"Baseado em fatos reais. Com algumas passagens e fatos inventados, caberão à vocês discernir o real do fantástico aqui."
Nota: Apesar de ser 18+ não é Hentai!
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Todo domingo à tarde a vizinhança era incomodada pelos rifles de guitarra vindas da casa branca da esquina. Apertados em um cômodo de 5 metros quadrados disputando um espaço e um pouco de ar em meio aos amplificadores, instrumentos e quatro caixas de som estavam os cinco amigos tentando compor aquilo que o guitarrista Slide chamava de “novo sucesso”:
_Cara! Eu to dizendo! Essa vai bombar nas rádios! É o nosso single!!
_Slide, se você não parar com esse maldito slide (caniço de metal onde o guitarrista coloca no dedo mínimo e desliza por cima das cordas da guitarra fazendo um som contínuo e em gradação conhecido como slide) nos power acordes eu vou enfiar esse caniço no buraco do alargador da sua orelha! – disse muito irritado o baixista Slap.
_Cara! Se eu não fizer slide não teria porque me chamarem de Slide!!
_Se não pararem com a “putaria” vou desplugar essa mesa do cabo de força agora!! Disse o baterista Key levantando-se do banquinho da bateria segurando suas baquetas com muita força para não arremeçá-las nos dois amigos.
_O Rain ainda está atrasado. Você disse que o ensaio era às 15:00 horas Key? – perguntou a vocalista e backing Kirby.
_Disse. – respondeu Key.
_Ah! Maravilha! Agora o Rain vai aparecer só as 18:00 horas! Pode ter certesa! O dia em que ele aparecer no horário certo vai literalmente ter uma “storm rain” (tempestade) aqui!
Depois de muitas horas Rain chegou. Kirby ficou calada e emburrada. Todos fizeram suas brincadeirinhas de sempre menos ela:
_Pôxa Rain! Chega na hora cara!! – disse Slide.
_Foi mal galera! – disse Rain - Mas eu mandei um torpedo pro Slap e avisei que era pra ele “segurar os limão” que eu já estava chegando! (“segurar os limão” era uma expressão muito usada por Rain que queria dizer o mesmo que esperar um pouco. Os limões faziam referência à bebida caipirinha que eles sempre tomavam nos ensaios preparada pela Kirby).
_Isso é verdade! – disse Slap olhando o celular – Mas eu nem me dei conta de que estava tocando porque já estávamos passando o som.
Kirby estava encostada à parede olhando o corredor na porta ao lado segurando o microfone na mão esquerda e desviando o olhar do amigo.
Rain chegou perto dela e indagou:
_ Desculpe! Não pude evitar! A Dani me segurou no almoço na casa dos pais dela.
_Guarde suas desculpas pro Key ou pro Slap porque eu não engulo mais! – disse Kirby muito brava tacando o microfone ao chão e saindo pisando duro.
_Espera ai! Kirby! – disse Key levantando-se novamente de trás da bateria e correndo atraz dela. Slap tirou a correia de seu baixo e foi atrás junto com o amigo. Slide desligou a mesa de som e bradou com Rain:
_Tá vendo só seu babaca! Eu já estou tão cansado quanto a Kirby! Você está é se achando! Pensa que a banda precisa só de você, isso porque acha que faz uma base maneira na guitarra e canta alguma coisa? Se a Kirby sair nós estamos é ferrados seu tapado! Ela canta a maioria das músicas e tenho que admitir que ela leva boa parte de nós aqui nas costas! Se liga mané!
Rain agaichou segurando sua guitarra de cabeça baixa e em silêncio.
Do lado de fora da casa, Key estava abraçado a Kirby que chorava e soluçava de tanto desprezo que sentia por Rain.
_Calma gata! Fica assim não! Eu vou falar com ele! – disse Key.
_Falar o quê? Ele não cresce Key! Não cresce! Eu estou é cansada disso! Vou pra casa! Tenho uma vida, tenho que trabalhar, tenho uma família pra cuidar! Deixei meu marido me esperando várias vezes por conta desse idiota e seus atrasos. Estou farta!
Slap chegou e disse:
_Cara... Não dá mais! Minha mulher está reclamando todo dia por conta disso! Demoramos muito! O Rain não cresce nunca!
_Gente! Acorda! E nosso single? Estamos numa posição onde muitos queriam estar! Poucos tem a chance que estamos tendo agora! Temos que emplacar agora ou nunca mais! – Diz Key ainda abraçado à Kirby. – Vamos voltar agora pra aquele maldito quarto e fazer música porra!!
Key arrastou Kirby abraçado à ela e com uma das mãos agarrou o braço de Slap também o levando para dentro. Chegando no quarto do ensaio, Slide olha aliviado para a porta ao ver seus amigos entrando.
Ainda abaixado, Rain levanta o rosto e vê os olhos molhados e ainda vermelhos de Kirby que evita contato visual à todo custo.
Depois de quatro horas o arranjo estava pronto.
_Agora é só o Rain e a Kirby irem pro estúdio amanhã e gravarem a guia das vozes com o metrônomo pra gente gravar o instrumental.
Tocaram mais duas covers e encerraram o ensaio pois estava tarde. Slap pegou seu amplificador e seu contrabaixo despediu-se e junto com Slide que recolheu sua pedaleira, guitarra e “wawa” saíram da casa de Key.
_Kirby, quer que eu a leve até a avenida? – Perguntou Key.
_Não cara, obrigada, mas eu vou sozinha. Beijo! Fui! – disse Kirby virando-se e partindo.
Fechando o case de sua guitarra disse Rain despedindo-se de Key e partindo:
_Vou nessa, vou atrás dela porque sei que é perigoso sair assim sozinha essas horas.
_Vê se não amola ela cara.
_Fica de boa.
Rain saiu atrás de Kirby. Estava escuro e ela já estava longe da casa de Key. Havia chovido e era tarde, estava um pouco frio e ela tentava se aquecer já que sua regata preta não era nada quentinha.
Kirby escuta alguns passos rápidos atrás de si e fica com medo. Ela começa à caminhar mais rápido, já era meia noite e vinte e haviam muitos casos de seqüestro e de tarados pelas redondezas.
Os passos atrás aproximavam-se e aumentavam a velocidade conforme os dela também progrediam. Kirby começa à correr fugindo do que quer que fosse que a escuridão da rua mal iluminada escondia e que a perseguia.
Quanto mais corria parecia que o perseguidor se aproximava até que agarra seu braço. Apavorada ela grita e vira-se para trás, seus cabelos azuis e molhados escondem seus olhos e ela continua a gritar até ouvir uma voz familiar:
_Ô doida! Sou eu! Tava pensando no quê? É perigoso sair nesse bairro sozinha de noite! – disse Rain segurando-a pelo braço.
Os dois ficam encarando um ao outro em silêncio.
Kirby para de gritar e volta à caminhar. Rain a solta e continua caminhando ao seu lado até que diz:
_Tudo bem, não falo com você mas ao menos vou acompanha-la até me casa você querendo ou não.
Ela fica em silêncio e continua caminhando. Chegam à casa de Kirby, ela não olha e nem se despede de Rain, vai entrando e bate a porta em sua cara enquanto ele diz:
_É assim que agradece uma gentileza? Que cruel!
Rain toma a rua novamente e segue a caminho de sua casa, enquanto vai indo ele vai pensando em tudo o que ocorreu e no quão decepcionada Kirby havia o olhado naquele momento na estrada:
_ Por isso ela evitava me olhar nos olhos durante o ensaio.