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› Autor: ~sakurita
› Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico)
› Personagens: Kagome Inuyasha
› Classificação: 14+
› Adicionado em: 21/12/07
› Comentários/Favoritos 4/2
› Caracteres: 9.796
› Exibições: 1
-Kagome? –ela estava confusa. –O que você quer?
A garota chegou perto dela, ainda coma sacola de chocolates nas mãos. Ofegou um pouco, tentando recuperar o ar, e depois sorriu.
-Podemos conversar?
-Claro. –respondeu Kikyou. Não fazia a mínima idéia do que Kagome pretendia, mas não tinha nada melhor para fazer. Por que não ouví-la?
As duas entraram e passaram direto pelas portas das salas de aula. Foram até a cantina, onde um aglomerado de alunos tentava comer alguma coisa antes da primeira aula. Kagome e Kikyou ocuparam uma mesa perto da saída do refeitório, onde havia menos gente. A maioria se amontoava no balcão.
-O que você quer? –perguntou.
-Bem... eu queria saber sobre... o acidente. –Kikyou se levantou, pronta para sair dali. A garota a segurou pelo pulso e falou o mais rápido possível. –Eu não sei porque, mas não me convenço de que você é culpada!
Aquelas palavras a detiveram. Kikyou sentou-se novamente, tentando ver nos olhos azuis de Kagome algum traço de maldade, descaso, qualquer coisa que lhe provasse que ela estava mentindo. Não achou absolutamente nada.
-Como assim?
-Seus poderes de purificação são enormes... você é tão pura quando a neve. Mas algo... me deixa confusa. Como você pode ter se gabado de tudo o que fez com Kohaku... e simplesmente ter esses poderes? É estranho. É muito estranho. Alguém com maldade no coração jamais poderia fazer o que você fez com aquele miasma.
-Eu sei. –disse Kikyou, olhando a multidão, agora bem menor. A fila diminuía.
-Me fale... sobre o acidente. –pediu Kagome.
-Não me lembro. –disse a outra. –Simplesmente não me lembro. Acho que bati a cabeça, ou algo assim.
-E quanto ao incidente... porque você trancou Kohaku naquele almoxarifado? –Kagome queria, e muito, entender o lado de Kikyou. Algo nela emanava pureza, mas tudo ao seu redor parecia incrivelmente maligno, cheio de névoa densa. Era como se houvessem buracos enormes na história, e Kagome queria corrigir todo eles, preenchê-los com as informações mais precisas que conseguisse.
-Não... –Kikyou pareceu pensar por alguns instantes. E, para a surpresa de Kagome, logo depois ela saiu correndo. Daquela vez, foi tão rápido que não pôde ser impedida.
Kikyou só parou de correr quando chegou ao banheiro da escola. Lavou o rosto, deixando a água fria escorrer pelo rosto, molhar a franja e grudá-la em sua face. Tentou lembrar-se do dia em que trancara Kohaku no almoxarifado. Novamente, as pontadas de dor tomaram sua cabeça, como se quisessem partir ao meio seu crânio. Ela deixou as lágrimas de dor escorrerem, enquanto tentava, a todo custo, entender o que estava acontecendo.
Quando ela chegou ao ponto de estar quase inconsciente, finalmente se lembrou. Do acidente, do dia do almoxarifado. E, com uma última lágrima de dor, Kikyou escorregou para o chão, deixando a escuridão envolvê-la com seus braços frios.
***
-O que foi, Ka-chan? –InuYasha sentou-se ao lado de Kagome, logo que Kikyou saiu correndo. –Ela saiu daquele jeito porque?
-Não sei, InuYasha... –disse Kagome. –mas ela se foi assim que eu perguntei do dia em que Kohaku foi trancado.
-Você faz perguntas diretas demais, Ka-chan. –disse o hanyou, tomando-lhe a mão em cima da mesa.
-É assim o melhor jeito de evitar o sofrimento. Descobrir que alguém lhe disse meias-verdades é muito pior do que ter a verdade jogada na cara diretamente. –disse Kagome, entrelaçando os dedos.
Quando o meio-youkai se inclinou em sua direção, ela se afastou.
-Você sabe que se me beijar alguém pode se machucar. –ele virou o olhar em direção à multidão que partia. Estavam sozinhos, agora.
-Não tem mais ninguém aqui. –disse ele. –Só um beijo... por favor.
Ela sorriu. Um sorriso triste, mas um sorriso.
-Da próxima vez, pode não ser apenas um pedaço de pia. Pode ser uma mesa, ou uma faca. Não quero te machucar.
Ela viu os olhos dele se encherem de algo muito parecido com mágoa.
-Não vale a pena se arriscar? –perguntou ele.
Ela recolocou a questão de um jeito simples:
-Vale a pena arriscar a vida por um beijo?
-Vale. –respondeu ele.
InuYasha a beijou, antes que ela pudesse fazer qualquer movimento para se afastar. Quando os lábios dele encontraram os dela, Kagome sabia estar perdida. Nunca conseguiria negar, física ou mentalmente, os seus sentimentos por aquele hanyou.
Fechou os olhos lentamente, pedindo aos céus que quando os abrisse ele ainda estivesse ali, inteiro e vivo.
