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[InuYasha] Nunca Feche os Olhos

Outras Vidas (Parte I)


Autor: ~sakurita

Categoria: Animes/InuYasha

Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico)

Personagens: Kagome, Inuyasha

Classificação: 14+

Adicionado em: 15/12/07

Comentários/Favoritos 3/5

Caracteres: 11.247

Exibições: 2

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-Kohaku, onde você está?
Sango caminhou a passos lentos pelo corredor, até parar em frente à porta do quarto do irmão. Virou-se para a garota ao seu lado e falou, com um sorriso:
-Ele deve estar aí dentro, usando o computador. Você vai forçar muito hoje?
-Ah... não muito. Meu pai pediu que eu apenas conversasse um pouco e o mandasse fazer os exercícios rotineiros. –respondeu a garota, sorrindo.
-Certo.
Sango a deixou ali, esperando em frente a porta até que ela foi aberta.
-Quem é você? –perguntou Kohaku, olhando o rosto jovem da garota em sua frente.
-Meu nome é Okawa Rin. Sou filha do seu médico. Meu pai teve uma emergência com outro paciente, e me pediu para vir em seu lugar.
-Hm... –fez ele, pensativo. Depois, virou a cadeira de rodas e foi em direção ao computador novamente. –O que eu tenho que fazer hoje?
-Bem... ele me mandou me apresentar e conversar um pouco com você. Depois você deve fazer os alongamentos que sempre faz, e tentar andar com o apoio das barras. –disse ela, sorrindo.
Kohaku apontou uma poltrona no canto da sala e ela se sentou. Tirou da mochila preta que levava nas costas um martelo enorme, de plástico, todo vermelho.
-O que você acha? –perguntou, sorrindo.
Ele olhou o objeto na mão dela, deu risada e disse:
-Ridículo.
-É. –falou ela, rindo também. –Dá pra acreditar que é isso que meu pai usa com os pacientes? Para testar reflexos, ele diz. Também fala que este é menos intimidador que o outro, de madeira.
-Com certeza. –disse ele. Olhando melhor a garota, ele percebeu que ela era incrivelmente jovem. –Quantos anos você tem, Okawa?
-Apenas Rin, por favor. Tenho quatorze anos. Meu pai falou que você também tem essa idade. Por isso me mandou em seu lugar, ao invés de mandar o Kunno.
Lembrando-se do enfermeiro assistente do Sr. Okawa, frio e rude, além de feio e um profissional medíocre, Kohaku assentiu com a cabeça.

-Que sorte a minha.
-Ah, não creia nisso. –sorriu a garota. –Eu vivo na mesma casa que um médico extremamente exigente, e tenho que descontar a pressão que sofro em cima de alguém.
-Oh... –disse ele, sério. –Então... Devemos começar a trabalhar, certo?
Ela foi até onde ele estava e bateu com o martelo no joelho esquerdo do garoto.
-Sente alguma coisa? –perguntou, encarando-o com firmeza.
-Não. –respondeu ele, simplesmente.
-Ainda bem. –disse ela, séria.
-Como assim? –perguntou ele, inclinando a cabeça.
-Muitos dos pacientes do meu pai que eu visitei hoje estavam tão desesperados para sentir algo que acharam que realmente tinham sentido... mas na verdade... Bem, na verdade o martelo nem tocou o joelho deles. Foi uma pequena peça pregada pelo psicológico.
-Isso é maldade, sabia? –falou ele, fazendo uma careta.
-Eu sei. Mas mais maldade ainda é mentir para convencer a si mesmo. –disse ela, olhando o chão. Depois, ergueu a cabeça e continuou. –Certo, agora... Vamos conversar enquanto fazemos os exercícios, certo? A barra já está montada?
Ele assentiu e apontou para uma porta ao lado da escrivaninha na qual estivera.
-Está na sala ao lado.
-Vamos, então?
Quando ele assentiu novamente, sem olhá-la nos olhos, a garota sorriu e disse:
-Sabe... quando eu não gosto de alguém, digo na cara.
Ele corou fortemente com aquelas palavras.
-Não é que eu não gostei de você... é só que meu médico é seu pai. Só isso. É como trocar chocolate ao leite por hidrogenado, entende?
-Não, não entendo. –disse ela, ainda sorrindo e empurrando a cadeira em direção à sala ao lado. –Mas também adoro chocolate ao leite, e odeio hidrogenado. Podemos começar por aí, que tal?
Enquanto ela abria a porta, Kohaku olhou os longos cabelos negros da garota se moverem levemente, e lembrou-se dos olhos escuros que se recusara a encarar.
É. Podiam começar por ali.

