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› Autor: ~sakurita
› Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico)
› Personagens: Kagome, Inuyasha
› Classificação: 14+
› Adicionado em: 22/12/07
› Comentários/Favoritos 6/4
› Caracteres: 14.590
› Exibições: 110
-Yo, Sango!
Kagome sorria, enquanto a amiga entrava em sua casa, não parecendo muito feliz.
-Ainda não fizeram as pazes? –perguntou a ela.
Sango apenas fez que não com a cabeça. Tentara, nos últimos dias, não pensar em Miroku. Era difícil, já que ele era seu melhor amigo. E, de acordo com Kagome, algo mais também.
-Prefiro não falar sobre isso, Ka-chan. –disse ela, sentando-se no sofá junto da amiga. –Dói conversar sobre aquele dia. Antes daquilo tudo, era tão simples! Éramos amigos, e apenas isso bastava.
-E agora não basta? –perguntou Kagome, segurando a mão de Sango amigavelmente.
-Não sei... –disse Sango. Ela queria falar sobre o assunto, afinal. –Depois daquela discussão, não achei outra explicação para o meu comportamento senão a que você tinha me dado. Mas não estou pronta para admitir que me apaixonei por ele. Não por ele.
-Sei... –disse Kagome, sorrindo. –Também é difícil pra mim compreender o que sinto pelo InuYasha... principalmente agora, que estamos separados.
-Eu ainda não sei se tomou a decisão certa, Ka-chan. Quando me contou pelo telefone quase caí pra trás.
-Eu também não sei se é certo... –disse a outra, baixando os olhos. –Mas é o seguro, por hora.
E, por saber que Kagome estava certa, Sango se calou.
Ficaram em silêncio profundo por alguns instantes, até que Sango se levantou de repente.
-Bom... adoraria ficar e conversar, mas quero muito levar o InuYasha pra treinar e dar umas porradas na cara dele!
Kagome sorriu, enquanto o hanyou descia as escadas com Souta.
-Ei, você também vai, mana? –perguntou o garotinho. –O InuYasha vai me levar!
Ela sorriu.
-Claro, maninho. É claro que eu vou.
InuYasha sorriu para ela. E, mesmo tendo concordado em manter apenas a amizade entre os dois, Kagome se permitiu sentir uma vontade louca de beijar aquele sorriso. Brilhante, sincero, alegre. Como ela queria ficar co aquele hanyou!
-Então, vamos? –a voz de Sango a tirou dos devaneios.
-Vamos. –concordou o meio-youkai.
***
Ela ainda dormia, quando ele acordou.
Koji olhou para o rosto tranqüilo de Kikyou, que estava em sono profundo. Depois de uma noite como aquela, ele também dormira num sono pesado. Acordar e ver a face daquela garota, que entrara em seu coração forçando Kagome a sair, era apenas um bônus.
Sim, ela realmente empurrara Kagome para o lugar ao qual ela pertencia, em seu coração. O lugar de uma boa amiga, e nada mais.
Ele se levantou e foi ao vestiário. Ligou o chuveiro e deixou a água quente escorrer em abundância, pensando em como tinha sorte. Perdera um amor, ganhara uma amiga. E encontrara a mulher de sua vida.
Mulher de sua vida? Ele tinha dezessete anos, e ela também. De onde vinham idéias como aquela?
Ele sorriu para o nada, sabendo que, mesmo não se importando com o lugar de origem dos pensamentos, gostava muito deles.
Kikyou abriu os olhos cuidadosamente. Olhou ao redor, tentando achar alguma prova de que a noite passada não fora uma ilusão.
Ao perceber que tudo fora real, ao ver algumas peças de roupas espalhadas pelo tatame, e uma coberta enrolada ao seu corpo, ela sorriu. Pensando um pouco sobre o que levara àquilo, o brilho do olhar dela ficou um tanto opaco. Então, de alguma forma, ela tinha ligação com o youkai que matara os pais de Kagome... e, percebeu ela, provavelmente os seus.
