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[Original] A Rosa entre Espinhos

Capitulo VIII


Autor: ~JosianeVeiga

Categoria: Misc/Originais

Gênero: Drama (Tragédia) / Hentai/Ecchi/Seijin - Yaoi/Lemon/Dark Lemon - Yuri / Mistério / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico) / Terror e Horror

Tags:

Personagens: Mairi, Ian

Classificação: 18+

Adicionado em: 28/01/08

Comentários/Favoritos 11/11

Caracteres: 16.686

Exibições: 269

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Nota: Nota: 5 

 


A Rosa entre Espinhos

Capitulo VIII

Por Josiane Veiga


Mairi terminou a sopa dada pela Sra. Drake rapidamente. Ainda fraca, ela sentiu o liquido quente e nutritivo descer pelo seu estômago e aquece-la. Fechou os olhos por alguns segundos e agradeceu pela ajuda recebida.

Desde que viera a Londres, ela não sabia mais o que era uma cama quente e um prato de comida, por mais simples que fossem. Deus era bom por lhe dar mais uma chance de se alimentar! E Allan Hatton era um anjo, por mais que ele negasse a divindade e preferisse ser apenas um advogado.

Abrindo os olhos ela encarou o lindo jovem a sua frente e sorriu timidamente.

-Se sente melhor?

-Sim –ela murmurou.

Então percebeu. Sua voz estava danificada por causa da maneira como os homens apertaram seu pescoço. Sem perceber ela levantou as mãos e tocou sobre a pele avermelhada pela agressão. Falar doia a garganta, mesmo com o tom baixo.

-Você vai ficar bem – Allan a tranqüilizou – vai descansar, se alimentar e logo estara reabilitada.

-Eu não tenho onde ficar...

-Ficara aqui. – ele parecia estranhamente firme.

Mairi não imaginava, mas a cabeça do loiro rodava naquele momento. Apaixonara-se a primeira vista pela mulher que destruiu seu amigo. Apaixonara-se pela amante de Benjamin! Mas será mesmo?

-Mairi, como eu disse antes, sou Allan Hatton.

-Sim...

-E você é a Mairi de York?

Ela arregalou os olhos.

-Como você sabe?

-Preciso que me diga... você é a Mairi de Ian?

Mairi... Um nome tão raro. Não poderiam existir duas mulheres em Londres com este mesmo nome. Por alguns segundos antes de ela responder, ele ficou implorando mentalmente para que ela disse “não”.

-Sim...Você o conhece?

Então se lembrou que Ian havia dito uma vez que tinha um amigo, quase irmão, que se chamava Allan.

Ele baixou a fronte perturbado.

-Mairi. Ian esta em Londres.

-Ele veio atrás de mim?

O coração dela se encheu de esperança. Ian não se casara com Lady Annie. Ele a amava!

-Não. Ian acha que você o traiu com Benjamin.

-O quê?

Ela ficou perplexa! Benjamin não era mais que um conhecido. Não existia animosidade entre eles, mas amizade era algo especial demais para ser citado.

-Nunca tive nada com Benjamin – ela explicou.

Allan nem quis questiona-la. Ele conhecia as pessoas o suficiente para saber que a moça a sua frente era completamente inocente.

-Ele se casou com Lady Webster?

A pergunta o surpreendeu.

-Ian? Do que esta falando?

-Lady Dorothea me expulsou do castelo, porque Ian iria se casar com a senhorita Annie Webster. Então fui à cidade procurar trabalho. Encontrei Ben e ele me ajudou a vir a Londres. Achei que em uma cidade maior eu teria mais oportunidades para trabalhar. Mas deu tudo errado. Sem referências ninguém me deu trabalho, e fui parar nas ruas.

Allan sentiu os olhos úmidos. Deus, por que ela tivera que passar por tudo aquilo? Ele precisava contar a verdade a Ian, mas como jogá-la à cova dos leões? Ian estava louco de ódio, Dorothea já havia provado que não tinha coração e Mairi era sozinha.

Então ele se aproximou da cama. Sentando, a abraçou e eles ficaram a noite toda conversando sobre a vida de ambos. Melhores amigos... almas amigas precisavam se conhecer...

ººººººººººº


Três dias depois...

Ian entrou no recital da casa dos Wolfs de braços dados a Annie. Sua mãe lhe enviara uma carta avisando que a filha dos Webster estava em Londres e lhe pedindo para levá-la a alguma festa. Ele baixou um pouco o rosto e a encarou.

