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[InuYasha] Nunca Feche os Olhos

Reencontros


Autor: ~sakurita

Categoria: Animes/InuYasha

Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico)

Personagens: Kagome, Inuyasha

Classificação: 14+

Adicionado em: 14/12/07

Comentários/Favoritos 2/2

Caracteres: 15.055

Exibições: 1

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Kagome deixou a água escorrer pelo rosto, tirando-a quando chegava muito perto dos olhos. Olhos que brilhavam.
Ele era tão fofo! InuYasha... Ele ia ajudá-la. Para poder ficar com ela. Para que ela pudesse fechar os olhos quando se sentisse triste, com raiva, ou mesmo feliz.
Para que ela pudesse simplesmente fechar os olhos.
Ela saiu de baixo do jato de água quente e se enrolou numa toalha felpuda e macia. Ao terminar de se secar, Kagome vestiu um short e uma camiseta meio larga. Já que ia ficar em casa o resto do dia, não havia sentido em colocar uma roupa mais bonita do que aquilo.
Já era tarde. O sol começava a se por. Depois de sair da escola, por volta das três da tarde, ela ficara com o hanyou durante umas quatro horas. Quando ela acabara de tomar o banho, eram quase seis da tarde..
Kagome começou a mexer na despensa, vendo o que poderia fazer no jantar. Talvez um yakissoba!
Ela já tinha começado a separar os legumes e verduras, quando a campainha tocou.
Ela estranhou. Ninguém nunca vinha visitá-la, fora seus novos amigos. InuYasha tinha acabado de deixá-la em casa. Então provavelmente era Sango... ou Miroku.
Apenas para o caso de ser o garoto, Kagome vestiu um sobretudo por cima das roupas, para que ele não se animasse.
Enquanto destrancava a porta, ela abotoava o casaco.
Quando viu quem estava parado no portão, ela estacou.
-...Koji? –perguntou ela, incrédula. –O... O que você faz aqui?
-Não me convida para entrar? –disse ele. –O vento aqui está frio.
De fato, um vento gelado soprava na rua. Mas aquela brisa despenteava o cabelo dele de forma tão agradável que Kagome quase o deixou lá apenas para ver seu rosto brigar com o vento. Ao encarar os olhos cinzentos e sérios, porém, ela desistiu.

-Eu não vou sair daqui pra abrir esse portão! –disse ela, se encolhendo dentro do sobretudo.
-Então como você espera que eu entre? –gritou ele, do portão. O vento soprou de novo, fazendo-o tremer.
Logo depois, Ele inclinou a cabeça um pouco para o lado. Ao invés de acertar seu rosto, um dos sais de Kagome atingiu a rua, fixando a ponta afiada no concreto. Enganchado por uma argola de chaveiro na maior das três pontas da arma, estava uma chave.
-Usa isso aí. –disse a garota, da porta da casa.
Analisando a chave, Koji sorriu. Um sorriso lindo, de beleza selvagem, mas ao mesmo tempo incrivelmente manso.
-Como a chave de uma janela vai me ajudar a passar pelo seu portão? –perguntou ele.
-Eu não falei pra você usar a chave. –disse Kagome, entrando na casa.
Ele continuou sorrindo. Pegou a arma fincada no chão, guardou a chave no bolso e começou a trabalhar.
Pôs a ponta central do objeto no buraco da fechadura e o moveu rápida e levemente. Sorriu ao ouvir o “clique” que anunciava a abertura do portão.
Quando entrou pela porta que Kagome deixara aberta, ela servia chá em duas xícaras em cima da mesa de centro.
-Demorou. –falou ela, sentando e pondo as mãos no colo.
Ele tomou um longo gole do chá servido, para aquecer o corpo. Sentindo o líquido quente descer pela garganta, Koji quase gritou de felicidade. Depois disso ele, disse:
-Você me deu um dos seus sais. Eu aprendi aquilo com grampos e espadas. Que, por acaso, eram as armas designadas a mim no templo em Nagoya.
-Você lutava com grampos também? –riu Kagome.
-Engraçadinha... –disse ele, baixando a xícara. –Ka-chan... por que você foi embora? Sabe que eu a protegeria.
-Você era uma criança. Nós dois éramos.
-Tinha quinze anos, quase dezesseis. Sua idade de hoje. Você se foi por outro motivo, Ka-chan. Qual? –perguntou ele, olhando-a nos olhos.
Ela sabia que não podia mentir para Koji. Nunca conseguira, não com aqueles olhos profundos como lagos cinzentos.

