Anjos não gozam de prazeres, a não ser de extinguir o mal.
Anjos não se relacionam com humanos, a não ser para salvá-los ou condená-los.
Então como pode um anjo amar? Como pode um seguidor de Deus falhar...
...A menos que o anjo queira falhar...
Abel, olhos azuis bem claros, cabelos dourados e longos jogados sobre os ombros e pele pálida, era um anjo mensageiro de Deus. Sua missão era andar pela Terra, como um mortal, e levar a Deus detalhes sobre nós.
30 de dezembro de 2009 – 23:00h.
Abel estava sentado em uma poltrona de sua casa, quando uma leve brisa soprou na espinha, ele sabia que isso não era bom. Levantou-se, foi à cozinha e pegou uma caneca de chocolate quente. Deu o primeiro gole. O segundo. E quando levaria a caneca à boca pela terceira vez ouviu um grito vindo de fora da casa. Abriu a porta, assustado e saiu seguindo o som do grito. Em meio a um escuro beco, dois rapazes se aproximavam de uma moça. Uma jovem de aproximadamente 20 anos, cabelos ruivos como o fogo.
Abel se aproximou dos rapazes que se mostraram armados.
-Suma daqui –gritou um dos rapazes furioso.
-Desculpe, mas só após deixarem a jovem em paz –retrucou Abel.
-Estou avisando, saia ou eu atiro!
A ao primeiro disparo de um dos homens, uma imensa luz emanou do beco, e nada mais se viu por alguns minutos.
Abel levou a garota, inconsciente, para sua casa, e após pô-la sobre a cama, se dirigiu à sala e se acomodou no sofá.
Após uns dez minutos, a jovem se levantou.
-Você está bem –perguntou Abel -sua dor de cabeça passará logo.
- Ei, mas como você sabe que eu estou com dor de cabeça... o que fazia numa rua deserta daquelas àquela hora...e por que me trouxe para sua casa?
- Calma garota, uma coisa de cada vez. Sei que está com dor de cabeça porque bateu com a cabeça quando caiu (risos), eu estava passeando com o cachorro àquela hora, o maldito sempre escolhe as piores horas pra... bom, você sabe. E te trouxe para minha casa para que você não ficasse naquele beco até agora. Mas a propósito: O que VOCÊ fazia naquela rua de noite?
- Não é da sua conta... e...cadê seu cachorro –disse ela olhando ao redor.
Os olhos dela, mesmo nervosa emanavam uma doçura única, as expressões do seu rosto eram puras, e sua voz era como uma canto. Qualquer homem diante de uma mulher daquele tipo ficaria estupefato, mas não Abel, afinal, ele era um Anjo, e anjos não tem esse tipo de sentimento.
-EI, TO FALANDO COM VOCÊ, PRESTA ATENÇÃO !!!!
Nesse momento Abel deu um pulo do sofá, estava viajando no momento que nem ouviu o que a garota dizia... ele poderia ficar daquele jeito pela noite toda.
-Desculpe –disse a garota já mais calma sentando ao lado de Abel- eu devo te agradecer por ter me protegido daqueles grotescos. Posso saber seu nome?
- A-A-Abel, me chamo Abel –disse ele meio tremulo... sentindo uma coisa que nunca tinha sentindo antes, mas ele sabia que não podia se expressar muito bem ali, diante daquela simples mortal.
Era a primeira vez que Abel ficara encabulado, nem sabia ele o que era isso, afinal, era sentimento humano, e Abel era um anjo, e anjos são perfeitos...Abel já não tinha mais tanta certeza, a não ser a certeza de que aquela não era uma mortal comum, ela despertara coisas que nenhum outro mortal jamais despertara.
-Abel –chamou a garota- preciso voltar para casa, você tem carro, ou passa algum ônibus aqui a essa hora?
Abel sabia que ao estalar os dedos, poderia te o carro mais veloz existente, ou mesmo uma empresa de ônibus inteira. Mas pela primeira vez, aquele corpo divino sentiu vontade de ter a companhia de um mortal. Abel sabia que aquilo não estava certo, e que se algum semelhante soubesse, traria-o problemas.
-Não –respondeu Abel- meu carro está na oficina e não passa ônibus numa hora dessas, mas se quiser, pode dormir no quarto, eu durmo no sofá.
A garota, desconfiada, mas sem escolhas, levantou-se do sofá, dirigiu-se a Abel, beijou-lhe a face e correu para o quarto, logo depois, ouviu-se um barulho de fechadura se trancando, e uma voz debochada ecoou do quarto:
-Não vai entrar heim.
Abel sentiu o rosto corar, um ardor incomum pelo corpo inteiro. Virou-se para o quarto onde estava a garota...definitivamente não era uma mortal qualquer. Andou até o quarto, passou pelas paredes como se fossem ar. Deitou-se, levitando uns três ou quatro palmos acima da jovem, e ali passou a noite, olhando o rosto daquela que conseguiu encantar um anjo com sua beleza cândida. Ele passaria uma eternidade ali, pois olhando-a daquele jeito, sentiu, pela primeira vez, mais prazer do que quando obedecia a seu superior. E Abel sabia que isso não era bom
Por: MonyBuzzi
(Tadeu Moreira Buzzi de Oliveira)
Crepúsculo Sangrento®