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› Autor: ~JosianeVeiga
› Gênero: Drama (Tragédia) / Hentai/Ecchi/Seijin - Yaoi/Lemon/Dark Lemon - Yuri / Mistério / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico) / Terror e Horror
› Classificação: 18+
› Adicionado em: 07/01/08
› Comentários/Favoritos 6/8
› Caracteres: 13.077
› Exibições: 223
Nota:
Capitulo V
Por Josiane Veiga
Mairi ouviu atentamente a conversa entre as Ladies na sala. O casamento estava sendo planejado nos mínimos detalhes e não havia nada que ela pudesse fazer. As noites passadas ao lado de Ian só haviam servido para animar seu coração, mas ela nunca se enganou. Sabia que o Lord não poderia se casar com uma empregada. Todo o poderoso status dos McGgregor estava em jogo.
Ela acreditava na sinceridade de Ian. Sabia que ele lhe tinha sentimentos puros, mas não era tola o suficiente para ignorar que existia um mundo que jamais aceitaria aquela união.
A cabeça dela pendeu contra a parede. Cada detalhe pronunciado pelas duas mulheres, fadigava seu coração. Ela mal percebeu quando as lágrimas lavaram seu rosto. Um amor impossível. Por que fora castigada com tão triste sina?
-Mairi!
O grito de Lady Dorothea inundou sua mente. Rapidamente ela correu ate a rica sala. Notou que a jovem Annie já havia se retirado.
-Sim?
Dorothea levantou-se da cadeira em que estava e aproximou-se da janela. Lá fora, o dia transcorria normalmente, mas dentro da sala, o tempo parecia parar. A senhora estava enrubescida de raiva, mal conseguia encarar a moça.
-Meu filho esta se casando com Annie e não quero uma rata suja como você na minha casa atrapalhando a nova vida de Ian. Você vai embora, ouviu?- ela disse pausadamente.
O quê? Mas o que ela havia feito? Apaixonara-se por Ian, era verdade, mas nunca exigira nada dele. E agora? Para onde iria? Não tinha dinheiro nem família. Como viveria nas ruas frias, cobertas de neve?
-Senhora... Por favor...
-Não quero desculpas. Arrume suas coisas agora! Quero você longe da minha casa, já disse!
Não havia o que discutir. Ian poderia fazer algo por ela se estivesse em casa, mas naquela situação a única coisa coerente era ir embora.
Tentando se munir de todas as forças que fosse possível ela deu as costas a mulher e foi até seu quarto. Não havia nada que pudesse arrumar para ir embora. Tinha apenas uma roupa velha, que estava vestindo, e o livro dado por Ian. Ela tocou a capa. Não teria onde guardá-lo. Era melhor deixá-lo ali. Dificilmente alguém a pegaria para trabalhar sem referências. Passaria fome.
Todas as coisas horríveis que poderiam acontecer com ela nas ruas passaram em sua mente. Uma jovem sozinha, sem família e dinheiro não tinha muitas opções. Para viver, precisaria se prostituir! Mas antes a morte que isso! Havia sonhado em entregar sua virtude ao Lord Ian, mas ele havia respeitado sua donzelice. Do que havia adiantado? Se tivessem vivido alguma noite de amor, ela pelo menos teria uma lembrança.
“Não seja tola!”, esbravejou para si mesma. Se tivessem feito amor, provavelmente ela teria um bastardo na barriga. Um ser inocente para passar fome junto com ela.
-Lamento Mairi.
A voz da governanta Perpetua invadiu o quarto. A mulher já sabia o que havia acontecido?
-Para onde irei, senhora? – a moça perguntou num tom desesperado.
-Tentei avisá-la, Mairi. Os ricos não se importam conosco. Só nos usam e quando cansam, nos jogam fora.
A voz de Perpetua era claramente perturbada por uma raiva contida.
-Eu sei.
A outra então a abraçou. Nunca pensou que Perpetua havia sido quase como uma mãe naqueles anos todos, mas agora a verdade se mostrava. A velha governanta, apesar de toda a rabugice, havia sido a pessoa mais próxima de uma família que jovem empregada havia conhecido.
Quando Perpetua deixou o quarto, ela escondeu o livro embaixo do colchão de palha. Se Deus ajudasse, talvez um dia Ian o encontrasse e percebesse o quanto o amava. Mas agora, Mairi não tinha tempo nem pra pensar em toda a sua dor. Precisava sair daquele castelo. E o futuro se mostrava sombrio a sua frente.
Quando sentiu o vento gelado por fora do castelo, ela enfim saiu do estado de torpor. Até aquele momento, tudo parecia um pesadelo, mas o frio e a falta de um abrigo no inverno inglês congelou também qualquer esperança que Mairi pudesse ter.
