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Fanfics


[InuYasha] Nunca Feche os Olhos

Um Coração Yokai


Autor: ~sakurita

Categoria: Animes/InuYasha

Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico)

Personagens: Kagome, Inuyasha

Classificação: 14+

Adicionado em: 20/12/07

Comentários/Favoritos 3/2

Caracteres: 11.921

Exibições: 3

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Kikyou saiu da sala com a mochila nas costas, distraída. Quase teria sido atropelada por uma moto, se não tivesse saído do caminho no último instante.
Virou-se, com raiva:
-Ei! Quem você pensa que é? Quase me atropelou!
Tirando o capacete, o rapaz em cima da moto sorriu e disse:
-Então, da próxima vez... não fique na frente.
Ela sorriu ao reconhecer Koji. Mas, logo depois, o sorriso morreu nos lábios. Se ele a encontrara ali, era por que tinha descoberto sua mentira, e seu nome. O nome que saíra no jornal poucos meses atrás, acusado de ser o causador do acidente que imobilizara um garoto de quatorze anos.
-O... o que você faz aqui? –perguntou ela, franzindo o cenho.
-Vim de buscar pra dar uma volta. O que acha? –perguntou ele, continuando a sorrir. Vira a notícia no jornal. Vira a ficha policial dela, também. E não ficou surpreso, ou enojado. Se tivesse uma ficha na polícia, provavelmente estaria bem maior que a dela.
-Como... você me achou? –perguntou ela, ignorando o que ele perguntara.
-Ah... –disse ele. –Tenho minhas fontes... Kikyou.
-Então você sabe quem eu sou.
-Sei seu nome. Quem você é eu não sei... ainda. Mas gostaria de descobrir. Então, vai ficar aí parada ou vai me deixar te levar pra dar uma volta? –perguntou ele, estendendo um capacete para a garota.
Ela hesitou. Fazia muito tempo que ninguém se importava com ela, e muito tempo desde que ela se importara com alguém. Não sabia se estava pronta para aquilo, de novo. Quando acabava, sempre ficava a dor. E a dor era muito grande.
Apesar das dúvidas, o belo sorrido e o olhar doce daquele garoto fizeram-na pegar o capacete e subir na moto. Outra hora, disse a si mesma. Outra hora eu me preocuparei com a dor.

Eles foram a um café, o mesmo que Kagome visitara no primeiro dia de aula, junto com os amigos. Kikyou se surpreendeu com a beleza do lugar. Seus amigos preferiam lugares onde pudessem beber sem serem perturbados... E ela, sem opção, acabava indo junto.
Depois daquilo, eles ainda foram até o ginásio. Treinaram juntos, e Kikyou descobriu que Koji lutava tão bem quanto ela, até melhor.
Na terceira vez em que ele a derrubou no chão, ela passou-lhe uma rasteira, fazendo-o cair ao seu lado.
Quando ele se virou, os dois ficaram de frente, muito próximos, e se olharam nos olhos.
-Já está na hora de irmos embora, acho. –disse ela, se sentando. –Está ficando tarde.
Ele olhou por uma janela perto dali. A lua já começava a aparecer. Realmente devia estar tarde. Ele simplesmente não se dera conta daquilo, estava distraído extraindo informações sobre o passado de Kikyou. Aos poucos, eles se tornavam amigos. E ela começava a confiar nele.
Ele já sabia, por exemplo, que ela adorava chocolate, treinamentos como o que tinham acabado de fazer... sabia que ela morara no templo Sakura, alguns anos atrás.
Ela evitava falar do acidente com Kohaku. Dizia que não queria entrar naquele assunto de novo.
-Algum dia vai me falar do tempo antes do templo? –perguntou ele, olhando-a socar repetidamente um saco de areia pendurado no teto. O mesmo que ele socara quando a conhecera.
-Não sei. –disse ela. Começou a pensar sobre tudo aquilo. Lembrava-se da youkai que a criara. Era bondosa, paciente...
De repente, uma forte pontada de dor na cabeça fez Kikyou cair no chão, com as mãos sob a testa. Aquilo... era a mesma coisa que sentira ao ser levada por Koji para casa, no dia em que tinham se conhecido. Só que muito mais forte.
-Kikyou! –ele correu até ela, e se ajoelhou ao seu lado. segurou-a firmemente pelos ombros. –Você tá legal?

