CAPÍTULO IV
PARTE I
Os primeiros raios de sol começavam a desenhar o alvorecer de um novo dia. As últimas estrelas ainda cintilavam, derramando seu brilho sob o manto do céu escuro.
O vento soprava insistentemente enquanto carregadores de alma continuavam sua viagem silenciosa, únicas testemunhas daquele momento.
Duas figuras permaneciam inertes ante ao inesperado encontro. Olhavam-se demoradamente, como que decorando cada traço; tão familiares e tão estranhos. Não estavam certos sobre o que devia ser dito ou ser feito. Então apenas conservaram-se quietos.
Ela perguntava-se como ele havia chegado até ali. Ele, o que ela ali fazia.
Depois de um longo tempo, quando a tensão já era palpável, as primeiras palavras foram ditas.
- InuYasha... – Ela sussurrou mais uma vez enquanto ele mantinha-se olhando-a fixamente – o que faz aqui? – questionou Kikyou, ainda insegura.
- Kikyou... – Ele permaneceu olhando-a, agora enternecidamente, enquanto murmurava seu nome – eu... eu segui seu cheiro até aqui...
- Não devia estar aqui! É arriscado demais – ela cortou-o recuperando-se enfim, do choque de vê-lo ali, machucado como estava e àquela hora.
“Onde está seu juízo, InuYasha?” pensava tornando sua cabeça para o céu para não ter de encará-lo devido a rispidez de suas próprias palavras.
O hanyou a olhava espantado pelo que lhe dissera e pelo tom incisivo. No entanto, admitia que ela estava com a razão. Talvez fosse realmente uma loucura o que ele estava fazendo, indo até ali ferido e sozinho, visto as circunstâncias atuais em que se encontravam.
Naraku estava a um passo de completar a Jóia de Quatro Almas e a cada dia estava ficando mais poderoso. Além disso, ainda estava terminando sua transformação e arregimentando um exército para fazer os trabalhos sujos que ele não poderia fazer. Iludidos com promessas de reinos e fragmentos da Jóia, fortes youkais estavam se unindo a Naraku em troca da promessa de poder, reinos e de fragmentos da Jóia. Um numeroso contingente se unia e claramente o momento final dessa guerra ia se desenhando cada vez mais austero e calamitoso. As batalhas estavam ficando mais próximas e mais difíceis, como a de horas atrás. O confronto que tiveram a pouco havia sido desastroso. Kikyou havia gasto muito de seu poder espiritual e InuYasha havia se ferido gravemente na tentativa de evitar uma desgraça maior. Foram vítimas de uma emboscada, primorosamente armada pelo bando de Naraku e nem Kagome nem os outros puderam ajudá-los. Fora por pouco que haviam conseguido escapar. Ao fim, Kikyou resolveu se afastar com seus carregadores de almas enquanto InuYasha quase inconsciente era levado para um vilarejo próximo para se curar dos ferimentos. Mesmo assim, ele queria saber como ela estava. Era por esse desejo que ele estava ali; e era por essa razão que a sacerdotisa preocupava-se.
- Kikyou...
- Naraku está escondido em algum lugar nessas redondezas e muitos youkais poderosos se uniram a ele – voltou a encará-lo, friamente agora – Esta seria uma oportunidade perfeita para acabar com dois estorvos de uma só vez... Ambos saímos machucados da última batalha... Ele não teria nenhum problema para acabar conosco agora. Com efeito terminaria o trabalho que seus youkais não puderam realizar mais cedo – disse ela categoricamente. Estava sendo muito difícil manter-se tão destemida e indiferente frente a ele. Mas não era correto estarem ali... Não na atual conjuntura.
- Eu precisava saber se você estava bem... Kikyou... eu não pude ajudá-la e você... não quis ficar conosco... Eu queria ter a certeza que estava bem, se não eu não... poderia ficar em paz, Kikyou... – ele disse com a cabeça baixa e hesitante. Segundo seus amigos, Kikyou não aceitara estar com eles para se recuperar do embate. Ele ficara preocupado... Não conseguia entender porque estando tão frágil ela não quisera ficar. Também não sabia explicar o porquê, por uns instantes, ele teve a nítida impressão de ver os olhos de Kagome chorando –
“Kagome?” – Ele voltou a olhar para Kikyou a tempo de ver a expressão de choque que se desenhou em sua face com as últimas palavras que ele havia dito.
- Inu...Yasha... – ela apenas sussurrou enquanto ainda mantinha seu choque – “ Ele está preocupado comigo...”
- Eu não poderia ficar bem se você não estivesse a salvo... Porque não ficou conosco, Kikyou? – inquiriu suplicante – Eles... cuidariam de você... – desviou os olhos por instante para recuperar a concentração –
“Droga! Porque a imagem da Kagome não sai da minha cabeça?” – ele começava a fraquejar. Os ferimentos lhe doíam e estava difícil manter-se de pé e com as idéias claras. Mas estava convicto de que a convenceria voltar com ele.
