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› Autores: ~Earelen, ~Sakura_Li
› Categoria: Animes/Sakura Card Captor
› Gênero: Comédia / Drama (Tragédia) / Mistério / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico)
› Personagens: Sakura, Yukito, Tomoyo
› Classificação: Livre
› Adicionado em: 26/12/07
› Comentários/Favoritos 14/7
› Caracteres: 15.012
› Exibições: 1
Sakura tinha a mente a mil. As marcas das ainda recentes lágrimas derramadas enquanto tinha feito as malas e saído de casa o mais rápido que pudera, no próprio dia em que se tinha demitido da empresa, marcavam o seu belo rosto. Ao relembrar o confronto com o seu patrão, de à apenas algumas horas atrás, os seus longos dedos amarfanharam a saia do elegante fato cinzento que usava, ao mesmo tempo que constatava no seu reflexo no vidro do carro, que os seus cabelos cor de mel se tinham desprendido da perfeita longa trança que tinha feito de manhã. Tudo na sua aparência gritava a verdade de que alguma coisa não estava bem.
- Chegámos, madame. – alertou o motorista, acordando-a do seu transe melancólico.
- Ah, sim… - olhou pela janela do táxi e conseguiu ver os prédios altos erguerem-se centenas de metros do chão, em pleno centro de Tóquio. As nuvens cinzentas pareciam reflectir o seu estado de espírito.
- São 10 iens, madame. – tossiu o motorista, vendo que mais uma vez a jovem se perdera em pensamentos.
- Hunf… que roubo… - murmurou mal humorada, entregando a nota ao homem que infelizmente estava na mira da sua raiva.
Alcançou com o máximo de cuidado a gaiola que trazia no banco a seu lado, esticou um dedo para fazer no nariz de Kero uma breve carícia, e saiu do táxi.
“Que sorte a Tomoyo te ter ido entregar durante o fim-de-semana … Não sei se teria tido tanta coragem para hoje se não te tivesse. Só espero que ela me perdoe por não lhe ter dito nada quando ela foi lá a casa entregar-te … mas eu queria resolver primeiro as coisas. Espero ter feito a escolha certa …” – pensou.
O taxista abriu o porta-bagagens e começou a descarregar as pesadas malas. Chegou por momentos e interrogar-se o que uma jovem tão nova e bela, faria com quase toda a casa às costas e de tal forma angustiada, mas decidiu que isso não lhe dizia respeito e absteu-se de perguntar.
- Pode deixá-las ali? – apontou Sakura para a entrada do prédio mesmo em frente e pegou numa mochila caída no chão.
- Como quiser, madame.
“Espero que a Tomoyo esteja em casa…”
- Aqui tem, madame.
- Obrigada.
- É tudo, madame?
- É sim – respondeu um pouco nervosa com a quantidade de vezes que o pequeno homem dizia ‘madame’. Controlou-se para não o mandar ir alargar o vocabulário – Pode ir. – Não era da sua maneira de ser soar tão fria, mas parecia que tudo a irritava. Mas tinha que se soltar disso. Jurara a si mesma durante a viagem que iria começar uma vida nova. Estava mais que farta de ser explorada e usada. Não iria aturar mais aquele tipo de situação. As chantagens tinham ficado no passado e…
- Sim?
Estava tão absorvida na sua mente que não reparara que há uns segundos que tocava à campainha do 20ºDireito, com uma força crescente.
- Oh desculpa… Tomoyo?
- Sakuraaaaaaaaaaaaa!! – guinchou uma voz feminina pelo intercomunicador. – Entra, entra! Que fazes aqui a esta hora? Entra, entra!! – falou apressadamente, enquanto se ouvia um click da porta a ser aberta.
A jovem pensou em como, apenas ouvindo a voz de Tomoyo, se sentia mais alegre. Era por ela e pela sua família que esqueceria os pesadelos com Patrick.