-Não deu pra ficar lá, -disse ela, séria. –porque eu sabia que Naraku ia tentar me pegar de novo. Ele estará sempre atrás de mim. Já faz dois anos que eu fujo, mas agora me cansei. Só parei nesse lugar porque cansei de fugir toda vez que a névoa ficava mais densa à noite perto da minha casa. Cansei de fugir do escuro, do miasma, de Naraku! Quero que ele vá pro inferno. –desabafou ela, baixando a cabeça.
-Posso te ajudar a mandá-lo para lá. Posso te ajudar a acabar co Naraku, se e quando for necessário. –disse Koji, inclinando a cabeça para o lado.
Era uma mania estranha e adorável.
Kagome se voltou para ele, novamente:
-E você? O que fez, depois que eu fui embora? Por que está aqui agora?
Ele sorriu.
-Depois que você se foi eu pedi demissão e comecei a te procurar. Sempre que chegava à um lugar em que você já tinha estado, me diziam: “ela já foi embora”, e então eu começava a busca de novo. Dois anos, Ka-chan. Acho que você me deve algo pelo tempo que passei te procurando.
-Sei, sei. É verdade. Mas não queria por ninguém em perigo. Muito menos você. –antes que ele falasse algo, ela continuou. –Nem vou perguntar como você me achou, já que te conheço bem. Agora responda a segunda pergunta: Por que está aqui agora?
-Bem... –falou ele, agora sério. –Eu te disse que te amava e no mesmo dia você foi embora. Tínhamos que conversar muito, ainda. Completei dezessete anos há algum tempo, Ka-chan. Faz dois anos que eu quero repetir o que te disse no templo, em Nagoya. Mas não vou repetir, ainda. Porque sei e compreendo que as pessoas mudam. E ainda não sei se você mudou...
-Ainda sou a mesma Kagome. –disse ela, observando como ele mudara. Parecia mais maduro, os cabelos estavam um pouco mais compridos, os olhos mais espertos. E ele estava sério. Kami, como ele ficava lindo sério! E sorrindo. Ele ficava lindo de qualquer maneira. –só que agora eu tenho outra vida. Não sei... se ainda sinto o mesmo por você.

-Isso veremos com o tempo. –disse ele. –Mas, por agora, eu tenho uma má notícia, Ka-chan. Foi por isso que apressei minhas buscas pra te achar o mais rápido possível. Ninguém sabia onde te encontrar, por isso acho que você não ficou sabendo.
-O... o que? –perguntou ela. O que ele poderia contar de ruim? Algo sobre Naraku?
-Seu pai... –começou ele.
-Não quero saber dele. –falou ela. –Aquele homem é meu provedor, é apenas isso. Nunca foi um pai para mim. Nunca esteve comigo. Isso não vai mudar agora. Você não disse que não trabalhava mais pra ele?
-Sim. –disse Koji. –Eu disse. É por isso que essa notícia me pegou desprevenido, também. Seu pai não é mais seu provedor, Ka-chan. E o fato de ele nunca estar com você realmente não mudar nem agora nem nunca. Por que ele morreu.