Kikyou também desviou os olhos com a pergunta. Não podia ficar com eles. Não porque não precisasse e não quisesse, mas porque sentia-se um peso para qualquer um deles, até mesmo para InuYasha. Essa era uma jornada solitária que ela tinha que cumprir. E ainda tinha aquela menina... –
“Kagome...” – Não que se importasse verdadeiramente com os sentimentos dela, mas sabia como era ter seu coração partido, despedaçado; sabia como era sentir-se preterida. Não queria provocar nenhum desconforto, menos ainda em tempos tão difíceis como aqueles – Eu não poderia, InuYasha. Não quero ser um peso para vocês. Ademais, eu posso me recuperar bem sozinha. Agora você, não consegue se manter em pé! Devia ter ficado no vilarejo!
- Mas... Kikyou! – ele perguntava-se se ela não queria vê-lo, ou estava tentando mantê-lo em segurança. E como assim um peso? Ajudariam-na de bom grado. Ou talvez ela tivesse um outro motivo para não ir com eles. Sabia a razão, mas preferia ignorar. Não queria pensar nos olhos lacrimejados de Kagome mais uma vez...
- Já está amanhecendo – ela olhou para o céu como se já não estivesse mais ali... Como desejaria que ele não estivesse... Causava-lhe tantas tonturas estar ao seu lado. Ele a desconcertava, mesmo depois de tudo.
“Porque não vai embora InuYasha? Porque insiste tanto?” Encarou-o profundamente tentando manter-se indiferente – A garo...ta... – vacilou na escolha das palavras –
“Droga!” Seus amigos devem... estar preocupados com você a essa altura. Eu estou bem. Você deveria voltar agora.
- Kikyou... mas eu queria...
- Eu vou indo também. Este lugar não é mais seguro. Vou me esconder por um tempo até recuperar minhas energias. Não poderia vencer uma batalha assim como estou agora – disse Kikyou já se virando e ignorando o olhar surpreso de InuYasha. Partia-lhe o coração deixar que ele pensasse que não se importava. No entanto, era necessário. Ele precisava de descanso, e com certeza seus amigos estavam preocupados e ali, ambos corriam perigo. O melhor era partir e esperar que ele fizesse o mesmo – Até mais... InuYasha.
O hanyou apenas permaneceu quieto, boquiaberto olhando a sacerdotisa se afastar. A dor estava gritando em sua cabeça que ele não iria agüentar-se em pé por muito tempo. Pensava em uma forma de detê-la, mas suas forças não contribuíam para isso.
“Maldição! Eu mal consigo manter-me de pé! Maldição!” – Kikyou! Espere! Kiky... Kikyou! – ele disse já perdendo o equilíbrio, caindo sobre os joelhos.
Ela estancou, mas não olhou para trás
“Louco! Vai morrer desse jeito!”
- Venha... comigo – pediu ele com um gemido. A dor era insuportável.
“Maldição! Devia ter ouvido a Kagome quando me mandou ficar quieto! Hum?” – espantou-se com seu próprio pensamento –
“Kagome...” – Kikyou era importante agora, mas não esquecia-se da outra e não entendia o porque disso. Com certeza Kagome ficaria brava com ele –
“E com toda razão...”
- Você já tem muito com se preocupar, InuYasha. Devia se ocupar mais com aqueles que dependem da sua proteção e se curar. Eu já disse: ficarei bem! – e saiu. Não olharia mais para trás. Ademais, ela sabia que ele não estaria só. Seus amigos estariam vindo atrás dele a essa altura. Apenas continuou e desapareceu na densa floresta –
“Por favor, fique vivo e bem... InuYasha...me perdoe...”
- Ki...kyou... espe...re – ele murmurou num último esforço. Foram suas últimas palavras antes de cair em sono profundo, no entanto Kagome fora seu último pensamento –
“Me perdoe... Kagome... me per...do...”
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\o/
Aleluuuuuuuuuuuuuuuuuuia!
Não me matem please!!
Eu juro que não postei antes pq não estava com tempo!!
Ç.Ç
E pq... pq a inspiração não vinha também... XD
a parte dois vem logo em seguida! =D
Não postei tudo junto para não ficar enjoativo de vocês lerem!
Mas acho que com o final do período na facul, agora essa fic deslancha!
Não vou falar muito mais!
Só quero agradecer a todo mundo que acompanha sempre como a Kana-chan, ao Quest (que leu meio forçado XX, rs), a Naru, a Saraoliver, e outros mais que postaram!
Valeu gente!
Mais explicações na Parte II!
Mais uma vez sorry!!!