***

Koji caminhou com passos decididos até a garagem da casa de Kagome. Depois de entrar no banheiro, logo que InuYasha e os outros tinham ido embora, ele não tivera dúvidas quanto ao que acontecera ali.
Então, sua procura por Kagome e suas inúmeras viagens tinham sido em vão. Ele procurara por uma garota que conhecera no passado, esquecendo-se que ela provavelmente não era a mesma. E, para piorar as coisas, não conseguia sentir raiva dela. Nem dele.
Oras, ela conhecera InuYasha, se apaixonara por ele. Ele também parecia gostar dela. Quem era ele para pensar em se intrometer entre os dois? Não tinha esse direito.
Mas, como todo bom rapaz com uma enorme dor de cotovelo, ele tinha muito, e muito mesmo, direito de se embebedar até cair.
Entrou na garagem, viu o carro e a moto de Kagome. Passou direto por elas e achou o que procurava. Sua motocicleta, que tinha chegado havia apenas algumas horas. Tinha que agradecer seu amigo Bankotsu por cuidar dela, e devolvê-la inteira.
Montou na máquina, saiu da garagem. Era noite, Kagome acabara de se retirar para dormir. Apesar de InuYasha detestar a idéia, ela resolvera hospedar a ele. Koji não se sentiu exatamente confortável com isso, já que agora sabia o que se passava entre sua amiga e o hanyou. Mas aceitara, para protegê-la.
Afinal, ainda eram amigos.
Ele ligou a motocicleta preta, logo depois de abrir a porta da garagem, e se foi.
Fazia frio. Ele não ligou muito, apenas acelerou em direção ao centro da cidade. Só parou quando achou o que procurava: um bar, quase vazio. Havia apenas um casal nos fundos do lugar, e um grupo de adolescentes. Provavelmente estudantes. Koji tinha a idade deles, mas ninguém duvidaria que seus estudos estavam muito avançados em relação àqueles garotos.

Ele desligou a moto assim que a encostou na calçada. Não se deu o trabalho de por qualquer tipo de corrente, sabia que ninguém roubaria sua motocicleta. E, se roubasse, ele ia encontrar a pessoa muito rápido. Não havia um único pertence seu de valor que não tivesse dispositivos localizadores embutidos.
Koji entrou no bar discretamente, passando direto pelo grupo de estudantes e se sentando em frente ao balcão. O casal saiu pouco depois, abraçado. Ele olhou o pequeno menu colado sob a mesa, enquanto o garçom limpava um copo, esperando que ele se decidisse.
-Comece pelo primeiro da lista e vá seguindo. Pule qualquer um que não tenha álcool. –disse, por fim.
O garçom, surpreso, fez o que ele pediu. Esperava que por volta do quinto ou sexto drinque ele já estivesse embriagado, como acontecia com a maioria dos clientes. Para sua surpresa, no fim da lista o garoto ainda erguia o copo sem dificuldade aparente. Era como se estivesse bebendo água.
-Se continuar assim, vai acabar com uma cirrose antes dos vinte. –disse uma voz ao lado dele.
Se virando, o rapaz viu uma garota de cabelos negros e longos se sentando ao seu lado. A reconheceu como sendo do grupo de estudantes que vira ao entrar.
-Não deveria estar com seus amigos? –perguntou ele, encarando os olhos negros e frios da garota.
-Colegas. –corrigiu ela, fazendo sinal para o garçom. –Não tenho amigos.
-Isso parece meio triste. –falou ele, terminando mais um copo de sabe-se-lá-o-que.
Enquanto o homem atrás do balcão servia algo de cor vermelho sangue em seu como, a garota disse:
-Tão triste quanto acabar com a metade do estoque de bebidas alcoólicas daqui.
-Não consigo nem ficar bêbado. –disse ele, sorrindo. –Isso é o pior. Maldito alto metabolismo.
-Ficar bêbado não resolve nada. –disse ela, tomando um gole da bebida no copo e olhando-o com curiosidade. –Tente socar alguma coisa.
-Tipo o que? –perguntou ele, vendo que a lista começava a se repetir.
-Me dá uma carona, e eu te mostro.