Ele sentiu o gosto dela invadir seus sentidos, como se tudo ao seu redor deixasse de existir. E, de repente, percebeu que nunca poderia deixá-la ir embora. Mesmo que nunca pudesse tocá-la, mesmo que os lábios de Kagome lhe fossem proibidos pelos olhos da garota.
Precisava dela, naquele momento, e sempre.
Estava apaixonado.
Logo que se deu conta disso, sentiu uma forte pancada na cabeça, e o mundo escureceu.
-Inu...InuYasha! –o grito de Kagome ecoou pelo lugar vazio, enquanto ela via, desesperada, um enorme pedaço da bancada da cantina manchada de sangue, ao lado do corpo inerte do hanyou.
Era sempre assim. Aquela maldição nunca a abandonaria. Sua sina era viver sozinha. Vendo o único garoto que tivera a coragem de fazê-la fechar os olhos estendido ali, sangrando e inconsciente, ela soube que nunca o deixaria se aproximar novamente.
Não se aquilo lhe custasse a vida. O preço era alto demais.
Afinal, ela achou a resposta para sua própria pergunta.
Não. Simplesmente não valia a pena arriscar a vida por um beijo.
Ela se ajoelhou e tomou a cabeça de InuYasha no colo. Colocou-o carinhosamente em seus joelhos, deixando lágrimas silenciosas escorrerem pela face suja pelo pó da destruição ao seu redor.
Pegou o celular e fez duas ligações.
A primeira foi para o pronto socorro. A segunda para o aeroporto nacional do Tókio.
-Alô? Qual o próximo vôo para Nagoya? Sim... reserve duas passagens. Só de ida.
***
-Senhor... eu a peguei, mas matei a youkai. Parece que ela deu o coração do filho à garota.
-Droga... um ser humano com um coração não me será útil, não poderei controlá-lo. E conhecendo aquela maldita youkai, ela ensinou Kikyou bem o bastante para que a criança não se deixe escravizar novamente. Não conseguirei retirar seu coração... não de novo.
Naraku estava com raiva. Muita raiva.
A youkai estragava um trabalho de anos. Matava um de seus servos. E agora o inútil que pegara Kikyou para ele estava ali, esperando que ele lhe desse alguma orientação.
Ele pensou por um tempo. Por fim, falou:
-Vou apagar a memória dela. Vamos deixar seu passado em branco, e repaginar tudo. Quando eu for precisar dela, darei um jeito de fazê-la pensar que o que toma por seu passado são apenas sonhos. É o que posso fazer, por hora. Quanto mais ela viver, mais vai ser difícil esconder minha sutil manipulação. Terei que mantê-la em constante... tratamento, digamos assim. Terei que apagar sua memória praticamente o tempo todo... droga. Não posso deixar que ela faça amigos de verdade... quanto mais ela usar o coração, menos controle eu terei. Não posso perdê-la.
***
Ela olhou para os lados da rua, vendo se vinha algum carro. Estava deserta.
Kikyou acelerou e se pôs a dirigir em direção à sua casa. Estava cansada. Aquele youkai estúpido. Só porque aceitara sair com ele, pensara que tinha o direito de levá-la para a cama.
Bufou de raiva, lembrando-se das perguntas dele.
“De onde você vem?”
“Pra onde você pretende ir?”
“Que tal meu apartamento?”
Voltando à primeira pergunta, ela se lembrou do tempo no templo de Nagoya.
Depois, voltou a memória para o espaço de tempo antes daquilo. Seus pais... Quem eram seus pais?
Lembrava-se de uma senhora youkai... que a criara...
Forçou um pouco a mente, em busca da face da mãe de criação.
De repente, uma forte pontada começou a torturar-lhe os sentidos. Kikyou deu uma guinada repentina com o carro, tentando alcançar o acostamento. Percebeu que sua coordenação motora estava errada, e perigosa. Pisou no freio, com toda a força que conseguiu.
Ouviu barulho de outros pneus na estrada, e ficou com medo. A dor não passava, estava intensa e incrivelmente grande.
Kikyou ouviu seu próprio grito, um enorme estrondo.
E depois, tudo escureceu.
***
Ela acordou no chão do banheiro.
Estava frio. Kikyou ficou paralisada por um momento, tentando processar as informações que tinha na cabeça. O acidente. Ela tivera uma daquelas pontadas, e por isso causara o acidente.
Mas por que só se lembrava agora?
Levantou-se, tentando firmar as pernas, usando a parede como apoio.
Seu passado começava a se tornar um enorme mistério. Ao mesmo tempo em que ela se lembrava de pequenos detalhes, como o que comera no dia anterior e as pessoas que conhecera desde que Kagome chegara, não conseguia se lembrar de nenhum fato importante de seu passado mais distante. Sua infância era um mistério.
Ela não conseguiria ficar na escola naquele dia. Precisava fazer alguma coisa diferente, qualquer coisa. Pegou o celular e discou o primeiro número que lhe veio à mente. Ao ouvir uma voz profunda e simpática atender, ela falou:
-Koji? Tem um tempo livre agora?
Continua...
Nota da Autora: Gente hoje vou começar uma nova Fic o nome dela é "University Love"...
Comentem nela tam bém...!!!
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