- Oh deixe-me ajudá-la… Sra. Kinomoto! – Sakura sentiu-se feliz por não ouvir mais o ‘madame’, e realmente aquelas malas eram difíceis de arrastar e um pouco ruidosas, para serem transportadas pela entrada de um prédio. Ergueu os olhos do chão e viu o porteiro, Yukito, correr para ajudá-la. Soubera através de Tomoyo que este tinha uma queda por ela, e sentia-se um pouco embaraçada por estar ao pé dele por causa disso, uma vez que não sentia nada para alem de amizade por ele.
- Obrigada Tsukishiro, achei que ia morrer antes de chegar lá a cima. – confessou com um meigo sorriso, apesar de só as ter deslocado dois metros, já com sorte. Pegou na que estava mais próxima e prosseguiu o seu caminho até a entrada ao elevador. Não lhe apetecia conversar.
- Yukito, só! Quantas vezes é preciso dizer? Mas vai para casa da Sra. Tomoyo, Sra. Sakura? – Sakura sentiu-se tentada a perguntar desde quando é que o tinha autorizado a chamá-la pelo nome, mas estava demasiado desgastada, sem paciência para discutir.
- Sim, vou. D-deixe estar, não precisa de levar todas!! – exclamou alarmada quando o rapaz pegou em praticamente todas de uma vez.
- Ah! Eu consigo. Agora estou perito nestas coisas de mudanças. Ainda ontem se mudou para cá um ricalhaço qualquer. Não tinha muitas malas, mas cada uma pesava chumbo. Gostava de saber o que é que ele lá guardava. – fez um ar doloroso só de se lembrar.
- Ah… - não prolongou a sua reposta. Pelo menos não era a única nova ali.
- Olhe, até acho que ele é exactamente do apartamento acima do da menina Daidoudji.
- Interessantíssimo. Bom, adeus e obrigada Tsuk… quer dizer, Yukito. – terminou ao ver a cara aborrecida do rapaz. Graças a Deus que o elevador estava naquele piso.
- Ah… Sakura? Gostaria de vir jantar comigo um dia destes? – perguntou apressado, á medida que a porta corrida do elevador se fechava.
- Desculpe? – perguntou a jovem.
- Eu perguntei se…- tarde demais, o elevador já se tinha fechado e começado a subir.
“Obrigado elevador” agradeceu internamente. Olhou para o espelho e deu-se finalmente conta do seu aspecto. “Que miséria” constatou. Com a maquilhagem borrada, o cabelo desarranjado e a roupa desarrumada, nem parecia a mesma pessoa que tinha saído do seu, agora, ex – apartamento esta manhã. No entanto sentia-se feliz com isso. Relembrou, que a ultima vez que se tinha analisado num espelho de um elevador, estava com um casaco de homem vestido e a roupa meio rasgada. Abraçou-se, e por momentos teve vontade de tirar o casaco da sua mala e voltar a vesti-lo.
“Quem me dera que estivesses aqui comigo...”
- Sakura! – Tomoyo já a esperava de cabeça a espreitar pela porta.
- Oi Tomoyo. – respondeu ao sair do elevador, com voz de derrotada.
- Passou-se alguma coisa? – perguntou preocupada, saindo imediatamente de casa para conduzir a jovem até ao seu apartamento.
- Nem imaginas.
- Vamos entrar e vais me contar tudo!
Com a ânsia de se atirar para um sofá onde pudesse relaxar, esqueceu-se temporariamente da carga de malas que havia deixado no elevador, e entrou apenas com Kero debaixo do braço.
- Foi o Patrick não foi? Aquele porco, nojento, ranhoso…
- Foi Tomoyo, foi sim. – desabafou, enquanto se instalava no sofá que esta lhe indicou.
- O que se passou desta vez? Se ainda este fim-de-semana nos falámos e parecia tudo bem … Não me digas que … se ele te pôs as mãos outra vez em cima, eu… não devias suportar mais isso, Sakura! – disse fora de si.
- E eu não suporto. – os seus olhos começaram a encher-se novamente de lágrimas. A amiga chegou-se ao pé dela e tomou-lhe as mãos. – Perdoa-me por não te ter dito nada antes mas … eu queria resolver as coisas sozinha. Na sexta-feira … o Patrick … bem, ele passou das marcas! Ele, ele ameaçou que fazia mal ao meu pai se eu não fizesse o que ele queria. Há muito tempo que sabia que ele era capaz disso, mas foi preciso ouvir da boca dele para acreditar. Revoltei-me e fui-me embora ... e por pouco que ele não me … - Sakura soluçou e deixou se abraçar por Tomoyo.
