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Fanfics

[Naruto] As Dores do Silêncio

Verdades e Perdão


Autor: ~Yela

Categoria: Animes/Naruto

Gênero: Hentai/Ecchi/Seijin - Yaoi/Lemon/Dark Lemon - Yuri / Romance e Novela.

Tags: Uchiha, Akatsuki

Personagens: Sakura, Sasuke, Naruto, Kakashi

Classificação: 18+

Adicionado em: 13/01/08

Comentários/Favoritos 46/53

Caracteres: 35.299

Exibições: 3.836

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Nota: Nota: 5 

 




No último capítulo...


- O que... – Kisame olhava Itachi incrédulo. Mas Itachi olhou Sasuke nos olhos – No final será só você e eu... e ninguém mais morrerá por você.

- Esse dia está mais perto do que você imagina... – Sasuke baixou a cabeça, lembrando das palavras de Lee... "Cumpri minha promessa... faça Sakura o mais feliz possível..." Aquele olhar seguro, ansioso por provar, que sempre tivera. Se virou para ir embora, enquanto o irmão e Kisame seguia o caminho oposto. Ganhara Sakura de volta mas perdera um amigo... esse era o preço a pagar? E Kakashi foi, segurando o corpo daquele que tinha se arriscado, dado a vida em troca da felicidade dos seus amigos, aquele a quem seria feito honrarias que não chegavam nem perto do homem que tinha sido em vida.

Kakashi sabia não ser a hora de falar sobre a grande irresponsabilidade dos três em saírem da vila, pensando poder derrotar aqueles homens, mas com a dor da perda eles aprenderiam. Teria tempo para conversarem.




Capítulo VI


O dia vinha chegando e toda a Konoha reunida na entrada da cidade, podia ver ao longe os ninjas voltarem. Assim que entraram pelo portão, as pessoas gritaram e festejaram, pensando terem derrotado a Akatsuki.

Os ninjas da ANBU foram avisar a Hokage dos acontecimentos e os três ninjas colocaram o corpo de Lee no chão. As pessoas em volta silenciaram, e um homem chegou abrindo espaço da multidão, sorrindo:

- Eh Kakashi, não perdeu o jeito ein, tenho que admitir que você se superou...
- Gai....
- Mas é claro, com Lee na equipe eu não esperava resultado diferente...
- Olha Gai...
- Por falar nisso, cadê o Lee?
Então Naruto, Sasuke e Kakashi saíram da frente, revelando o corpo de Lee sem vida, no chão. Gai olhou sem acreditar, aos poucos porém, sua expressão foi mudando e era para desespero.

Olhou para Kakashi, buscando uma confirmação, uma esperança. Mas Kakashi balançou a cabeça negativamente então Maito Gai engoliu seco, as lágrimas descendo por seus olhos, e sem uma palavra pegou o corpo de Lee. Todos abriram caminho em silencio quando este começou a andar, em respeito a imensa dor que o jounin sentia.



Sasuke foi direto para o hospital. Ainda não entrara na cabeça que Lee tinha morrido. Parecia tão inacreditável... Viu a Hokage Tsunade vindo:

- Ela está no 23. – Ele não abrira a boca mas todos ali sabiam quem estava procurando. Quase dois meses sem vê-la... sentiu-se ansioso quando parou na frente da porta. Abriu-a e entrou no quarto.

E ela estava ali, deitada dormindo, os cabelos novamente compridos, mas tão doce tão linda. Ele não ousou dar nenhum passo, com medo de acordá-la e quebrar aquele encanto. Ficou olhando para seu rosto, com um aperto no peito, e Sakura abriu os olhos e o encarou:

- Sasuke... – Ela o sentira ali, não estava dormindo, mas justamente o esperando ansiosa. E olhando para o amor de sua vida, para o homem que ela entregara seu coração, seu corpo e sua alma, ela sentia-se tão bem quanto jamais pensara sentir.

Sasuke se aproximou da cama e se sentou, pegando sua mão. Os olhos de Sakura se encheram de lágrimas e ela pulou no colo dele, abraçando-o tão forte, que era pra ter certeza de que ela poderia ficar assim com ele para sempre.

E ela chorou como nunca havia feito, chorou como uma criança, por tudo que tinha passado, falando o único nome que importava para ela naquele momento. E Sasuke acariciava suas costas murmurando sempre: - Meu amor, meu amor...

Eles ficaram abraçados, cada um sentindo o cheiro, o calor do outro, então as bocas se buscaram num beijo apaixonado, profundo, ávidos por compensar o tempo longe um do outro. Sakura se afastou e ainda continuava chorando.

