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[Original] A Rosa entre Espinhos

Capitulo VI


Autor: ~JosianeVeiga

Categoria: Misc/Originais

Gênero: Drama (Tragédia) / Hentai/Ecchi/Seijin - Yaoi/Lemon/Dark Lemon - Yuri / Mistério / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico) / Terror e Horror

Tags:

Personagens: Mairi, Ian

Classificação: 18+

Adicionado em: 14/01/08

Comentários/Favoritos 8/13

Caracteres: 10.312

Exibições: 351

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Nota: Nota: 5 

 


A Rosa entre Espinhos

Capitulo VI

Por Josiane Veiga



O vento bateu contra as vidraças. As enormes árvores se chocaram fazendo um barulho sinistro. Lady Dorothea não era uma mulher de se assustar com nada, mas naquela noite, ela sentia frio em todo o corpo. Acabara de ter um pesadelo. Viu o corpo de Eleanor atirado sobre o concreto frio e logo após, os olhos da moça a encaravam.

A senhora pousou a mão sobre o peito tentando se acalmar. Era adulta. E nunca temera nada. Não seria um pesadelo que lhe colocaria qualquer sentimento. Nem de medo... Nem de culpa.

Puxou as cobertas e se levantou. O quarto ainda estava iluminado por um resto de vela. Ela andou de um lado para o outro, pegou um livro, sentou-se na cama, tentou ler.

Foi então que ela ouviu um choro. No começo parecia um lamurio, mas logo ela percebeu que era um pranto feminino.

-Quem esta aí? – ela perguntou.

Nenhuma resposta.

O choro acalmou tão de repente quanto havia começado. Então fez se ouvir o som de passos. O barulho da caminhada cessou quando estava à frente da porta do quarto da senhora, assustando-a, mas recomeçou, para alivio de Dorothea.

-Alguém esta tentando me amedrontar. – ela murmurou.

Tentando encontrar toda a coragem possível, colocou o penhoar e saiu do quarto. O corredor estava escuro, mas não totalmente. A luz da lua adentrava pelas janelas do final do mesmo. Dorothea foi seguindo o som dos passos. Iria pegar o maldito que estava tentando assustá-la.

Mas ela quase perdeu a vontade ao perceber que o som vinha do quarto em que Eleanor morreu. O medo poderia a deixar irracional, mas ela era orgulhosa demais para isso. Lady Dorothea colocou a mão na maçaneta da porta e a abriu.

Estava vazio...

Ela caminhou para o meio do quarto. Estranhamente a janela de onde Eleanor fora jogada, estava aberta. Olhando ao redor, Dorothea percebeu a sujeira. Ninguém entrava naquele lugar desde a noite maldita.

-Dorothea...

Ela ouviu o barulho. O coração quase parou no peito. Ela sentiu que ia desmaiar, mas o corpo agiu contra sua determinação de não ver. Aos poucos ela foi se virando.

Perto da cama a imagem de uma jovem loira ensangüentada, a fez gritar. Era Eleanor! Ela viera buscá-la.

Correu até a porta, mas esta se fechou sozinha. Puxou a maçaneta com força, mas sentiu dedos frios na sua nuca. Iria morrer! Com desespero ela começou a gritar, mas a mão que estava na sua nuca deslizou para sua boca.

-Mãe?

A voz de Ian no corredor surgiu tão de repente quanto a mão a abandonou. E a porta abriu-se.

O rapaz olhou assustado a jovem senhora que nunca perdia a frieza. Aquela Lady era muito diferente da mulher que lhe dera a vida. Dorothea estava descabelada, o rosto vermelho e os olhos cheios de lágrimas.

-Mãe! O que houve?

-Ian... Eleanor, ela me quer...

E desmaiou.

ºººººººº

O frio era tão intenso quanto à fome que chocava seu ventre. Mairi estava suja, cansada e infeliz.

Quando chegou a Londres, procurou emprego, mas estranhamente ninguém naquela cidade precisava de uma jovem sem família. De casa em casa ela ouviu “não”s tão secos quanto às pessoas que a entrevistaram.