- Pronto, está tudo bem, eu perdoou-te … não precisas de te recordar disso se não quiseres…
- E-eu quero, eu quero – fungou. – Fiquei à espera que depois disso ele mandasse alguém dizer que estava despedida, mas não mandou ninguém. Então eu hoje fui trabalhar e demiti-me. Quando lhe disse as minhas intenções começámos a discutir, mas eu estava determinada a acabar com aquilo ali. Ele acusou-me de estar só a fazer fita, que na realidade gostava ‘das noites passadas com ele …’. – falou com raiva. - … quando ainda era suficientemente estúpida para acreditar que ele gostava realmente de mim.
- Não tens de ter sentir culpada por isso …
- Mas depois ele agarrou-me, e eu fiquei com tanto medo…
- Shhhh ... – acalmou Tomoyo. – O que interessa o que te viste livre dele, não é?
- É … mas sabes … não teria força suficiente para me largar dele … se … se no outro dia aquele rapaz não me tivesse salvo, e tivesse sido tão simpático comigo e …
- Eih, eih, eih! Que história é essa? – disse a amiga cortando o discurso desenfreado de uma Sakura atrapalhada e corada.
- No dia em que aquele porco, nojento, ranhoso … – queria pensar em mais adjectivos, mas a pressa de contar o seu episódio romântico não o permitiu. – … ameaçou que faria mal ao meu pai, eu saí da empresa furiosa.
- Sim … – incentivou Tomoyo, notando como pareciam duas adolescentes entusiasmadas a falar das suas paixões secretamente.
- Eu nem notei por onde andava e acabei por ir ter – aproveitou para limpar as lágrimas, borrando a manga da blusa branca com o negro da maquilhagem. – Ia tão distraída pela rua que nem percebi que o Kykuo me seguia. – disse em tom de mistério, não parecendo traumatizada de todo.
- Oh … esse também é outro …
- Então ele começou a falar comigo, até que me agarrou e me conseguiu rasgar a blusa!
Tomoyo abafou um grito com a mão.
- Mas… foi aí que ele apareceu! Não sei como é que ele fez, mas com um golpe… PUF… o Kykuo foi ao chão! – gesticulou.
- Mas o Kykuo ainda é… fortezinho!
- Exacto, foi nisso que eu pensei!
- E então?
- Então fiquei ainda mais assustada, porque se ele era capaz de o deitar ao chão assim, imagina o que não me fazia a mim se também fosse do género do Kykuo, não ia ter escapatória possível! Mas estava enganada … ele …
- … sim? – perguntou Tomoyo nervosa.
- … abraçou-me, e perguntou-me se estava tudo bem comigo. – Sakura disse mito corada, focando o tapete da ampla sala de Tomoyo. Ouve um ‘Oh’ doce vindo da amiga, após a sua confissão. – … e ofereceu-me o casaco dele, porque… sabes… estava com a blusa toda rasgada.
- Que querido… que pena que eu não estava lá para filmar ...! – recriminou-se à parte.
- Depois ofereceu-se para me levar a casa, mas já estaria a abusar da sua boa vontade, por isso recusei. Apesar de não nos voltarmos a ver… gostava de que ele soubesse que foi ele que me fez enfrentar o Patrick e pôr um fim nisto tudo em vez de me sujeitar de novo àquele homem. – voltou a entristecer-se.
- Que tristeza é essa? Tens amigos, família, e pelos visto um novo amor fantásticos e ainda te está a preocupar com esse tarado? Ele não merece nem a tua preocupação Sakura. Deixa o passado para trás das costas e vai começar uma vida nova! Alegra-te! Era mesmo isto que precisavas! Nunca mais vais deixar que esse homem se meta entre ti e a tua felicidade, certo?! Imagina só, se o Touya viesse a saber como ele te tratava? Acho que o Patrick não ia voltar a ver a luz do dia, quanto mais voltar a tocar-te!