Eles pagaram as contas, se levantaram e saíram. A garota não se deu ao trabalho de se despedir dos colegas, e eles não pareceram se importar.
Koji a levou de moto até o lugar que ela indicou. Era um ginásio aparentemente abandonado. A fachada estava pichada, e havia musgo subindo pela parede, a partir da calçada. A umidade começava a fazer a madeira das janelas apodrecer.
Para a surpresa dele, ela desceu e destrancou a porta com uma chave que tirou de dentro de um vaso virado de ponta cabeça, ao lado da entrada.
-Que lugar é esse? –perguntou, curioso.
-É um ginásio que eu costumo freqüentar às vezes.
Eles entraram, e mais uma vez ele se surpreendeu. Por dentro, o lugar era completamente novo, limpo e tinha aparelhagem de ginástica completa.
Ela o guiou até um saco de areia pendurado no teto, jogou-lhe protetores para as mãos, acolchoados, para diminuir o impacto dos golpes, e disse:
-Manda ver.
Ele mandou. Golpeou o saco de areia sem dó, extravasando toda a sua raiva e mágoa. A mágoa que ele sentia mas não sabia para onde direcionar. A raiva de ninguém.
Depois de muito tempo naquilo, ele caiu sentado, suando, exausto.
Ela lhe entregou uma pequena toalha.
-Não disse? –falou, enquanto ele enxugava os cabelos molhados.
-É. Com certeza é bem melhor que beber. Mas acho que já é hora de ir embora. –disse ele.
-Claro. –disse ela, apontando uma porta no fundo da sala. –Mas antes tome um banho. Tem camisas limpas dentro do armário. Pegue uma.
-Obrigado. Depois, vai querer carona?
-Com certeza. –sorriu ela.
Ele tomou o banho, pegou a camisa e deu a carona. Quando chegaram ao lugar que ela indicou como sendo seu apartamento, ela desceu e disse:
-Obrigada, de novo. Por tudo.
-Obrigado você. –disse ele. –Me poupou de cair bêbado naquele lugar.
-Você me poupou de agüentar aquele bando de idiotas. Estamos quites, então.
-Se os acha idiotas, por que sai com eles? –perguntou ele, franzindo o cenho.
-Difícil explicar. Talvez outro dia.

Ele ligou a moto novamente, pronto para partir. Antes, porém, Koji perguntou:
-Podemos nos ver de novo?
Ela sorriu.
-Claro.
-Então... boa noite. –disse ele, pondo o capacete. Quando ela se virava para entrar, ele a chamou de novo. –Esqueci de perguntar seu nome.
Ela hesitou. Depois, respondeu:
-Yoko.
-Nos vemos, então, Yoko. –disse ele. –E, antes de ir... meu nome é Koji.
Ela sorriu, enquanto ele partia. Depois, entrou na casa, se perguntando por que mentira. Tomou um banho e pôs uma camisola.
Do outro lado da cidade, Koji estralava os dedos diante de um computador. Garotas não costumavam hesitar antes de dizer os nomes. A não ser que estivessem mentindo. Além disso, Yoko não era um nome que ele gostasse. Preferia algo como...
-Kikyou. –disse ele, vendo a foto e descrição completa da garota aparecer na tela.
Em seu apartamento, a garota pensava na noite que tivera. Fazia muito tempo que não se divertia assim. Tentando lembrar-se de seu passado, ela sentiu uma pequena pontada de dor de cabeça. Começou a adormecer antes de se lembrar de algo tão interessante quanto aquela noite.

Continua...


Capítulos de [InuYasha] Nunca Feche os Olhos

[09/12/07] O Fim do Começo

[09/12/07] As Marcas do Passado

[10/12/07] A Garota no Espelho

[11/12/07] Mais Lembranças, Menos Dor...

[12/12/07] Koji

[14/12/07] Reencontros

[15/12/07] Segredos

[15/12/07] Outras Vidas (Parte I)

[17/12/07] Outras Vidas (Parte II)

[19/12/07] A Névoa de Miasma

[20/12/07] Um Coração Yokai

[21/12/07] Pedaços de Vidas

[21/12/07] Apenas Amigos...

[22/12/07] A Aranha Negra

[25/12/07] Shikon no Tama

[27/12/07] A Guerra

[28/12/07] Sangue e Miasma


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