Ouviu barulhos vindos do vestiário, e sorriu. Quando Koji voltasse, ela poderia repetir as palavras que dissera a ele na noite anterior, as palavras que ele adormecera antes de ouvir.
-Pequena Kikyou... Acha mesmo que pode ser feliz com esse humano?
O coração que batia no peito de Kikyou gelou ao ouvir uma voz fria e controlada atrás de si. Ela se enrolou na coberta com mais força, apesar de ter vestido as roupas de baixo antes de dormir. Ao se virar, viu um ser coberto por uma pele de babuíno. A parte do rosto que era visível sorria.
-Quem é você? –perguntou ela, olhando nervosamente para a porta fechada do vestiário. Koji. Quem quer que fosse aquele homem, não podia deixar que se aproximasse de Koji, pensava ela. Aquele ser emanava perigo.
-Vai dizer que não se lembra... –sussurrou ele, a voz penetrando a pele e arrepiando-a dos ossos para fora. –do youkai que fez de você o que você é?
Ela deixou que os olhos se arregalassem, sem se importar em demonstrar as emoções naquele momento.
Estava diante de Naraku. O youkai que lhe tirara o coração, os pais de Kagome e provavelmente os seus. Estava diante do youkai que lhe tirara a vida.
-O que você quer? –perguntou ela, tentando por na voz a firmeza que o restante dela não demonstrava.
-Que bom que perguntou... –disse ele. –Quero o que me pertence por direito. A jóia de quatro almas. A vida da guardiã dela. E você.
Ela estremeceu ao ouvir aquelas palavras. Aquele youkai acreditava ser... seu dono?
-Não pertenço a você. –disse ela, tentando evitar o estremecer da voz.
-Ah... isso, Kikyou, é o que você pensa. Não matei seus pais e tirei seu coração para deixar que você simplesmente me virasse as costas. –disse ele. Os lábios continuavam sustentando um sorriso maldoso.
Ele matara seus pais, afinal. Agora, o que ele faria? E o que seria dela?
-Não acredito em você. –mentiu ela. –Não pode ser. Se você tivesse realmente tirado meu coração, eu não poderia sentí-lo bater. –ela colocou a mão no peito, sentindo o reconfortante e ritmado movimento pulsante.
-Esse coração não é seu, e você sabe disso. –disse ele, repentinamente sério. –Você se lembra, não é, Kikyou? Tenta se lembrar com todas as forças, tenta reprimir o que recorda com a mesma força. Você quer lembrar, mas não quer aceitar as lembranças.
Ela ficou em silêncio.
-E esse é um dos motivos pelos quais eu vim até aqui. Queria usar você quando já tivesse se aproximado mais da guardiã da jóia. Mas você insistiu em lembrar, não é? Insistiu em usar esse maldito coração que Tokkie lhe deu. Agora, não tenho escolha a não ser realizar meus planos o mais breve possível. –continuou Naraku. –Quero que você me entregue a jóia. O mais rápido possível, ou então eu matarei seu precioso humano. Matarei a ele e a qualquer outro que cruze meu caminho.
Dizendo isso, ele se foi.
Quando Koji saiu do vestiário, ela estava deitada no chão, ainda enrolada na coberta, tremendo e suando frio.
-Kikyou... –disse ele, se aproximando e abraçando-a. Ao sentir os fortes tremores que se espalhavam pelo corpo da garota, ele a apertou mais entre os braços. –O que foi?
-Nada... –a voz sussurrava com dificuldade, o som saía tremido e falso. Os olhos vidrados denunciavam algo errado. –Eu... preciso ir pra casa, só isso.
Ele queria sacudi-la pelos ombros, força-la a dizer o que estava errado. Mas, por sentir que se fizesse aquilo ela desmontaria, ele deixou que ela se vestisse, pondo também suas roupas, e a levou para casa.
