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[InuYasha] Nunca Feche os Olhos

Koji


Autor: ~sakurita

Categoria: Animes/InuYasha

Gênero: Drama (Tragédia) / Romance e Novela. / Shoujo (Romântico)

Personagens: Kagome, Inuyasha

Classificação: 14+

Adicionado em: 12/12/07

Comentários/Favoritos 5/5

Caracteres: 12.905

Exibições: 1

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-Anda logo, Ka-chan!
Kagome sorriu.
Estava se acostumando a ser chamada de Ka-chan.
Sorriu, enquanto corria para alcançar o hanyou, a sua espera no portão da escola. Quando o alcançou, deu-lhe um soco de leve no braço e disse:
-Eu tinha que entregar aquele trabalho, seu baká. Não adianta me apressar,viu?
Ele ficou emburrado, fez uma careta e soltou um “feh”. Depois, pareceu se acalmar.
-Certo. Mas então, vamos ou não? O café já deve estar aberto, sabe? –disse InuYasha, com um sorriso.
Os dois caminharam sem pressa, algo que tinham descoberto em comum. Não tinham pressa de andar, não tinham pressa de chegar a lugar algum. Simplesmente caminhavam devagar, aproveitando cada segundo juntos.
Quando chegaram ao Café, Kagome e InuYasha escolheram uma mesa do lado de fora, e pediram dois sorvetes.
Enquanto esperavam, eles conversavam.
-Você não me contou por que se mudou para os Estados Unidos, naquele dia. –disse ele, puxando conversa. Talvez agora, que se conheciam melhor, Kagome lhe contasse a verdade.
-Bom... Eu meio que fui pesquisar umas coisas. Voltei por que minha madrasta estava grávida de Souta. Meus pais então me mandaram para morar num templo em Nagoya. Adorava aquele lugar.
-Isso é estranho. –disse o hanyou, sério.
-O quê? –perguntou Kagome. –Eu adorar aquele lugar?
-Não –falou ele, olhando-a nos olhos. -É estranho o fato de seu pai ter te mandado para morar num templo justo quando sua madrasta ficou grávida, como se você e o bebê não pudessem conviver em harmonia. E não é muito normal se livrarem de um filho quando outro está a caminho.
Ele viu os olhos dela ficaram marejados, como se suas palavras a tivessem machucado. InuYasha ficou desesperado ao entender o que se passava. Ela já sabia o que ele tinha dito. Apenas negava o fato.
Se levantou rápido, foi até Kagome e a abraçou com força.
-Me desculpe, Ka-chan. Não queria te magoar, sério. Eu apenas...

-Não, -interrompeu ela, limpando os olhos com as costas das mãos. –Eu só... lembrei do templo. O fato de meu pai ter me mandado pra lá não me magoou, InuYasha. O que me magoou foi deixar aquele lugar, depois de viver lá por cinco anos.
Ele voltou a se sentar, perplexo. Ela sentia mais falta de um templo onde vivera do que de seus pais? Kami, que tipo de vida sua amiga tinha passado?
-Nossos sorvetes chegaram.
Ela viu o sorvete ser colocado em sua frente, sorrindo.
-Ei, o seu é de quê? –perguntou InuYasha, enfiando uma colher no dele mesmo.
-Chocolate com menta. –disse ela, pondo uma colher cheia de sorvete na boca.
Kagome retirou a colher dos lábios, encheu-a de sorvete de novo e ofereceu ao hanyou.
-Quer?
InuYasha sorriu. Ela era tão meiga. Enquanto aceitava o sorvete, ele viu ela roubar sua colher e seu sorvete, e deu risada.
-Ei, isso é meu!
Ela deu risada também, e afastou a taça cheia de sorvete de creme e chocolate das mãos dele.
-Que pena! –falou para ele.
Ele se levantou, e ela percebeu o que ele ia fazer antes que ele conseguisse. Quando InuYasha tentou pegá-la, Kagome já estava de pé com seu sorvete e pronta para correr.
-Ei, sua ladra de sorvete, volta aqui!
Ele demorou cinco minutos para pegar Kagome. Quando o fez, InuYasha a puxou pelo braço, fazendo-a perder o equilíbrio. O sorvete quase caiu, mas ele o colocou a salvo na mesa. Kagome, porém, ele continuou segurando.
Ela se viu bem presa entre os braços fortes do garoto, sem escapatória e com dois olhos dourados perfeitos olhando-a diretamente.
Kagome percebeu que ele estava muito, muito próximo. Ela sorriu, sem graça, e tentou se afastar. Pôs as mãos nos ombros dele e o empurrou de leve. Era como tentar mover uma montanha.
-InuYasha... –começou ela, totalmente sem graça, àquela altura. –Dá pra me soltar?
Ele aproximou o rosto dela e perguntou:
-Por quê?
-Por que isso não é uma boa idéia. –disse ela, ao senti-lo se aproximar.
-Certo. E por que não é uma boa idéia?
-Porque... me solta, tá legal? Prometo que te explico.