Ela era fisicamente muito parecida com Eleanor. Um corpo esguio coberto por um lindo vestido claro. Olhos de um castanho intenso e cabelos claros presos numa trança em coroa em volta da cabeça. E a moça o adorava. Ou pelo menos aparentava. Nunca mais poderia ter certeza disso depois de Mairi. Mulheres eram cobras traiçoeiras!

Mas os pensamentos logo mudaram de rumo. Já fazia três dias que tivera sua última mulher. Igranie, a prostituta. Teria que sair essa noite novamente para satisfazer a carne. Pena que não poderia ser com a loira ao lado, porque não estava a fim de se encrencar em um casamento com ela.

-Ian!

Ele virou-se e viu Allan vindo ao seu encontro. O amigo estava nervoso e as mãos esfregavam-se uma na outra como se estivesse com frio.

-Allan Hanton! Que surpresa! O que faz aqui? Há alguns dias não lhe vejo...

-Estive ocupado durante esses dias, Ian.

-Cuidando do meu caso?

Allan recuou. Devia contar que encontrará Mairi nas ruas de Londres? Dera banho nela, a alimentara e agora ela se recuperava na sua cama? Não... Não poderia fazer isso. A moça demorou um dia todo para conseguir se alimentar direito e ficar em pé. Mas Ian não entenderia isso. Ele estava louco de ciúmes e ódio. Se soubesse que Mairi fora encontrada, com certeza ele iria à casa de Allan e a esganaria. Precisava ter calma.

-Mais ou menos.

A reação de Allan não passou despercebida nos olhos de Ian. E ele sofreu com isso, apesar de não demonstrar. Os dois nunca tiveram segredos um para o outro. Bom... Talvez Allan não quisesse contar algo na frente de Annie.

-O que faz no recital? Se não me engano, você detesta esse tipo de ambiente.

Allan sorriu.

-Não se enganou. Realmente, festas da sociedade não fazem parte da minha personalidade.

Annie encarou o jovem advogado a sua frente e perguntou delicada:

-E de que tipo de diversões gosta?

Ian quase gargalhou. Se Allan contasse o tipo de divertimento que apreciava, a moça loira desmaiaria.

-Senhorita – disse Allan segurando suas mãos – gosto de arte. Mas da arte das ruas. Dos poetas boêmios.

-Poetas de rua? – ela parecia chocada.

Allan a ignorou. Voltando-se novamente para Ian, respondeu.

-Ian. Eu gostaria de conversar com você. Mas agora não é a hora nem o local. Se estiver livre amanhã poderia ir até meu escritório.

-Veio até aqui apenas para me dizer isso?

-É algo urgente – disse o loiro.

Ian estranhou a atitude séria do advogado. Allan nunca esteve tão nervoso e calmo ao mesmo tempo. Que contraste!

-Ian. Vamos entrar? – Annie lhe puxou o braço.

Sorrindo, Ian adentrou para dentro da mansão com a bela mulher.

°°°°°°°°


-Você falou com ele? – Mairi perguntou.

Allan nunca poderia negar o quanto o magoava vê-la tão ansiosa por um encontro com McGreggor. Mas ele nunca demonstraria isso. Nesses três dias que cuidou de Mairi, como se cuida de uma criança, ele aprendeu a amar tudo nela. Somente três dias. Mas dias em que a viu suja, fraca e precisando de auxilio. E a transformação que a comida e o banho fizeram nela o deixou tão surpreso que quase não conseguia raciocinar direito.

Mairi ainda estava fraca. E muito magra. A camisola da senhora Drake quase caia por seus ombros e o penhoar parecia um lençol. Os olhos ainda mantinham olheiras profundas e a voz estava fraca.

“Foi por isso que não contei nada a Ian. Ele esta com tanto ódio que poderia machucá-la facilmente”

A quem estava tentando enganar? Não contara nada ao Lord pelo mesmo motivo que ficava acordado a noite. Não dissera que Mairi estava viva, porque tinha medo de perde-la. Como tivera coragem de trair a amizade de Ian desta forma? E logo o amigo que ele dizia amar como a um irmão.

-Não pude falar nada, Mairi...

-Por quê? – ela perguntou sentando-se na cama.

Allan pensou no que responder, mas não sabia direito o que dizer.

-Ele estava acompanhado. Não quis falar nada na frente de outras pessoas.

Ela baixou a cabeça. Sentiu o coração pesado e os olhos encheram-se de lágrimas. Allan não podia falar nada a Ian, pelo motivo mais simples do mundo. Como falar de uma empregada na frente de outras pessoas. Não devia se meter mais na vida dele. Talvez a vinda dela a Londres foi algo feito pelo próprio destino para que ela parasse com a tolice de amar a este homem. Um amor totalmente impossível.