- Sasuke kun... Eu preciso falar uma coisa... – Sasuke ficou olhando-a firme. Aquele olhar que fazia as suas pernas tremerem e o coração saltar... ela o amava mais que a si própria, mas precisava contar: - Sasuke, Itachi é... Foi... Horrível, todo esse tempo... Me perdoe.... – Sasuke a abraçou mais uma vez.

- Shhh, agora acabou... Nunca vamos nos separar outra vez... – Ele a olhou com carinho e ela baixou a cabeça pensando “Ele não entendeu, eu não consegui dizer, contar...”. Mas precisava dele. Precisava de Sasuke mais que qualquer outra coisa naquele momento e não suportaria vê-lo abandoná-la.



Naruto e Hinata caminhavam para o hospital. Naruto ainda olhava horrorizado para o chão, e Hinata o conduzia olhando preocupada para ele. Ele nunca iria esquecer aquela cena... Por que o sobrancelhudo?

Passaram pela Hokage, que os olhou de relance. Hinata olhava com lágrimas nos olhos, e viu Tenten passar rapidamente por eles. Neji vinha um pouco mais atrás e aparentava a mesma calma de sempre, mas Hinata conhecia muito bem o primo para saber que ele sofria com a perda do amigo.

Olharam-se por um momento e Neji temeu que visse pena nos olhos da prima. Mas Hinata apenas o olhou doce como sempre, os olhos úmidos de compreensão e dor. E Neji sorriu, mas um sorriso que não alcançava os olhos, e continuou seu caminho.

Hinata olhou novamente para Naruto, e ele não estava mais chorando, olhava para frente sem o brilho normal nos olhos, como se quisesse desafiar toda a dor que estava sentindo. E ele a olhou e ela o abraçou, tentando não pensar que poderia ser ele no lugar de Lee, que poderia ser ele nos braços de Kakashi e não Lee.

Chegaram no hospital e as enfermeiras passavam por eles e falavam:
- Está no 23. – Naruto abriu a porta e entrou, vendo sem surpresa Sasuke. Sakura encarou o amigo, e Naruto foi até ela e a abraçou. Um abraço tão reconfortante, amigo.
- Pelo menos você voltou, não é mesmo.
- É sim Naruto obrigada.
- Você é minha melhor amiga... é o mínimo que podia fazer. – Disse ele sorrindo enquanto Hinata se adiantava e a abraçava:
- Que bom que está de volta, Sakura chan...

E os quatro ali sorriram uns para os outros, a amizade verdadeira sempre os ia unir. Mas um rebuliço lá fora chamou a atenção de todos e a porta se abriu de sopetão:

- AH TESTUDAAA EU VOU TE MATAR!!! – Ino entra no quarto e para olhando Sakura com as mãos na cintura.
- Ino...
- EU SABIA QUE VOCÊ IA ME ESQUECER SUA TESTA DE MARQUISI... – Ela sorriu para Sakura e esta ficou sem entender – Como eu posso ser a ultima a saber que você voltou, sendo a sua melhor amiga ein! – O sorriso dela se alargou e Sakura de repente ficou com os olhos úmidos. – Eu é que devia estar aqui te consolando...

- Ino... – Sakura junta os joelhos e os abraça, escondendo o choro como uma garotinha. Ino pula do seu lado e a abraça:

- Mas você continua bobinha como sempre. – Sakura riu, mas chorava ao mesmo tempo, e abraçou a amiga. – Olha eu tenho guardado isso pra você...

E Ino puxou algo, e Sakura viu a faixa vermelha, a sua faixa vermelha e chorou mais ainda ao saber que Ino a tinha guardado todo esse tempo. Como se fosse uma mãe preocupada, Ino pegava o braço de Sakura e amarrava a faixa no seu pulso, abraçando-a e olhando para todos ali:

- É melhor nós irmos, vai realizar o enterro neste momento. – E eles se levantaram, Sasuke ajudava Sakura a andar, não que ela realmente precisasse mas era muito bom ficar abraçada com ele.




A neve caia em um espetáculo bonito e triste e muita gente agora se amontoava numa clareira, onde havia uma tora de madeira no centro, para treinos. Em baixo, uma grande cova roubava a cena e mais atrás as pessoas abriam um corredor onde Maito Gai levava sozinho o caixão com o aluno.

Houve um momento em que quase deixara cair mas de repente sentiu o peso ficar mais leve. Ele olhou para a frente, piscando entre lágrimas, e viu Tenten segurar a frente do caixão com seu olhar fixo, cheios de dor tanto quanto os dele. Então para a sua surpresa, Neji Hyuuga se colocou ao lado de Tenten, ajudando também. E nesse momento sorriu pois sabia que não estava sozinho.

