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› Autor: ~sakurita
› Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico)
› Personagens: Kagome, Inuyasha
› Classificação: 14+
› Adicionado em: 27/12/07
› Comentários/Favoritos 3/3
› Caracteres: 10.777
› Exibições: 108
-Sango, Miroku, vão em direção à cozinha. Matem tudo que for maligno, não se preocupem com a mobília. –a voz de Kagome era firme, comandando o pequeno exército naquela batalha mortal.
Os dois assentiram e começaram a ir à direção indicada.
Ela se virou para Koji. Sabia que ele não iria acatar suas ordens, a não ser que ela o mandasse para onde queria ir.
-Você sobe. O miasma está mais denso no andar superior, provavelmente ela está lá.
Quando ele começou a subir os degraus, ela ainda teve tempo de dizer:
-Tome cuidado, Koji. –a voz dela continuava firme, mas agora a preocupação transparecia um pouco. –Ele vai te matar, se puder. E estará com Kikyou, provavelmente. Lembre-se disso.
Ele assentiu e continuou a subir.
Agora, só restavam Kagome, InuYasha e Souta.
-InuYasha... –ela o olhou nos olhos, a emoção quase transbordando. –Tome conta de Souta, não importa o que aconteça. Você prometeu. Quero que você vá em direção à sala de estar, lá você encontrará uma pequena caixa. Traga-a para mim, eu estarei no meu quarto, no andar superior.
Ele tentou dizer que não a deixaria sozinha, mas Kagome o calou com um beijo.
Antes que o ar começasse a se movimentar, porém, ela se separou dele.
-Cuide do meu irmão. –disse ela, começando a subir. –e de você mesmo também.
***
-Nenhum sinal dele. –Sango olhou ao redor. A cozinha estava vazia. O miasma, porém, cobria todo o chão, causando calafrios ao longo de sua espinha. Ao seu lado, Miroku parecia sentir a mesma coisa.
-Ele não está aqui. –disse o rapaz, sério. –Mas alguém está.
Eles se viram ao mesmo tempo, ao sentir uma presença maligna atrás deles. Sango viu, curiosa, uma pequena menina de cabelos prateados e roupas brancas, segurando um espelho.
Ao se aproximar, Miroku viu que não era seu rosto que o espelho refletia. Era algo muito pior do que aquilo.
-Esse espelho não é comum. –ele falou em voz alta o que Sango já percebera. Ela observava de longe, muito antes que ele se aproximasse do objeto.
O que ela via ali, para seu desespero, era Kohaku.
-O maldito. –a voz dela tremia, cheia de raiva e de medo. –Ele pegou Kohaku, ele o pegou!
Miroku compreendeu o que ela falou como sendo fruto do poder da youkai à sua frente. A criança apenas fixava o olhar no nada, enquanto Sango se aproximava, estendendo a mão para o objeto em suas pequenas mãos.
O rapaz segurou a namorada antes que ela chegasse ao espelho, e disse:
-É uma ilusão. É só uma mentira, Sango. Provavelmente essa youkai tem o poder de criar imagens no espelho.
-Não é ilusão. –disse a garota. –Kanna não cria ilusões, ela mostra o que é real. Se meu espelho mostra seu irmãozinho sendo atacado por youkais, quer dizer que ele está sendo atacado, de verdade.
-Não! –Sango gritou, olhando o corpo de seu irmão cair inerte no chão. –Não é verdade!
-Sim, é verdade... –a criança deixou que os dois vissem enquanto um youkai disforme se aproximava de Kohaku, com uma foice que Sango reconheceu como sento do próprio irmão. Quando a mão do monstro se ergueu, a imagem ficou embaçada.
-O que aconteceu? –a voz de Sango falhou. Ela encarou a pequena youkai, com lágrimas de desespero nos olhos. –O que aconteceu com Kohaku?
-Ele está bem, agora... –a youkai se virou e começou a sair lentamente do recinto. –O youkai não pode mais machucá-lo.