Allan viu a mudança da jovem de olhos brilhantes que o recebeu quando chegou ao quarto e a mulher que agora era abatida pela decepção. Droga! Por que ela tinha que sentir esses sentimentos por Ian e não por ele? Seria tudo mais fácil. Allan não tinha terra e títulos, mas tinha uma profissão e poderia dar uma boa vida a ela. Mairi seria feliz ao lado dele! Por que não a conheceu um dia antes de ela e Ian se encontrarem? Tudo seria diferente agora.

-Ora, anime-se – ele não sabia se dizia isso a ela ou a si mesmo - tudo vai dar certo. Amanhã é outro dia!

-Sim, você está certo.

-Você já jantou? – ele perguntou tentando desviar o assunto.

Ela sorriu. Os dentes alvos dela fizeram seu coração palpitar. Até quando ia suportar ficar assim tão próximo a ela sem a beijar?

-Sim. A sra. Drake preparou um ensopado para mim. Minha garganta esta melhorando e talvez até o final da semana eu já consiga comer coisas sólidas.

O pescoço claro dela ainda estava avermelhado, tamanha a agressão que aqueles monstros a fizeram passar. Só de pensar nisso, Allan sentiu todo o corpo esquentar de raiva.

-Mairi. Preciso conversar com você. Ian esta mudado. Ele é uma pessoa temperamental e sensível. Na mente dele, você era amante de Ben e talvez ate ajudou a matar Eleanor.

-Nunca faria isso!

-Eu sei e você sabe! Mas Ian está transtornado. Anda fazendo coisas que não fazem parte do seu caráter.

Como se meter em brigas e dormir com prostitutas. Mas Allan não iria contar isso a ela.

-Você acha que ele não vai me escutar?

-Ele irá! Mas precisa de tempo. Gostaria que você ficasse na casa de uma amiga minha. É um local calmo e lá ninguém ira incomoda-la. Eu aluguei um quartinho e irei lá sempre ver você. Quero tirar você da linha de frente desta luta que Ian esta travando. Quando eu conseguir faze-lo recuperar o juízo, vou lhe buscar. Você entende?

Ela percebeu a preocupação nos olhos do loiro. Como não confiar nele se ele a teve nos braços e a ajudou. Como não amar como a um irmão um homem que lhe banha e tem a discrição de nunca mencionar o fato. Allan fez por ela o que ninguém mais no mundo fez, nem Ian. Deu-lhe comida, teto e amor. Não um amor sexual, mas um grande amor. E ela lhe seria eternamente grata.

-Quando irei?

-Amanhã bem cedo. Madrugada ainda. Ian virá ao meu escritório de manhã. Mas ele esta num recital esta noite e não dormira cedo. Portanto, se sairmos ao nascer do sol, não há como ele saber que você esta aqui.

Ela compreendeu o que ele quis dizer.

-Boa noite então, Mairi.

Allan inclinou-se e depositou um beijo na sua testa. Depois saiu do quarto para mais uma noite de insônia.

°°°°°°°°°°


O mordomo da mansão Webster o olhou carrancudo. Mas Ian não se intimidou. Curvou-se para Annie e lhe beijou a mão.

-Foi uma noite encantadora. – disse ele.

-Concordo plenamente. Fico feliz que estamos podendo nos conhecer melhor.

-Com certeza Srta. Webster. Pretendo convidar-lhe para outros recitais, se não tiver com compromissos, é claro.

Ela enrubesceu de emoção. Seria delicioso passar mais uma noite agradável ao lado de um homem como Ian. Mas o principal seria o fato de todas as moças da festa a olharem com inveja. Ian era alto, forte. Era incrivelmente sensual. Não foram poucas as noites em que ela passara imaginando que ele lhe tomava. Quando foi a festa de noivado de Eleanor, desejou com todas as forças que fosse ela que iria se casar. Sentia um subido calor no vão das pernas só em pensar nele. Mas o dinheiro dele é que encantava mais. Eleanor foi uma boba ao se negar a ele. Annie não tinha problemas nenhum com o escândalo que estava envolvendo o nome dos McGreggor. Pessoas ricas como eles tinham entrada certa em todas as festas. Como não amar um homem que pode lhe oferecer tudo?

-Devo ir agora. Tenha uma boa noite.

-Igualmente Ian.

Ela esperou que ele se inclinasse para um pequeno beijo, mas para sua surpresa, ele virou-se de costas e saiu. O mordomo fechou a porta e se retirou. Quando estava sozinha Annie tocou no peito.