O caixão foi depositado na cova e algumas pessoas ali se aproximaram. Eram estes Naruto, Sasuke, Sakura, Ino, Hinata, Shikamaru com Temari que segurava um bebe e por ultimo, um pouco mais afastado Gaara. Ele porém, foi o primeiro a se aproximar do caixão e jogar uma flor. Por sua vez, cada um dos amigos se aproximaram e jogaram flores, e algumas pessoas que conheciam melhor o garoto, foram depositar coroas de flores naquela tora de madeira, onde estava marcado seu nome.

Palavras eram desnecessárias naquele momento. Falariam o que? Que tinha sido um grande homem? Que havia sido honrado e arriscado a própria vida pela dos amigos? Todos ali sabiam que Lee era maior que isso, não havia palavras que descrevesse então preferiram o silencio.

Os homens começaram a encher a cova, e um choro alto era ouvido no silencio fúnebre. Tenten desmaiou e Neji ao seu lado a amparou, olhando uma ultima vez para o caixão “Adeus... Rock Lee”.

Sakura tentava não chorar, mas quanto mais segurava mais a dor parecia aumentar e de mãos dadas sentiu Sasuke apertar sua mão, num mudo consolo enquanto olhava firmemente para a cova.

Do outro lado, Naruto acariciava os cabelos de Hinata, que chorava no seu ombro. Seu olhar encontrou o de Sasuke e os dois amigos se encararam por alguns instantes, podiam enchergar o que se passava um com o outro, mesmo sem falar nada. Temari e Shikamaru tentavam acalmar o bebê que fazia um escândalo, e acharam melhor voltarem.

Assim enquanto quase todos deixavam a lápide, Gaara ao longe observava Gai ajoelhar-se e riscar algumas palavras na lápide recém colocada. Alguém se aproximou e tocou de leve seu braço. E ele não discutiu enquanto Ino o puxava longe dali.



Sakura entrou em casa. Fechou a porta e respirou aquele aroma que não sentia parecia anos. Ouvia-se barulho de louça na cozinha:

- Mamãe? – Um estrondo revelou o prato que a Sra Haruno tinha deixado cair. Ela apareceu, o rosto branco como mármore, mas os olhos brilhando com a intensa felicidade:

- Sakura minha filha! Oh minha querida, minha pequena... – E elas se abraçaram emocionadas, o tempo que tinham passado separadas mostrou o quanto uma precisava da outra. Foram para a cozinha e Sakura contou tudo que lhe acontecera, e se sentiu aliviada por tirar aquele peso excessivo do coração. A mãe ficou horrorizada, chocada mas deu muito apoio emocional, que era o que Sakura mais estava precisando. Fez-lhe a comida predileta e a levou para seu quarto, tratando-a como uma garotinha.

Sakura se deitou na cama e a mãe a cobriu, passando as mãos quentes pelo seu rosto. E ela fechou os olhos, de repente tão cansada e tão feliz por estar em casa que dormiu imediatamente. A Sra Haruno deixou o quarto, fechando a porta.



Itachi e Kisame estavam novamente na casa. E não eram os únicos ali. A Akatsuki voltou a se reunir, e estavam tendo uma reunião importante. Já que o trunfo tinha escapado, eles teriam que partir para a ignorância. Um segundo ataque a vila, porém seria muito arriscado, então Itachi disse que aquele dia estariam fazendo o enterro do garoto que ele matara. Eles acharam uma boa idéia dar uma olhada na segurança: Deidara e Tobi se encarregaram de espiar.

Sem mais nada o que discutir, eles ficaram livres um momento. Itachi foi até uma janela, olhando em direção a mata, onde quilômetros a frente um casebre se encontrava aparentemente abandonado. Ele sentiu a irritação começar a subir pelo peito. Como fora que a deixara escapar? Como não prestara atenção e deixara que aquele garoto fraco tirasse de si o objeto que lhe era mais caro? Mas isso não ficaria assim. Ele se vingaria de todos um por um, e ainda mais de Sasuke, pois fora por culpa dele que Itachi se distraira momentaneamente.

Deidara e Tobi voltaram com as noticias. Ao contrario do que pensaram, parece que toda a Konoha se juntara e fortificara mais ainda os portões, e os dois disseram ter visto ninjas de suna também presentes.

Resolveram então montar uma vigia, mas Deidara discordou veementemente de fazê-la novamente, somente se trocassem de parceiros. Nem Itachi, nem Kisame se manifestaram, não queriam ficar vigiando mais uma vez aquela aldeia. Decidiram que por hora se manteriam afastados.

Tudo que Itachi queria era se afastar para o casebre e a oportunidade surgira quinze minutos depois. Depois de tudo que acontecera, estava curioso para ver como reagia quando chegasse a casa e não encontrasse certa jovem de cabelos róseos.



