Entardecia em uma praia quase deserta, uma senhora esbelta caminhava a beira da praia, ela usava um vestido marfim que ia até próximo do calcanhar, usava um chapéu com uma fita de seda da mesma cor do vestido, amarrada ao redor do chapéu. Só se percebia que ela já tinha uma idade um pouco avançada, devido a algumas marcas do tempo no rosto e o cabelo curto já totalmente brancos, em uma mão segurava suas sandálias e na outra uma carta.
A sua frente um homem que aparentava ter a mesma idade que ela, também esbelto, vestia calças de algodão cru e uma camisa de botão branca e manga curta, suas mãos estavam dentro dos bolsos da calça. Ele ainda tinha uma postura imponente, apesar da idade. Observava concentrado o mar a sua frente.
Mas não deixou de perceber a aproximação da mulher que agora estava ao seu lado. Voltou seu olhar em direção a ela e colocou seu braço ao redor do pescoço dela, ela lhe cumprimentou com um suave sorriso e falou:
- Eles vão chegar amanhã à noite! – entregou a carta para o marido então continuou – A Anne continua não aceitando a mudança! – Ele a fitou nos olhos, conseguia ler o que eles pediam, arqueou a sobrancelha seriamente, já sabia o que ela queria então ela prosseguiu – Só farei isso com o seu consentimento! – Ele suspirou e com um sorriso singelo respondeu.
- Tudo bem, meu amor! – Ela lhe retribuiu o sorriso, então ele beijou-lhe suavemente os lábios e a convidou a se sentar na areia, ele sentou primeiro depois ela tirou o chapéu e sentou entre as pernas dele conchegando em seu peito e envolvida em seus braços, como sempre faziam todas as tardes, o sol começava a se pôr quando ela se voltou para ele e perguntou.
- Algum dia você já se arrependeu? – Ele sabia do que ela estava falando, aproximou-se do ouvido dela e num sussurro respondeu-lhe.
- Não... – pegou a mão da esposa e entrelaçou seus dedos aos dela -... Foi à decisão mais correta que já tive em minha vida... - Ela volta seu olhar para o mar, o sol acaba de se pôr e já anunciando a noite –... E você alguma vez se arrependeu? - Com um sorriso ela responde.
-Nunca!
NO DIA SEGUINTE ...
Um táxi parou em frente a uma bela casa branca de telhados azuis, onde duas pessoas já os esperavam, do carro saíram duas crianças uma ruiva de sete anos usando um vestido rosa de babados e sapatinhos da mesma cor com os cabelos amarrados num rabo de cavalo, um menino de dez com cabelos castanhos que usava calças jeans e uma camisa gola pólo azul, ambos saíram correndo para abraçar os avós.
Logo depois uma adolescente de cabelos castanhos de quase quinze anos desceu com cara de poucos amigos, usava uma camiseta regata de alças grossas e calças jeans pretas, com uma mochila nas costas e fones do mp3 nos ouvidos, a mãe deles, uma mulher ruiva com vestia uma blusa social branca e saia jeans que ia até o joelho, e segurando duas malas em cada mão:
-Filha pode me ajudar? – Mas a única coisa que a adolescente fez foi olhar para a mãe com desdém e aumentar o volume do mp3, a mãe pagou o taxista, então os avós se aproximaram para cumprimentá-las e ajudar com as malas
-Oi mãe! – abraçou carinhosamente a mulher a sua frente.
-Oi meu amor! – respondeu docemente, depois a mulher foi em direção ao pai e o abraçou saudosa.
– Oi pai!
-Oi minha pequena Lilian! – falou o pai sorrindo ainda abraçado a filha, enquanto sua esposa anunciava.
-Vamos jantar primeiro, vocês devem está com fome! – falou a avó para os netos - depois vou mostra-lhes o quarto de cada um de vocês! – os mais novos correram para dentro da casa e a adolescente simplesmente deu de ombros e entrou esbarrando de propósito na mãe.
-Anne! – repreendeu a filha, mas ela já havia sumido da vista, dentro da casa, suspirou cansada.
-Calma filha! – falou a mãe par Lílian – Vou ver como estão meus netos! – E saiu em direção a casa. Lílian voltou-se para o pai e falou.
– Ela não está aceitando bem nossa mudança... pai não sei mais o que fazer... nem conversar comigo ela conversa mais...não queria trazer problemas para vocês... – não conseguiu segurar as lágrimas, o pai a confortou em seu ombro, depois levantou o rosto da filha, enxugou-lhe as lágrimas e falou.
-Hei minha pequena... tudo vai dá certo – abraçou-a novamente e beijou lhe a testa - não precisa se preocupar, agora vamos entrar e depois conversamos sobre isso! – ele pegou uma das malas e Lílian a outra e entraram na casa.