Quando a noite chegou, ela encontrou um canto úmido em um beco, cheio de ratos, que espantou rapidamente com um pedaço de madeira. Deitou-se sobre o chão duro e dormiu. E assim as semanas foram passando. De dia, ela procurava qualquer trabalho, e às vezes conseguia o labor de limpar chaminés. Um serviço triste, cansativo e que lhe dava pouco dinheiro.

O estomago doía de tanta fome. Quando brigou pela primeira vez com um rato por um pedaço podre de carne, ela perdeu o resto da dignidade. Então não tentou mais se lavar nas fontes nas praças e também não mais procurou por trabalho. Comia o que encontrava no lixo e perambulava pela cidade fugindo de qualquer um que tentasse a atacar.

A roupa suja e gasta começaram a atrair pulgas. Logo o corpo todo coçava e estava vermelho de mordidas. Os cabelos castanhos, antes tão brilhantes, estavam infestados de piolhos.

E mesmo assim ela ainda achava tempo pra pensar em Ian. As tardes passadas ao lado dele, o vendo ler. As noites em que fugiam juntos para os bosques para conversar... tudo era um alento ao seu coração. Pelo menos ela tinha lembranças. Lindas e puras lembranças.

Naquele momento, ele já devia estar noivo. Até casado. Lady Anne era uma mulher de sorte.

-Saía daqui! – alguém gritou quando a viu parar em frente a uma casa.

Enxotada como um animal. Sem esperanças.

Passou a mão pela toca que cobria o cabelo e o coçou. Malditos piolhos! Fazia tempo que não tomava um banho, mas tinha até medo de se limpar, afinal, sem a sujeira, algum homem poderia querer se aproveitar dela.

“Limpa... talvez algum homem me queira e pague por isso”, pensou.

Não! Não a prostituição! Qualquer coisa menos a prostituição!

Por que ela estava passando por aquilo? Desde pequena não tinha a ninguém. Não tinha família. Fora abandonada em frente ao castelo e Lady Dorothea a acolheu como empregada. Sua infância foi limpando o chão.

Começou a chorar ao lembrar dos natais, onde as outras crianças divertiam-se com suas famílias e ela tinha que ficar trancada no quarto. Lembrou-se das páscoas que ela não viveu. Dos abraços que não ganhou.

A primeira pessoa a mostrar um pouco de afeto verdadeiro por ela fora Ian. E até ele lhe havia sido arrancado.

Agora ela estava ali. Suja, esfomeada, sozinha. Olhou as mãos grossas de terra. Eram calejadas de tanto trabalhar e ela por um momento sonhou em como seria se fosse filha de alguém. Se tivesse alguém para cuidar dela.

A costumeira tontura apareceu. Era de fome, ela sabia. Esgueirou-se por um beco escuro e tentou ver algum lixo no chão para comer. Já fazia três dias que não encontrava nenhuma chaminé para limpar, e sem trabalho, não tinha comida.

Os olhos claros então viram um rato morto perto de um barril. Ela baixou a fronte e percebeu que depois disso nunca mais seria a mesma. Sem hesitar e sem olhar, ela caminhou em direção ao animal...

°°°°°°°°

-Ian! Que surpresa agradável! O que o trás a Londres?

Já fazia dois meses que Ian regressara a York e não havia lhe dado noticias. Agora Allan Hatton encarava o amigo que se sentara na poltrona em frente a sua mesa no seu modesto escritório.

Ian tinha mudado. Olheiras marcavam seus olhos e ele tinha um aspecto cansado. Mas o que mais lhe impressionou foi a barba por fazer. Nunca Ian se permitiria um descuido desses. Mas Allan achou melhor não comentar nada.

-Como está o processo?

-Ian, já lhe disse... é como encontrar uma agulha no palheiro. Não tenho pistas e já procurei em toda Inglaterra. Ninguém vendeu o maldito colar. Sem essa pista, nunca chegaremos ao assassino.

-A pessoa pode ter destruído o colar e o vendido em pedaços. – comentou Ian.