Sakura abriu os olhos lentamente. Estava um pouco escuro ainda, mas dava para ver que o sol vinha nascendo, e o céu oscilava entre o azul escuro e um rosado com amarelo.

Ela se sentou espreguiçando. Olhou para o lado e viu com um arrepio de prazer, Sasuke sentado dormindo em uma cadeira ao lado de sua cama.

Ficou observando o rosto do amado, adormecido e sorriu ao vê-lo abrir os olhos e a encarar. Sasuke sem dizer nada se sentou ao seu lado e a beijou. Tão delicado, tão profundo. E ela se perdeu e esqueceu momentaneamente de todo o mundo. Quando se separaram Sasuke a olhou sorrindo:

- Vou pegar seu café da manhã. – Ela sorriu e se lembrou de Itachi quando chegava no casebre e lhe atirava a sua comida... Ele fechou a porta e ela balançou a cabeça, tentando afastar tais pensamentos. Mas como se fossem imãns, ela olhou com assombro para a janela: Ele estava lá, encostado na parede, observando-a e ela sentiu o sangue gelar. “Não, não é possível...”

Ele se aproximou lentamente: - Minha cara, pensou que eu ia deixa-la livre? Pensou que finalmente poderia ficar com seu amor? Achou mesmo que eu não viria reclamar o que era meu? – Ela o olhava, o terror comprimindo a sua garganta, impedindo-a de fazer outro som que não fosse um murmúrio quase inaudível:

- Não...

- Ah sim... sim, sim, sim... – Ele sentou-se do outro lado, como Sasuke fizera. Pegou o rosto dela com a mão e tascou-lhe um beijo selvagem, ardente, e ela não pode simplesmente não tinha forças para lutar, parecia uma garotinha assustada demais para qualquer movimento.

Então ele a puxou para si, e escorregou o kimono dos ombros, enquanto beijava-lhe o pescoço... E ela de repente pareceu ligar, e de um salto se livrou das suas mãos, correndo para a porta:

- SASUKE, SASUKE...!!!

Itachi ria da cama para ela, ria do seu desespero, e a porta de repente se transformou num muro de pedras altas, e ela não via saída e não via Sasuke, chamava por ele, mas algo estranho estava acontecendo, ninguém a ouvia... E ela caiu na escuridão, sempre gritando, e era tão escuro que parecia um túnel sem fim...


- Sakura, Sakura...! – Ela abriu os olhos, ofegante. Era um sonho. Apenas fruto da sua cabeça. Percebeu sua mãe e abaixada do seu lado, a Godaime observava seu rosto atentamente.

- Mamãe... Tsunade-sama...? O que fazem aqui?

- Ora Sakura. – Tsunade se levantou satisfeita que Sakura tivesse acordado. – Você estava aos berros gritando pelo Sasuke...

- Filha você está bem...? Não quer algo para comer...?

- Eu... Eu acho que sim. – Sakura observou a mãe sair apressada do quarto e olhou novamente para a Godaime. – Bem, como você está? Preciso falar com você, acho que já estava esperando por isso...

- É... – Realmente, ela sabia que era só uma questão de tempo antes de ser interrogada. Porém, para ganhar algum tempo ela perguntou ligeira:

- Há quanto tempo estou aqui?

- Dois dias. – Tsunade sorriu quando Sakura arregalou os olhos. – É você descansou bastante.

- E o pessoal como está? – Ela queria poder trocar o “pessoal” por “Sasuke”.

- Fala dos seus amigos...? Estão bem... Apesar da grande perda do chunnin Lee, era um grande ninja, naturalmente os homens que fizeram isso vão pagar... Tive que colocar ninjas de olho em Maito Gai eu sei que ele vai querer se vingar do aluno, e não gostou nadinha ao vim falar comigo sobre os ninjas que mandei segui-lo...

Tsunade falava e a mente de Sakura voava livre. Aprendera nos últimos meses a manter o rosto livre de emoções, a mesma expressão séria. Aprendera não por que queria, mas por que não tivera escolha.

A mãe de Sakura entrou no aposento com seu prato favorito. A Godaime parou de falar e ela se sentou tamanha a fome que sentia. Porém ao provar o primeiro pedaço, vem o indesejado. Ela não conseguiu engolir a comida, parecia que seu cérebro estava recusando aquele tipo de alimento. Ela se engasgou e correu porta afora, mas não conseguiu se segurar a tempo.

Tsunade e a mãe vieram correndo e Sakura sentiu os tapinhas carinhosos que elas davam em suas costas, encorajando-a a continuar. Ela se levantou meio zonza, e sentiu um pano molhado limpar sua boca.