Sakura atirou-se para braços de Tomoyo comovida com as palavras da amiga.
- Que seria de mim sem ti? – disse. – Só tenho medo que… que ele se enfureça e vos faça mal.
- Não vamos pensar nisso, ok? – desenvencilhou-se do abraço e levantou-se do sofá. – Agora temos que ir buscar as tuas malas antes que alguém as descubra.
- Ah! Sim! Mas… como é que sabias que eu trazia malas?
- Ora, se te despediste, acho que é obvio que te expulsaram do teu apartamento, não?
- A tua capacidade de observação espanta-me, cara Tomoyo! – ironizou, dando um sotaque inglês típico de Eriol, o namorado de Tomoyo. Agora nem parecia a mesma pessoa que saíra desolada do elevador à minutos atrás!
- Ah! É verdade! O Eriol vai mudar-se definitivamente para o Japão! – comentou Tomoyo entusiasmada, enquanto movimentavam as malas para dentro de casa (que felizmente ainda estavam onde tinham sido deixadas).
- A sério?
- Sim! A empresa dele vai abrir uma filial aqui em Tóquio, juntamente com a Li Corp.!
- Hum… acho que o Touya já me tinha falado disso…
- Eih! Acabei de ter uma excelente ideia!!
- E que excelente ideia é essa? – perguntou Sakura meio atormentada, porque todas as ‘excelentes ideias’ que Tomoyo tinha em que ela entrava nunca davam bom resultado. Pelo menos para ela.
- Bem… – parou para arrastar uma mala até à sala e regressou á porta, onde se apoiou para descansar. – A empresa deve estar à procura de pessoal para trabalhar aqui, não?
- Não te estou a perceber.
- Ora, se eu pedir ao Eriol uma vagazinha para ti, aposto que não te vão recusar com as habilitações que tens!
- Não! Tomoyo?! Estás doida? Acabei de invadir a tua privacidade desta maneira, fiz-te gastar tempo com os meus disparates, e ainda esperas que te deixe pedir favores ao teu namorado para me arranjar um emprego? Não posso fazer isso!
- Sakura… Sakurita… – balançou a cabeça em sinal de negação. - Quando é que aprendes? Somos amigas! Não! Somos irmãs emprestadas, e é para isso que servimos! Além disso, eu não te estou a dar o emprego, vais lá como qualquer cidadã comum para uma entrevista! Eu apenas… te dei uma informação. – finalizou, sorrindo. – A não ser que queiras viver às minhas custas, se assim for estás à…
- Não, não! Pronto, está bem. – disse amuada. – MAS, nada de dizer ao Eriol para me obrigar a admitir, ouviste bem!!! – aproximou-se ameaçadoramente. – Quero trabalhar lá pelo meu próprio mérito!
- Claro! Descansa, até nem vai ser o Eriol que vai estar à frente das empresas… acho que é um tal de Li Sy… – esforçou para pronunciar o nome, mas não conseguiu. – É um chinês.
- O que está no andar de cima? – apontou para o tecto.
- Sim. Como é que sabes?
- Foi o Tsukishiro…
- Não me digas que tentou engatar-te de novo?
- Bem, mais ou menos… foi assim….
Pegou no braço da amiga e seguiram para dentro de casa. Finalmente podia voltar a ser ‘a velha Sakura’. Estava determinada a recomeçar do zero… e faria isso por si própria, pelo seu valor, e não pela sua aparência.
Mais uma vez, pedimos imensa dsc pelo atraso ...
Mas ambas somos estudantes activas, e este ano está a ser mt complicado ... então, a gente vais adiando, adiando ... e pronto, acabamos por não fazer nada.
Mas conseguimos escrever mais este capítulo, que na nossa opinião está particularmente bom.
Apartir de agora, a vida da nossa Sakura vai mudar, mas vejamos se para sempre.
Não percem ;D
E mt obrigado por continuarem a ler ... a sério, o nosso muito obrigado a todos!
As autoras: Sakura_Li e Moichi
2007/12/26
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