Ao fechar a porta, depois que Koji se foi, ela se sentou encostada à parede fria do apartamento escuro.
E por não saber o que mais fazer, Kikyou chorou.
***
-Seus reflexos estão uma merda.
Miroku ouvia aquelas palavras pela terceira vez em menos de cinco minutos.
O hanyou já o derrubara várias vezes, e eles estavam treinando havia muito pouco tempo. Do outro lado do enorme espaço que eles usavam, um prédio abandonado que o pai de Sango arranjara para eles, a garota usava um saco de areia como alvo de socos s chutes incrivelmente certeiros.
Ele não sabia como ela conseguia manter o controle.
Enquanto levava mais socos e chutes de InuYasha, Miroku tentava compreender como ela conseguia treinar normalmente, enquanto ele simplesmente levava uma surra. Será que ela não sentia nada, não ficava triste por estarem brigados? Sentindo um aperto no peito, Miroku defendeu um chute do hanyou. Levou um soco, ao invés disso.
Ela conseguia se concentrar como se nada estivesse acontecendo. Isso o irritava, e muito.
Quando InuYasha desistiu de treinar com ele e foi brincar com Souta, ensinando ao garotinho alguns golpes sob o olhar vigilante de Kagome, ele se sentou no tatame que cobria todo o chão e pôs o rosto entre as mãos.
Percorreu com os dedos todo o caminho dos cabelos curtos e tirou o elástico que os prendia em um rabo de cavalo curto e baixo.
Suspirou. Sexta feira chegaria logo, e Sango iria se encontrar com Bankotsu. Aquele youkai não o deixava satisfeito. Agia como se fosse superior, melhor do que os outros. E, o pior, naquele momento ele realmente era melhor do que Miroku. Afinal, era ele quem estava sob as graças de Sango, era ele quem ia levá-la para sair.
Tirando os pensamentos confusos da mente, o rapaz observou a garota socando o enorme saco de areia, fazendo-o balançar ritmicamente.
Ela parou por um instante, levando a mão à nuca. Depois, simplesmente continuou.
Do lado de Sango, o Hiraikotsu esperava, apoiado à parede. Logo eles começariam a treinar do lado de fora, com as armas.
InuYasha levantou o garotinho que estivera ensinando e sorriu.
-Muito bem, Souta! Até que enfim alguém que está com ânimo para treinar aqui! –ele lançou um olhar para Miroku, e continuou: -Vamos para fora agora, eu quero começar a treinar com a Tessaiga.
Todos viram quando ele tirou uma espada velha e enferrujada da mochila que carregara até lá. Kagome e Souta foram com ele, mas Sango fingiu que não ouvira e continuou a socar e chutar o saco de areia.
Miroku tentou, mas não conseguiu sair do lugar. Apenas ficou ali, observando-a e tentando entender com nunca antes percebera o quanto ela era linda. Sim, linda! Sua melhor amiga, e a única que ele jamais vira como uma mulher. Agora, percebia ele, ela era, ironicamente, a única na qual conseguia pensar.
Sango continuou a socar o saco de areia, evitando olhar na direção do Miroku. Os olhos dele estavam fixados nela, e a garota percebia aquilo. Sentira o olhar dele, arrepiando sua nuca, fazendo-a parar de golpear, tirando-lhe o ritmo tão forte que sempre mantinha.
Olhá-lo agora seria um erro, ela sabia disso. Não queria ver naqueles olhos a raiva que já vira dias atrás. Queria apenas continuar a socar aquele maldito saco de areia pendurado ao teto, até que seus músculos reclamassem de dor, até que ela não conseguisse mais se mexer. Ou, pelo menos, até que ele fosse embora.
Ela golpeou mais uma vez, e o barulho de seu pé acertando a lona que cobria seu alvo quase abafou o que ele disse.
-Como você consegue?
Ela tentou continuar sem perder o ritmo, tentou ignorar, mas não conseguiu. Acabou deixando que o saco chegasse perto demais, acertando-a.