- Eu... Eu já estou b-bem... – Ela pegou o pano e foi limpar o chão mas sua mãe a impediu. Pegou o pano e começou a limpar sozinha e Sakura sentiu remorsos.

- Eu ajudo mamãe, não precisa...

- Você não vai chegar perto daqui senhorita...

- Sua mãe tem razão, eu quero que você venha comigo. – Sakura olhou aturdida para Tsunade que já pulava a poça e descia a escada. Então sentiu-se empurrada e viu a mãe acenar-lhe com a cabeça. E mais confusa ainda, seguiu Tsunade.

- Tsunade-sama onde estamos indo...?

- Você está grávida não está? – A pergunta era direta. Sakura a olhou amedrontada, e Tsunade viu a dúvida no olhar. – Está bem, vou te examinar para termos a certeza.

Seguiram para o hospital, e Tsunade a examinou cuidadosamente, para não ter nenhum engano. Mas não foi preciso muitos testes para confirmar o terrível resultado.

- Mas ainda nem formou nada. – Sakura olhava para baixo, distante e Tsunade se sentou do seu lado - Essa gravidez não passa de semanas, e conheço remédios que a livrariam desse peso e dessa vergonha...

Sakura fechou os olhos. Poderia estar com um filho de Itachi no ventre. Mas antes de Itachi, aquele era seu filho, somente seu e a idéia de acabar com uma vida, mesmo que nem tenha se formado ainda, a repugnava.

- Não... eu v-vou ter o m-meu filho...

- Tudo bem... – Tsunade colocou a mão sobre seu ombro, solidária. – Mas Sakura... Agora, responda com sinceridade, você sabe quem é o pai... Qual dos sete? – Tsunade engoliu seco, mas continuou olhando diretamente para ela. O olhar da jovem escureceu, perdeu o brilho e ela olhou para longe:

- Sei exatamente quem é... Mas não quero falar sobre isso agora, Tsunade-sama me desculpe...

- Tudo bem... Agora imagino que você queira segredo sobre isso?

- Sim... Eu contarei para quem tiver que saber... Obrigada Tsunade-sama.

- De nada. – Tsunade colocou a mão na sua cabeça, acariciando os cabelos da garota. “Pobre garota... tão jovem e tendo que suportar tantas coisas de uma vez...”. Alguém bateu na porta. Tsunade abriu e o Uchiha nem pediu permissão. Foi entrando sem cerimônia:

- Vim ver a Sakura.

- Já que entrou mesmo... – Tsunade deu de ombros e saiu, deixando os dois a sós.

Sakura levantou os olhos para o rosto de Sasuke e sorriu. Ele porém juntou as sobrancelhas num sinal de pura irritação.

- Vamos, fala logo. – Ela piscou.

- Falar o que?

- Você está horrível, se ainda não se olhou no espelho. Você não consegue me enganar Sakura Haruno.

- Sasuke do que está falando...?

– Quero que seja sincera comigo...

- O que? Mas é claro que sim...

- Então me fala logo o que ta acontecendo com você.

Sasuke a olhava sério. E ela não conseguia encará-lo. Aquela era a hora. Se ela teria coragem ou não, essa era a hora de saber. Sakura o olhou nos olhos. E Sasuke se assustou com a dor que eles transmitiam. Num impulso a abraçou e ela chorou nos seus braços, incapaz de falar, incapaz de contar a terrível verdade.

Sakura se achou fraca, uma covarde ao não conseguir falar com o namorado. Mas ele não pediu mais nenhuma explicação, e pegou nos braços, e ela imediatamente se lembrou de quando Itachi a levantava... Não, não era a mesma coisa, e o simples toque de Sasuke parecia curar todas as feridas que o irmão pudesse ter causado nela...

E ela fechara os olhos, ainda às lágrimas caindo, e não percebera que Sasuke a levava para sua casa. Ele entrou e foi direto ao quarto, a colocou na cama e ela abriu os olhos com medo. Pensou ter visto os olhos vermelhos do irmão mais velho, quando encarou Sasuke. Mas ele apenas se abaixou, cobrindo-a e deu-lhe um rápido beijo. Ela fechou os olhos e sentiu-se novamente exausta e mergulhou num sono profundo.

Sasuke ficou a olhando por um tempo, e decidiu esperar, dar um tempo a ela. Mas Sakura ainda teria que lhe explicar muitas coisas. Deu as costas e saiu do quarto.