-Es... estou. Às vezes tenho dores de cabeça repentinas, tudo bem. –disse ela, se levantando apoiada nele. –Mas acho que treinei demais. Pode me levar pra casa?
Ele não discutiu.
Ao ser deixada em casa, Kikyou tentou novamente se lembrar do que acontecera com a youkai que a criara.
-Tokkie-sama... –sussurrou ela.
Novamente, a cabeça pareceu ser partida ao meio por uma forte pontada. O que era aquilo?
Ela caiu de joelhos, tentando lembrar. A dor aumentava a cada segundo. E, finalmente, ela se lembrou.
Logo depois de deixar rolar uma grossa lágrima pelas lembranças afloradas, a garota caiu no chão, inconsciente.
Seu passado era algo que ela não queria tanto se lembrar, naquele momento.

***

-Tokkie-sama! –gritou ela. –Veja, eu consegui!
Uma mulher de aparentes vinte anos caminhou lentamente até Kikyou. Ao ver a pequena espera de poder concentrada nas mãos da criança, ela sorriu. Um sorriso bondoso, assim como ela mesma.
-Muito bem, Kikyou. –disse para a garotinha. –Você tem apenas cinco anos, mas é impressionantemente forte.
Voltou-se para casa onde estavam morando desde que Kikyou lhe fora confiada. Era grande, confortável, e tinha todo o tipo de material. Ela treinava Kikyou havia cerca de dois meses, e a garota já mostrava poderes espirituais incríveis. Talvez fosse aquele o motivo de Naraku tê-la pegado para servi-lo.
Naraku. Aquele nome lhe causou um calafrio que percorreu toda a espinha. Youkai maldito, aquele. Roubava o coração de seu filho... pra fazê-la criar o filho de outra para ele. Ela já se conformara com o fato de que nunca mais veria sua criança com vida. Sabia que Naraku guardava o coração do garoto, e o queria para enterrá-lo junto do pequeno corpo que lhe fora deixado pelo youkai. A única coisa que a mantinha ali era a pequena Kikyou. Poderes incríveis, coração puro... porque ele a queria? Ela era uma criança tão bondosa... Se pudesse, Tokkie-sama faria algo para ajudá-la a sair das asas daquele maldito... mas... o que fazer, se ele também tinha o coração da pequena?

“Ah, se eu pudesse... daria a ela meu próprio coração... mas... um coração youkai, batendo num peito humano, seria demais para que ela suportasse... muito poder...”, pensava Tokkie, enquanto ia até o porão da casa.
Lá, ela passou por um portal escondido atrás de um velho armário. Quando se viu diante de Naraku, ela se curvou.
-Meu senhor... –disse ela. –A criança... está melhor... já pode concentrar energia nas mãos.
-Muito bom... –sorriu ele. Logo... ela teria tanto poder que seria difícil controlá-la, se não tivesse seu coração batendo numa pequena caixa coberta de veludo... –Acho que você cumpriu sua missão. Agora, vou entregá-la aos cuidados de outro youkai, que possa treiná-la para lutar, usando os poderes espirituais que você libertou.
Ele entregou à mulher um pequeno pote de barro. Naraku não gastaria uma caixinha de veludo com um coração que só estava ali para ajudá-lo a conseguir seus interesses menores. Ao pegar o pote, sentindo a pulsação constante do coração que um dia batera no coração de seu filho, a youkai derramou uma lágrima.
Ela voltou ao portal, ao porão... sentindo ainda o bater constante do que um dia fora o coração de seu filho. Aquele pequeno youkai, tão pequeno ainda, um bebê... sem energia nenhuma para combater o inimigo...
Sem energia nenhuma... então... se...
Ela correu direto ao lugar onde Kikyou se encontrava, ainda fazendo pequenas bolas de energia. Sorriu para a menina, estendendo o pote.
-Sabe o que eu tenho aqui, pequena? –perguntou ela.
-Não. –disse Kikyou. –mas deve ser uma plantinha muito sapeca... tá pulando!
A youkai sorriu. Provavelmente morreria por aquele ato insano, mas tinha que fazê-lo. Enfiou a mão dentro do recipiente que guardava o coração youkai. Parecia-se com uma pedra, ao contrário do que Naraku retirara de Kikyou. Era rosado, e parecia inofensivo. Ao tirá-lo de lá, ela o estendeu à garotinha, e falou:
-Isso é a chave da sua liberdade.
-Uma pedra?