***

Quando Kagome ouviu aquilo, se levantou num pulo.
-O quê? Morto? Meu pai? Como?
-Bem... sente-se. –disse Koji, com uma expressão sombria. –Será melhor assim.
Ela se sentou. Percebeu que as mãos tremiam. Sentiu o coração apertar brevemente, e depois mais nada. Por quê? Por que ela não conseguia sentir os olhos molhados, as lágrimas aflorando? Seu pai tinha morrido. E ela não conseguia nem ao menos chorar! Que tipo de ser humano era aquele, que chorava vendo filmes na televisão e não chorava a morte de seu próprio pai?
-Ele foi encontrado junto de sua esposa... Azumi. Os dois morreram com cortes profundos na garganta. Eu consegui vê-los no necrotério, não pergunte como. Eram marcas de garras, Ka-chan.
-Assassinados. –concluiu Kagome. –Youkais. Naraku.
-Certo. –disse Koji. –Havia uma marca no pescoço de Azumi, junto dos cortes. Uma aranha. Faz algum sentido?
-Faz... Não. –disse Kagome, confusa. –A aranha é a marca de Naraku. Mas não faz sentido a esposa de meu pai ter essa marca.
-Ok... só mais uma coisa, Ka-chan. Temos que ir até o templo em Nagoya, no fim-de-semana. Ou seja, amanhã.
-Por quê? –perguntou ela, confusa.
-Quando fiquei sabendo que seu pai e a esposa tinham morrido, -falou ele, parecendo embaraçado –eu fui ver os corpos no mesmo dia. Quando cheguei lá, me perguntaram se eu era parente, e eu meio que...
-Mentiu. –completou a garota. –disse que era o quê?
-Filho. –disse Koji, sorrindo amarelo. –Eles sabiam que o Sr. Higurashi tinha dois filhos, mas não sabiam o sexo de nenhum deles. Ou melhor, de um eles sabiam.
-E...?
-Bom... Como o filho mais velho do Sr Higurashi, eu fui incumbido de resolver um probleminha, mas isso só você pode fazer.
-O que é, por Kami? –apressou-o Kagome.
-Hm... É que... Eles acharam registros de que o filho ou filha mais velha do Higurashi tinha sido mandado para o templo em Nagoya e... –ele parou, hesitando em terminar a frase.
-Fala, Koji! –disse Kagome, começando a se irritar.

-Mandaram seu irmão ara lá também. Temos que pegar Souta no templo, e você vai ter que cuidar dele. Agora, você é a responsável legal pelo seu irmão.

***

-E se ele não gostar de mim? E se ele me xingar por não ter vindo antes, e se ele tentar se matar, dizendo que é melhor morrer do que viver comigo?
Koji sorria, andando tranqüilamente ao lado de Kagome. Ela levava uma mochila vazia nos braços, que tremiam. Desde que tinham saído de casa, de madrugada, para pegar o avião e ir à Nagoya, ela estava pensando e falando em todas as coisas ruins que poderiam acontecer.
-Calma, Ka-chan. Ele deve estar triste e confuso. Ter alguém com quem partilhar a tristeza, e alguém com quem morar, agora que seus pais estão mortos, só vai deixar Souta mais feliz. Ele vai gosta de você. Não há como não gostar.
-Mas e se...
-Mas e se nada, Ka-chan! –falou ele, exasperado. –O garoto vai gostar de você, eu sei que vai! Seu irmão está agora com seis anos, prestes a completar sete.
-Eu sei... mandei... cartões em todos os aniversários dele. –disse ela, corando fortemente.
-Viu só? –falou ele, sorrindo abertamente. –Como é possível não gostar de alguém que nunca se esquece do nosso aniversário, mesmo não nos conhecendo?
-É...
Ela parou de falar, ao ver-se em frente ao arco de entrada do templo. Continuava igual ao que ela se lembrava, bem arrumado, sério por fora, mas cheio de calor humano por dentro. O calor vindo de cada morador daquele lugar, na maioria crianças. Como ela fora um dia.
Os dois entraram em um silêncio respeitoso, e foram ao lugar que, desde o tempo em que moraram ali, era onde se atendiam os visitantes.
-Tsuki-sensei? –falou Kagome, esperando uma resposta de dentro do aposento.
A porta foi corrida para o lado, abrindo-se para mostrar uma mulher de aparência jovem, usando um coque bem preso, feito com cabelos ruivos incrivelmente belos.
-Ka-chan... Koji-kun! –disse a mulher, abraçando os dois com uma força quase surpreendente.