Contrariado, o rapaz a soltou, sentou-se em sua cadeira e terminou de tomar seu sorvete. Quase beijara Kagome. Quase.
-Explica, então. –disse ele, largando a colher na taça vazia.
Ela suspirou, tentando achar outra saída que não a verdade. Não encontrou.
Teria que contar.
Kagome respirou fundo, tomando coragem, e falou:
-Me prometa segredo.
-Prometo. –disse ele, na mesma hora.
-Certo. Bom... é... Tudo isso começou a dez anos...
Kagome começou a narrar a história da primeira manifestação de energia vinda dela mesma, dez anos atrás, quando sua mãe morrera. contou sobre a aranha marcada em cada rosto mascarado. Falou sobre os exames, sobre o perigo que a proximidade dela poderia significar para o irmão e sobre o templo. Por último, falou sobre o ataque que sofrera naquele lugar e sobre como estivera fugindo desde então. A única coisa que ela não falara fora a parte relacionada a Koji. Aquela parte da história era dela, e só dela.
-Eu sei que Naraku ainda está atrás de mim. –disse ela, séria. –Mas, de certa forma, acho que já era hora de parar de fugir. Foi por isso que eu vim pra cá, depois de ter alguns problemas na minha antiga escola. Resolvi esperar para ver o que acontece.
-O que aconteceu no seu antigo colégio? –perguntou InuYasha, inexpressivo.
-Bem... Um garoto cortou uma bola em cima de mim, eu fechei os olhos e pus as mãos em frente ao rosto, para me defender. Quando abri –falou ela, com um meio sorriso. –Ele estava caído no chão, inconsciente, com a bola cobrindo o rosto. Tinha batido com tanta força na cara dele que acabara estourando. Depois daquilo eu achei melhor sair de fininho.
Ele sorriu. Simplesmente sorriu, e aquilo a intrigou.
-Por que sorri, InuYasha? Agora que sabe o tipo de aberração que eu sou, me espanta ainda estar perto de mim. Até porque não podemos... bem, não podemos.
-Nos beijar? –falou ele, sorrindo. –Oras, Ka-chan, isso não importa.
Ela se virou para ele, surpresa.
-Não... importa?

-É. Não importa. Quer dizer... incomoda, mas de certa forma talvez seja melhor. Acho que eu estava indo rápido demais.
Ela sorriu.
-Nem tanto.
-Bom, em todo o caso, -disse ele, olhando-a com carinho. –Tem que haver uma saída para você. Deve haver uma maneira de acabar com isso. Quando descobrirmos, tudo ficará bem.
-Tá querendo dizer que vai me ajudar a encontrar a solução pra isso só pra ficar comigo, InuYasha? –perguntou ela, surpresa.
-É. –falou ele, sorrindo. As orelhas balançaram alegremente. –Estou. Até a gente resolver isso, podemos só conversar, podemos ser apenas amigos.
Ela sorriu. Ele sorriu de volta. Nenhum dos dois viu um rapaz de lindos olhos cinzentos e cabelos negros rebeldes, que os observava do outro lado da rua.
Kagome abraçou InuYasha e agradeceu a ele por tudo aquilo.
Do outro lado da rua, aquela imagem trouxe lembranças a Koji.

***

-Demissão?
-Sim, Sr Higurashi. Demissão. Quero sair desse trabalho.
Koji estava no escritório de seu chefe, nos Estados Unidos. Tendo mandado Kagome para o templo em Nagoya, ele ficara lá. O rapaz viajara para aquele lugar para pedir demissão. Pretendia voltar ao Japão o mais rápido possível, sem ligação nenhuma com o Sr Higurashi, para procurar Kagome.
Kagome.
Aquele nome ainda mexia com ele. Era verdade o que dissera á ela no templo. A amava, e muito. Tendo seus dezesseis anos, sabia que o que sentia não era mais uma daquelas paixonites adolescentes. Ele era sério demais para aquele tipo de coisa.
Gostava de Kagome, e gostava de verdade. Eram jovens, ainda, mas tinham tempo.
E ele queria ajudá-la.
Estivera pensando sobre o problema da garota. Talvez... talvez ele soubesse da solução. Mas primeiro, ia cortar relações com o homem a sua frente. Depois procuraria Kagome onde ela estivesse e pediria perdão.
Quantas vezes fossem necessárias.
-E o que aconteceu com Kagome, Hitto?
-Me chame apenas de Koji, senhor. Hitto é um nome que nunca gostei. Quanto á garota... Ela sumiu, depois do ataque ao templo.
Antes que o pai de Kagome terminasse o que falava, o garoto saiu da sala.
Não perderia mais tempo com aquele homem. O que realmente queria era a filha dele, a garota pela qual se apaixonara.
Kagome.
De volta ao Japão, ele descobriu que ela soubera se esconder. Onde quer que ela estivesse, a identidade com a qual comprara a passagem para lá era falsa. Porque não havia registros de nenhuma Kagome Higurashi para nenhum lugar no país ou para fora dele.
Ela era esperta. Ele era mais.
Chegando ao aeroporto nacional de Nagoya, ele entrou na sala de segurança sem ser notado, arrombando a porta sem nenhum problema. Tendo se trancado por dentro, recolheu todos os CDs de gravação das câmeras da área de embarque dos últimos três dias e colocou cuidadosamente dentro de uma mochila.
Saiu como entrara. Sem ser notado.