Todas as coisas ruins que uma mulher pode pensar passaram por sua mente. A prostituição jamais! Mas ela poderia ser estuprada nas noites de York. E quanto tempo o orgulho e a dignidade iria se manter sem comida na barriga?
“Não, Mairi! Não pense assim! Você vai achar trabalho! Sempre trabalhou bem... Deus, não me abandone agora”. – ela disse a si mesma.
E talvez Ele não a tivesse abandonado mesmo. Quando chegou ao centro de York, uma feira ao ar livre se achava. E o primeiro rosto que ela viu foi o de Benjamin. Ela quase chorou de alegria. Apesar de saber que Ben só havia se aproximado dela para se tornar amante de Lady Eleanor, ele havia sido a pessoa mais próxima de um amigo que ela tivera em toda a vida.
-Ben...
Benjamin era um jovem alto, moreno e muito bonito de olhos negros e misteriosos. Ambicioso, ele sempre havia tentado tirar proveito de tudo que se passava em sua vida. E foi assim também com aquela menina que se encontrava em sua frente com os olhos arregalados.
Quando conheceu Mairi, não acreditou que um anjo tão bonito pudesse ser uma empregada de tão baixo nível dentro do castelo. Ele entregava os legumes do mercado de seu pai no castelo, e assim encontrava a jovem todos os dias. Era tão linda... mas era pobre. E ele não era tão miserável para seduzir uma órfã.
-Mairi! Você por aqui?
Ela não saia do castelo. Por falta de tempo e também porque a governanta tentava proteger a moça. Mairi não era mais que uma conhecida, mas foi através dela que ele se conheceu e conseguiu se aproximar de Eleanor. Usou a empregada para seduzir a patroa. E, sem qualquer culpa, pois a loira rica adorou seus jogos sexuais pelos bosques em volta do castelo e pelos hotéis vagabundos que eles se encontravam quase sempre.
-Preciso de ajuda Ben... Lady Dorothea me expulsou do castelo...
-Como? Mas por quê?
Ela enrubesceu e ele logo entendeu.
-Não acredito que você de deitou com o Lord.
-Não! – ela desmentiu rapidamente.
Não? Ele franziu o cenho. Ele havia visto Ian algumas vezes e sabia que o homem podia seduzir uma jovem boba como aquela. Ele até temeu que Eleanor se apaixonasse pelo marido, pois se isso acontecesse, talvez ela deixasse de lhe dar dinheiro...como alíais, aconteceu, já que ela morreu.
-Então por quê?
Mairi baixou a cabeça e balbuciou.
-Milord vai casar e sua mãe não me quer por perto.
“Típico dos ricos!”- pensou Ian- Mairi era tão linda, e com o Lord de casamento novo, talvez a empregada virasse a cabeça do homem e atrapalhasse a nova união.
-Mas então? O que quer de mim? – ele perguntou.
-Preciso de trabalho.
“Ah Mairi! Se você não fosse tão certinha eu lhe daria um trabalho na minha cama” – pensou Ben. Mas é claro que ele não diria aquilo.
-Impossível Mairi. Mesmo que eu lhe indicasse para alguém, com certeza Dorothea iria atrás e você seria mandada embora.
Ele se comoveu quando a viu chorar. A orgulhosa Mairi, que mesmo sem família, nunca reclamava do tratamento de animal que recebia, agora chorava na frente dele.
-A diligência que vai para Londres sai daqui à uma hora. Na capital é mais fácil você conseguir trabalho.
-Não tenho dinheiro...
-Ora, eu lhe pago a passagem. É o mínimo que posso fazer por você.
Uma passagem para Londres era algo que custava caro. E Benjamin não era tão rico assim... mas Mairi nem pensou nesse ataque de abnegação dele.
-Eu nem sei como lhe agradecer.
-Não precisa me agradecer... Seja feliz pequena. –ele disse colocando as mãos em seus ombros.
“Mairi também já foi humilhada por esses malditos da nobreza." –ele pensou com amargura, mas não pronunciou nada.
Dois dias depois
Ian saiu do coche e olhou sua mãe. Alguma coisa havia acontecido, porque Dorothea tinha um sorriso enorme nos lábios. E se ele bem conhecia sua mãe, ela não era uma pessoa de rir, a não ser se alguém lhe contava alguma desgraça alheia.
Subindo as escadas, ele se aproximou da lady e beijou-lhe as mãos.
-Bem vindo a sua casa, meu filho! – ela pronunciou ainda sorrindo- como foi em Londres?
-Nada por enquanto minha mãe. Sou o principal suspeito. A imprensa esta pressionando a polícia. Posso ser preso.