-Tsuki-sensei, viemos aqui para buscar Higurashi Souta. –disse Koji, abraçando-a de volta, com carinho verdadeiro. –Ele é irmão da Ka-chan.
A senhora sorriu, e olhou para Kagome.
-Eu fiquei surpresa quando o trouxeram para cá. –disse ela, encarando os olhos surpreendentemente azuis da garota. –Mas não falei que você tinha ido embora, por que não sabia o que fariam com o pobre garotinho se ele não pudesse ficar aqui.Então o coloquei no seu antigo quarto, e liguei para Koji.
-Muito obrigada, Tsuki-sensei! –disse Kagome. –Pode me levar até ele?
Guiados pela mulher, os dois foram até o quarto que Kagome ocupara até dois anos antes. Lá, acharam um garotinho dormindo tranqüilamente, com a cabeça apoiada num travesseiro aparentemente molhado.
-Ele chora muito, ainda. –disse a sensei, olhando-o tristemente. –Mas nunca permite que ninguém o veja chorando. Sempre vem para cá. E manda todos embora, quando vêm trás dele.
-Vocês dois têm algo em comum, então. –disse Koji, encarando Kagome.
-Hm... –fez ela, desconfortável.
Kagome foi até a cama e se ajoelhou ao lado do garotinho. Ela acariciou seus cabelos de leve, apenas para se certificar se ele era mesmo real, se ela realmente estava conhecendo seu irmão, depois de tanto tempo.
Quase tombou para trás quando ele abriu os olhos repentinamente e gritou:
-Sai de perto de mim! Quem é você???
Ela apoiou as mãos no chão para não cair, se afastou um pouco da cama e falou:
-Meu nome é Kagome! Higurashi Kagome. Sou sua irmã.
Ele se sentou na cama, parecendo assustado, e começou a falar:
-Não tenho irmãos! Sou o único filho que meus pais têm. Tinham... Quem é você, de verdade?!
-Eu... sou... Você... Não sabia da minha existência? –perguntou ela, confusa. –Não sabia? Kami, como eles puderam fazer isso... os cartões...!
-Cartões? –perguntou o garotinho, parecendo ficar mais calmo ao ouvir a palavra “cartões”. –Você falou em cartões?

-É... –falou ela, com os olhos cheios d’água. Seu pai, seu próprio pai, tinha afastado-a de seu irmão propositalmente! –Eu te mandei um cartão em todos os seus aniversários, desde que você nasceu! Mas você não sabe quem eu sou, o que só pode significar que meu pai escondeu a minha existência de você todos esses anos!
-Então... eram pra mim! –gritou o menino, parecendo triunfante. –Os cartões que mamãe queimou eram pra mim!
-Quê? –perguntou Kagome, olhando para ele. Koji e Tsuki-sensei pareciam ter se retirado. –como assim?
-Um dia eu vi minha mão queimando um cartão, no dia do meu aniversário, bem cedinho! Quando eu perguntei, ela falou que era um cartão velho que tinham mandado pra ela!
-Mas por que Azumi iria querer nos afastar? –perguntou Kagome, confusa.
-Não falei o nome da minha mãe pra você. E os policiais que me trouxeram aqui disseram que nada ia aparecer na TV... Então como você sabe o nome da mamãe? –perguntou Souta, balançando as pernas, ainda sentado.
-Ela era mulher do meu pai... do nosso pai. –disse Kagome, sorrindo sem jeito. –Minha madrasta.
-Ah... –fez o garoto. –Bem, então você é a tal que a sensei falou que vinha me buscar. Ela disse que você é legal.
-Bem... –falou ela, sorrindo pela primeira vez –Eu tento.
-Certo. Se você pode tentar ser legal, eu também posso... né? –perguntou ele.
-É. acho que pode.
Para a surpresa de Kagome, o pequeno saltou da cama e a abraçou pelo pescoço. Ela sentiu o ombro ficar molhado, pelas lágrimas que ele soltava. Ela passou a mão pela cabeça do garoto, e falou:
-Não sei por que tentaram nos separar. Mas não vai acontecer de novo. Agora, somos você e eu, Souta. Contra o mundo. Tudo bem?
Ele se levantou, enxugou as lágrimas e falou, com a cabeça erguida.:
-Sim! Contra o mundo!

Continua...

Nota da Autora:
Desculpem a demora, mais tá aí o próximo capitulo!!! Comentem...!!! ^^


Capítulos de [InuYasha] Nunca Feche os Olhos

[09/12/07] O Fim do Começo

[09/12/07] As Marcas do Passado

[10/12/07] A Garota no Espelho

[11/12/07] Mais Lembranças, Menos Dor...

[12/12/07] Koji

[14/12/07] Reencontros

[15/12/07] Segredos

[15/12/07] Outras Vidas (Parte I)

[17/12/07] Outras Vidas (Parte II)

[19/12/07] A Névoa de Miasma

[20/12/07] Um Coração Yokai

[21/12/07] Pedaços de Vidas

[21/12/07] Apenas Amigos...

[22/12/07] A Aranha Negra

[25/12/07] Shikon no Tama

[27/12/07] A Guerra

[28/12/07] Sangue e Miasma


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