Quando a segurança do aeroporto se deu conta de que faltavam cerca de cinqüenta CDs no arquivo, Koji já tinha achado o que procurava.
Confortavelmente instalado em seu sofá, ele via o rosto de Kagome congelado na tela.
Ela usava óculos escuros, uma touca cobrindo parte dos cabelos e olhava para o lado, desconfiada.
No canto da tela ele viu o horário.
Sorriu, agradecendo pela sorte que tivera ao achar a lista de decolagens e pousos na sala de segurança.
Conferindo o horário marcado na tela, ele viu os aviões que tinham partido naquele espaço de tempo. Ao olhar a lista, sorriu de novo, pensando em como tinha sorte.
Havia apenas um avião saindo naquela hora.
Na folha que ele segurava, Koji grifou a décima terceira linha do papel. Lá estava escrito:
“Vôo via Toyama, Japão. Decolagem prevista –22:30h.”
Ainda sorrindo, ele pegou o telefone e discou alguns números.
Ao ouvir a costumeira voz doce das atendentes de aeroportos, ele falou:
-Gostaria de reservar uma passagem no próximo vôo para Toyama. Em nome de Hitto Koji.
Depois de desligar, ele recolheu todos os CDs e a lista. Usara luvas para manusear tudo aquilo, antão não se deu ao trabalho de limpar nada. Colocou o material numa caixa, embrulhou e foi ao correio.
No dia seguinte, o aeroporto nacional de Nagoya recebera um pacote com todos os CDs roubados mais a lista de decolagens e pousos. Havia ainda um bilhete digitado:
“Obrigado pelo serviço! Continuem como o ótimo atendimento.”

***

Kagome e InuYasha conversavam em frente à casa dela.
-Então... a gente se vê amanhã? –perguntou ele, sorrindo.
-Claro. –disse Kagome, enquanto destrancava o portão.
O hanyou sorriu e começou a caminhar para casa, logo que ela trancou o portão e entrou na casa. Depois de algum tempo, percebeu que os passos que ouvia atrás de si não cessavam. Estava sendo seguido!
Não se deu ao trabalho de virar para olhar quem era. Que se danasse o maldito. Ele só queria ir para casa. InuYasha virou a esquina e pulou para o telhado de uma casa.
Depois de alguns minutos, ele desceu e continuou andando, normalmente. Quem quer que o estivesse seguindo, parara quando o perdera de vista.
Pouco atrás dele, Koji sorria. Hanyou esperto. Descobrira que estava sendo seguido.
Mas ele também era esperto.
Vendo InuYasha caminhar tranqüilamente para casa, assoviando às vezes, o rapaz sorriu. Olhou para o pequeno mapa eletrônico em sua mão. Teria que segui-lo mais de longe, para que seus passos não fossem ouvidos. Mas o seguiria.
“Só tomara que ele não resolva se sentar”, pensou Koji. O rastreador que jogara ao vê-lo pular para cima do telhado tinha se fixado no bolso de trás da calça do hanyou.
Koji sorria para si mesmo. Descobriria enfim quem era aquele rapaz, que andava com Kagome. Seria ele outro funcionário do Sr. Higurashi? Talvez fosse hora de invadir o sistema do ex-chefe de novo, só para garantir.
Mas, e se não fosse? E se fosse apenas um garoto da escola de Kagome, que gostasse dela de verdade? Então as cosias se tornariam complicadas.
Ao ver o ponto vermelho que representava InuYasha se fixar numa posição no mapa, Koji anotou as coordenadas e desligou o aparelho. Tinha o endereço. Talvez fizesse uma visita mais tarde.
Por agora, tinha outra pessoa para visitar.

Continua...

Nota da Autora:
Obrigada pelos comentários... Comentem se estiverem gostando...


Capítulos de [InuYasha] Nunca Feche os Olhos

[09/12/07] O Fim do Começo

[09/12/07] As Marcas do Passado

[10/12/07] A Garota no Espelho

[11/12/07] Mais Lembranças, Menos Dor...

[12/12/07] Koji

[14/12/07] Reencontros

[15/12/07] Segredos

[15/12/07] Outras Vidas (Parte I)

[17/12/07] Outras Vidas (Parte II)

[19/12/07] A Névoa de Miasma

[20/12/07] Um Coração Yokai

[21/12/07] Pedaços de Vidas

[21/12/07] Apenas Amigos...

[22/12/07] A Aranha Negra

[25/12/07] Shikon no Tama

[27/12/07] A Guerra

[28/12/07] Sangue e Miasma


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