Naruto caminhava entre as árvores da mata com um destino certo. Parou em frente à lápide que ainda estava decorada de flores frescas, e se sentou. Havia tantas coisas que queria fazer tanta vontade de ajudar, ele sempre encarara os perigos e sempre conseguia sobreviver, graças ao seu sonho. E ele se lembraria sempre daquela cena, e fez uma promessa no tumulo do amigo:

“Eu vou sobreviver Lee. Não morrerei isso eu prometo a você.”. Ele de repente pensou em Hinata, nos seu olhar doce, nos seus lábios finos e sua vontade de viver foi maior que todo o abatimento pelo pesar da morte do amigo. Ele sobreviveria por Lee, por Hinata, por todos aqueles que ele amava, e principalmente por que tinha um sonho.

“Não existe caminho fácil para ser um Hokage...”. E ele lembrava da frase que dissera a Konohamaru certa vez, e sorriu, pois compreendeu bem o significado àquela hora. Levantou olhando uma ultima vez a lápide. Não voltaria mais ali. E levantou-se dando as costas para o tumulo, e viu que Hinata o observava de longe.

Ele se aproximou e sorriu, e ela vermelha sorriu de volta os dois caminhando abraçados, de volta a vila.



Sakura abriu os olhos. Estava no quarto de Sasuke, e ele deixara um bilhete com roupas. Ela leu e sorriu, então foi ao banheiro. Encheu o ôfuro de água quente, e sentiu uma alegria quase infantil ao observar o vapor se desprender da banheira, tão quentinho e confortável. Tomou seu banho, demoradamente, aproveitando cada minuto naquela água quente e ao sair se sentiu revigorada.

Sasuke tinha deixado dois kimonos. Um vermelho vivo mais simples, e outro branco de seda, com detalhes em azul. Ela resolveu usar somente o vermelho, aquela combinação trazia lembranças que por enquanto ela preferia esquecer.

Torceu a faixa vermelha e a prendeu de novo no pulso. Foi até a cozinha preparar algo para si. Estava já sentada, comendo, quando Sasuke entrou. Ele sorriu e lhe deu um beijo rápido, enquanto pegava seu prato para acompanhar Sakura.

- Onde esteve?

- Fui procurar Kakashi sensei. Ele esteve numa reunião com a Hokage e o Kazekage, e eles decidiram contra atacar os ninjas da Akatsuki. – Sakura arregalou os olhos para ele.

- É eu sei, também achei loucura, e Kakashi disse que pelo menos por agora a gente precisava de estabilidade. Não foi nada decidido naquela reunião, virou bagunça depois de um tempo. A Hokage disse que eles precisavam de uma estratégia por que ela disse estar esperando um novo ataque.

- O que? A Akatsuki vai atacar a vila de novo...?

- Pelo que ela disse, sim.

- Mas não pode ser... Quase não agüentamos no primeiro ataque...?

- Estão resolvidos a levar Naruto...

Sakura olhou pela janela. Sasuke a observava atentamente:

- Sakura.

- hum?

- Acho que já está na hora de me contar o que você ta escondendo de mim.

Sakura apenas o olha. Ela queria mentir, dizer que estava tudo bem mas sabia que Sasuke veria a verdade nos seus olhos. Ele sempre a conhecera, como se fosse um livro aberto. Sakura engoliu seco, e fez um esforço enorme para não o encarar enquanto dizia:

- Eu... Sasuke... Eu estou grávida.

Foi como se o mundo desabasse ao seu redor. Ela ergueu os olhos marejados de lágrimas para ele e Sasuke a encarava, chocado. Sakura o viu abrir a boca e fechar, sem ter o que dizer. Ele se levantou ainda olhando para ela e começou a se afastar.

- Não... Sasuke... Não vá – Ela agora tentava se aproximar dele, mas Sasuke recuava para a porta, ainda a olhando. Não dava para definir o sentimento que os olhos dele transmitiam: não era raiva. Ele deu as costas para Sakura e ela se desesperou e correu atrás dele.

- NÃO ME DEIXE AQUI SOZINHA...! NÃO VÁ, SASUKE ME DESCULPE, POR FAVOR... - Ela correu, mas ele bateu a porta na sua cara, e ela se apoiou ali, chorando toda a sua sorte, e o que ela previra se concretizara.

- Não... – Era só o que Sakura murmurava no seu desespero. Agora não tinha ninguém, Sasuke nunca a perdoaria e ninguém da vila olharia mais para ela quando soubessem... Ela pegou uma kunai que ele tinha deixado em cima da mesa. Olhou para a veia no pulso, tão viva, mas tão frágil vulnerável. E era tão fácil acabar com aquilo tudo, com um simples gesto ela poderia por fim naquele sofrimento interminável. Se não fosse a certeza do filho no ventre, era capaz de cometer uma loucura.