Miroku apontou o cedro budista para a criança, com os olhos violetas brilhando de raiva.
-Você quer dizer o que com isso? Kohaku está morto? Responda!
Ela parou, ainda de costas para eles. Pela porta da qual Kanna se aproximava, saiu uma mulher com roupas negras colantes, cabelos curtos e lisos.
-Kanna, Naraku quer você ao lado dele, para mostrar o show. –Ela sorriu ao olhar os dois, parados em posição de luta, prontos para atacar. –Quer ver tudo de camarote, enquanto espera a guardiã da jóia.
Antes de sair, Kanna falou, numa voz fraca e macia:
-O youkai não pode mais alcançar seu irmão, onde ele está agora.
Quando ela saiu, a outra youkai disse, sorrindo:
-É hora de brincar...
***
Koji caminhava depressa, quase correndo. A katana que segurava não lhe dava a sensação de segurança que ele queria, mas era o bastante.
Ele continuou caminhando apressado, até o instante em que ouviu um gemido abafado. Chegando perto de uma porta, ele reconheceu voz de Kikyou.
O rapaz se afastou da porta e a derrubou com um chute.
Dentro do cômodo, ao contrário do que ele pensou, não estava a garota que ele procurava. Havia apenas uma enorme poça de um líquido aparentemente pegajoso, negro e de cheiro forte. Um cheiro estranho, adocicado e metálico. Cheiro de sangue.
-Sangue... negro? –perguntou ele, mais para si mesmo do que para o youkai que começava a surgir de dentro da poça.
Como se o chão não existisse, um youkai em forma humana saiu de dentro do pequeno lago de sangue negro. Os olhos estavam vermelhos como o líquido do qual ele saía deveria ser, e um sorriso que deixava claro que ele beirava a loucura dançava em seus lábios.
-Olá. –disse ele, enquanto o sangue respingava em suas mãos e descia por sua pele. Logo ele estava praticamente seco, com a poça aos seus pés. –Você procura pela garota de olhos escuros?
-Sim. –respondeu Koji, pegando a katana da cintura e colocando-a a frente de seu corpo. –Onde ela está?
-Ela está com meu senhor, Naraku. Ele me mandou vir até aqui e gritar com a voz dela. –O youkai então imitou a voz de Kikyou. –Ele disse que você viria até mim.
-Muito engenhoso. –disse Koji. –Mas imitar a voz dela não vai te salvar de morrer, se não me disse onde ela está.
O youkai então começou a se mover. Ele ia em direção ao rapaz, e a poça de sangue o seguia, rastejando abaixo de seus pés. O olhar maligno dele pareceu brilhar de loucura quando os dois ficaram frente a frente.
Koji correu em direção a ele e o cortou ao meio, na altura da cintura.
A parte de cima do corpo caiu, mas o rapaz percebeu que não matara o youkai. O corpo cortado se desfez em sangue e voltou à poça. Logo depois, formou novamente um corpo, com a mesma forma do anterior, e inteiro.
-Ah... Yurei gosta de brincar assim, mas não gosta de ser cortado ao meio... Acho que agora... você terá que morrer.
E assim dizendo, o youkai se lançou contra Koji.
***
InuYasha e Souta reviravam a sala a procura da caixa.
Já tinham revirado o sofá, tirado os móveis do lugar, feito de tudo, mas não havia sinal do objeto procurado.
-A mana deve ter escondido! –disse Souta, desanimado.
InuYasha suspirou. Virou-se para sair dali, ir a procura de Kagome, quando o garoto soltou um grunhido abafado.
O hanyou viu, arregalando os olhos, que o irmão de Kagome encostara a faca que a garota lhe entregara na própria garganta. Ele estava com os olhos arregalados, também. Parecia estar surpreso com a própria ação.
-Souta, o que está fazendo? –perguntou InuYasha, se aproximando um passo. Ao ver o garotinho aproximar mais a faca do pescoço, fazendo um pequeno corte, ele parou. –O que é isso, moleque?
