu conter-se ao ouvir o nome do ex-namorado.
Mu: Conhece?
Lurye: Hã, não, deve ser apenas o mesmo nome... – apressou-se em falar.
Mu: Se me contasse qual amigo, especificamente...
Leoa: O nome dele é... – estancou ao ver um rapaz de cabelos azul-petróleo descer as escadas.
Kamus: Algum problema? – falou com a expressão fria de sempre. Estava descendo a escadaria, com Milo ao seu lado, que sentiu o sangue correr com dificuldade nas veias ao ver a mulher de cabelos roxos.
Milo: Que veio fazer aqui? – falou seco, assustando Mu e Kamus, tão acostumados ao jeito expansivo e namorador do escorpiano.
Lurye: Já vai saber. – disse com uma veia pulsando na testa, ameaçando avançar na direção de Milo, porém, Alhambra e Amy seguraram-na, cada uma por um braço, levantando-a, de forma que os pés não tocassem o chão.
Amy: Lurye, nós não viemos aqui pra isso. – falou séria.
Lurye: To pouco me lixando! Deixa-me bater nele e me vingar logo, talvez nunca mais tenha essa oportunidade! – falou trincando os dentes, tentando livrar-se das duas amigas.
Leoa: Se acalme, Lurye, ou nunca vamos descobrir pra onde o Máscara da Morte levou a Vandria e aí a mãe dela e o Aiken vão nos mandar pro vácuo! – falou irritada, chamando a amiga de volta à realidade. – Me desculpem por isso.
Mu: Não seja por isso, já esperava que alguém algum dia aparecesse querendo matar o Milo, mas é melhor vocês explicarem direito o que está acontecendo e se apresentarem.
Milo: Não é necessário, não é mesmo, estudantes de Hogwarts? Parece que mesmo com as precauções que foram tomadas, as Moiras insistem em fazer com que nos encontremos... – falou sério novamente, dirigindo-se para a casa de Áries. Kamus, compreendendo que seria necessário uma longa conversa para saberem o que estava acontecendo.