Balançou a cabeça e depôs a kunai novamente. Precisava ser forte. Por seu filho. Ela foi até o quarto, e se deitou na cama, respirando todo o cheiro dele nos travesseiros. Talvez ele voltasse e ela poderia explicar tudo, talvez ele pudesse vencer o orgulho e perdoar. Talvez.



Itachi atravessou o gramado calmamente, e já podia enxergar algum verde pela paisagem cinzenta e fria do inverno. Abriu a porta do casebre, com alguma curiosidade e uma emoção até agora não sentida. Não era tristeza. Era algo como uma criança que espia pela caixa, o mais novo presente de aniversário.

Ele entrou e observou o cômodo. Logo veio um cheiro azedo e ele tratou de se livrar da trouxa de comida intocada. Voltou e parou. A presença dela ali era tão forte, como se tivesse deixado uma parte do espírito para traz.

Itachi passou relembrando tudo com o olhar. O pedaço de corda partido, quando ele a tinha tido pela última vez “Se não fosse aquele tolo.”. A mesa onde ela se sentava e se enraivecia com suas palavras. A janela, onde ela gostava de ficar olhando aquela roseira. A cama em que ela dormia, os longos cabelos róseos espalhados pelo travesseiro...

Ele pegou a coberta e a cheirou... O cheiro dela. Itachi ficou aspirando aquele aroma, lembrando-se do seu rosto, dos seus grandes olhos, de como eram tão verdes... Ele abriu a porta dos fundos e foi como se estivesse num flashback: Ela nua sentada na beirada daquela banheira, o corpo que ele tinha tão ardentemente desejado e ainda desejava por todos aqueles meses, a face corada, o espírito de luta, a fragilidade...

Itachi balançou a cabeça e entrou na casa. Sentou-se na cama apoiando a cabeça na parede. Precisava de um plano para tirar ela de lá. Mas como? Ele olhou desinteressado para o cômodo e algo chamou sua atenção. Preso entre a cama e a parede, ele puxou uma tecido vermelho e pode ver a velha camiseta dela. Ainda conservava o cheiro da jovem e Itachi depois de examina-la, guardou dentro das vestes aquela pequena peça do seu brinquedo roubado.

Afinal não conseguiria ficar mais ali sem a garota. Achou graça ao pensar que antes ficara aborrecido de ter que dividir sua solidão com alguém, mas agora desejava ardentemente, e faria de tudo para isso acontecer.

Fechou a porta da casa. Não olharia mais para trás, mas algo chamou sua atenção mais uma vez para o gramado. Ele caminhou até a roseira e ergueu uma sobrancelha. A rosa, antes tão negra tinha virado de um vermelho sangue e continuava bela como sempre. Após poucos segundos e Itachi arrancou a roseira, com pé e tudo, e deu as costas, prometendo a si mesmo que voltaria ali com a garota em seus braços.



Sasuke andava sem rumo pela cidade. Ainda estava em choque, mas começava a se arrepender de tê-la deixada sozinha. Afinal não fora culpa dela, ele pensava agora que ela devia estar tão horrorizada quanto ele. Sabia que devia voltar e ficar ao seu lado mas algo o impedia de voltar os passos, e entrar em sua casa.

Ele sentou num banco, alheio as pessoas em volta, e passava a mão pelos cabelos. Grávida? O destino não podia ter sido mais cruel com os dois. Conhecendo Sakura ele sabia que ela nunca concordaria em tirar a criança, e ele pensava se teria coragem de criar aquela criança quando eles se casassem... Ah casamento, estava tão fora dos planos naquela situação. Parece que tinha se passado anos desde que ele pediu sua mão, e ela enchia o saco dele com milhares de planos fantasiosos sobre casamento dos dois.

Estava tão absorto nos seus pensamentos que nem percebeu a pessoa sentar-se ao seu lado.

- Alo. – Sasuke não responde. Tampouco olha. Achou que ignorando, quem estivesse do seu lado logo sairia e o deixaria em paz.

- Não achei que estivesse aqui, estou surpreso com você. Não deveria estar com Sakura, ou já a descartou? – Dessa vez Sasuke ergue a cabeça. Mas não se surpreende pois já havia reconhecido a voz da pessoa que teimava em importuná-lo.

- Kakashi sensei, o que faz aqui?

- Ah sabe, eu estava indo pra casa e me perdi então tive que pegar o caminho mais longo pra voltar.

- . -`

- Mas me diga, por que está aqui ao invés de estar ao lado de sua noiva? Quem sabe o que ela sofreu estes meses todos...

- Sakura... hum... Surgiu um problema e eu não sei se poderemos ficar juntos por causa disso.

- É só isso?