-Isso nunca! Somos nobres. Com certeza a realeza irá nos ajudar. Você é um McGgregor! Vou mandar uma carta hoje mesmo para a Rainha Vitória.
-Há muito tempo a monarquia já não tem o mesmo poder, mamãe. Desde que se tornou rainha, nossa majestade só passa a reprimir rebeliões.
-Tolice – ela balbuciou colocando as mãos em seu braço e adentrando para dentro da casa com o filho - não a nada que o dinheiro não compre.
-Exato mamãe. E não se esqueça que o comércio está se expandindo. O mundo está mudando e logo nosso poder não será tão valioso assim. Logo a burguesia tomará conta do mundo.
-Não seja tolo! Isso nunca acontecerá.
Ian suspirou.
-Mãe, logo um sobrenome apenas não garantirá a um homem imunidade. Mesmo os mais ricos e abastados não escaparam das maledicências.
-Que Deus ajude que eu não viva para ver um mundo assim.
Ian sentou-se cansado no sofá e não discutiu mais. Aquela mulher aristocrata a sua frente era sua mãe! Mas nem parecia. Ela nunca entenderia que ele não se importava a mínima para o dinheiro ou o poder... Ele queria limpar seu nome, mas porque essa era a realidade! Ele não era um assassino! Ele não matou Eleanor!
Revirando os olhos pela enorme sala ele procurou pelo rosto de Mairi. Onde ela estava? Provavelmente aproveitaram sua ausência para abusar dela. Ele pensou em ir a cozinha procurá-la, mas acabou desistindo. Estava sujo e cansado. Antes tiraria a poeira do corpo.
-Onde esta James? – ele perguntou a mãe.
-A neta de James passou mal e ele foi visitá-la. Vou mandar algum empregado levar água para seu banho.
-Agradeço – ele disse subindo as escadas.
Algumas horas depois, jantando, ele ainda se surpreendia por Mairi não ter aparecido.
Os olhos procuravam os olhos claros dela, mas nada. Onde ela se metera?
Perpetua serviu o vinho e ia se retirar quando ele a chamou:
-O que deseja, Senhor?- ela perguntou com um olhar magoado.
Mas o que estava acontecendo naquele castelo? Sua mãe feliz e Perpetua mais carrancuda ainda!
-Onde está Mairi?
A senhora de cabelos pretos e rosto pálido suspirou.
-Foi embora!
O choque foi tão grande que ele quase derrubou a mesa a sua frente.
-Como assim foi embora? Ela não tem família! Onde ela está?
-Pelo que eu soube Milord, ela foi atrás de emprego em York. Mas o senhor sabe que York não é uma cidade muito grande. Ela não achou nada. Mas encontrou Ben...
-Ben?
-Benjamin, o filho do dono da fruteira.
Ele sabia quem era Benjamin! Ainda se lembrava da sua perplexidade ao saber que aquele rapaz que o encarava desafiante na aldeia, era amante da sua noiva.
-E o que aconteceu? – ele perguntou não muito certo de saber o ocorrido.
-Ben pagou uma passagem para que Mairi fosse procurar trabalho em Londres.
-O que? – ele perguntou desesperado.
Mairi estava em Londres agora. Deu um murro na mesa de tanta raiva da moça. Ela era muito ingênua. Não tinha idéia do que era Londres. Uma cidade feia, fria e que não daria nenhuma chance para uma garota do interior.
De repente ele percebeu algo.
-Por que Ben pagou a passagem para Mairi?
-Eles são amigos. –ela disse se retirando.
Amigos...
Eles são amigos...
Benjamin e Mairi. Os dois se conheciam. E eram amigos. Se eram amigos... ela sabia que Eleanor era amante de Benjamin.
Chocado ele saiu pela varanda precisando tomar ar. Nem percebeu quando as lágrimas desceram por seu rosto. Fora traído novamente... e desta vez, fora por alguém que ele amava.
CONTINUA...
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[07/01/08] Capitulo V
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[28/01/08] Capitulo VIII
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[14/04/08] Capitulo XIX
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[10/06/08] Capítulo XXVII
[18/06/08] Capítulo XXVIII - Final
[27/08/08] [Originais] A Senhora da Montanha - Capitulo V
[25/08/08] [Originais] A Senhora da Montanha - Capitulo IV
[22/08/08] [Originais] A Senhora da Montanha - Capitulo III
[18/08/08] [Originais] A Senhora da Montanha - Capitulo II
[15/08/08] [Originais] A Senhora da Montanha - Capitulo I
[18/06/08] [Original] A Rosa entre Espinhos - Capítulo XXVIII - Final
[10/06/08] [Original] A Rosa entre Espinhos - Capítulo XXVII
[03/06/08] [Original] A Rosa entre Espinhos - Capítulo XXVI
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