-Ele está sob meu controle.-disse uma voz feminina atrás do hanyou. InuYasha se virou para dar de cara com uma youkai de cabelos enormes, sentada em cima de um dos armários.
Ela acariciava os fios de cor azul brilhante, sedosos, maiores que seu próprio corpo, e sorria. Quando o hanyou fez menção de atacá-la com as garras, ela balançou o dedo indicador, em negativa.
-Oh, não faça isso, meio-youkai. Se tentar me atacar, o garotinho morre, morre sim! Cortará a própria garganta com essa linda faca purificadora de youkais. A dona dessa arma deve ter orgulho, pois é uma arma muito boa e forte. E é por isso que fará em pedaços esse corpinho –fez sinal para Souta. –se você não ficar parado e inofensivo.
InuYasha olhou o garoto. Ele estava aterrorizado, mas parecia não conseguir se mover ou falar. Droga, se algo acontecesse com Souta, Kagome nunca o perdoaria!
E, o pior de tudo, ele mesmo nunca se perdoaria.
Sem outra opção, o hanyou olhou novamente a youkai, e disse:
-Muito bem. O que quer para deixá-lo ir?
-Fácil, muito fácil. –ela sorriu, vitoriosa. –Quero a sua alma.
***
Kagome abriu a porta de seu quarto com um chute bem dado. Ao entrar, a primeira coisa que viu foi Kikyou, amarrada à cama por cordas de miasma.
-A, você chegou! –a voz de Naraku invadiu os ouvidos da garota, causando-lhe um calafrio.
-Kagome, vá embora, rápido! –Kikyou gritou quando as cordas apertaram mais seus pulsos, e se esticaram até encontrar seu pescoço.
-Cale-se, Kikyou. –Naraku sorriu por baixo da máscara de babuíno.
-Deixe-a ir. –disse Kagome, aproximando-se sem medo. –É a mim que você quer.
-Sim, é você quem eu quero. –ele se aproximou perigosamente dela. Kagome retrocedeu um passo, por segurança. –Você, e a jóia.
-Eu lhe entregarei a jóia, se deixá-la ir.
-NÃO! –Kikyou foi categórica. –Ele matará a todos, se obtiver a jóia!
As cordas se apertaram mais, fazendo os pulsos começarem a sangrar e o ar faltar. Lutando para respirar, Kikyou olhou Kagome nos olhos, num pedido mudo.
-Liberte a ela e deixe meus amigos saírem daqui. Eu lhe entregarei a jóia, em troca disso. –Kagome sentia o cheiro de maldade, sangue e morte. Aquele youkai era perigoso, muito perigoso. Precisava manter seus amigos em segurança, antes de pensar num jeito de derrotá-lo.
-Tenho uma idéia melhor. –disse ele, enquanto uma garotinha entrava pela porta, carregando um espelho. –Porque você não se senta...
Grossas cordas de miasma saíram do chão e envolveram os tornozelos de Kagome, fazendo-a cair sentada sobre o chão, Viu-se arrastada para o mesmo lugar onde Kikyou estava, ainda lutando por ar.
Naraku observou a cena com uma curiosidade divertida, e continuou a falar:
-Por que não se senta e assiste comigo ao pequeno show que Kanna nos proporcionará? Verá, então... como eu matarei seus amigos, obterei a jóia e acabarei com vocês duas. Ainda não decidi qual deve sofrer vendo a outra morrer primeiro... mas talvez eu as mate ao mesmo tempo.
Ele se sentou no chão, em frente à Kanna, e começou a observar o espelho.
A imagem refletiu o rosto dele por algum tempo, mas depois ficou opaca e enevoada. Quando ela clareou novamente, mostrou a Kagome e Kikyou o desenrolar da primeira batalha daquela guerra.
Na cozinha, lutando contra uma youkai de cabelos curtos e negros, estavam Miroku e Sango.
Continua...
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