Ele encarou Kakashi:

- Só isso...? – Disse com escárnio. – Você não sabe o tamanho do problema que estamos enfrentando...

- Seja qual for – Interrompeu Kakashi – Não será problema para vocês superar. Você a ama certo...? – Perguntou em seguida meio desconfiado.

- É claro que sim! – Sobressaltou Sasuke.

- Então você irá vencer. Mas o fato de querer afastar o problema de si não vai fazê-lo sumir. É como uma sujeira que você esconde debaixo do tapete. Aquilo vai acumulando, dia após dia, até que você não consegue mais esconder de si e dos outros e tem que enfrentar aquilo em proporções maiores.

Kakashi se levantou e ainda deu uma olhada em Sasuke.

- Se fosse eu, voltaria o mais rápido possível.

Sasuke continuou sentado, olhando para o nada. E de repente o sentimento que o impedia de voltar para Sakura de repente sumiu. Foi como se Kakashi tivesse levado com ele, e Sasuke se levantou de um salto. Não iria fugir daquilo, iria estar ao lado dela por que a amava, e a ajudaria a enfrentar aquela situação.



Sakura encarava o teto, abraçada ao travesseiro. As lágrimas haviam secado há muito tempo e ela estava pensando em voltar para casa. Sasuke não viria mais, nunca a perdoaria por isso. E ela pensava revoltada que não era sua culpa, que ela não queria aquilo... Ia pegar no trinco quando a porta se abriu violentamente e Sasuke entrou ofegante.

- Você não tem que pedir desculpas. – Ele disse antes que ela abrisse a boca. – Eu sei que eu fui um idiota, mas estou pronto para compensar o meu erro.

E ele a puxou e a beijou, e Sakura se agarrou nele, seu único amor. Foram se beijando até que quando perceberam estavam no quarto, deitados na cama. Sasuke a encarou e ela sorriu. Ele abriu seu kimono com gentileza, enquanto ela despia suas roupas.

Os corpos voltaram a se juntar, mas nenhuma distancia apagava o calor que os dois agora estavam. Sakura nunca se sentiu mais feliz, achou que nunca sentiria aquele prazer novamente e abriu-se totalmente para ele dando gritinhos de prazer, e sabia que estava dando o mesmo prazer a Sasuke que nunca a tinha penetrado tão fundo.

E eles ofegavam até que o prazer atingiu o auge, e foi como se de repente o céu se abrisse para os dois, que completavam um ao outro como se fossem almas gêmeas. Sasuke rolou para o lado, puxando-a em seguida. E Sakura se aninhou nos seus braços, desejando que aquilo não fosse um sonho e que aquela sensação durasse para sempre.

- Sasuke...?

- Quê?

- Você ainda quer casar comigo?

A pergunta veio baixa, em tom de sussurro, como se fosse algo proibido ou tão horrível que ela temesse a resposta com uma única palavra, poria fim nos seus sonhos.

- Mas que pergunta idiota. É claro que sim.

- Mas... – Ela se levantara encarando Sasuke preocupada. – Mesmo eu estando... Mesmo eu estando esperando um filho que não é seu...?

- Não importa. Sabe quando eu saí, eu estive pensando em tudo isso... E eu sei que você nunca iria concordar em tirar a criança. – Sakura concordou baixando a cabeça. – Eu te amo demais pra poder te deixar. –Ele pôs a mão no seu queixo e a fez encará-lo. – E só um covarde fugiria dos próprios problemas, preferindo ignorar a enfrentar. Eu to com você, vamos enfrentar isso juntos, o.k.

- Sasuke... – Ela não poderia falar. Mas Sasuke entendeu e acariciou seus cabelos enquanto ela tentava esconder o choro no seu peito. Ele acabava de fazer uma escolha: Tudo pela mulher que amava. Iria criar o filho de outro, mas só de olhar para a mulher nos seus braços, ele nem se importava. E depois poderia ter muitos filhos seus com ela.

A respiração dela se tornou regular e Sasuke permitiu fechar os olhos, entregando-se de vez ao sono.




Oi estão gostando?
Esse cap fico meio morno mas no proximo as coisas vão esquentar hehehe
beijoks vcs são demais Cya =)


Capítulos de [Naruto] As Dores do Silêncio

[07/12/07] O começo do Fim

[10/12/07] Que o Jogo Comece

[12/12/07] O Perfume da Rosa Negra

[17/12/07] O Plano de Sasuke

[18/12/07] Konoha perde um Grande Ninja

[13/01/08] Verdades e Perdão

[17/01/08] Akatsuki em Ação

[23/01/08] Escolhas Difíceis

[09/02/08] Por Konoha!

[05/03/08] Reviravoltas


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