-Ore para que não, meu amigo. Seria o fim de nossa ultima chance.

Uma senhora de meia idade, gordinha, adentrou a sala. Era a Sra. Drake, secretária de Allan. Ela serviu um café a Ian e se retirou silenciosamente. O jovem moreno olhou a xícara com o liquido escuro e sorveu um gole.

-Como esta sua mãe? – perguntou Allan.

-Louca.

A resposta tão fria e dura quase fez Allan tossir.

-O que aconteceu?

-Ela viu Eleanor pelo castelo há um mês atrás. E agora tem medo da assombração.

-Homem de Deus! E você me diz isso com essa calma?

Ian deu um sorriso cínico.

-Você e eu sabemos que fantasmas não existem. Minha mãe esta ficando velha e vendo coisas. Ou pode ser a consciência que esta pesando.

O loiro demorou um tempo até entender o que o amigo disse.

-Você esta querendo me dizer que acha que Milady matou Eleanor.

-Sim. Pode ser isso.

-Mas ela sabe que você esta sendo acusado deste assassinato. Ela não ficaria quieta sabendo que o filho pode ir à forca.

Tão logo disse isso, Allan arrependeu-se. Seria horrível se fosse verdade. A pior veracidade seria que Dorothea nunca amou Ian, deixando o filho que colocou no mundo pagar por um crime que ela mesmo cometeu.

-E sua menina com nome musical? – tentou mudar de assunto Allan.

O corpo de Ian ficou rígido e seus olhos mudaram de cor. Allan sentiu a mudança e nem quis pensar o que pode ter acontecido.

-Foi embora! Adivinha de quem ela era amante também?

-Amante? Como assim?

-Não a toquei porque achei que fosse pura. Que lorota! Quando voltei a York soube que ela havia partido com a ajuda de Benjamin.

-Benjamin? O amante de Eleanor?

Ian suspirou.

-Não sei por que motivo este homem sempre esta no meu caminho. E não entendo como Mairi fez isso. Mas fez! A única coisa que eu consigo pensar é em como eu a odeio por isso.

Allan baixou os olhos. Enganara-se com a empregada. Achava com sinceridade que a jovem amava Ian, mesmo não a conhecendo pessoalmente. Quando olhava os dois juntos, ao longe, tinha a impressão de que fossem duas partes de uma mesma alma. Era como se tivessem nascido um para o outro.

-E o que pretende fazer, meu amigo?

-Eu? Nada. Vou apenas aproveitar minha estada nesta maldita cidade e sairei com algumas belas mulheres, beberei, irei ao teatro e aproveitar o que puder antes de ser preso e morto por um crime que não cometi.

Allan não teve coragem de falar mais nada. O antigo Ian, o rapaz bondoso e honrado não existia mais. Neste momento ele via uma maldade nos olhos do amigo que não estava lá da ultima vez que ele viera a Londres.

CONTINUA...



Capítulos de [Original] A Rosa entre Espinhos

[03/12/07] Introdução

[12/12/07] Capitulo I

[17/12/07] Capitulo II

[24/12/07] Capitulo III

[30/12/07] Capitulo IV

[07/01/08] Capitulo V

[14/01/08] Capitulo VI

[21/01/08] Capitulo VII

[28/01/08] Capitulo VIII

[06/02/08] Capitulo IX

[11/02/08] Capitulo X

[18/02/08] Capitulo XI

[25/02/08] Capitulo XII

[03/03/08] Capitulo XIII

[10/03/08] Capitulo XIV

[17/03/08] Capitulo XV

[25/03/08] Capitulo XVI

[31/03/08] Capitulo XVII

[07/04/08] Capitulo XVIII

[14/04/08] Capitulo XIX

[22/04/08] Capitulo XX

[28/04/08] Capitulo XXI

[05/05/08] Capítulo XXII

[10/05/08] Capítulo XXIII

[16/05/08] Capítulo XXIV

[26/05/08] Capítulo XXV

[03/06/08] Capítulo XXVI

[10/06/08] Capítulo XXVII

[18/06/08] Capítulo XXVIII - Final


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