Olhou-o, então, e viu que os olhos escuros continuavam pregados nela.
Vendo que ela ouvira a pergunta sussurrada, Miroku se levantou. Caminhou com passos firmes até onde Sango continuava parada, olhando-o diretamente nos olhos.
-Como você consegue? –perguntou ele, ao ficar frente a frente com ela. –Como consegue simplesmente ignorar tudo o que aconteceu, fingir que eu não existo, depois de tudo o que nós fomos um para o outro?
-Não sei do que você está falando. –disse ela. Tentou voltar a treinar, mas ele se pôs entre ela e o saco de areia, impedindo que o soco dela acertasse o alvo, segurando o punho de Sango.
-Ah, sim, você sabe. –disse ele. –Você sabe e tenta fingir que não liga. –as palavras dele saíam cheias de raiva e dor. –Tenta fingir que eu não signifiquei nada pra você, tenta jogar fora todos os anos de amizade que tivemos.
-Não sei...
-Se você falar que não sabe mais uma vez, Sango... eu juro que não me responsabilizo.
-Do que você está falando.
Ele, como havia dito que faria, não se responsabilizou. Não se controlou. Apenas puxou com força a mão que ainda segurava, até que o corpo dela se chocasse com o dele. Quando ela estava próxima o bastante, Miroku abaixou o rosto até que seus lábios tocassem os dela.
Foi a perdição.
Sango não soube por que, mas não conseguiu se afastar daquele beijo. Os lábios dele eram tão persuasivos que ela simplesmente se deixou ficar ali, com a mão presa na dele, com a boca presa aos lábios de Miroku. Não demorou e seu corpo começou a procurar por ele. Ela o enlaçou pelo pescoço com o braço livre, enquanto ele a abraçava na altura da cintura.
Nenhum dos dois se deu ao trabalho de pensar, naquele momento. Apenas sentiram.
Quando por fim precisaram se afastar para respirar, Sango baixou o rosto, procurando no chão suas respostas.
-Foi um erro. –disse a ele, tentando novamente se afastar daqueles sentimentos que insistiam em penetrar sua pele e ossos, até chegar ao coração.
-Não. –ele não podia aceitar que aquele beijo fosse considerado um erro.
Simplesmente não podia. Aquele simples toque de lábios, para ele, fora a coisa mais pura e bela que já vivera. Das dezenas de garotas que beijara, não conseguia se lembrar de uma única que o tivesse feito sentir o que sentira ao ter Sango nos braços. Sendo sincero, ele assumiria que não conseguia se lembrar de nada, a não ser do toque suave dos lábios da garota à sua frente.
-A gente é amigo. –sussurrou ela. –Não vale a pena jogar fora essa amizade por causa de... um erro.
-Não foi um erro, Sango. –ele queria, muito, que ela o olhasse nos olhos. Queria ver se os olhos da garota diziam o mesmo que os lábios. Tentar enxergar ali o que ela sentia. –Você sabe que não foi um erro.
-Te beijar me coloca no mesmo lugar das outras garotas, Miroku. –disse ela, abraçando o próprio corpo. –Me coloca num lugar ao qual eu não quero pertencer. Eu quero ser mais do que uma garota que você beija num dia e esquece no outro.
Ela sentiu seus braços serem envolvidos por outros, e viu que não era a única que se abraçava. Miroku acabara de passar os braços em volta dela.
Ele a olhou nos olhos, e disse, com uma voz firme que ela não poderia ignorar:
-Não foi um erro. Você não é mais uma. Você, Sango, é única.
Os olhos dele não conseguiriam mentir, não tão de perto. Não para ela. Sango sentiu que ele falava a verdade. Mais do que sentiu, ela sabia.
Ela sorriu. E ele, também sorrindo, beijou-a novamente.
Parecia que, afinal, Bankotsu levaria um bolo.
Continua...
Nota da Autora: Postando mais um, só porque a Yela me pediu... rsrs ^^
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