-Um coração. –disse ela. –pegue.
Ainda receosa, ela pegou a pedra, do tamanho de seu punho. Uma luz intensa começou a rodeá-la. Não conseguiu ver nada à sua volta.
-Idiota.
Tokkie se virou para ver quem chegava. Era o youkai que treinaria Kikyou pra Naraku. Ela se preparou para o combate, que sabia ser inevitável desde o momento em que pusera as mãos no coração de seu filho.
O youkai de Naraku, parecido com um homem, provavelmente par não levantar suspeitos em Kikyou, foi até ela e golpeou-lhe a garganta, com um soco. Ela lutou para respirar, achava que ia sufocar, tamanha a força do golpe. Tomou posição de batalha. Atrás dela, Kikyou estava envolta pela luz do coração. Não podia ver o que se passava do lado de fora.
Levantou uma das mãos, que tinha os dedos encolhidos para a palma, com exceção do indicador e do médio, bem erguidos. Concentrou toda a energia que conseguiu e atacou.
O youkai se viu golpeado com força no estômago, e tropeçou com o impacto da esfera de energia lançada contra ele.
Tokkie percebeu que não conseguiria vencê-lo. Aquele era um de seus melhores golpes, e não funcionara como o previsto. Deveria ter causado mais danos.
Olhou uma última vez para a pequena barreira de luz que se formara em torno de Kikyou. E sorriu.
-Adeus, minha menina... Tomara que o coração de meu filho seja mais útil a você... do que foi a ele. –disse ela. Depois, de virou para o youkai e correu até ele.
Espalmou as mãos sob o tórax dele antes que fosse feito qualquer movimento de defesa. Logo depois, Uma cratera começou a se formar com a energia que ela usava para empurrar o corpo dele o mais fundo possível. Logo depois, ela reuniu toda a energia restante em seu corpo e a jogou contra o peito dele.
Tudo explodiu.

Estando dentro da cratera, a explosão não causou grandes danos. Mas tudo o que estava lá dentro tinha se acabado.
Kikyou abriu os olhos. Ao ver a enorme cratera à sua frente, ela correu até lá.
E gelou.
Dentro do buraco fundo que Tokkie fizera, estava o corpo imóvel do youkai que fora buscá-la. E o da youkai.
A garotinha começou a chorar desesperadamente, tentando entender o que acontecera. ó fechara os olhos por alguns segundos, porque a pedra tinha começado a brilhar demais. Por falar nisso, onde estava a pedra?
Ela olhou ao redor, mas viu que não havia nada parecido com a pedra rosada.
-Criança...
Ela se virou para Tokkie. Ela sorria, e Kikyou não entendeu o sorriso.
-Não deixe que ele a pegue. Vá... Por favor! –disse ela.
E fechou os olhos.
Desta vez, para sempre.

***

Kikyou abriu os olhos.
Estava desmaiada há quanto tempo? Vendo o sol nascer hos estranhos que tinha tido, ela entrou no chuveiro. pela janela, viu que dormira no chão. Já era hora de ir à escola. Tentando não pensar nos son
Não se lembrava direito do que tinha sido, mas não fazia questão. Só sabia que Tokkie-sama tinha feito algo para ela, e morrido logo depois. Não vira a luta, não sabia de Naraku.
Ela se vestiu com o uniforme. O dia estava frio, então ela ignorou a saia pregueada e pegou uma calça preta do conjunto que os alunos do colégio eram obrigados a usar. Vestiu a camisa branca e um casaco preto por cima. Depois de pegar o material e trancar o apartamento, ela caminhou até a escola.

Ao chegar lá, viu InuYasha parado no portão, aparentemente preocupado.
Ao chegar mais perto, ouviu-o dizer:
-Feh! Tinha que parar para comprar chocolate! Agora Kagome vai chegar atrasada!
Ele percebeu que Kikyou o observava, e acenou com a cabeça. Ela ficou surpresa, afinal ele era amigo de Sango, e a garota morria de raiva dela.
Cumprimentou-o de volta, e passou pelo portão.
-Kikyou?
A voz feminina a fez virar-se. Kagome vinha correndo em sua direção.

Continua...


Capítulos de [InuYasha] Nunca Feche os Olhos

[09/12/07] O Fim do Começo

[09/12/07] As Marcas do Passado

[10/12/07] A Garota no Espelho

[11/12/07] Mais Lembranças, Menos Dor...

[12/12/07] Koji

[14/12/07] Reencontros

[15/12/07] Segredos

[15/12/07] Outras Vidas (Parte I)

[17/12/07] Outras Vidas (Parte II)

[19/12/07] A Névoa de Miasma

[20/12/07] Um Coração Yokai

[21/12/07] Pedaços de Vidas

[21/12/07] Apenas Amigos...

[22/12/07] A Aranha Negra

[25/12/07] Shikon no Tama

[27/12/07] A Guerra

[28/12/07] Sangue e Miasma


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