-Você será meu, Ian. Eu juro que será!

ººººººººº


A noite estava agradável. Mas o humor continuava péssimo. Ian já imaginava o que faria nesta noite. Voltar ao quarto e passar o resto da noite bebendo. Ou ir a uma boate qualquer e dormir com uma prostituta. E depois disso beber. Era só o que podia fazer para esquecer os problemas que o atormentavam. Porque tudo aquilo estava acontecendo com ele? Não merecia isso.

Ou talvez merecesse. Talvez tivesse cometido algum pecado oculto e estava recebendo o castigo.

Chutou uma pedra.

Tudo estava contra ele. Mas pelo menos esta noite ele se divertira ao lado da bela Annie Webster. Ela lhe surpreendera. Mostrara-se uma jovem inteligente, com comentários sagazes. Não esperava isso dela. Talvez devesse repensar a historia do casamento que sua mãe sempre insistira. Nunca amaria Annie, mas pelo menos teria alguém por ele. Ou para ele. Tanto faz.

De repente lembrou-se de Allan. Ele lhe pedira para ir ao seu encontro de manhã. Diabos! Mas já era quase de manhã. Deviam ser umas seis horas. O sol ainda não despontara, mas logo faria isso.

Ir ao hotel em que estava era perda de tempo. Nem poderia dormir. Então o melhor seria ir ao encontro do amigo.

Allan parecia estranhamente nervoso quando o encontrara no recital. Era como se algo de extrema importância devesse ser dito. E agora Ian estava ardendo de curiosidade.

Sem pensar em coches ou cavalos, ele foi a pé até o escritório de Allan. Talvez até tomasse café com o amigo, que tinha uma excelente cozinheira de empregada. A vantagem do escritório de Allan ser junto com sua casa, é que sempre podia subir a cozinha para comer algum bolo.

Foi quando ele percebeu que estava próximo a casa. Mas algo estranho estava acontecendo. Uma carruagem de aluguel estava parada na entrada do sobrado. Ian refugiou-se atrás de uma arvore para ver quem chegava a casa de Allan naquela hora, onde praticamente toda pessoa com posses estava dormindo.

Então ele percebeu que ninguém chegava. E sim saía! Uma capa negra envolvia o corpo de alguma mulher que acompanhava Allan. Sim, era mulher! Ian reconheceria as formas mesmo embaixo de sacos de estopa.

O safado!

Mesmo de longe reconheceu o amigo sorrindo ao lado da figura. Ian começou a rir! Era esse o problema de Allan então? Havia arrumado alguma mulher e ela foi para a sua casa. Como será que ele domara a austera sra. Drake para aceitar uma imoralidade na casa?

Surpreso ele viu a mesma empregada de Allan saindo pela porta da frente e abraçando a mulher da capa. Encostando o ombro na arvore em que se camuflava, Ian percebeu que Allan falava alguma coisa, e após, colocando a mão na cintura da mulher, a conduziu a carruagem.

Estranhamente Ian teve a impressão que a figura estava doente, pois se mexia com dificuldade. Ou era doença, ou Allan dera um trato nela, pensou divertido.

Foi quando um vento forte sacudiu a capa. O capuz pendeu para trás e Ian, num misto de surpresa e torpor, reconheceu Mairi.

Continua...


Capítulos de [Original] A Rosa entre Espinhos

[03/12/07] Introdução

[12/12/07] Capitulo I

[17/12/07] Capitulo II

[24/12/07] Capitulo III

[30/12/07] Capitulo IV

[07/01/08] Capitulo V

[14/01/08] Capitulo VI

[21/01/08] Capitulo VII

[28/01/08] Capitulo VIII

[06/02/08] Capitulo IX

[11/02/08] Capitulo X

[18/02/08] Capitulo XI

[25/02/08] Capitulo XII

[03/03/08] Capitulo XIII

[10/03/08] Capitulo XIV

[17/03/08] Capitulo XV

[25/03/08] Capitulo XVI

[31/03/08] Capitulo XVII

[07/04/08] Capitulo XVIII

[14/04/08] Capitulo XIX

[22/04/08] Capitulo XX

[28/04/08] Capitulo XXI

[05/05/08] Capítulo XXII

[10/05/08] Capítulo XXIII

[16/05/08] Capítulo XXIV

[26/05/08] Capítulo XXV

[03/06/08] Capítulo XXVI

[10/06/08] Capítulo XXVII

[18/06/08] Capítulo XXVIII - Final


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